Roleta russa

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Foi mais um domingo em que Lewis Hamilton foi tão absoluto que ninguém viu. O piloto da Mercedes pouco apareceu na TV após uma briga que prometia ser boa entre ele e Nico Rosberg ter sido abreviada por um problema no acelerador da Mercedes do alemão. Abençoado, como ele mesmo se disse após a prova, Hamilton este ano parece tão imune à pressão quanto às quebras, que quase complicaram o título do ano passado. Agora, tem o primeiro ‘match point’ do tri daqui duas semanas, nos Estados Unidos.

Mas este final de semana em Sochi deixou uma questão no ar: totalmente dominado pelo companheiro durante toda a temporada, Rosberg fez duas poles seguidas – e de maneira bem convincente – em duas oportunidades nas quais a preparação das equipes nos treinos livres não foi a ideal. Algo curioso para quem é tido como um piloto com menos habilidade natural de contornar adversidades que Hamilton.

Sem os problemas do alemão, a disputa teria sido interessante. Com as estratégias engessadas pelo pouco desgaste dos pneus, Hamilton teria de ir para cima na pista. E, mesmo com a vantagem que tem no campeonato e teoricamente não precisando vencer, é de se imaginar que o inglês pelo menos tentaria passar Rosberg, tamanha a confiança que vem demonstrando neste ano.

No mais, a bruxa estava solta neste final de semana em Sochi. Aconteceu um pouco de tudo, desde treino encurtado por uma vazamento de caminhão de serviço até Fernando Alonso dando uma de “piloto de GP2” e sendo punido por insistir em “cortar caminho”, algo bastante incomum de ver na F-1. Também vimos Kimi Raikkonen julgar mal uma série de tentativas de ultrapassagem até acabar com a corrida de Valtteri Bottas.

E houve também acidentes mal explicados e bem fortes com Grosjean e Sainz. Erro de pilotagem? No caso do francês, é a explicação mais plausível, mas no do espanhol parece ser uma situação mais complexa. A freada da curva 13, à direita, é complicada porque o piloto tem de posicionar bem o carro para a seguinte, à esquerda. Principalmente se você está lidando com a mudança de carga aerodinâmica do carro quando o DRS está se fechando. É um momento crítico do equilíbrio, como o novato percebeu a duras penas. Tanto, que outras equipes, como a Lotus, instalaram um sistema manual de fechamento do DRS especialmente para esta pista.

Trata-se de mais uma descoberta acerca de um circuito que pareceu sem graça à primeira vista, mas que vai mostrando seus segredos aos poucos – e pegando alguns figurões de surpresa.

14 comentários sobre “Roleta russa

  1. Gostei do título, Julianne!

    Corrida com alguns lances surpreendentes, em um circuito que parece ser mais perigoso e traiçoeiro do que aparenta à primeira vista.

    Com o sempre festejadíssimo Hulkenberg entregando a rapadura precocemente e rodando sozinho na primeira volta, mais uma vez foi o apedrejadíssimo Sérgio Pérez quem levou uma Force India à glória de um pódio. Mais uma vez Pérez, vindo de trás, jantou Hulk e palitou os dentes com o celebrado alemão. Essa “palitada” já se traduz em 16 pontos de vantagem. Como está sendo dito por aí, ninguém contava com a astúcia do mexicano! Fez uma belíssima corrida e não entrou em luta suicida contra Bottas e Raikkonen, ambos com pneus mais novos, preferindo visar apenas valiosos pontos, em circunstâncias que afinal o devolveram a um justo e merecidíssimo pódio. Na minha opinião, foi o STAR OF THE RACE. Gosto do estilo de tocada sempre combativa, eletrizante e muitas vezes agressiva de Pérez, características que já exibia desde a GP 2, onde foi vice-campeão para Maldonado em 2010.

    Corrida brilhante, espetacular e arrojada de Vettel, que mais uma vez “ordenhou” a sua Ferrari, digo, tirou leite de pedra, evidenciando uma diferença abissal para Raikkonen. Aliás, que me desculpem os fãs do finlandês, mas a Ferrari estaria mais bem servida com Pérez ou Hulkenberg ao lado de SebVet para 2016. Não consigo ver sinais de estancamento do declínio técnico de Raikkonen, embora ele ainda possa ter alguns lampejos aqui e ali.

    Fico com a impressão de que ambos os pilotos e a própria equipe Williams ficaram devendo, em face da grande velocidade que o carro da equipe exibiu em Sochi, principalmente com Valtteri.

    Nota mil para a bravura de Carlos Sainz. Desta vez, a falta de sorte no início para Max Verstappen foi tão grande com o pneu furado, resultante do enrosco entre Hulk e Ericsson, que acabou inviabilizando um grande resultado na área de pontos. Fica para a próxima.

