Revendo os conceitos

Mercedes-Benz-Hybrid

Era uma vez um conjunto de regras que buscava adaptar a Fórmula 1 ao foco das grandes montadoras e tirar da aerodinâmica o papel de protagonista, mas sem aumentar absurdamente os custos da categoria, por meio de uma série de restrições. Uma ideia audaciosa que não tem produzido os efeitos esperados.

Isso, porque o pior cenário possível para os V6 turbo acabou se tornando realidade.

O atual regulamento começou a tomar forma em 2010, com a seguinte lógica: absorver o grande gasto com a exploração inicial da tecnologia diminuindo ano a ano as possibilidades de modificar áreas do motor. Isso seria feito tanto com o aumento das chamadas black boxes (áreas que deveriam ser homologadas e nas quais não se poderia mexer mais), quanto com a diminuição do número de tokens disponíveis para desenvolvimento ano após ano, de 32 em 2015 para 3 em 2019.

Mas este regulamento não considerou uma possibilidade bastante plausível: e se uma fornecedora fizesse um motor muito melhor e ficasse claro que, quem não tivesse tal equipamento, estaria fora da briga por campeonatos? E se todas as equipes quisessem o mesmo motor?

Não coincidentemente, os remendos nas regras começaram já no segundo ano deste grupo de regras, com a abertura do desenvolvimento durante a temporada. E a tendência é uma flexibilização ainda maior nos próximos anos, algo indicado pelas importantes decisões tomadas em conjunto pela FIA, Mercedes, Ferrari, Honda e Renault semana passada. As novas regras precisam de ratificação no Conselho, o que no momento parece ser uma formalidade.

O acordo prevê que os tokens disponíveis para alterações ficarão estáveis ano que vem – com 32 ao invés dos 26 previstos – e os black boxes ou itens congelados não aumentarão. Além disso, as fornecedoras ficam dispensadas da homologação em 28 de fevereiro – ou seja, o desenvolvimento ao longo do ano fica permitido. O uso de motores defasados também foi mantido.

Todas estas são medidas fundamentais para que o atual modelo seja sustentável por uma série de fatores. A curto prazo, aumenta as possibilidades da Red Bull encontrar uma solução para seu impasse – nascido, justamente, da avaliação de que, da maneira como as regras estavam escritas, seria muito difícil vencer com qualquer motor que não fosse um Mercedes. E a longo prazo, caso essa mesma premissa continue sendo usada nos próximos anos, permite uma competição mais justa entre os fornecedores.

Outro ponto importante das discussões da semana passada foi o da igualdade entre os motores fornecidos – algo que acabou caindo dias depois com a divulgação de que motores diferentes serão permitidos. De qualquer maneira, isso em momento algum quis dizer que todos os Mercedes, por exemplo, renderiam da mesma forma. Há dois fatores primordiais, o mapeamento e o combustível (algo que merece um post em separado nas próximas semanas), que sempre vão diferenciar os clientes. Mal comparando, é como se uma peça fosse feita especificamente para  um modelo de carro, mas pudesse ser usada em outros: ela vai funcionar melhor para propósito para o qual foi desenhada.

Apesar de positivas em termos de abrir possibilidades, as medidas de flexibilização das regras trazem consigo, claro, um perigo. À primeira vista, são uma boa oportunidade para Ferrari, Honda e Renault. Mas nada impede que seja a Mercedes quem mais se aproveite. Que comece a corrida de desenvolvimento.

23 comentários sobre “Revendo os conceitos

  1. Na minha modesta opinião, estas regras envolvendo o quase-livre desenvolvimento das Unidades de Potência, estão mais próximas da filosofia da F1 que éh: o melhor conjunto = carro (nada impede de se ter um carro equilibrado! Vide Mercedes, Red Bull e Ferrari) + motor + piloto. E as equipes que não têm o apoio das montadoras, que possam adquirir as unidades (defasadas éh claro), de uma Ferrari, por exemplo, e disputar o campeonato. Na minha opinião, o que a Red Bull exige em ter unidades iguais das equipes de fabrica éh no mínimo fantasioso. A Red Bull que vá ao mercado e convença a uma Ford ou Toyota para que juntas com um prazo razoável de 05 anos possam estar competitivas a ponto de disputar o campeonato. Com a estrutura que dispõe a Red Bull este prazo éh bem plausível!

