Jogo de xadrez

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Uma das coisas de que mais gosto da cobertura da Fórmula 1 é que você sempre tem a certeza de que não viu de tudo. Isso, no comportamento e soluções encontradas pelos dirigentes, e também nos detalhes mínimos que acabam fazendo muita diferença durante as corridas. E é um deles que quero dividir com vocês hoje.

Nico Rosberg fez a pole no GP do Japão, e foi ultrapassado na segunda curva por Lewis Hamilton. O alemão pareceu ter saltado melhor no que é conhecido como a primeira fase da largada, quando a primeira embreagem é liberada, mas pareceu perder fôlego quando soltou a segunda embreagem, alguns metros depois.

Após a prova, a Mercedes reconheceu que esse fôlego a menos deveu-se a uma queda de potência causada pelo aquecimento acima do ideal do motor. Em outras palavras, seria culpa de  Nico, que não teria preparado bem o carro em sua volta de apresentação, dando a chance para Hamilton se aproveitar.

Mas será que foi isso mesmo?

Revendo a volta de apresentação para o GP do Japão, percebe-se que Hamilton atrasou o pelotão, abrindo uma boa distância para Rosberg no final da volta. Com isso, o alemão ficou alguns segundos a mais em uma posição bastante crítica para os carros de F-1, que trabalham no limite em todos os aspectos: parado no grid, perdendo temperatura nos pneus e freios – e superaquecendo o motor.

Foi a tática de Hamilton, que dizem só correr com o coração, que permitiu o ataque e a ultrapassagem que definiu a prova.

Duas semanas depois, na Rússia, Rosberg não deixou o filme se repetir. O final da volta de apresentação do alemão foi tremendamente lento, lembrando que, a partir do momento em que o Safety Car entra nos boxes, cabe ao líder ditar o ritmo do pelotão. Assim, todos os ponteiros ficaram parados no grid mais ou menos pelo mesmo tempo.

Com isso, em Sochi, não teve motor superaquecido na Mercedes, mas quem acabou pagando o preço foi Vettel, que não conseguiu fazer todos os burnouts de que necessitava para colocar temperatura nos pneus e freios, uma vez que a Ferrari trabalha melhor com um nível de temperatura mais alto do que a Mercedes.

Esse jogo de xadrez da volta de apresentação, aliás, foi uma especialidade trabalhada à perfeição por Vettel nos anos de domínio da Red Bull. Mais um detalhe para ficarmos atentos antes mesmo das luzes vermelhas se apagarem no GP dos Estados Unidos.

31 comentários sobre “Jogo de xadrez

  1. Boa leitura a de hoje. ..entrei mais cedo para ler sua opinião sobre a liberação do desenvolvimento dos motores, mas me deparei com um texto que não me decepcionou em nada (como sempre). Eu quero saber é do Hamilton cravar a pole. Já são três provas. E a oportunidade de alcançar as 66 vai diminuindo. Vou ficar atento no Texas e ver essa volta de apresentação.

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  2. Excelente post. Como existem pequenos detalhes que passam despercebido da maioria e podem fazer a diferença. Muito legal.
    Não basta ter talento. Também tem que ser estudioso e detalhista.

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  3. Julianne, desculpe, mas vou postar aqui minha tréplica ao caro comentarista BILLY, para que os mais novos conheçam um pouco mais sobre o genial JIM CLARK.
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    “E para terminar com uma provocação. Diziam que Vettel só corria com carros de Adrian Newey. Podemos dizer que Hamilton só compete com carros de Paddy Lowe?”

    Olá, Billy! Prazer em ver sua réplica! Sua provocação é interessantíssima, e vou TENTAR rebatê-la. Já fui acusado aqui no Blog de ser verborrágico, e reconheço que sou, mas escrevo os meus pitacos aqui com a mesma paixão que tenho pelo automobilismo e, infelizmente, não sei e não consigo ser CONCISO para estruturar uma argumentação, portanto, peço-lhe paciência para ler.

    Bom, deixe-me dizer, antes de qualquer coisa, que eu não me alinho e nem NUNCA me alinhei entre aqueles que dizem tal absurdo sobre Vettel – o crédito de seu sucesso apenas a Newey – esquecendo-se de que ele já tinha vencido com a Toro Rosso (se bem que os “incansáveis” argumentam que tinha muito de Newey naquele carro da Toro). SebVet esbanja DEMAIS classe, talento e categoria para que se vá nessa linha de crítica, que não se sustenta.

