Estratégia do GP da Rússia e a bobeada da Ferrari

Se não fosse Grosjean...
Se não fosse Grosjean…

O GP da Rússia terminou com uma briga de tirar o fôlego pelo último lugar do pódio entre os pilotos que tinham largado em terceiro, quinto e sétimo. E isso diz muito sobre a prova do ponto de vista da estratégia: a união entre pouca degradação e um Safety Car abriu possibilidades de táticas diferentes acabarem equivalendo carros de desempenhos distintos.

Há dois pontos principais para se analisar: a aposta de pilotos como Perez, Ricciardo e Sainz de parar logo na volta 12 e ir até o final e a chance perdida pela Ferrari, que tinha ritmo para ir ao pódio com ambos os carros.

A Williams desta vez bobeou com a demora para chamar Bottas aos boxes, mas teve azar com a tática de Felipe Massa. Largando atrás, o brasileiro optou por começar a prova com os pneus macios, apostando em deixar o composto mais rápido para o final. Por isso, acabou ficando exposto à tática de quem parou no Safety Car. Caso tivesse largado com os supermacios, muito provavelmente o piloto teria sido chamado ao box na volta 12 e, com o ritmo forte demonstrado ao longo da prova, seria um sério candidato ao pódio.

No caso de Bottas, a chance da Williams mantê-lo na frente das Ferrari seria chamá-lo um pouco antes para os boxes. Antecipando a parada em duas voltas, o finlandês voltaria cerca de 6s atrás de Sainz e perderia menos tempo atrás do espanhol. Mas é fato que dois fatores dificultam qualquer tática da equipe: a lentidão dos pit stops (o de Massa, por exemplo, foi o terceiro pior do dia, mais rápido apenas que Merhi e Stevens) e o maior consumo de pneus em relação à Ferrari. Portanto, mesmo que Bottas tivesse conseguido ficar na frente de Vettel após a parada, é bem possível que o alemão o superasse ao logo do segundo stint.

Isso nos leva à estratégia da própria Scuderia, que surpreendeu ao não dividir os carros durante o Safety Car, chamando um deles aos boxes. Isso por três fatores: a maneira como a barreira de TecPro ficou danificada na batida de Grosjean indicava que seria um SC longo, ajudando quem parasse; naquele momento, Raikkonen estava segurando o ritmo de Vettel, típico cenário em que é vantajoso para a equipe dividir estratégias; e a expectativa entre as equipes de que o pneu macio aguentaria 40 voltas.

O ferrarista que tivesse parado no SC voltaria à frente de Massa, tendo de ultrapassar apenas Nasr e Kvyat para voltar à posição original. Mesmo que perdesse um pouco de tempo no tráfego, não seria suficiente para ser superado quando Bottas trocasse seus pneus, uma vez que a janela de pit stops abriria cerca de 10 voltas depois e o finlandês não tinha ritmo para conseguir 27s de vantagem.

Sim, era uma estratégia agressiva, tendo em vista que Perez terminou com apenas 30% de borracha em seu pneu. Mas a agressividade tem sido uma marca da Ferrari neste ano.

Há quem diga que a equipe poderia ter ganho a corrida caso tivesse optado por uma estratégia semelhante à do mexicano, uma vez que trata-se de um carro que cuida bem dos pneus e especialmente Sebastian Vettel é um piloto que sabe dosá-los muito bem. Mas a facilidade como Hamilton abriu vantagem quando a Mercedes percebeu a ameaça daqueles que usaram o Safety Car para fazer sua parada indica que o inglês tinha ritmo para responder a qualquer estratégia dos rivais.

No mais, impressiona o que Hermann Tilke consegue fazer mesmo quando tem uma folha praticamente em branco para desenhar uma pista: com uma perda de tempo tão grande nos boxes, a Fórmula 1 pode trazer até os pneus ultra megamacios que as equipes vão preferir fazer apenas uma parada. E não se enganem com a prova do último domingo: com alto consumo de combustível e esse pit longo, se não tiver Safety Car, esse GP da Rússia tem ingredientes para ser uma procissão atrás da outra.

3 comentários sobre “Estratégia do GP da Rússia e a bobeada da Ferrari

  1. Talvez as memórias de Spa ainda estejam muito frescas e por isso Vettel não queira se arriscar tanto. Não o culpo por não confiar na Pirelli.

    Quanto ao Tilke, ele é uma farsa, um desastre para autódromos modernos. Sepang, Bahrein, Xangai, Budhh, Abu Dhabi, Yeongam. Sabe o que têm em comum? Entradas ou saídas do box mal projetadas que ou resultam em voltas e desvios ridículos (culminando no túnel de Abu Dhabi) ou simplesmente jogam os carros direto dos pits para a linha ideal dos carros mais rápidos (culminando na ridícula saída dos pits de Yeongam).

    Sinceramente, a F1 levará décadas para se livrar de seus circuitos e sua influência, se ela sobreviver por tanto tempo.

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