GP da Rússia por brasileiros, britânicos e espanhóis: “A Finlândia chora”

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Os narradores mal tiveram tempo de esquentar a voz na largada do GP da Rússia, com um Safety Car saindo logo nas primeiras curvas. “Rosberg mantém a primeira posição, Hamilton só disse que não ia para cima, mas foi e já tem carro atravessado na pista. O Felipe Massa largou bem também, ganhou posições”, começou empolgado Cleber Machado na Globo, chamando Raikkonen de Vettel nos primeiros metros. David Croft, na Sky Sports britânica, vê que é o finlandês que pula logo atrás das Mercedes. “Rosberg mantém a liderança e está um caos no meio do pelotão. E é Raikkonen que aparece em terceiro!”

Mas a corrida já estava paralizada, com uma rodada de Hulkenberg que fez algumas vítimas pelo caminho. “Um toque de uma Force India e também tem uma Toro Rosso. Quero ver quem é, se é Carlos ou Max. É Verstappen, É Verstappen”, se tranquiliza o narrador espanhol Antonio Lobato. “Hulkenberg rodou porque estava com pneu frio e os outros não tinham o que fazer”, avalia Luciano Burti. “Estou esperando bebês de Force India e Sauber depois do jeito que eles se encaixaram”, brinca Martin Brundle.

Os espanhóis perdem uma comunição via rádio importante de Rosberg por estarem sem o áudio local – a transmissão é feita da Espanha desde o início deste ano – mas os demais ouvem que o alemão está com problemas no acelerador, que permanece aberto mesmo quando ele tira o pé. “É um acelerador eletrônico, então tem vários sistemas para não travar, mas não é bom porque você tem de adivinhar o que vai acontecer”, avalia Brundle.

Mesmo sabendo das dificuldades de Rosberg, todos se surpreendem quando, de repente, veem Hamilton à frente. “Eu perdi alguma coisa aqui? Porque o Hamilton aparece na frente”, estranha Cleber. Para Croft, “Rosberg cedeu a liderança. Com os problemas de acelerador, Hamilton se aproveitou e disse ‘muito obrigado’”. Os ingleses chegam a pensar ter se tratado de uma ordem da equipe para evitar a aproximação de Bottas, mas logo fica claro que Rosberg não tem condições de continuar na prova. “Será que esta é a última chance do campeonato escapando na mão de Rosberg?”, pergunta o repórter inglês Ted Kravitz, enquanto Lobato diz que “é como na época de Vettel. Tudo acontece com Rosberg.”

_86060507_grosjeancrash_stillA prova fica morna até que Grosjean bate violentamente e provoca um novo Safety Car. “Acidente grave. Cadê os comissários, ninguém vai socorrer?”, se preocupa Lobato. Mas o francês está bem. “É um lugar muito estranho para se perder o carro”, comenta Pedro de la Rosa antes do replay. Com as imagens todos os ex-pilotos atestam: “ele entrou no ar turbulento e perdeu o controle” e creditam a batida a um erro do piloto. “É uma curva que se faz em pé embaixo na classificação, mas não na corrida. Ele tentou acelerar um pouco mais”, explica Burti.

Alguns pilotos aproveitam para fazer suas paradas. “É muito cedo para parar. Quer dizer. Se você é Hamilton ou Bottas ou Vettel é muito cedo. É um risco porque pode ser que o pneu não dure até o final da corrida. Mas é uma jogada muito boa para Perez, Ricciardo, Carlos, Fernando”, avalia De la Rosa. “Vai contra o Massa porque tem muita gente que pode colocar o pneu duro e ir até o final”, completa Burti.

O trio da Globo ainda se diverte com o uso de Silver Tape para recuperar a barreira de TecPro. “Não existiria automobilismo sem a tal da fita”, diz Reginaldo Leme.

Com Bottas tendo recuperado o terceiro lugar anteriormente e Vettel ultrapassando Raikkonen e indo para cima do finlandês, comentaristas e narradores destilam seu veneno em relação à conduta da Williams na estratégia. “A Williams não gosta muito de tomar a iniciativa, mas esse carro está difícil de segurar”, vê Brundle. Quando Bottas para, o comentarista reclama. “Suspeito que seja duas ou três voltas tarde demais, pois ele já perdeu muito tempo.” Os brasileiros reclamam do tempo de parada da Williams e Cléber ironiza: “Vocês são muito críticos”, quando Burti e Reginaldo cobram pit stops abaixo de 3s.

