O tri será suficiente?

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Em 2007, parecia que apenas um milagre tiraria o título de Lewis Hamilton. O inglês só precisava chegar à frente de seus rivais na época, Kimi Raikkonen e o companheiro Fernando Alonso, no GP da China, e ainda teria uma segunda chance duas semanas depois, no Brasil. Até então, tinha sido praticamente perfeito durante a temporada de estreia.

A história, vocês já conhecem: o inglês defendeu sem necessidade o ataque de Kimi Raikkonen, detonou seus pneus, e a McLaren demorou a chamá-lo aos boxes. E Hamilton acabou atolando na entrada dos boxes. Duas semanas depois, ainda tinha uma vantagem confortável, algo em torno de 16 pontos na ‘moeda’ de hoje para Raikkonen, mas errou na primeira volta e ao apertar o limitador de velocidade, perdendo mais uma vez a chance de ser campeão.

No ano seguinte, fez uma de suas temporadas mais erráticas e alternou vitórias épicas, como na Inglaterra, com corridas irreconhecíveis, como no Japão. Na prova final, quase entregou o título de bandeja para Massa com uma corrida bastante burocrática no Brasil.

De lá para cá, o inglês só esteve em outras duas decisões de título. Em 2010, como coadjuvante, com poucas chances na decisão quádrupla de Abu Dhabi. E em 2014, se por um lado foi perfeito na prova final, por outro tinha a tranquilidade de saber que Rosberg tinha problemas e que nem precisava terminar para selar o bi.

Mas nunca Hamilton chegou para uma decisão com tanta tranquilidade quanto neste final de semana. Isso mesmo antes de saber da punição para Vettel pela troca do motor, decisão que praticamente dá o título ao inglês em condições normais.

Tanto sossego tem um efeito colateral. O próprio Hamilton já admitiu que precisa de mais do que um tricampeonato para se colocar entre os grandes. Precisa de um rival à altura para mostrar como o errático Lewis do começo da carreira ficou para trás.

Neste momento, o rival mais claro parece ser Sebastian Vettel, com o crescimento da Ferrari e a queda de Nico Rosberg, que explicou de maneira bastante realista por que não conseguiu repetir o bom desempenho do ano passado: Lewis foi melhor nas classificações, foi mais consistente, e eu tive mais azar. Nesta ordem.

De fato, Hamilton entrou em uma espiral positiva incrível nesta temporada, mas o quanto disso tem a ver justamente com a inabilidade de Rosberg em fazer frente ao companheiro? Para o bem da própria carreira, mesmo que soe estranho, é melhor Lewis começar a torcer para que os engenheiros de Maranello o ajudem a acabar com sua tranquilidade.

19 comentários sobre “O tri será suficiente?

  1. “Para o bem da própria carreira, mesmo que soe estranho, é melhor Lewis começar a torcer para que os engenheiros de Maranello o ajudem a acabar com sua tranquilidade.”

    Pois é, mas acho que não deveria ser só a Ferrari com chances de ameaçar as Mercedes.

    Essa atitude de “a bola é minha e só joga quem eu quero” de Mercedes e Ferrari (bola == motores em igualdade de condições) mata qualquer chance de um campeonato interessante.

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  2. Na temporada 2013 (pra surpresa de muitos) parecia que o Niko-Rosberg seria um adversário tenás e duríssimo de bater (mais até do que Alonso) que o Hamilton já teve como companheiro de equipe. Más este ano hora o Hamilton guiava extraordinariaente (não dando sanches ao Niko nem em classificação), e horas o carro #6 apresentava algum problema de performamce. E temos de colocar-aí o fator-Vettel que, com uma surpreedente Ferrari faturou até agora, três (03) GPs. Más acho que ano que vem as coisas serão bem diferentes pra vida do Hamilton. Ele encontrará na Ferrari & Vettel um adversário que talvez irá justificar ou não ele entrar pro panteão dos grandes da F1. Eu acho que também o Vettel merece uma temporada de afirmação de seu grande talento tendo em Hamilton & Mercedes um grande adversário.