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  2. Um pergunta a vocês: será que podemos considerar que a Mercedes faz um ótimo trabalho com as unidades de potência tendo acumulado um prejuízo de mais de R$ 450 milhões de reais para ser campeã mundial em 2014? Porque, se eu fosse acionista da equipe, com ficaria feliz com esses números! Aprendi na minha faculdade de engenharia que mais importante do que uma solução rentável são os custos que a envolvem.

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    1. Apesar dos gastos passarem uma ideia de insanidade, a visão de uma montadora na F1 é um pouco diferente. O prejuízo acumulado com a equipe é revertido em marketing para a empresa e em tecnologia para os carros de rua.

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    2. É essa a questão central do texto, Billy. Pela maneira como as regras estavam, valia a pena o investimento não “para ser campeão em 2014”, mas para dominar a F1 por pelo menos seis anos, pois era fundamental que o projeto fosse bem nascido. Com as mudanças que foram feitas, continua sendo importante, mas não crucial.

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      1. Por isso que a Mercedes começou a desenvolver o motor em 2010, assim que as regras foram escritas, tiveram visão de futuro.
        Seria possível conseguir as cifras do quanto seria economizado com a diminuição dos tokens Ju?

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  3. Querida Julianne, você se supera a cada post! Diante desse padrão, pode-se até dizer que o melhor deles será sempre o seguinte! Gosto demais do seu didatismo, com ênfase nos pontos aos quais se deve observar.

    Este seu post está brilhantíssimo e por ele infiro que agora não vai mais poder ter desculpa, ter chororô de ninguém: daqui pra frente o negócio é botar a “mufa” pra funcionar, dar tratos à bola e descobrir o pulo do gato, ou melhor, o gato que melhor pula, para ser tão ou mais competitivo que a Mercedes. Penso que haverá bastante liberdade para isso.

    A propósito de situações como a da McLaren-Honda ou da Red Bull, não sei se vou falar besteira, Julianne, dada a complexidade que envolve essas unidades propulsores híbridas de hoje – onde é vital a harmonia entre os “devices” de recuperação/transformação de energia e a unidade geradora propriamente dita (a de combustão) – mas penso, por exemplo, que ambas as equipes -Red Bull e McLaren (que se debatem com os maiores problemas) poderiam recorrer à preparadoras independentes, que reúnem engenheiros e técnicos de altíssima qualificação e criatividade, para melhorar as unidades que recebem das fábricas. Falo isso considerando, por exemplo, a propalada inexperiência em Fórmula 1 dos técnicos dessa atual Honda que se lançou à categoria de novo, porém subestimando a complexidade dos híbridos (fato até já reconhecido pelos dirigentes da Honda).

    Confesso que não sei até onde pode ir a expertise delas, mas que tal recorrer a essas preparadoras independentes especialistas em altíssimo desempenho, como a RUF, a GEMBALLA e a RINSPEED (suíça), que trabalham em cima dos Porsche; à ALPINA e à SCHNITZER das BIMMERS, ou à BRABUS das Mercedes? São empresas de tanta tecnologia que conseguem melhorar e “turbinar” o que as próprias fábricas produzem! Isso sem falar em preparadores que já tem comprovada experiência com a F 1, até mesmo produzindo ou otimizando motores, como a ILMOR e a COSWORTH. Fico pensando que tanto a Red Bull (enquanto não consegue convencer alguém da família VW a lhe fornecer propulsores) quanto a McLaren poderiam recorrer a eles e até financiá-los em suas pesquisas para lhes ajudarem a atravessar essa crise que vivenciam. Creio que com bom apoio financeiro essas preparadoras poderiam se debruçar em cima das unidades de fábrica, e conseguir desenvolvê-las de maneiras próprias, desafiando os próprios fornecedores originais.

    Enfim, espero uma reversão nesse DESCALABRO em que se encontram as duas equipes – MCLAREN e RED BULL.