Os espanhóis observam que é muito significativo que Bottas volte atrás de pilotos que já tinham parado. “Tirando Hamilton, todos os outros vão ter que fazer ultrapassagens na pista. Terão pneus mais novos e uma estratégia mais lógica, mas não ter que passar pelos demais”, diz De la Rosa, que também critica a Williams. “Realmente chamaram Bottas no box no pior dos momentos porque ele vai ter que passar todos os outros. Tudo bem que a Williams tem mais degradação e, estrategicamente, dificulta. Mas eles sempre se colocam em problemas. Não precisa ser adivinho para saber que vai ser difícil passar esses pilotos que já pararam”, avalia,

enquanto Burti reconhece que “Massa não teve a melhor estratégia. O melhor teria sido parar na hora do Safety Car.”

De fato, Perez e Ricciardo tinham se colocado na disputa pelo pódio com a tática, ficando à frente de Vettel, Bottas e Raikkonen após todos fazerem suas paradas. Mas a questão estratégica tinha que ficar de lado por alguns instantes após mais uma comunicação hilária no rádio da McLaren. “Fernando, estamos lutando com Felipe até o final da corrida”, diz o engenheiro, que ouve um elogio irônico de Alonso: “Adoro seu senso de humor”. “Pelo menos foi mais educado do que da última vez”, observa Reginaldo, lembrando o “motor de GP2” do Japão, ainda que Burti saliente que o espanhol “tem razão” na bronca. “Só fico pensando que, aqui se faz, aqui se paga. Lembra do Felipe, Fernando é mais rápido que você?”, diz Brundle, enquanto Lobato faz um comentário que, se algum leitor entender, que me ajude: “Somos de Oviedo e isso dá para perceber”, disse o narrador, também asturiano.

Pouco depois, os espanhóis estão prestes a fazer um comercial mas decidem esperar “para ver o que eles estão tentando nos mostrar”. Era Nasr, que atacava Button e passava o inglês antes mesmo da freada. “Era melhor ter ido pro comercial e não ter visto como é fácil passar pela McLaren”, ri Lobato.

Na volta 36, Kravitz ainda não se convence de que os pilotos que pararam no SC serão atores importantes da corrida. “Será que funcionará a jogada de quem parou no SC? O ritmo deles é bom e eles devem conseguir chegar até o final, mas o estado dos pneus deles deve estar crítico.” Enquanto isso, Bottas e Raikkonen vão chegando em Ricciardo e Perez. Vettel já tinha se livrado do tráfego logo depois que saiu dos boxes. “Essa corrida mostra como detalhes fazem a diferença. Vettel conseguiu proteger melhor seus pneus no começo da corrida e se livrou do tráfego mais pesado, só teve que passar Perez. Enquanto Bottas e Raikkonen atrapalharam suas vidas”, observa De la Rosa.

Bottas e Raikkonen passam por Ricciardo, que logo depois abandona, preocupando Brundle. Afinal, o comentarista

Brundle e os parças até que se animaram no voo de volta de Sochi
Brundle e os parças até que se animaram no voo de volta de Sochi

vai voltar para casa de avião com Hulkenberg, Rosberg e Ricciardo. “Temo que você vai ficar falando sozinho hoje à noite”, brinca Croft.

O duo finlandês chega em Perez, elogiado por todos por estar em terceiro com a Force India. Mas mesmo a torcida espanhola não é suficiente para manter o mexicano à frente. “Que raiva!”, exclama De la Rosa, enquanto Lobato roga a praga: “Vamos ver que finlandês vai ocupar a terceira posição. Ou um mexicano se esses dois se tocam, porque essas coisas acontecem. Kimi se joga, eles se tocam. Eu disse, eu disse! Checo pode passar, vai chegar ao pódio de maneira totalmente merecida.”

Poucas curvas depois de terem se livrado de Perez, Raikkonen tenta uma ultrapassagem pra lá de otimista e acerta Bottas em cheio. “Aí a Finlândia chora. Perez teve a estratégia, o talento e uma sorte danada.Vai ter discussão na mesa redonda da Finlândia?”, pergunta Cleber. “Foi uma manobra de tudo ou nada de Raikkonen”, narra Croft.