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  3. Na boa que matéria sem conteúdo Hamilton não precisa provar nada Já colocou o nome entre os grandes sim Rosberg não é um piloto fraco Hamilton que a cada ano evolui como piloto aceita que dói menos. ..

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    1. Caro Mendes, mais um apedrejador, veja só: http://www.autoracing.com.br/f1-andretti-2015-nao-estara-entre-as-melhores-lembrancas-de-hamilton/

      Dou total razão a você, Mendes. É como você disse muito bem: para os detratores de Hamilton, até parece que Lewis entra no carro, liga o piloto automático, acerta o despertador e põe-se a dormir, só acordando ao final, quando ouve a campainha do relógio tocando na linha de chegada, hahahaha!!!!

      O grande Mario Andretti TAMBÉM ME DECEPCIONA: critica Hamilton e E SE ESQUECE QUE EM 1978 ELE TAMBÉM NÃO LUTOU RODA A RODA POR VITÓRIAS, pois tinha um carro (ASA, com EFEITO SOLO) muito superior aos outros, e que ele SÓ foi o campeão mundial de 1978 porque Peterson assinou com Chapman um contrato EXPRESSO DE SEGUNDO PILOTO. Isto sem falar que o Sueco Voador apesar de escoltar SEMPRE bem de perto Andretti – HONRANDO etica e legalmente a sua condição de segundo piloto – ainda veio a falecer tragicamente antes do final da temporada. Ainda assim, Peterson foi o vice-campeão mundial de 1978! A supremacia da Lotus em 1978 foi muito grande, as outras equipes não tiveram tempo de reagir, e, quando o conseguiram, a Lotus já tinha imensa dianteira. A Lotus ganhou 8 das 16 provas da temporadas, com 4 dobradinhas de Andretti e Peterson, todas com o americano na frente, seguido bem de pertinho por Peterson.

      Certamente o grande Mario Andretti está falando em causa própria, não deve considerar aquela temporada de 1978 – em que foi o campeão mundial – a sua melhor temporada na F 1. . .

      Mas, para Andretti, criticar e não reconhecer é fácil. Tsc, tsc, tsc . . . Chapman tinha por Andretti uma grande admiração e uma espécie assim de promessa a ele de que um dia ainda iria fazer dele um campeão mundial, com seus carros fabulosos. Pobre Peterson, mas GRANDÍSSIMO PETERSON, que VIROU LENDA SEM PRECISAR DE UMA COROA DE CAMPEÃO MUNDIAL. E lendas perpassam os tempos, não ficam apenas em anuários embolorados e amarelecidos, como sempre enfatizo. Li por aí, não faz tempo, que a filha de Peterson disse que até hoje se surpreende com o carinho com que todos a tratam ao descobrirem em situações cotidianas que ela é filha do lendário Ronnie Peterson.

      E finalizo voltando a enfatizar que Vettel, Alonso e Hamilton, nem que ganhem 10 títulos cada um, ainda assim SEMPRE HAVERÁ quem os subestime, os diminua, por conta de sentimentos menores, que nem vale a pena considerarmos.

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  4. A verdade é que a disputa do ano passado foi mais apertada não pelo Rosberg, mas por causa dos problemas do Hamilton. Rosberg não tem capacidade de disputar com Hamilton. Além de talento o que mais lhe falta é agressividade. Não tem postura de campeão. Lewis além de excelente é um piloto mais arrojado.

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  5. Se for esse o caso..vettel tb precisa de afirmação. Não penso que ambos precisam provar mais algo.2011 e 2014 foram curvas fora do ponto para ambos. Hamilton é o melhor aí desde senna em talento. Vettel é indigesto de tão consistente, estudioso e sempre teve sorte ao lado. São dois monstros desse esporte e fazem com que o esporte continue respirando bem.