    Aos amigos MP4-23 e BRAZ, fãs da McLaren (também sou), sugiro verem o capítulo (no Discovery Turbo, na TV a cabo) em que o SEMPRE empolgadíssimo e inspiradíssimo Brian Johnson nos leva a um passeio de gala pela fábrica de Woking. Vale muito a pena. Vendo-o, fica-se ainda mais impressionado e com pena dos percalços que estão ocorrendo hoje na Equipe de F 1. É um passeio belíssimo por essas instalações verdadeiramente surreais, belíssimas, espetaculares, cirúrgicas e até místicas da McLaren. Brian Johnson presta um belo e necessário tributo ao gênio que foi Bruce McLaren, embora não foque muito em Ron Dennis, que, diga-se o que se disser, tem extraordinária parcela de contribuição na grandeza da Equipe e do Grupo McLaren. Sim, Ron Dennis, que aos 18 anos iniciou sua vida como mecânico de Jochen Rindt na Cooper e depois na Brabham, onde também foi mecânico de Sir Jack Brabham, e hoje é um dos donos e dirigente desse império de tecnologia! Essa TURMA TODA da F 1 tem muita história, muitas façanhas!

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    1. Grannnnde AUCAM! Blz?!?! Tá anotado a dica que tu me recomendas na Discovery-Turbo. Afinal, creio que isto (essa peleja da Mclaren) éh o circulo natural da vida (ou das coisas) que não poderia ser diferente com as instituições (Vide o meu glorioso Vasco), os chamados “altos & baixos”. Más eu ainda hei de ver a minha Mclaren junto com o meu Vasco mais gloriosos do que nunca! Quanto a Red Bull, não sei qual éh a dela… Se ela busca obter o máximo-o-tempo-todo em marketing na F1, então alguém tem de avisá-la que ela esta na categoria errada. Éh mais fácil ela criar uma categoria pra obter estes dividendos do quer crer que sempre vai estar por cima na F1. A Formula 1 NUNCA em definitivo lhe dará azas!!!

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    2. Se fosse só uma questão de experiência, como explicar o caso da Renault?
      Acho que equipe que quer ser campeã não pode ser cliente. Se não tem condições de fazer o próprio motor, que busque uma parceria com uma montadora.

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  4. Agora sim em…saiu o post dos motores….

    Só de saber que uma cliente ficará entre 4 ou 5 GPs com motor inferior me desanima muito!

    A Honda e a Renault tem obrigação de dar um salto grande em busca de posições melhores…..

    Mas F1 é isso aí, bola pra frente e que a distância entre os carros diminua….

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  5. Oi Jú, muito bom seu post.
    Em relação a Mercedes, a unidade de potência é muito importante, mas lembro de uma matéria sua falando sobre a suspensão “frick” se não me engano, da extrema importância dela no conjunto do carro, nessa relação a suspensão é vital para a Mercedes? A F1 em relação às regras sempre foi muita tentativa e erro, mas nesse caso específico no intuito de trazer novamente às grandes montadoras, por mais que a categoria seja o maior banco de provas do mundo, ninguém quer passar a imagem pra seu consumidor que está a KM de distância como se apresenta hj por exemplo a Honda da Mercedes.
    Em relação a Red Bull, ela surfou a onda da máxima aerodinâmica enquanto pode e não se preparou para uma nova era, não foi nada parceira da Renault, do tipo eu ganho, nós empatamos, vocês perdem….e esse tipo de postura é completamente oposto ao que fez a equipe ter muitos fãs, que viam nela uma equipe jovem, progressista, deixava os pilotos brigarem por posições, quando chegaram os títulos, o dinheiro e o poder, mostrou-se apenas mais uma e na primeira indicação que esse poder mudou de mãos culpou todo mundo, menos a si mesma.

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  6. Acho q em termos de motores mercedes e ferrari vão se equivaler em 2016, e sobre a aerodinamica acho q ferrari tende a diminuir a distancia ,pois o carro será totalmente novo e james alison é bom e estrutura pra trabalhar num faltará, agora a honda vai continuar penando e a rennault num sei qual vai ser a dela, pq se for equipe propria acho q darão um salto.

