Igualados

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Existem os fatos e a maneira como você pode enxergá-los: Lewis Hamilton superou as 41 vitórias da lenda Ayrton Senna ou igualou as 42 do grande Sebastian Vettel? Brincadeiras à parte, com essas duas temporadas em que teve (e aproveitou) a chance de tirar a vantagem que o alemão tinha conseguido com o tetra na Red Bull e a promessa da Ferrari de travar um duelo já a partir do ano que vem com a Mercedes, a tendência é que estes nomes cada vez mais polarizem as atenções na Fórmula 1.

Enquanto 2016 não chega, com quatro provas para o final, Hamilton ainda tem chances de igualar quatro marcas que Vettel obteve em seus anos de domínio. Para isso, contudo, precisa ser perfeito:

  • mais vitórias em uma temporada: Hamilton tem nove e pode chegar nas 13 que Vettel obteve em 2013, recorde que divide com a campanha de 20o4 de Michael Schumacher.
  • mais poles em uma temporada: Hamilton tem 11 e Vettel conseguiu 15 em 2011
  • mais pódios em uma temporada: Hamilton soma 13 e Vettel conquistou 17 em 2011. Mais impressionante ainda é que Michael Schumacher chegou ao mesmo número em 2002, mas com 17 provas – e só um deles foi um terceiro lugar!
  • mais vitórias largando da pole em uma temporada: Vettel (2011) divide esse recorde com Nigel Mansell (92), com nove. Hamilton tem sete.

Atualmente, os números de Hamilton e Vettel estão próximos em todos os quesitos. Além do empate em vitórias, o desempenho dos dois é comparável em poles (46 a 49 a favor de Hamilton), voltas mais rápidas (25 a 26) e só um pouco menos em pódios (77 a 83).

Todos esses números indicam que, nem quem defende que o domínio atual de Hamilton e da Mercedes é maior do que Vettel e a Red Bull, nem quem jura o contrário, estão completamente certos. Não existe uma uniformidade no tetra do alemão e isso é mostrado por um dado curioso: em 2015, ele já conquistou mais pódios do que nos títulos de 2010 ou 2012.

Campeonato selado, corrida misturada

A Mercedes conquistou o bicampeonato de construtores e é significativo observar que isso está longe de ser algo único na história: outras oito equipes conseguiram, pelo menos, dois títulos seguidos (Cooper, Ferrari, Lotus, Brabham, McLaren, Williams, Renault e Red Bull) de um total de 15 times campeões na história. Isso, lembrando que o título começou a ser disputado em 58 – e é justamente por isso que a Mercedes, embora tenha sido absoluta entre 54 e 55, sua primeira participação como construtora na F-1, não tinha nenhum campeonato até a era atual.

Apesar de não ter sido com uma dobradinha devido à quebra de Nico Rosberg, o campeonato foi conquistado no final de semana em que o time fechou a primeira fila pela 11ª vez no ano, uma a menos do que ano passado.

Ao mesmo tempo, a Ferrari completou, na Rússia, 100 GPs desde sua última dobradinha – sim, a última foi no GP da Alemanha de 2010.

Domínios à parte, as quebras e acidentes do GP da Rússia causaram um fenômeno raro: nove equipes diferentes marcaram pontos – ou seja, todas menos a Manor. Isso não acontecia desde o GP da Malásia de 2012.

13 comentários sobre “Igualados

  1. “Não existe uma uniformidade no tetra do alemão e isso é mostrado por um dado curioso: em 2015, ele já conquistou mais pódios do que nos títulos de 2010 ou 2012.”
    Na acho que esse dado deva ser atribuído à superioridade dos carros da redbull ou da Mercedes, essa característica tem a ver com a excelente confiabilidade dos carros da Ferrari, do Vettel, diga-se de passagem (mesma característica que permitiu ao Alonso disputar títulos pela Ferrari), e é claro, da falta de disputa pelo vice no mundial de construtores. Não é nada demais pensar no Vettel no pódio esse ano, ao menos em terceiro.
    Já em 2010 e em 2012, ao contrário de 2015, houve disputa pelo título, portanto o número de pódios por ano foi dividido entre um número muito maior de pilotos.
    Acho que o domínio da redbull foi menor que o domínio atual da Mercedes se comparado com as outras equipes, só porque a diferença de potência entre os motores atualmente é muito grande.
    Entretanto, o chassi da redbull é tão superior, e causou tanto temor nas outras grandes, que a redbull com motores Ferrari ou Mercedes seria sem dúvida a maior favorita para ganhar os títulos de construtores e pilotos. Com um pé nas costas…