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  6. Hamilton teve um adversário à altura até a corrida de Spa do ano passado. Depois daquele fim de semana Nico Rosberg levou um sabão da equipe e, a partir daí, nunca mais teve um pingo de audácia pra desafiar Lewis. Se Rosberg já era naturalmente menos talentoso que o inglês, depois desse episódio não foi mais adversário.
    Lewis Hamilton merece o título de tri campeão, mais do que nunca. É uma pena que nenhum outro piloto tenha condição de competir com ele. Adversários ele tem, só que estes não têm carro.

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  7. Vixe, que muita gente boa acha que aquele ano de 2007 foi muito Mandrake! Um ano de acontecimentos impensáveis até então! Ainda houve um quiproquó sobre o combustível dos BMW na última prova, em Interlagos, mas Lewis foi o primeiro a dizer que não queria ser campeão em cima de dúvidas. A propósito de todas aquelas coisas “impensáveis”, lembro sempre do que pensava e dizia o grande Steve McQueen – de que “ele amava o automobilismo porque ainda era um dos últimos esportes decentes do Mundo” (e McQueen, além de ter uma grande habilidade natural, não era apenas um apaixonado, mas um piloto bissexto “tough”, pois correu com uma perna engessada e ainda logrou um segundo lugar nas 12 Horas de Sebring, em dupla com o grande Peter Revson. Mário Andretti pilotou como um verdadeiro louco para impedir a vitória deles. Que corrida, que corrida!).

    Como sempre, sua análise está excelente, Julianne. A propósito da pergunta título de seu post, eu sou suspeito para opinar, pois torço por Hamilton, mas mesmo assim eu respondo que não. Três títulos não serão suficientes para Lewis. E passo a palavra para alguém com uma autoridade INFINITAMENTE maior que a minha:

    http://www.thisisf1.com/2015/10/23/alonso-hamilton-already-an-all-time-f1-great-he-can-win-six-f1-title/

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  8. Pôxa! Sir Jackie Stewart me decepciona! Bem que eu tenho lido em fóruns ingleses queixas de que ele frequentemente investe contra Hamilton (como investia contra Senna).

    É preciso ser grande dentro E FORA das pistas!

    http://www.autoracing.com.br/stewart-hamilton-ainda-nao-e-um-dos-grandes-da-f1/

    Ele já tinha dado uma bola fora quando Hamilton, em um rasgo de audácia, saiu de sua zona de conforto e se transferiu para Mercedes.

    Aliás, não apenas para Stewart, mas para muitíssima gente – ESSA É QUE É A GRANDE VERDADE – mesmo que Hamilton, Vettel e Alonso ganhem cada um deles DEZ títulos mundiais, ainda assim vai haver pessoas apedrejando-os, diminuindo-os, ridicularizando-os, subestimando-os ou o escambau. Francamente, tenho pena desses que não sabem situar os acontecimentos em perspectiva histórica, desses que não sabem apreciar ou nem conseguem apreciar o que têm diante dos olhos! A mesma coisa vai (e já começa) a acontecer com o Verstappinho: apedrejamentos! Por enquanto, pela idade, pela pouca experiência (o guri corre – como gente grande – pela primeira vez na maioria das pistas, nesta temporada! Com um monoposto pesado e extremamente veloz e potente! Isto é fantástico para alguém que apenas há alguns dias completou 18 anos! Nem sequer consideram esse aspecto!).

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    1. Pois éh caríssimo AUCAM! Já se tornou “tradicional” o grande-Jack-Stewart “apedrejar” àqueles que estão em vias de se tornarem grandes no panteão da F1. Isto aconteceu com o nosso saudoso Senna, que o “Sir” classificou até mesmo o Ayrton como sendo um piloto-perigoso. Más como todo o mundo mineral já sabe, éh que estas “maldições” que o Jack lança, são na verdade a confirmação do talento dos mesmos… Éh como se fosse uma maldição-ao-contrario (rsrs)! Más o grande Jack sabe, bem lá no fundo, que o Hamilton & Vettel já pode sim ser incluidos entre um dos grandes que a F1 já viu. E ele deveria de ficar contente porque o Lewis éh uma das “pérolas” da coroa da rainha.

