Sai dilúvio, entram complicações

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Nunca vi na vida uma chuva tão insistente quanto a de Austin neste sábado. Começou às 4h da manhã e simplesmente não parou, variando de intensidade e ora com mais ou menos vento. Nada que estivesse fora do previsto, o que dificulta entender por que a FIA adotou o procedimento de esperar até o último instante. Não fosse a importância que a categoria dá à exposição – seja como for – na TV, ou a classificação teria sido cancelada por volta do meio-dia, quando já estava claro que não havia condições, ou a terceira sessão de treinos livres ganharia caráter oficial.

Isso, inclusive, ainda pode acontecer, caso não seja possível realizar a classificação na parte da manhã (até cerca de 15h no Brasil) neste domingo. Este é um temor real pois as previsões apontam uma melhora apenas por volta das 11h locais (14h no Brasil).

Porém, mesmo com a classificação ocorrendo normalmente, o dia promete ser bastante tenso. Pilotos e engenheiros terão uma reunião antes da classificação e outra após o treino, já visando a estratégia da corrida. Se tudo correr bem, serão apenas 4h entre uma sessão e outra, nas quais somente poderão ser alteradas as pressões dos pneus e ajustes de asa. A parte mecânica deverá ser acertada antes da classificação, colocando grande pressão sobre os engenheiros, que tiveram pouco tempo de experiência neste circuito com chuva – e viram cenários bastante distintos nas únicas duas sessões que têm como parâmetro.

Isso porque, na sexta-feira e com menos água na pista, o pneu intermediário se superaquecia com facilidade, o que gera graining e alto desgaste. Já no sábado, com muito mais água no asfalto e os pneus de chuva, a tendência se inverteu completamente e faltou temperatura nos pneus. Como estará a pista principalmente na corrida? Ninguém sabe, uma vez que não se pode nem descartar que a corrida seja disputada no seco de acordo com as previsões.

Caso fique molhado também por todo o domingo, os problemas não diminuem: cada piloto tem direito a sete jogos (4 intermediários e 3 de chuva) para pista molhada por todo o final de semana, e não será fácil adotar uma estratégia que não comprometa nem a classificação, nem a corrida.

Do lado de Hamilton, que busca o tricampeonato ainda neste final de semana, a boa notícia é que nada disso parece afetar a Mercedes, que liderou ambos os treinos. Na sexta, Massa chegou a afirmar que “nem se a gente inventar qualquer coisa no carro” conseguiria chegar no tempo que Rosberg fez. Ao contrário do que costuma se dizer, a chuva aumenta a vantagem de carros equilibrados, o que é bom para os alemães e também para Red Bull e Toro Rosso. A Williams, que tem histórico de ir mal na chuva pela falta de aderência, está melhor em Austin segundo seus pilotos, e promete brigar, enquanto os pilotos da Ferrari têm tudo para dar show vindos de trás do pelotão após a punição pela troca do motor.

Se no sábado sobrou espera e sobrou ação, o domingo não poderia ser mais promissor. Até porque o estoque de água do céu de Austin não pode durar tanto assim.

7 comentários sobre “Sai dilúvio, entram complicações

  1. Seja como for…espero por uma ótima prova principalmente se a pista mudar de molhada para seca, pode haver reviravoltas com os acertos dos carros

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      1. Mostra 15% de chance na hora da corrida, com ventos na casa dos 30Km/h. Deve ser uma corrida normal depois do diluvio.

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  2. Algumas coisas da F1 moderna dão nos nervos com mais força do que outras. Como:

    “Caso fique molhado também por todo o domingo, os problemas não diminuem: cada piloto tem direito a sete jogos (4 intermediários e 3 de chuva) para pista molhada por todo o final de semana, e não será fácil adotar uma estratégia que não comprometa nem a classificação, nem a corrida.”

    O orçamento da Manor – da Manor! – deve passar de 100 milhões de dólares e a estratégia das equipes é complicada porque o regulamento não prevê pneus de chuva suficientes para um final de semana de chuva o tempo todo. E não é questão de termos um furacão: um clássico como Donington 1993 provavelmente seria comprometido por isso… Por que tanto exagero de um lado e tanta escassez de outro?

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