_86059877_kimiraikkonencollideswithvaltteribottasinrussiaOs comentaristas são unânimes: culpa do ferrarista. “Kimi viajou, ele estava super empolgado, mas não cabia. Vai ser punido com certeza”, diz Burti. “Ele estava muito atrás, foi culpa dele. É 100% culpa dele”, concorda Brundle. “Pobre Bottas. De onde Kimi se jogou para tentar passar?”, pergunta De la Rosa. “De São Petesburgo”, responde Lobato.

Os brasileiros ganham destaque ao lado de Perez na Globo. “A gente tem de destacar o ótimo trabalho do Perez. É muito legal ver um piloto ter um resultado como este com uma equipe média. Muito bom o trabalho do Massa, largando em 15º e chegando em quarto, mas o destaque de hoje foi o Nasr, é importante ter um bom resultado logo depois de mudar o engenheiro – e olha que o SC atrapalhou”, avalia Burti.

Pouco é dito sobre o vencedor Lewis Hamilton, citado apenas nas contas erradas de seus compatriotas, que dizem que ele será campeão com mais dois pontos em Austin. Na verdade, precisa de nove pontos de vantagem em relação a Vettel. “Isso significa que ele pode ser campeão sem vencer em Austin, mas vencer tem se tornado um hábito para ele”, finaliza Croft.

18 comentários sobre “GP da Rússia por brasileiros, britânicos e espanhóis: “A Finlândia chora”

  1. Julianne, esse seu post de hoje (como sempre) está saborosíssimo! Você pegou os ingredientes certos na quantidade certa! E o resultado aí está: condimentado com o melhor do que houve na corrida, que foi até interessante!

    A propósito do “affair” entre os dois loquazes finlandeses, fico imaginando um terrível bate-boca entre os dois, hahahaha!!!!. . . Será que na Finlândia – esse pequeno grande país que nos deu uma inflação de expoentes no Rally, além de 3 campeões mundiais de F 1 – existem os “bottistas” e os “raikkonistas”?

    Então Lobato é bom de secar? Não sabia disso. Sabia que ele é bom em “lobatomizar” opiniões em benefício de seu “enfant-gaté” (agora são dois). Mas, realmente, se Checo não chegasse ao pódio teria sido uma grande injustiça dos Deuses das Corridas. O mexicano vem pilotando “o fino”.

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    1. Verdade, Aucam! Será que existem mesmo torcida em separado pelos dois pilotos na Finlândia? bem que poderia aparecer algum leitor que conhece finlandês pra checar isso pra gente, além da repercussão da batida dos dois…
      (mas pelo que imaginamos da Finlândia, não deve ser lá muito exaltado o comportamento das torcidas…)

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      1. Pedro, se eu me lembro bem, toda vez que um nacional finlandês levanta um título na F 1 há festas nas ruas, com carreatas inclusive! Por favor, alguém confirme.

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      2. Interessante, Aucam. Pelo jeito o povo é quieto, mas sabe se divertir – como o Raikkonen. Mas não achei nenhuma reportagem em inglês sobre a reação dos torcedores finlandeses a esse acidente em particular.
        Acho que realmente precisamos que alguém aprenda a falar finlandês.
        Julianne? (hehehe)

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  2. Julianne esse post é o melhor sem duvidas, muito obrigado. Mas o perez veem comendo o badalado hulk sem sor e piedade. Gosto do estilo do perez, tem arrojo e esta amadurecendo muito em ritmo de corridas, se eu escolhece seria ele na ferrari em 2017 ao lado de vettel, essa corrida foi boa e mostra q esse traçado apesar de parecer simples é meio traiçoeiro,
    Ju uma pergunta, quantos abandonos ja teve o sainz?
    Vinha fazendo uma corridaça e mais uma vez o carro deixou ele na mão, estava em 7 e teria ficado em 5 com a batida do kimi do bottas. E olha q largou la no fundão.

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  3. Caramba! Uma Fórmula Red Bull! Uma doce vingança? Ou uma viagem na maionese, Julianne?

    Na História do mundo, muitos historiadores dizem que “o difícil custa a acontecer, o impossível acontece de repente”. E Teilhard de Chardin certa vez disse que “No Universo, só o fantástico tem probabilidade de ser real”. (Teilhard – jesuíta cientista em 7 especialidades, um dos descobridores dos fósseis do “Homem de Pequim” – intuiu o advento da internet há mais de 60 anos, ao conceituar o que denominou de Noosfera, em seu extraordinário livro “O Fenômeno Humano”: resumidamente, uma camada de conhecimentos que perpassaria todo o planeta, precedendo a subida da Humanidade para o seu encontro com Deus).