    Se bem me lembro de seus comentários (sempre bem embasados, sem favor algum), uma vez você reclamou num post aqui no Blog da Julianne que pouco se fala, ou até pouco se valoriza o inesquecível JIM CLARK. Aficionado que sou por F 1 DESDE 1957, fui CONTEMPORÂNEO, portanto, da Era do Escocês Voador, para mim uma referência em pilotagem, inclusive pela sua ADAPTABILIDADE IMEDIATA a qualquer carro, PRINCIPALMENTE em situação adversa e precária, como quando quebrou a barra estabilizadora de seu carro no GP de Mônaco de 1964 e seu Lotus passou a ser imediatamente SUBesterçante, num circuito no qual os carros SOBREsterçantes se saem melhor. Isso teria arruinado de cara a corrida de muitos pilotos, mas não a de CLARK, que MODIFICOU rapidamente SEU ESTILO, criando ARTIFICIALMENTE uma característica OVERSTEER no carro, “mediante uma freada violenta DENTRO da curva, seguida de uma BRUTAL aceleração”, conforme nos conta seu biógrafo Bill Gavin. E, PASMEM todos, O MAIS INCRÍVEL É QUE A SUA VOLTA MAIS RÁPIDA FOI REGISTRADA NESSAS CONDIÇÕES, COM A BARRA ESTABILIZADORA QUEBRADA! ISSO É CAPACIDADE DE ADAPTAÇÃO, de MUDAR O ESTILO, e IMEDIATAMENTE! Foi uma das maiores corridas de CLARK, e houve muitos outros exemplos semelhantes dessa capacidade de adaptação, que não vou citar aqui para não encompridar demais este post. Esses feitos todos eram publicados na imprensa, principalmente em revistas especializadas, na época, e o foram magistralmente por Bill Gavin, na biografia do genial escocês.

    No entanto, O TAMBÉM FORA-DE-SÉRIE VETTEL, entretanto, NÃO LIDOU BEM – DE IMEDIATO, em 2014 – COM A RETIRADA DOS DIFUSORES SOPRADOS que prendiam firmemente ao solo a traseira (característica com a qual estava acostumadíssimo), impondo-lhe dificuldades em sua pilotagem (não raro o víamos rodando bisonhamente) resultando nesse mau ano SURPREENDENTE e incompreensível (também devemos ressalvar que não se sabe até onde fatores psicológicos/emocionais desconhecidos possam eventualmente ter contribuído para o seu Titanic pessoal). Mas talento é talento, e na Ferrari Vettel JÁ DEMONSTROU ter aprendido muito bem os novos carros sem os difusores soprados.

    Esse paralelo que fiz entre VETTEL e CLARK (e essas ressalvas sobre a tocada de Sebastian) são necessárias para responder à sua pergunta sobre Hamilton x Paddy Lowe, mediante outra pergunta que dirijo a você, caro Billy: você acha que CLARK NÃO SERIA capaz de ter sido o que foi, ter ganho o que ganhou SEM CHAPMAN?

    Deixe que eu lhe responda – sob o meu ponto de vista estritamente PESSOAL: SIM, Clark era um GÊNIO, e teria ganho tudo o que ganhou COM OU SEM CHAPMAN. Pilotos geniais são capazes de suas proezas com quaisquer projetistas, DESDE QUE lhes dêem um carro competitivo (aqui faço uma defesa prévia de Alonso, em FUNÇÃO DESSE DESCALABRO que o asturiano tem em mãos – existem limites para tudo), rsrsrs. . . E digo mais: porque Clark não venceria ou não seria campeão com outro projetista, se Graham Hill foi campeão não apenas pela Lotus, mas também pela BRM? Sem querer desmerecer o grandíssimo e admirável Graham Hill, o Mr. Mônaco, o ÚNICO tríplice coroado da História do Automobilismo (Indy 500, 24 Horas de Le Mans e 5 vezes vencedor do GP de Mônaco, EMBORA FOSSE CAPAZ DE VENCER CLARK (pois não existem pilotos invencíveis), ele – G. HILL – NÃO TINHA A MESMA GENIALIDADE DE CLARK e, NO ENTANTO, foi (bi)campeão com equipes diferentes.