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  2. Li que o Hamilton, fazendo uma analogia ao ídolo Ayrton Senna, está procurando um rival que tenha condições de fazer grandes disputas com ele, como foi o Prost com o Senna. E elegeu o Vettel como o seu “Prost”. O inglês percebeu que o Rosberg não é um adversário a altura. Parece que ele está cansando e ganhar fácil e sente falta de mais disputas. Tomara que a Ferrari consiga dar ao Vettel esta oportunindade.

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  3. Apesar de torcer pelo Hamilton vejo que o Vettel leva (teoricamente) uma ligeira-vantagem num possível confronto direto pelo título. Além das similaridades que caracterizam os dois (arrojo, muita-gana, talento e coragem), vejo que a frieza & equilíbrio em situação de pressão, éh uma característica que o Hamilton deixa um pouco (?) a desejar. Más só o tempo (ou quem sabe a temporada/2016) éh quem vai dizer qual deles se sairá melhor num confronto direto numa quase igualdade-de-condições.

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  4. Embora os números seja semelhantes, há duas diferenças entre a trajetória dos dois: Vettel começou em uma equipe média, enquanto Hamilton estreou pela Mclaren no melhor momento da equipe trabalhando quase exclusivamente para ele (pelo menos até Button chegar em 2010). Vettel também aceitou participar da reestruturação da Ferrari após a equipe ter feito seu pior ano em duas décadas (algo que Schumacher em 1996 pela própria equipe e Valentino Rossi pela Yamaha em 2004 já tinham feito) e já está colhendo os frutos. Já Hamilton assinou com a Mercedes sabendo que ela tinha grandes chances de dominar a categoria a partir de 2014. São dois fatores que me fazem crer que Seb está uns bons degraus à frente do inglês.

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  5. Julianne, tenho uma dúvida quanto ao número de poles, a matéria descreve: “os dois têm desempenho comparáveis (49 a 46 a favor de Vettel)”. Analisando os dados percebi que Vettel tem apenas uma pole em 2015, justamente no GP de Singapura. O site RTP.pt tem alguns números interessantes sobre o GP do Canadá 2015 sobre pilotos e equipes. Hamilton com a pole no Canadá ficava apenas a uma de igualar Vettel, 44 a 45, era a 6º do ano. a partir dai Hamilton foi pole em: Áustria, Hungria, Bélgica, Inglaterra e Itália. Vettel somente em Singapura e Rosberg, Japão e Rússia. Hamilton tem 163 GPS disputado contra 154 de Vettel, respectivamente: em vitória há um empate 42 a 42, poles 49 a 46, pódio são 83 a 77 e voltas rápidas 26 a 25. o bom mesmo seria os dois na mesma equipe, vejo esse duelo com leve vantagem para Hamilton, questão de opinião e análise de material humano.
    http://www.rtp.pt/noticias/formula-1/numeros-e-estatisticas-gp-do-canada_d835006
    http://www.corridadeformula1.com/piloto/lewis-hamilton

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  6. Bom, cada um tem suas convicções. Eu tenho duas convicções absolutas: a Ferrari virá muito forte em 2016 e Hamilton será TETRA. 2017 é uma incógnita e o penta poderá ser de um ou de outro. Com qualquer dos dois, Hamilton ou Vettel, o penta estará em ótimas mãos. Ainda não inventaram aparelhos de aferição em escala nanométrica para avaliar pilotos.

    Se Hamilton for TETRA, como Vettel, aí teremos DOIS TETRACAMPEÕES verdadeiramente COMPLETOS, excelentes no seco e na CHUVA. E ambos já nos entregaram performances épicas, inesquecíveis, eletrizantes, e não apenas números e estatísticas que já estão a caminho célere da ruína.

    Petrolhead POWER, estou aguardando um comentário seu feito em powerslide!