    Então, tudo é possível, EM TESE.

    http://www.gptoday.com/full_story/view/542784/Analysis_How_Red_Bull_could_deliver_an_F1_rival_/

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      1. UAAU!!! Fascinante artigo, Julianne. Obrigado por compartilhar. Voltarei mais tarde com algumas apreciações ou para tirar alguma dúvida com você sobre essa complexa situação em que se encontra a red Bull.
        Um abraço!

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      2. Caramba, que situação e cenários complicados, Julianne! Acho que a continuação da Toro Rosso é um fator complicador para uma solução no estilo Brawn, com Horner à frente, até porque Marko já disse que se a Red Bull de algum modo cair fora, eles não iriam ficar botando azeitona na empadinha dos outros, ou seja, não vão ficar preparando pilotos (excelentes, fora o fino faro de Marko) para outras equipes se apoderarem depois. E nessa solução tipo Brawn, Kvyat seria descartado (acho que Sainz também). Não sei como vai terminar essa novela de terror que eles mesmos, os homens da Red Bull, arranjaram. E quem disser que sabe o final é porque não está acompanhando os capítulos, rsrsrs. . .

        No entanto, espero que uma solução provisória de último minuto seja arrumada, para que ambas as equipes possam pelo menos vencer essa tempestade, até que as coisas se arranjem com um novo fornecedor competente e exclusivo para a Red Bull, tipo alguém da família VW ou algum outro fabricante europeu ou japonês, mais afeitos aos macetes e segredos da F 1. Se isso não ocorrer, lamento muitíssimo se um ou dois dos quatro notáveis pilotos taurinos se perderem nessa jogada do terceiro carro de outras equipes, ou se simplesmente não houver espaço para qualquer dos quatro num grid subnutrido de carros.

        A solução “atômica”, hahahaha, – a criação da “Fórmula Red Bull” – implicaria em um verdadeiro CISMA, (mais ou menos como houve na Indy), com carros com V8 barulhentos e atraentes, e possibilidade de atrair pilotos do grid da F 1. Mas a pergunta é: a que custo? Isso porque – além de bancarem a consolidação de uma nova categoria, ainda teriam a multa milionária a pagar!

        Acho muito atraente aquele campeonato mundial de velocidade aérea promovido pela Red Bull, com alguns velhotes bons de manche. É um belo espetáculo (que sempre acompanho) e creio que dá à Red Bull uma expertise que poderia até ser usada na Fórmula Red Bull, analisando de um modo leigo.

        Grande abraço, Julianne, e mais uma vez, obrigado por compartilhar o link.

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      3. aucam,

        Que multa milionaria p/ pagar? Fica a Toro Rosso com fantasia de Red Bull “cumprindo contrato” e faz-se a Red Bull Formula….

        Não gosto de briga, mas também não gosto dos “donos da bola” – o motor é meu e só quem usa sou eu!

        Não tenho a menor ideia qual a saída, mas espero, naive que sou, que no ano que vem teremos grandes disputas por ambos os campeonatos….

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      4. Caro Muguello, não sei os contornos jurídicos dessa situação, talvez não seja assim tão fácil, mas, como eu palpitei lá em cima e amparado no pensamento de Chardin, bem como nos de muitos historiadores, TUDO É POSSÍVEL, em tese.

        Só não quero ver os 4 excepcionais pilotos taurinos desperdiçados, já não basta as vagas difíceis para caras como Stoffel Vandoorne e Esteban Ocon, isso sem falar em outros, como Kevin Magnussen e Robin Frijns (esse já dançou mesmo, há muito tempo).

        Também quero e espero ver muita ação em 2016, especialmente entre Hamilton e Vettel. E agora já estão ligando o Verstappinho à Ferrari, no caso do terceiro carro. Já pensou?

        Um abraço!

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      1. O pessoal da Red Bull deve ter um dinheiro guardado para pagar advogados, mas uma coisa é fato: aqui, nos EUA ou no UK, ninguém pode ser obrigado a fazer o impossível, ou apenado por não fazer o impossível. Como a Red Bull poderá participar da F1 e cumprir o contrato, se ela não tiver um fornecedor de motores? Parece-me que se ela não encontrar um fornecedor de motores, ela tem argumentos para brigar com a FOM por esta multa.

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  4. Kkkk o Alonso mitou novamente. …. Vou ascender a churrasqueira, aproveitando o horário da corrida para comemorar o tri campeonato. Belo post o de hoje.

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