    Clark NÃO FOI o que foi apenas por Chapman, nem Vettel foi o que foi apenas por Newey, nem Hamilton é o que é apenas por Paddy Lowe. Vale ressaltar que o W-06 não é produto EXCLUSIVO dele, mas todo um carro que é, no mínimo, no mínimo, UMA IMENSA EVOLUÇÃO do W-05 (que comia pneus adoidado), para não dizer um carro diferente, cujo projeto para a utilização de propulsor híbrido, bem DIFERENTE do anterior, foi desenvolvido principalmente por ALDO COSTA e sua equipe. Mas Lewis, apesar de estar chegando na equipe em 2013, AINDA ASSIM FOI CAPAZ DE VENCER EM SEU PRIMEIRO ANO COM UM CARRO DIFERENTE, a despeito de freios dos quais não gostava, ao contrário de Vettel SEM os difusores soprados, que, em seu PRIMEIRO ano NESSA CONDIÇÃO, não logrou uma vitória. É por esse aspecto de ADAPTABILIDADE que eu divirjo de sua avaliação de que o alemão está “bons degraus” acima de Hamilton. Mas DEIXO CLARO que respeito profundamente sua opinião e daqueles pensem de maneira semelhante a você, caro Billy: cada um tem o seu ponto de vista, e é bom que assim seja, para que, no calor dos debates, possamos ver alguns aspectos que – PELO LADO DA PAIXÃO DE TORCEDOR – eventualmente nos possam PASSAR DESPERCEBIDOS.

    Caro BILLY confirme se minha lembrança está correta, se foi você que reclamou sobre a falta de reconhecimento de Jim Clark, pois, a exemplo de você, sou leitor e escrevo meus pitacos assíduamente aqui do Blog da nossa maravilhosa Julianne, e sempre presto atenção a todos os ótimos comentários que aqui são postados. Tenho a impressão que foi você quem fez a observação sobre Clark. Recomendo aos mais jovens que queiram saber da extraordinária grandeza de Jim Clark que leiam o magnífico livro “A História de Jim Clark”, escrita pelo famoso fotógrafo de corridas Bill Gavin, que conta e atesta em todos os seus detalhes, com riqueza de linguagem, toda a referência que fiz sobre a capacidade de adaptação de Jim às adversidades, além de muitíssimas das façanhas do lendário Escocês Voador. Só o encontrarão em sebos, pois de há muito está esgotado: esse livro foi lançado em 1967/1968. Desculpem pela verborragia, mas acho interessante trazer fatos de Jim Clark, correlacionando-os aos nossos ases geniais (sim, isso aí: ases geniais) de hoje. É guardar o Passado com carinho e reconhecer o Presente em perspectiva histórica, vivenciando intensamente os seus momentos.

    Forte abraço.

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    1. Olá, Aucam, não lembro de ter chegado a falar de Clark aqui, certamente foi outro leitor. Mas realmente muito me estranha que Clark geralmente fica à deriva nas enquetes de melhores pilotos. Eu não colocaria, por exemplo, Senna acima de Clark assim com tanta convicção, como muita gente faz.

      No mais, é questão de gosto mesmo. Eu simpatizo mais com o jeito de trabalhar de Seb, conquistando a equipe a seu redor sem precisar dividir a equipe (característico de Alonso) e sem cobranças demasiadas e públicas. Ele é um verdadeiro aluno nerd, aquele que estuda para ser o melhor da turma.

      Abraços.

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    2. Caro Aucam Vettel só não venceu em 2014 devido ao erro estratégico da RBR que fez um pitstop na hora errada e o devolveu no meio do trânsito (lembrando que a equipe tem todos os dados de GPS sobre tráfego e mesmo assim erraram com ele) e todos nós sabemos que numa pista em que o motor fala alto como essa na corrida do Canadá ele ficou atras de carros empurrados com motor Mercedes com isso fez que o Ricciardo que estava atras de Vettel na corrida fizesse uma estratégia diferente e acabou o ultrapassando nos boxes e ganhando a corrida devido aos problemas mecânicos das Mercedes, o próprio Vettel reclamou disso na época em que ele perdeu uma grande oportunidade de vitória nessa corrida.

      Quanto ao GP da Hungria foi uma falta de sorte danada do Vettel ele já tinha passado da entrada dos boxes quando a chuva apertou ou entrou o safty car na pista não me lembro exatamente desse detalhe só me lembro de que o Vettel estava na frente de Ricciardo na corrida e o próprio se aproveitou mais uma vez dessas circunstância para vencer aquela corrida bem maluca e muito boa por sinal provavelmente foi a melhor do ano passado.