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  7. Eu sempre elogio, ou melhor, sempre faço justiça tanto a Hamilton – por quem torço – quanto a Vettel, por quem tenho imensa admiração, respeito e reconhecimento por seu talento excepcional, apesar de não torcer por ele (torço por Hamilton por ele ter em quantidade um pouquinho maior que Vettel características de pilotagem às quais eu como aficionado pondero um peso maior por uma questão de gosto pessoal, como: ímpeto, inconformismo se não estiver na liderança, audácia, arrojo e por ir para todos os “gaps”, em suma, por Lewis ter um estilo mais visceral e selvagem que Vettel e Alonso. Em compensação, Vettel e Alonso são um pouquinho melhores que Hamilton em outros quesitos, aos quais – no meu gosto estritamente pessoal – eu pondero um peso menor. Mas agora vou me permitir fazer adiante – do alto da minha insignificância – algumas observações sobre os dois, EM CIMA DE FATOS. Tanto Hamilton como SebVet – embora geniais – têm seus pontos fracos (são humanos, é bom frisar, e não existe piloto invencível).

    Ambos já foram vencidos por seus companheiros de equipe, por exemplo. Hamilton por Button em 2011 – quando, apesar de ter obtido o mesmo número de vitórias do companheiro (3), foi batido nos pontos e no título de vice-campeão, que ficou com Jenson. Hamilton teve em 2011 seu pior ano, sem dúvida, apesar das três vitórias que obteve, envolvendo-se em muitos abalroamentos.

    Vettel teve em 2014 seu Titanic pessoal, abalroado que foi por um iceberg chamado Ricciardo, e naufragou fragorosamente, sem uma única vitória sequer das três que a Red Bull conseguiu nos momentos de fraqueza da poderosa Mercedes. Vettel mostrou ali uma surpreendente e inesperada dificuldade de adaptação a um carro ao qual não estava acostumado (descontando-se eventuais e desconhecidos problemas emocionais/psicológicos que possam tê-lo acometido). Só por esse fato, com todo o respeito, eu me permito ter uma opinião diferente àquela que o Billy expôs lá em cima, “de que Vettel está ALGUNS degraus ACIMA de Hamilton”. O “grifo” é meu. (Desculpe, Billy). Até concordaria – Vettel estaria um pouco acima apenas, mas sequer um degrau, quanto mais alguns, como disse o Billy – se não tivesse havido esse monumental naufrágio. Curiosamente, Ricciardo vem sucumbindo este ano a um ainda inexperiente Kvyat.

    Voltando a Vettel, o alemão expôs um lado no qual tanto Hamilton como Alonso (por justiça) são superiores a ele: a capacidade de adaptação a qualquer carro, isso não obstante SebVet vir se saindo bem na Ferrari este ano.

    Diga-se o que se disser (e talvez até alguns anti-alonsistas me apedrejem), mas Alonso sempre extraiu sim desempenhos inacreditáveis de carros ruins, adaptando-se muitíssimo bem a qualquer deles (com a devida observação de que MILAGRES NINGUÉM FAZ, por causa dessa McLaren-GP2). Houve o Cingapuragate? Sem dúvida, mas Alonso foi capaz de vencer com aquele mesmíssimo e anêmico Renault em uma prova DENTRO DA NORMALIDADE, naquele mesmo ano.

    E Lewis, no ano de 2009, em que a McLaren começou com uma draga, soube conduzí-la a melhoras que acabaram levando-o a 2 surpreendentes vitórias, mais ao fim da temporada.

    Em 2012 – quando a McLaren produziu um grande carro, que poderia até levar Lewis ao título, não fossem as inúmeras pisadas de bola da equipe, que acabaram tendo peso decisivo para a sua transferência para a Mercedes – Hamilton também mostrou capacidade de adaptação e superação, quando esse mesmo carro de grande potencial apresentou problemas de equilíbrio entre a traseira e a dianteira. Lewis lidou muito bem com esse desequilíbrio, que quase não o afetou, mostrando grande capacidade de adaptação, enquanto Button não conseguia se entender com o mesmo carro, passando muitas provas sem pontuar, no meio da temporada, até o problema ser finalmente resolvido.

    Resumindo, aí está um ponto MARCANTE – pelo qual, na minha insignificante opinião, SebVet não pode ser considerado “alguns” degraus acima de Hamilton. Tanto o inglês quanto o espanhol são comprovadamente melhores do que o alemão nesse quesito de adaptabilidade.