    Gostei da performance de Kvyat e lamento pela má sorte de Rosberg, que nos privou talvez de um grande embate entre Hamilton e ele. Hamilton esteve perfeito em um carro perfeito, fazendo um interessante e carinhoso reconhecimento ao seu parceiro de tantas vitórias, o W-06. Ele e Vettel sempre demonstraram reconhecimento aos seus respectivos carros, nas vitórias. E Alonso cada vez mais finamente mordaz. Perde o engenheiro mas não perde a piada, hahahaha!!!! Que fase! Que clima!

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    1. aucam,

      “festejadíssimo”, “apedrejadíssimo”, você é “priceless”! Seus comentários são sempre interessantes e divertidos. Obrigado!

      Perez não entrou em “luta suicida” mas também não é nenhum “cozinheiro de galo”.

      Julianne, “piloto de GP2” p/ Alonso também é impagável! Obrigado!

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    2. Embora eu não venha comentando com a mesma frequência, sempre leio os comentários e posso dizer mestre Aucam você sempre se supera com suas análises precisas e que vão diteto ao ponto.

      Lewis caminha a passos largos em direção ao seu terceiro título, muito feliz em ver um piloto arrojado que parte pra cima ser campeão e conquistar sucesso na F1.

      Nunca fui fã dos pilotos tidos como cerebrais, ou no português claro: “cozinhadores de galo”.

      Gosto de piloto abusado, que usa e abusa das zebras, que parte pra cima. Não é atoa que venho nutrindo um carinho especial por esse garoto chamado Vertapen.

      Abraços..

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      1. Pois é, caro MP4-23. Eu também abomino os chamados pilotos cerebrais, praticantes entediantes de um automobilismo sonífero, de um automobilismo de espera, que não gera emoções, só números que serão inexoravelmente batidos. Veja que mesmo em provas de longa duração, quando a turma senta a bota, as coisas ficam mais movimentadas, mais emocionantes, vide a caçada feroz e emocionante de Hans Hermann a Jacky Ickx em Le Mans em 1969, quando – “descontando” depois de uma parada para reparos – chegou a apenas 6 segundos do belga, isso em uma corrida de 24 horas de duração! Gosto da filosofia do Markku Alen, do Maximum Attack: nunca levantar o pé, frear o mais longe possível, correr sempre na frente, e da filosofia de Walter Rohrl, de vencer sempre com a maior distância possível. Lewis é dessa estirpe, nunca se conforma se não estiver na frente, na liderança; briga até por centímetros de pista, dá pra perceber como se sente agoniado quando não corre na liderança: o resultado é ele pilotando na fronteira do impossível e acima dos limites do carro, o que, evidentemente, o expõe a mais riscos, ao insucesso. Mas isso é da natureza de Hamilton, e – para o bem do espetáculo – é bom ele que nunca perca essa característica, que é confundida com falta de amadurecimento, falta de cabeça etc. etc. etc. por seus detratores. Lewis é sempre notícia na F 1, desde aquele ano Mandrake de 2007.

        E Max Verstappen – grande sensação e um fenômeno de habilidade nos meios kartistas – segue de perto os passos de Lewis, pois sempre é notícia, desde que adentrou a F 1, ARROSTANDO e VENCENDO preconceitos. O vídeo no link abaixo mostra a dimensão da habilidade excepcional do Verstappinho AO RECUPERAR seu carro para o prumo – SEM ENTRAR EM PÊNDULO – de uma entortada de 90 graus. Até o Vergne se empolgou! Fazer isso num carro de 800 cavalos, pesado, para quem estava recém saído do kart, com pouca experiência de F3, não é brincadeira, é uma coisa muito séria, SÓ OS RAROS são capazes. São caras assim que entregam adrenalina, emoções. São eles os imprescindíveis ao automobilismo.

        Forte abraço e obrigado pela força aos meus pitacos, valeu!

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    1. Caro Muguelo, as coisas andam surreais para aqueles lados da McLaren, pois só assim se pode entender o “incentivo” do engenheiro de Alonso mandando-o encarar e se sustentar à frente de Massa com um canhão Mercedes, logo o pobre asturiano, que dispõe de um motor de GP 2! Como diz o Chrystian, vai ver que o engenheiro anda zoando o Alonso, alíás, acho que era o próprio MUTLEY que estava do outro lado no rádio, e certamente deve ter dado aquela famosa gargalhada!!!! Hihihihihi!!!!

      No mais, valeu Muguello, obrigado.

      Mas é a mais pura descrição da realidade: nem Vettel, nem Hamilton, nem Alonso, com todos os títulos, reúnem tanta unanimidade elogiosa quanto Hulkenberg, fico pasmo, pois vejo muitíssimos comentários por aí que inclusive o nivelam àqueles três. Por mais que eu me esforce, nunca consegui ver nele essa genialidade e essa velocidade, embora ele esteja longe de ser um mau piloto. Pérez, ao contrário, é extremamente UNDERRATED e reúne muita má vontade contra si, não apenas entre a galera em geral, como até mesmo entre os comichatos, pois em qualquer rolo dele com outro piloto, ele é sempre o “suspeito de sempre”. Pérez paga o preço de ter chegado a uma McLaren que já não ia bem das pernas, digo, rodas, e, lá chegando, ter encontrado outro piloto que na maciota é mais carne de pescoço do que parece: BUTTON.