      Já em relação ao GP da Bélgica Vettel não treinou na sexta-feira mais uma vez por problemas de motor que foi uma constante com ele no ano passado e a classificação foi feito de baixo de muita chuva e ele com seu enorme talento se classificou em terceiro a frente de Ricciardo mas na corrida Vettel acabou pagando o preço de não ter feito nenhum treino em condições de pista seca e foi ultrapassado pelo Ricciardo que tinha treinado na sexta sem problema nenhum e acabou vencendo a prova mais uma vez por problemas com as Mercedes que se tocaram no inicio da corrida.

      Caro Aucam não tiro os méritos de Ricciardo aproveitou as chances que apareceram em sua porta, eu só acho que e o Vettel ano passado estava com muita falta de sorte por isso ele não venceu como relatei nos parágrafos acima e acho que com isso ele desanimou por já saber desde o início da temporada que não iria disputar o campeonato mundial como fez até então nos últimos 4 anos, com os problemas de potência do motor Renault e confiabilidade que o perseguiram o ano todo e acho que mais o menos no início da temporada passada ele recebeu a proposta da Ferrari para correr sabendo que seu contrato com a RBR tinha uma cláusula de performance não seria nenhuma utopia ele meio que largar de mão o ano e o duelo com o seu companheiro de equipe e no mês certo ele avisasse a RBR que ele estaria se desligando do time,(isso é opinião minha) essa semana saiu uma matéria dele falando que duvidou de si mesmo no ano passado devido a todos os problemas que se passou com ele segue o link abaixo

      http://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/vettel-admite-que-duvidou-de-si-mesmo-em-2014-mas-se-diz-contente-por-opcao-no-momento-certo-pela-ferrari

      E para finalizar queria deixar claro que sou leitor assíduo do blog da Julianne acho o melhor sobre F1 no nosso país e que leio e aprecio os comentários de todos do blog principalmente os seus caro Aucam.

      Abraços.

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      1. Caro André Luiz, muito obrigado pela consideração que você tem pelos meus pitacos. Quanto ao Blog da Julianne, concordo INTEIRAMENTE com você. Ela o faz com paixão, é fácil perceber. E ainda nos oferece generosamente esse espaço para debatermos, além de, principalmente, estar sempre pronta e solícita para tirar nossas dúvidas. ISSO É ÚNICO, pelo menos na intensidade em que ela o faz. E, pela qualidade dos comentários expressos aqui, entre os quais os seus, eu já me referi tempos atrás à responsabilidade que é opinar aqui, para não destoar do altíssimo nível geral do Blog.

        Sobre Vettel – um talento fora-de-série e pelo qual tenho imensa admiração, respeito e reconhecimento – não fiz uma crítica a ele, veja bem, apenas apontei um quesito – adaptabilidade – em que julgo estar ele abaixo de Hamilton. POR OUTRO LADO, o alemão é melhor, por exemplo, em frieza e precisão. Isso decorre das diferenças de estilo entre um e outro, são normais, e não encaro como deficiência de um ou de outro para situá-los como melhor esse – ou melhor aquele. É um ponto de vista estritamente pessoal meu: creio que na verdade eles se equivalem, e as circunstâncias constituem o fator que define quem dos dois – HAM e VET – ESTÁ melhor num momento ou em outro. E – como aficionados pelo automobilismo – temos nossas preferências estabelecidas pelas características que valorizamos mais em cada um deles. Normal, também.

        André, creio que me expressei mal na correlação que fiz de Vettel com Clark. Quis fazer um paralelo entre Clark e Vettel sobre as dificuldades inesperadas que SebVet encontrou em 2014, mas SEM QUALQUER INTUÍTO DE DIMINUÍ-LO. No link que você postou, André, fica patente esse reconhecimento das dificuldades de adaptação que SebVet teve, pois ELE MESMO, com a HUMILDADE PRÓPRIA dos grandes campeões, reconhece isso. Não quis COMPARAR DIRETAMENTE o desempenho dos dois – Clark e Vettel – ESPECIFICAMENTE na pista de Mônaco, fiz uma apreciação geral da temporada de 2014 em que SebVet esteve irreconhecível. APENAS PINCEI esse revés ocorrido com o Escocês Voador no Principado para exemplificar a sua capacidade excepcional de adaptação de JIM a carros diferentes, ou com problemas inesperados: poderia ter citado outro – de tantos exemplos – como a sua espetacular vitória no GP dos Estados Unidos em 1967, quando teve um dos lados (o braço principal) da suspensão traseira de seu Lotus quebrada, e ainda assim conseguiu VENCER a corrida com a suspensão ESCANDALOSAMENTE ARRIADA, com a roda quase encostando no motor! Isso foi fotografia de destaque em todas as publicações especializadas da época. Ele tinha mais de 30 segundos (!) de vantagem para Graham Hill e ainda conseguiu chegar à frente de Hill com 6 segundos de vantagem!

