Por que o GP da decisão foi tão movimentado?

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O GP dos Estados Unidos foi uma das melhores corridas dos últimos tempos, difícil até de acompanhar com clareza, o que costuma ser um bom sinal. Dois motivos principais contribuíram para isso: a pouca preparação das equipes, que tiveram, na prática, metade do tempo normal de treinos livres para acertar o carro para a classificação e corrida, e as condições climáticas, afinal, corridas que alternam momentos de pista seca e molhada costumam ser mais movimentadas.

Isso leva a uma questão que levantei aqui algumas vezes: quanto menos controle os engenheiros têm, melhores são as corridas. Por isso muita gente defende que os carros tenham menos sensores, por exemplo. De certa forma, a altíssima qualidade dos profissionais que trabalham na F-1 acaba deixando as corridas previsíveis.

Mas em Austin foi difícil cobrir todas as possibilidades. Ainda mais com os pilotos cometendo mais erros do que o normal – também consequência do pouco tempo de pista e de carros nervosos – e tivemos dois SC e dois SC virtuais, algo inédito. Junte isso a um circuito em que é possível ultrapassar e as possibilidades são inúmeras.

Em relação à estratégia, alguns pontos foram interessantes. A Toro Rosso, como de costume, foi bem em dividir as estratégias no primeiro SC, o que no final das contas acabou ajudando Verstappen a conquistar uma ótima quarta colocação. A Ferrari, também como tem sido praxe neste ano, arriscou bastante na estratégia de Vettel, colocando-o com pneus médios com 29 voltas pela frente e sem saber como os pneus funcionariam no seco. Ele acabou tendo de voltar aos boxes mas conseguiu ‘limpar’ boa parte do grid no stint com os médios, ganhando 10 posições na corrida.

E a Mercedes adotou sua tática de sempre priorizar o piloto que vai à frente mesmo com a possibilidade de Hamilton ser campeão. Quando a pista começou a secar, foi o inglês que parou primeiro. No Safety Car, foi Rosberg quem ganhou a melhor estratégia, uma vez que a equipe considerou arriscado parar com os dois carros. O alemão estava com a corrida ganha, tendo tido um ritmo melhor que Lewis por toda a prova, mas deve ‘agradecer’ a Daniil Kvyat por Hamilton ter ganho uma nova possiblidade – que virou liderança com o erro do terceiro colocado no mundial. Pelo menos da equipe Nico não pode reclamar.

Um parênteses: me desculpem pelo sumiço. Na segunda-feira, o sol finalmente deu as caras em Austin e não pude deixar de aproveitar a cidade depois de um final de semana pra lá de desgastante para todo o mundo da F-1. E a terça foi o dia de uma viagem que parece curta para a Cidade do México, mas não é tão simples. E adivinha quem me recebeu? A chuva, daquelas que caem por 10min e alagam tudo. Mais água é esperada para os próximos dias, mas a expectativa para o GP do México é assunto para os próximos posts.

12 comentários sobre “Por que o GP da decisão foi tão movimentado?

  1. Até que enfim vejo alguém tocar nesse ponto, ponto que há muito penso sobre: o absurdo volume de informações que proporcionam o controle de tudo em um carro.

    Não faz sentido um engenheiro controlar, via rádio, todo o carro e pilotagem com informações de todos os parafusos do carro, determinando a quantos metros o piloto de trás deve manter o da frente para manter o motor com x,x °C, os pneus a outros tantos graus… Isto acabou com a imprevisibilidade da F1.

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  2. Julianne, não entendo de informática, sou um simples usuário básico da internet, mas se há condições de o seu blog mostrar fotos, que tal você postar fotos – tiradas por você mesma – de coisas interessantes que você vir por aí em suas andanças pelos boxes da F 1? Fica a sugestão.

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  3. Está aberta a temporada de “tentativas de diminuir Hamilton” (da mesma maneira que fizeram com Vettel por causa de Newey e que fizeram com Alonso por causa do amortecedor de massa e até dos Michelin). Depois de Jackie Stewart e Mário Andretti, que estão revelando surpreendente pequenez, incompatível com a grandeza que tiveram dentro das pistas, agora é Patrick Head quem investe contra Lewis, recusando-se a incluí-lo entre os grandes. Acho que se sentem incomodados quando vêem alguém lhes ombrear o sucesso.