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  7. Não acredito que já no ano que vem a supremacia da Mercedes acabe. Mas eu disse aqui mesmo em 27 de setembro que a chance de 2017 ser equilibrado é justamente as demais terem a chance de melhorar seus motores ano que vem pra chegar perto em 2017. E parece que é isso que vai acontecer.
    Claro que a Mercedes pode até aumentar a distância paras as demais, e não são pequenas as chances disso acontecer, porque quem fez o trabalho melhor até aqui é justamente quem tende a continuar trabalhando melhor. Se isso acontecer, parabéns a fabricante alemã.
    Mas entre a chance de Ferrari, Honda e Renault se aproximarem da Mercedes, e correndo o risco de ficarem ainda mais distantes, e a atual situação onde nas últimas 34 corridas, 33 poles e 28 vitórias foram de um mesmo motor, eu prefiro que as fabricas tenham mais liberdade pra melhorar suas UPs. Não é pelo campeonato de 2016, porque na F-1 as coisas quase sempre precisam de antecedência de trabalho pra acontecer, eu estou é pensando nos campeonatos de 2017, 2018 e 2019. E Renault, Honda e Ferrari(sim, ela também) tem muito trabalho pela frente pra encarar a montadora alemã.

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  8. O que acho que desanima algumas montadoras a entrar na F1 é a falta de testes e a limitação do número de motores. Entrar numa tecnologia complicada sem testar direito e tendo que fazer ser potente e confiável é muito difícil. Vide o exemplo da Honda e da Renault.

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    1. Alexandre, espero que você tenha visto a epopeia que foi a corrida da MotoGP no belíssimo circuito de Phillip Island, com o mar azul ao fundo! Caramba, que fantástico! Uma corrida épica, monumental, para ser lembrada para sempre! Meu sonho de consumo é um dia ver na F 1 algo parecido, entre Hamilton, Vettel, Alonso, Ricciardo e Verstappinho!

      E que pilotaço esse Iannone, hein? Venho observando-o há tempos, ele tem barbarizado com a sua Ducati. Esteve simplesmente soberbo ontem, peitando Marquez, Lorenzo e Rossi e não tomando conhecimento do resto. . . Márquez, Iannone, Lorenzo e Rossi correram simplesmente na dimensão do Impossível e do Delírio! Como podem pilotar tanto?

      Ah, essa MotoGP! Definitivamente, não é para os fracos de coração! E apesar de não vir bem esse ano, continuo considerando Márquez um alienígena! Márquez recuperou a ponta em cima de Lorenzo a apenas duas curvas da bandeirada de chegada! 24 vitórias em 52 largadas na MotoGP!

      Agora que temos o Verstappinho para peitar o Trio de Ouro, “vou deixar” o Márquez lá na MotoGP para triturar todos os recordes, mas este ano estou torcendo pelo Doutor.

      Rossi merece mais que ninguém ganhar o seu 10º título!

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      1. Aucan,
        Se um dia a F1 conseguir uma corrida parecida com o que foi a moto gp no último domingo a audiência simplesmente explodiria, para os fans da categoria, e pra quem gosta de competição também…Foi simplesmente fantástica…nota 1000…abraços

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      2. Pois é, caro Daniel. Um final eletrizante, desses que se guarda para sempre na memória, mas veja que na Fórmula 1 já houve coisa ainda mais inacreditável que esse duelo e esse final da MotoGP de Phillip Island! Então, algo muito grande se perdeu na essência da categoria máxima do Automobilismo, com tanta sofisticação e tanta evolução havidas ao longo do tempo.

        É preciso mais do que nunca resgatar pelo menos parte dessas raízes, para que pudéssemos ver algo semelhante ao que mostro no vídeo abaixo, trocando aqueles fantásticos atores pelos atuais. Preste bem atenção a este vídeo, ao seu final: foi a chegada mais apertada da História da F 1! Já postei essa chegada aqui em outra oportunidade, mas vale a pena repetí-la. Ganhou um improvável Peter Gethin (bom piloto, diga-se, mas não um star) em uma também improvável BRM, praticamente em seus estertores.