        Clark “mandava” excepcionalmente bem em qualquer tipo de carro, agigantava-se quando diante de adversários com carros mais potentes e assombrou os americanos ao ser o primeiro estrangeiro a vencer no templo oval de Indianápolis desde 1916. Nessa época, os motores aspirados da F 1 tinham apenas 1 litro e meio de capacidade cúbica, enquanto os da Fórmula Indy tinham 4.2 litros!

        Voltando a Vettel, na minha insignificante opinião, eu acredito que ele deu O MÁXIMO DE SÍ (que era possível) naquelas circunstâncias de 2014 e de sua transferência para a Ferrari, até porque esses ESSES CARAS TODOS SÃO EXTREMAMENTE COMPETITIVOS E DUROS NA QUEDA (vide o Sainz há poucos dias), e só insondáveis motivos podem explicar o que realmente houve para a sua queda tão grande (visível em sua pilotagem, à parte as desventuras que SebVet teve com o seu carro e as faltas de sorte). Mas isso acontece, veja que até Marc Márquez – que continuo considerando um “alienígena” – não está bem este ano. Antes de tudo, os pilotos podem ser “tough” como forem, MAS SÃO HUMANOS, sujeitos a altos e baixos.

        Forte abraço.

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      1. Aliás, Aucam, muito bom saber que temos a sua companhia aqui nos comentários da Julianne, sempre lembre de compartilhar conosco sua experiência como aficionado desde tanto tempo atrás.
        A internet e bom e tudo mais, mas nada como uma narrativa pessoal pra contar boas histórias…

        Um PS pra Julianne: ainda bem que você manteve seu blog como independente, Julianne. É impressionante como a qualidade da turma que comenta aqui se manteve alta, enquanto que o Ico deve estar sofrendo horrores com os comentários lá do UOL…

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      2. Caro PEDRO, se tiver a oportunidade de comprar esse livro, NÃO HESITE! Ele é fascinante, mostra a dimensão da grandeza desse monstro que foi JIM CLARK! Bill Gavin – que foi amigo pessoal de Clark – nos dá um relato e o testemunho empolgante e eletrizante da trajetória de Jim Clark, focando também em aspectos de sua vida fora das pistas e em seus adversários, 3 deles excepcionais: JOHN SURTEES, o ÚNICO PILOTO até hoje que atravessou a barreira das duas para as quatro rodas para ser campeão mundial no Motociclismo e na F 1; o TRÍPLICE COROADO GRAHAM HILL e o TRICAMPEÃO MUNDIAL JACK BRABHAM, um exemplo até hoje de vigor físico e de reflexos, que se retirou no AUGE de sua forma técnica aos 44 anos, deixando todo mundo com saudades dele. BRABHAM conhecia como ninguém as entranhas de um Fórmula 1, foi o PRIMEIRO piloto a construir e o ÚNICO até hoje a ganhar um campeonato mundial de F 1 em um carro de sua própria construção! FOI REALMENTE UMA ERA DE OURO, a primeira do automobilismo a reunir SIMULTANEAMENTE 4 expoentes dessa magnitude! Além disso, JACK – com seus carros – FORJOU outros campeões, como o ex-mecânico Dennis Hulme e NELSON PIQUET, mestre inigualável das ultrapassagens em estilo “stealth”. Curiosamente, apesar da minha imensa admiração por Jim Clark, àquela maravilhosa e inesquecível época minha torcida ia para Jack Brabham por um motivo prosaico: meu tio paterno preferido – bonachão e brincalhão como o piloto australiano – era muito parecido física e fisionomicamente com Brabham!

        Pedro, em meus pitacos, quase sempre faço alguma menção ao Passado, para despertar MAIS nos mais jovens o desejo de PESQUISAR e conhecer mais os ases do Passado, embora TODOS aqui no Blog sejam “FERAS”, com suficiente conhecimento da grandeza que aqueles fabulosos pilotos tiveram. Como sou velho (sem eufemismos como “idoso”, hahaha), vivenciei contemporaneamente seus feitos e tinha enorme coleção de revistas especializadas, em especial da Autosprint italiana, as quais fui obrigado a me desfazer para liberar espaço para as crianças depois que casei. No entanto, ficaram as muitas lembranças, os acontecimentos de relevância na memória; e dizem que os “velhos” tem memória mais nítida para os fatos antigos do que para os mais recentes, o que confirmo, hahahahaha!!!!