      Jenson é o único cozinheiro de galos que eu aprecio, pois cozinha, cozinha, e, quando serve o galináceo, serve-o devidamente acompanhado da água fervente em cima dos adversários, vide aquela monumental ultrapassagem dupla, com um só movimento, que fez em Monza em 2010 em cima de Hamilton e Schumacher, que nem desconfiavam que ele ousaria e muito menos ainda os espectadores!

      Grande abraço!

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      1. Foi uma corrida morna na luta pela ponta, mas nas posições intermediárias foi movimentada…pra mim, a grande injustiça seria Perez perder o terceiro posto, tendo em vista o equipamento que levou ao pódio sem condições para isso. Aucam, essa imagem sobre o controle do Verstappen na curva da junção é tão emblemática, que basta lembrarmos da perda do controle de Senna quando perseguia Shumacher em 1994, guardando-se as devidas proporções tecnicas, o que esse garoto fez, e digno de aplausos!!! https://www.youtube.com/watch?v=cHR_dlUu264

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      2. Uau! muito bacana mesmo essa imagem do verstappen jr em Interlagos – porém, não na curva da Junção mas na do Mergulho.
        (cogitando gastar uma certa grana para ver o GP lá mesmo este ano, na expectativa de presenciar Lewis vencer no Templo pela primeira vez, e também a performance do garoto holandês, em corrida.)

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  2. Acho que o Hulk merece ser chamado de Whokemberg novamente. E a Willians, chamou o Bottas antes para evitar o undercut e se esqueceu do tráfego, os estrategistas da Ferrari agradecem. Depois o Kimi tratou de tirar o pódio da Willians.
    A corrida foi melhor que o esperado. Agora teremos a briga do Vettel com o Rosberg pelo vice campeonato. Vice que tem um gosto amargo para o Rosberg e sabor de vitória para o Vettel.

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  3. Foi uma boa corrida mesmo. Quem dera todas fossem assim. Sei não, acho que o Rosberg vai perder esse vice campeonato. E será vergonhoso pq ele tem um um equipamento amplamente superior ao do Vettel. Não há justificativas. Estou ansiosa por 2016 onde eu espero uma disputa de verdade.

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  4. Mas sejamos honestos, particularmente espero que os jornalistas em geral repensem quando pensarem em criticar pilotos novos em tentativas frustradas de ultrapassagem. Se fosse um Verstappen tendo feito o que fez Raikkonen, o chiado era grande. Quero dizer, espero que saibam escrever que o cara teve imperícia ao projetar mal a ultrapassagem, ao invés de apenas taxar a idade como culpada. Tanto o caso do Verstappen como o Raikkonen, na minha opinião, foram pela gana de realizar a ultrapassagem e nada mais.

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  5. Quanto ao futuro da categoria, me chamou a atenção uma declaração do Arrivabene de que a Ferrari já estava com grupos de trabalhos concentrados nos carros de 2016 e 2017, quando o regulamento muda novamente. A Ferrari desde já pode estar se preparando para o pulo do gato que a Mercedes deu em 2014. Olho nisso!

    Além de não ter caído no gosto na maioria das pessoas que acompanham a categoria, as unidades híbridas viraram um grande poder de barganha para limitar o avanço de possíveis rivais. A negatividade de Mercedes e Ferrari de ceder suas UP à Red Bull, temendo a concorrência, é só um dos problemas. Como exemplo, a Mercedes já declarou que não vai fornecer a versão mais atual de seus motores às suas clientes. Já imaginaram se, por ventura, a Williams estivesse disputando o título com a Mercedes e recebesse uma notícia dessas? Por isso é que, apesar dos contratempos, acredito no discurso da Mclaren: é impossível ser campeão no atual regulamento quando se é cliente de uma fornecedora. No anterior, até podia acontecer, dado o congelamento dos motores.

    Quando dos motores aspirados, o fiel da balança na questão do desenvolvimento era a aerodinâmica. E isso era responsabilidade de cada equipe! Nesse atual regulamento, as equipe dependem de sua fornecedora, que nem sempre pode fornecer a versão mais atual. Gostei muito da sugestão de um leitor em outro post: a cada vitória de um motor, a fornecedora teria um token a menos de desenvolvimento no ano seguinte. Isso levaria a uma equalização dos motores no futuro e, a partir de então, eles poderiam ser congelados, reduzindo os custos. Mas acho que falta gente com dois neurônios no conselho da FIA…

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