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      1. Pois é, caro amigo BRAZ! Acho que com esse terceiro título, a Rainha vai ter que dar – POR JUSTIÇA E MÉRITO – o título de “Sir” a Hamilton. Depois de Jack Brabham, John Surtees, Jim Clark, Graham Hill e o próprio Stewart, teremos SIR LEWIS HAMILTON!

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  9. Tenho a mesma opnião da Daniela sobre Hamilton e Rosberg.
    Sobre o Halmilton, acho que todo campeão tem seus méritos e deve ser respeitado. E se ganhou mais de um título, ai não se discute que está entre os grandes da categoria. E também existem grandes pilotos que, mesmo não tendo ganho um título, demostraram toda sua qualidade e serão sempre lembrados.
    Em relação a 2007, também acho que houver intervenção no campeonato e a McLaren foi punida pela espionagem a Ferrari. O Hamilton tinha muita vantagem faltando 2 corridas. No Brasil o carro apagou, ele rodou, caiu para último. Se recuperou e no fim fez um pit stop inexplicavél. O Vettel, que tinha um boa vantagem em 2012, também rodou e caiu para último na primeira volta e se recuperou e foi campeão. Dá para dizer que RedBull 2012 e McLaren 2007 eram os melhores do grid. Mandaram o inglês entregar o título. Igual quando o Nelsinho bateu em Cingapura(?), quem está acostumado a ver corridas percebeu que foi de propósito para o Alonso vencer.
    Neste fim de semana sou 46, forza Valentino.

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  10. Acho q lewis num precisa provar nada a ninguem.
    Pra mim rosberg perdeu esse duelo la naquela corrida do famoso multi21 da red bull em 2013, ai no barhein em 2014 lewis acabou com rosberg naquele duelo com pneus mas duros e rosberg com o mas macios e perdeu o duelo.
    E em spa foi o fim levou um bronca tão grande q de la pra ca nunca mas ofereceu resistencia.
    Mas lewis faz sua parte esse ano perfeitamente, só errou mesmo na hungria mas mesmo assim deu seu show.
    Gosto do estilo agressivo dele de disputar as posições e de buscar sempre a vitoria. Lewis será tetra e vettel hexa no fim de suas carreiras.

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  11. Então … gostei da análise.
    Pra mim, Rosberg não é um piloto a altura pois não tem culhão para sergurar Hamilton. Julianne, você mesma irá lembrar que no fim do ano passado, Hamilton deu uma declaração dizendo que nas férias de inverno iria melhorar nos setores que considerava fracos em 2014: Classificações. É o que ele fez. Rosberg deu uma declaração muito similar, e o que ele fez ? Talvez até tenha melhorado, mas o desempenho de Hamilton é tão grande, é tão bom, que cobriu qualquer melhora de Rosberg.

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  12. Do jeito que a coisa se apresenta, em 2016 é Lewis tetra. Se a Ferrari melhorar, a Mercedes não ficará olhando parada. Vai melhorar também. É muito mais fácil lapidar um carro que já nasceu superior.
    Uma coisa temos que levar em consideração. Muitas opiniões sobre Lewis, são embasadas no que o pessoal ouve do Galvão, que é um baita formador de opinião. O cara não entende nada de F-1, aí ouve o narrador dizer que Lewis não tem cabeça boa, que na hora da pressão erra, aí a pessoa toma isso como fato e forma uma opinião que, apesar de errada, coincide com a do narrador. Isso existe.
    Ou ninguém conhece alguém que acreditava piamente que rubinho ou massa poderiam ser campeões? Baseados em que? Em desempenho que não era… E por falar em rubinho. Muitos falam que é fácil ter um carrão e ganhar tudo. Rubinho teve a BGP e nem vice foi. No começo de 2009, o carro era mais dominante que as Mercedes atuais.
    Uma coisa eu sei. O Rosberg de fraco não tem nada. É Lewis que está levando sua pilotagem em um nível alto demais.

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