        “A HISTÓRIA DE JIM CLARK” tem a tradução primorosa de Pedro Victor Lamare, TRICAMPEÃO BRASILEIRO DE TURISMO CLASSE C, os Opalões precursores da atual Stock Car, campeonato que eu acompanhava in loco, mas isso já é outra história. . .

        Um grande abraço!

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      3. PS: Pedro, obrigado pela força que dá aos meus pitacos.

        Também aproveito a oportunidade para esclarecer melhor que Hulme foi forjado ao lado de Jack Brabham, o qual, desapegado que era, inclusive andou com peças mais experimentais que o neozelandês, que disputou a temporada de 67 com um carro mais provado, mais consistente. E o grandíssimo e excepcional Nelson Piquet foi forjado campeão com um carro Brabham que continuou o legado de Jack, mas já sob a batuta de “Tio Bernie”, que, entre outras coisas, foi empresário de Jochen Rindt.

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    3. Caro Aucam, que bom você mencionar essa biografia de Clark, eu tive a chance de lê-la na minha adolescência (a qual se passou na década de 70) por algumas vezes – era um exemplar da biblioteca de onde eu fazia o ginasial.

      Uns anos atrás escrevi ao Ico Ramos sugerindo um tema para um podcast dele, um daqueles pós-corrida, em que eu havia notado e presumido uma certa semelhança entre o modo de Vettel exercer domínio nas corridas saindo da primeira fila, com Senna e também com Clark – Ico fez uma rápida pesquisa e confirmou a paridade entre as vitórias de ponta a ponta do alemão com o brasileiro, creio que de algum modo era possível fazer uma equivalência ao número de GPs vencidos assim ou talvez dos já disputados em ambas as carreiras dos campeões (creio que Vettel já era bicampeão quando do meu comentário). Não mencionou Clark nominalmente mas afirmou ter havido outros pilotos anteriores a Senna ‘performando’ (neologismo meu) àquela maneira.

      Eu tinha feito a sugestão de uma influência direta do estilo do escocês ao do brasileiro porque sei que Senna estudou no mesmo colégio que eu, por um par de anos nos 70, e sabendo ter sido fanático por corridas desde moleque, imaginei ter ele lido a biografia, observado e absorvido tal tática de vitórias.
      Por volta de 1990 retornei à biblioteca para examinar o livro sobre Clark ,e sua ficha de retiradas, na esperança de encontrar a assinatura do próprio, ao lado do meu nome – encontrei o livro sim, mas a ficha se referia ao ano de 1976 somente , quando então o campeão não mais estudava lá fazia uns anos…

      E quando do GP de Singapura em 2015 lembrei novamente da semelhança, desta vez Vettel com Clark, embora talvez tenha ocorrido por quase total acaso e coincidencia: vendo a transmissão replay do canal a cabo, o locutor mencionou o impressionante fato do alemão abrir 3 segundos sobre o resto, só na primeira volta!
      Bem , eu conheço a história de que Jim Clark realizou esse mesmo feito no traçado também de rua de Monte Carlo, justamente no GP de 1964, que você mencionou acima – esse fato costumava ser relembrado pelo veterano Jenks, talvez o maior jornalista britânico que cobriu a F1 dos anos 50 aos 80. Tinha sido para ele a performance em uma única volta, a mais impressionate que presenciou.

      Cara Julianne, pretendia contar essa minha observação à época do GP de Singapura, mas me passou a chance parabólica (!) por absoluta falta de tempo – seus leitores verborrágicos certamente padecem no mundo virtual e vertiginoso de agora…só pra dizer que seus posts são excelentes, e , certamente importará, você conseguiu que um veterano espectador de F1 há já 43 anos consiga ainda se ater às sutilezas e complexidades da F1 agora – seu trabalho é brilhante.

      PS: o ‘parabólica’ no parágrafo acima foi cortesia, claro, do maldito corretor automático de escrita que tanto abomino nesses aparelhos móveis e que nunca consegui desligar – deixei só para registrar meu protesto a respeito : cara, certamente de tal auxílio eu não necessito a esta altura da vida!
      abraço a todos

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      1. Ôpa, que bom encontrar alguém que já leu o livro sobre Clark ao qual me reportei. Caramba, Fernando, por ter estudado no mesmo colégio que o grandíssimo Senna, talvez você tenha histórias para nos brindar sobre ele. Você comenta pouco por aqui, comente mais.