        E chamo a atenção para uma coisa importante: a evolução tecnológica NÃO PAROU para as motocicletas, elas são o estado da arte, HOJE! Então, sim, é possível achar soluções para a competitividade da atual F 1, sem caminhos mirabolantes. O que não falta são cérebros brilhantes envolvidos na F 1. Talvez haja excesso de interesses comerciais conflitantes. Inclusive não havia antigamente esse “engessamento” dos pilotos, que praticamente só podem correr na F 1. Velhos e emocionantes tempos, em que tínhamos nomes de primeira grandeza correndo simultaneamente na F 1 e no Campeonato Mundial de Endurance; em que tínhamos um Clark correndo de F 1, F 2 e até de Turismo, com os inesquecíveis Cortinas! Imaginem o “plus” que seria, se pelo menos tivéssemos grandes talentos – que ficam de “pijama” nos boxes da F 1 – correndo no WEC, como Kevin Magnussen e Vandoorne, por exemplo, que, ao que tudo indica, não conseguirão um assento como titulares em 2016, infelizmente!

        Um abraço!

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      3. PS: Observem na saída da curva o estilo espetacular de Ronnie Peterson, sempre em derrapagem controlada! Nesse quesito, quem mais se assemelhava ao Sueco Voador era o não menos fantástico Jochen Rindt, dono de habilidade natural assombrosa, que se traduzia em velocidade e voltas alucinantes. Rindt foi o Rei da F 2! Além, é claro, de ter sido o Campeão Mundial de F 1 de 1970, não obstante ter morrido antes do final da temporada.

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  9. Eu vi Aucam. Foi sensacional. E o Iannone fez uma ultrapassagem dupla no Rossi e no Márquez enquanto o Valentino passava o Márquez. E o Márquez bateu o recorde da pista na última volta, coisa de alienígena como você diz, para chegar no Lorenzo e vencer.
    Como estamos torcendo para o Valentino, vai ser sofrido até o fim.

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  10. Só para deixar bem claro: sou completamente contra à introdução das unidades híbridas e do regulamento em vigor a partir de 2014. A Fórmula-1 saiu vendendo a idéia de que, a partir de 2014, seria ecológica a partir do aproveitamento das energias das frenagens e dos gases dos escapamentos em energia extra para o motor e da redução do ruído dos motores , mas simplesmente não avaliou o cálculo dos custos, elevando os orçamentos das equipes à estratosfera em um momento em que se fala em contenção de custos.

    Outro detalhe: na época dos motores aspirados, com o congelamento dos motores em vigor, o fiel da balança era a aerodinâmica. E isso ficava a cargo de cada equipe, sem envolvimento com terceiros. Viraram motivos de chacota nos tempos de Alonso na Ferrari os seguidos projetos da Ferrari, muitos fruto de um túnel de vento mal calibrado, obrigando a equipe a alugar o da Toyota, localizado em Köln, Alemanha. Isso também abria espaço para que um cliente superasse a matriz, como ocorreu entre 2010 e 2012, quando a Mclaren conquistou 18 vitórias contra apenas 1 da equipe Mercedes.

    Como alertado este semana por Max Mosley, o novo regulamento dá às fornecedoras de motores um poder não apenas técnico, mas também de escolha. A Mercedes (como qualquer outra, só estou usando os alemães como referências) não apenas escolhe suas clientes à bel-prazer (Alguém pode me explicar como eles aceitaram vender motores a uma equipe tão atolada em dívidas como a Lotus? Ou se recusarem a vendê-los à Red Bull, argumentando “problemas de logística”, mas vendê-los a Manor apenas em outubro e igualmente sem dinheiro?), como também escolhe quando abastecê-los. Por exemplo, as equipes clientes dela não terão à disposição a última versão do motor, que estreou no GP em Monza. Supondo o improvável, porém plausível, cenário em que a Williams estivesse disputando o título, como ele reagiria com a notícia de que não teria esse motor disponível? Por isso é que é praticamente impossível imaginar uma cliente disputando vitórias com frequência e, apesar dos pesares, a Mclaren faz bem em buscar uma parceria com a Honda.