    Desculpe, Billy, essa é a minha opinião e respeito a sua, a qual você tem todo o direito ter, assim como eu tenho o meu. De jeito algum tenho a menor pretensão de mudar sua opinião, nem poderia: a experiência me ensina que somente os atores – pilotos e equipes – podem mudar, com suas atuações NA PISTA, a opinião de um aficionado (e olhe lá, muitos aficionados, não obstante tantos títulos conquistados, não conseguem aceitar até hoje a genialidade do Trio de Ouro atual). Quis apenas expor alguns fatos e a minha visão sobre esses dois magníficos pilotos objetos desse excelente post (como sempre) da Julianne. Pessoalmente, como velho aficionado (de longuíssima data) por automobilismo, sinto-me um privilegiado por ver ambos correrem.

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    1. Oi, Aucam, obrigado pelos comentários e não precisa se desculpar de nada. Pelo contrário, cada um é livre para ter as próprias opiniões.

      No mais, Seb me deixou mais convicto de que é o melhor do grid exatamente pelo fraco 2014 que ele fez. Pouquíssimos pilotos se recuperariam após tamanho fracasso, ainda mais por uma nova equipe. Como comparação, Hamilton, pela Mercedes em 2013, teve um ano mais modesto, com apenas uma vitória.

      E para terminar com uma provocação. Diziam que Vettel só corria com carros de Adrian Newey. Podemos dizer que Hamilton só compete com carros de Paddy Lowe?

      Abraços.

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  8. Cada um tem suas preferências. Eu acho, apesar de, em números eles estarem bem parecidos, na pista, a situação é bem diferente.
    Como Aucam, eu também defendo Lewis por sua postura como piloto. É o piloto que eu mais me identifico. É como se eu fosse piloto (quem mandou nascer pobre) eu teria uma postura bem parecida. Mas eu disse como piloto, que é o que importa. Lógico que eu jamais pegaria a quenga da Rihanna, nem teria uma vida agitada e divulgada como a de Lewis, Nesse quesito, me identifico mais com Vettel. Mais discreto e reservado.
    Sei que Vettel é um piloto competente, que sabe ultrapassar sim e manda bem no molhado. O problema é o estilo de pilotagem. Não é que é um problema, é que ele é mais limpo na tocada que Lewis, vamos definir como “mais comportado” na pista.
    Você assiste a corrida e é mais bonito a tocada do Lewis levando o carro além do limite, chegando com tudo em cima dos retardatários, indo pra cima de quem quer que seja, enfim, admiro mais pilotos assim do que ‘comportados’.
    Já em 2016, continua a mesma coisa. Lewis tetra, Ferrari melhor mais não a ponto de ganhar da Mercedes, visto que, se a Scuderia tem bala pra queimar, a Mercedes também. Não vai ficar parada esperando. Em nome do espetáculo, tomara que a melhora da Ferrari, seja maior que da Mercedes.

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  9. Oi Ju! Embora venha acompanhando como sempre seu trabalho, faz tempo que não comento nada… Gostaria de aproveitar o gancho desse ótimo post para sugerir uma pauta que talvez seja uma curiosidade de muita gente: efetivamente, quais as vantagens que a Mercedes ainda tem sobre a Ferrari, mas que os italianos podem igualar ano que vem para proporcionar uma briga mais parelha entre Hamilton e Vettel pelo título de 2016? Imagino que não seja apenas o motor… Parabéns pelo blog e conteúdo produzido no UOL. Abs!

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  10. É sempre muito gratificante acompanhar tudo o que você nos apresenta de maneira profissional e sem “puxar” para um lado específico. Desde o “Total Race” que acompanho suas análises e uma explicação clara dessa complexidade que é a F1. Mas deixando os elogios de lado, este ano o Hamilton é imbatível. Se tivesse Vettel ou Alonso como companheiro de equipe, a disputa seria mais acirrada, mas o inglês levaria a melhor, porque este ano é dele. Vettel é, ainda que Rosberg o supere (tem obrigação de fazer iss0), o melhor do “resto”, porque “desafiou” Hamilton o quanto pode e vencendo corridas que não foram só ganhas na sorte, como acontecia muito quando Alonso era da Ferrari e Vettel da Red Bull. Apesar do domínio absoluto e merecido da Mercedes, este tem sido um campeonato até divertido de ver (quando as pistas, sempre elas) deixam haver umas disputas.

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