        Caro Fernando, no tempos em que Vettel estava dando as cartas com a Red Bull, eu em meus comentários aqui no Blog da Julianne por várias vezes me referi a essa semelhança de Vettel com Clark nas primeiras voltas, que você com muita propriedade enfatiza. Jackie Stewart também tinha o mesmo estilo: aproveitava as primeiríssimas voltas para “mandar ver” enquanto todo mundo ainda estava tentando se estabilizar e, digamos assim, “apalpar” a corrida. Stewart fazia as primeiras voltas, assim como Clark, em velocidade alucinante, distanciando-se dos demais competidores e quebrando-lhes o ânimo. Senna tinha um estilo semelhante, e a briga entre ele e Prost começou justamente por isso: haviam combinado que quem pulasse na frente teria a preferência para a primeira curva, mas Senna não cumpriu o acordo. Não vou entrar no mérito da questão, mas sempre enfatizei que em minha Galeria de Ases só têm quem “vai pra cima”, rsrsrs, e sempre me lembro da resposta de Senna a Jackie Stewart sobre a crítica que este lhe fez: “if you don’t go for a gap, you are no longer a racer”! Acho que o que acometeu Senna foi mais ou menos a mesma coisa daquela fábula do escorpião com o sapo na travessia do rio: “desculpe, mas não posso controlar minha índole”, rsrsrs. . .

        Essa NECESSIDADE de estabelecer a pole e despejar o caldeirão todo de uma só vez nas primeiríssimas voltas era ESSENCIAL para levar a Red Bull às vitórias: era uma característica do carro precisar de ar limpo na frente para render TUDO o que poderia render, pois não era tão veloz nas retas quanto os demais, e Vettel magistralmente fazia isso até com um pé nas costas, pois sempre foi ultrarrápido: a extrema velocidade sempre foi marcante nele, desde os seus tempos de menino ainda na BMW, quando conseguia virar tempos melhores até que os de Schumacher, nos treinos extraoficiais de sexta-feira, como piloto reserva. Daí eu sempre comparar Vettel a Clark e Stewart, até pelo estilo limpo e suave com que pilotava (ambos, Stewart e Clark tinham esse estilo limpo e de suavidade).

        Stewart foi um grandíssimo tricampeão e foi um adversário de Clark já mais para o final da carreira deste: Jackie estreou na Fórmula 1 em 1966 com um massivo, impressionante sexto lugar e, ao final da corrida, mostrou aos fotógrafos o estado de seus pneus, afirmando que só não dominou Clark em função desse desgaste. Impressionou todo o mundo especializado, e os comentários gerais eram de que “quando os grandes permitem a um novato correr roda a roda com eles é porque reconhecem a dimensão de seu talento”. Caso de Clark com Jackie. Não vi pessoalmente Clark correr, mas a Jackie sim, in loco, bem como a muitos outros famosos da época, em Interlagos, em 1973. Na TV, lembro muito bem dos dois duelos mais eletrizantes sustentados entre Stewart e Emerson Fittipaldi, ambos em 1973: o primeiro, no GP da Argentina, quando Emerson teve uma atuação eletrizante inesquecível e se impôs a Stewart (e a Cévert) numa vitória espetacular obtida quase ao final da prova; e o outro em Mônaco, quando Stewart foi à forra e ganhou de Emerson, após uma louca perseguição pelas ruas do Principado, em que Emerson praticamente correu a corrida inteira como uma VERDADEIRA SOMBRA de Stewart, tentando várias vezes a ultrapassagem sem conseguir. Emerson cruzou a linha de chegada a APENAS 1,3s atrás de Stewart, E AMBOS PUSERAM MAIS DE UMA VOLTA EM CIMA DO TERCEIRO E QUARTO COLOCADOS, ninguém menos que Ronnie Peterson e François Cévert! Já imaginaram? Corrida monumental, verdadeiramente épica! Eu gostava mais de Peterson e de Moco, Fittipaldi era muito cerebral para o meu gosto, mas quando Emerson saía de suas características e partia “pra cima” era fantástico, devido à sua extrema habilidade natural e a segurança com que tocava, aliadas à uma PRECISÃO DE TRAJETÓRIAS QUE NUNCA VI IGUAL. Gostei mais da tocada de Emerson em sua fase na Fórmula Indy, quando se tornou mais atirado.