    Meu maior exemplo é a Motogp. A categoria viveu um momento delicado no início dos anos 2010 com pouco mais de 15 motos na pista e tomou uma série de decisões controversas para resgatar parte do equilíbrio entre as montadoras, atrair mais montadoras ao grid e reduzir os custos. Insatisfeito, Casey Stoner decidiu se aposentar, não concordando com as medidas e dizendo-se infeliz. Mas o tempo provou que as decisões foram mais que acertadas. Nisso também há de se louvar a compreensão de Honda e Yamaha, que aceitaram e colaboram com as medidas pensando no bem comum da competição. Não vou me estender explicando-as, mas aqui estão resumos dos regulamentos de 2014 (http://sportv.globo.com/site/programas/sportv-news/noticia/2014/03/mudanca-no-regulamento-marca-inicio-de-temporada-da-motogp.html) e 2015 (http://grandepremio.uol.com.br/motogp/noticias/guia-motogp-2015-com-poucas-mudancas-no-regulamento-motogp-caminha-para-congelamento-de-software). O efeito foi imediato: Ducati voltou às cabeças em algumas pistas, Suzuki e Aprilla voltaram à categoria um ano antes do planejado atraídas pelas mudança, e KTM prevê estréia em 2017.

    Coloquei o assunto Motogp aqui para mostrar que a Fórmula-1 pode sim resgatar parte de seu prestígio e competividade. Mas isso requer colaboração de todos, o que não se vê pelas declarações dos componentes do Grupo de Estratégia.

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  11. A complexidade destes motores só afastam ainda mais as montadoras da F1. Os gastos com estes motores é um absurdo e escraviza as equipes que não são de fábrica. Vai ser muito difícil superar os alemães, estarão sempre a um passo a frente.

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  12. Aucan, simplesmente incrível esse vídeo, já passei algum tempo pensando onde foi que a F1 se perdeu, muitas vezes achei que fosse o Bernie que manipula as peças de acordo com aquilo que lhe de mais dinheiro, pensei no grupo estratégico que é quem realmente decide os rumos dos regulamentos, porém simplesmente essas medidas nunca buscam o equilibrio e sim o elitismo das principais equipes.
    O Sistema de distribuição do dinheiro também é péssimo, pois prêmios como o de tradição na categoria por politica quase foram igualados entre Red Bull e Ferrari, e todos sabemos que a Williams representa muito mais a tradição do que a Red Bull, esse é um exemplo da péssima gestão do Bernie.
    Essa segunda tentativa de trazer o máximo de montadoras através dos motores V6 também achei equivocada, principalmente na limitação dos motores e seguidas punições, você já não pode testar, e se sabidamente essa tecnologia é nova e muito complexa, nunca saberemos qual é o ponto máximo de cada unidade de potência até o desenvolvimento é controlado.
    Somado a isso também, sou bem crítico ao sistema de rádio da F1, mesmo retirando grande parte das ajudas onde o engenheiro narrava a volta, ainda acho que tem ajuda de mais, nesse ponto sou radical, só placas e no máximo chamar o piloto pro box, ele tem que ser mais independente pra tomar suas decisões sejam elas boas ou ruins.
    E pra finalizar a FIA na pessoa do Jean é completamente omissa com as preocupações da sua principal categoria, tenta apenas baixar custos criando mais e mais punições para “frear” o desenvolvimento das equipes grandes para dar a impressão de igualdade, quando sabemos que a desigualdade está na distribuição do dinheiro e na flexibilidade das regras.
    Abraço

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    1. 5 carros separados por apenas 0,61s na chegada! Isso sem DRS. sem KERS, sem qualquer dessas traquitanas de hoje! Se bobear, se fosse hoje os comichatos ainda dar uma punição a Gethin, por ele ter iniciado sua manobra com duas no acostamento, hahaha, não duvido nada!

      Daniel, você identifica corretamente algumas das mazelas que acometem a F 1 hoje. Creio que a categoria máxima do automobilismo está muito escravizada por interesses comerciais. E também por falta de criatividade POSITIVA. Esses mesmos interesses comerciais poderiam até se beneficiar se fossem ousados, MAS NA DIREÇÃO CERTA! Também houve sofisticação em excesso. O progresso pode ser feito sem extravagâncias prejudiciais.
      Abraços.

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