        Em 1977, Stewart esteve no Rio e em São Paulo para fazer duas palestras sobre SEGURANÇA na RGT, e eu tive a honra de ver uma pergunta minha respondida por ele, Jackie (desnecessário dizer que eu cheguei cedíssimo para pegar um lugar na primeira fila do auditório, rsrsrs). Perguntei-lhe qual seria sua recomendação sobre o uso de cintos de segurança em carros spider, sem roll bar (o popular “santatônio”), considerando-se uma perigosa hipótese de capotamento, com o carro caindo em cima dos ocupantes presos pelo cinto. Ele me respondeu com a estatística e uma observação lógica muito interessante: RECOMENDAVA O USO DO CINTO em tal tipo de carro (spiders, como o PUMA nacional, e os charmosíssimos ingleses MG’s e TRIUMPH’s , por exemplo), pois o seu BARICENTRO (centro de gravidade) é muito baixo, e a Estatística revela que em caso de acidentes, esse tipo de carro tem mais facilidade para apenas RODAR do que para CAPOTAR.

        Grande abraço, Fernando.

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      2. Obrigada, Fernando. É muito legal ter gente que já viu um pouco de tudo nesse esporte comentando por aqui. O blog não é apenas feito por mim, mas também por cada comentário construtivo e respeitoso de vocês.

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    4. Perfeito, só uma ressalva. A toro era idêntica à redbull, só tinha uma especificação aerodinâmica anterior, nunca usavam a última e mais atual que era usado pela redbull. Porém o motor Ferrari era melhor que o Renault e em monza potência faz diferença.

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  4. E é por “pequenos grandes detalhes” como estes que você expôs, Ju, que diferencia você e faz de seu blog, colunas, textos, matérias, leitura obrigatória diariamente.

    Você faz a diferença. Parabéns!

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  5. Olá Julianne,
    Achei fantastico esse post…. ficarei atento as próximas voltas de apresentação.
    Alias, acho que seria interessante ter de tempos em tempos posts do tipo “mínimos detalhes”…. pois acrescenta muito ao momento piloto de sofá quando estamos vendo a corrida.
    Congrats,

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  6. Esse post foi FANTASTICO, e os comentarios tb, aucam meu amigo o q ocorreu com vettel em 2014 foi uma ruma de fatores como o nosso amigo Bruz ja falou uma vez , perdeu o tesão quando viu q num poderia lutar pelo penta consecutivo como schumi fez, ai veio o desanimo, carro com varias quebras, e em duas das vitorias da red bull ele estava bem pra ganhar e teve azar , e o azar faz parte….como citaram acima numa ja tinha passado do box e teve q dar outra volta e ele ,rosberg e mas 2 num lembro quais voltaram mas atraz, e no canadá a red bull errou o gps e ele voltou atras do erez e ai veem a ferrari ai a cabeça ja virou com a realização do sonho e tal, teve a 1 filha, acidente do schumi e outras q nos ainda num sabemos, mas essa q tirou o pe pra se luvrar da multa e sair sem pagar nada pode ter ocorrido, eu num acredito nisso, mas tb num duvido de nada se tratando de F1,
    Mas 2015 ele ja ganhou as 3 tb e sem problemas nas mercedes q ao meu ver valoriza ainda mas, e o ricardo fez um exepcional trabalho tb ,temos q reconhecer isso tb, ja esse ano ele e o sainz estão com um azar danada.
    Aucam um abraço amigo, seus comentarios eu adoro são narrativas maravilhosas e eu espero q essa expectativa pra 2016 se realize vettel x hamilton será antologicos , se os carros forem estilo 2008 duas equipes equivalentes. Será fodastico.

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    1. Chrystian, meu amigão, valeu, obrigado e um forte abraço. E que vengam los toros em 2016! Digo, rsrs, o Mercedes de LewIIIs e o Ferrari de IVettel! Quando Vettel for PENTA, seu próprio nome já traz o 5 em romano, não é mesmo? Bastará escrever apenas Vettel!

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  7. Super notícia Ju, Parabéns pelo post. Abs

    Grande Aucam, não tinha comentado ainda mas penso como você em relação às análises de Hamilton, Alonso e Vettel, com raras observações.

    Eu achava que você tinha o Vettel como superior aos demais.

    Ótimas histórias de Clark e Brabham.

    Quem sabe ano que vem a gente não vai pro GP Brasil e leva um cartaz “Ju cadê você, eu vim aqui só pra te ver”. hehehehhehe

    Será que a gente consegue uma selfie?

    Abs.

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    1. Na verdade, amigo Augusto, eu considero que Vettel e Hamilton se equivalem na soma individual de suas qualidades e de seus pontos fracos. A preferência por achar um ou o outro melhor, por gostar mais da tocada de um ou de outro, fica por conta do “cliente”, que são os aficionados.

      Grande abraço!

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