    Cada piloto é grande em seu tempo e é simplesmente impossível compará-los diante de condições tão distintas que cada um deles teve para correr em suas respectivas épocas.

    Coragem? Todos os pilotos – de hoje e de ontem – a tem e, infelizmente, a morte de Jules Bianchi está aí para provar que o risco permanece. Nada fazer para minimizar os riscos, proteger suas vidas? Seria uma estupidez desumana e indigna, diante de tanta tecnologia que o ser humano desenvolveu e dispõe atualmente.

    Dificuldades técnicas? Se antes tinha que simplesmente acelerar, cuidando periféricamente de uma coisa ou outra, hoje é preciso estar “dentro do fluxômetro”, poupar pneus COMO NUNCA, poupar combustível. Também há muitas coisas sujeitas a defeitos, como emperramento do DRS, falhas eletrônicas etc., isso não obstante toda a retaguarda cibernética operada com técnicos e engenheiros altamente qualificados. Quebras de antigamente? Quantas vezes Fangio e Moss lançaram mãos dos carros de seus companheiros quando os deles próprios quebravam e assim venceram corridas ou chegaram melhor colocados? Lançava-se mão de carros de companheiros até por terceiros e quartos lugares! Trocar de marchas na alavanca? Que tal gerenciar 1.500 botões no volante e alavanca de balanço de freios? Engenheiros lhes transmitindo todas as informações e dando suporte técnico? Que tal ouvir essas informações buzinadas em seus ouvidos a quase 300 km por hora, na iminência de uma curva difícil, e ainda assim obter milésimos de segundos de vantagem sobre os adversários? Ickx dizia em sua época que talento se media em décimos de segundos. HOJE se mede em MILÉSIMOS, estão aí Hamilton e Rosberger para provar e atestar isso.

    O carro é dominante? Pouquíssimos conseguiram o sucesso sem o melhor carro do momento (mas ainda assim bem competitivos, caso das Brabham de Piquet, apenas como UM exemplo). Se não tiveram uma percentagem de sucesso tão grande quanto às atuais Mercedes (louve-se o brilhante trabalho da marca), pelo menos a superioridade de outros carros foi extraordinariamente marcante e SUFICIENTE para levar Senna, Schumacher, Prost (um tetracampeão incompleto, pois andava muito mal na chuva, ao contrário de SebVet), às tremendas estatísticas que conseguiram.

    Há que se compreender – e os pundits e os próprios ases do Passado sabem muito bem disso, apenas não querem dar o braço a torcer, pois é mais um (agora Hamilton) a lhes fazer companhia em seu sucesso – que a grandeza de um piloto está em saber aproveitar integralmente o momento de sua carreira tirando TUDO e mais alguma coisa da excelência do que tiverem em mãos. Como o fizeram Schumacher, Fangio (que foi trocando sabiamente de equipe), Senna, Prost (McLaren e uma voadora Willliams-Renault), Vettel e Stewart (com uma admirável Tyrrell e antes, a Matra). Nesse ponto – nessa questão – por uma questão de seu temperamento, houve uma tragédia com Alonso, que lhe custa caro até hoje: pelas suas birras, não soube aproveitar o momento da McLaren quando por lá adentrou em 2007, quando teve um carro altamente competitivo em mãos e retirou-se pateticamente para uma Renault em plena decadência, ao invés de ter ficado e enfrentado Hamilton). Mas vejam, não estou diminuindo a grandeza do fabuloso espanhol, de maneira alguma, apenas expressando como vejo o seu drama.

    Francamente, é aquilo que eu digo sempre (perdão por ser repetitivo): nem que ganhem 10 títulos cada, Vettel, Alonso e Hamilton sempre serão contestados em nome de um saudosismo que não se sustenta ou por sentimentos menos nobres.

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    1. “…Que tal gerenciar 1.500 botões no volante e alavanca de balanço de freios? Engenheiros lhes transmitindo todas as informações e dando suporte técnico? Que tal ouvir essas informações buzinadas em seus ouvidos a quase 300 km por hora, na iminência de uma curva difícil, e ainda assim obter milésimos de segundos de vantagem sobre os adversários? …”
      Grannnnnde AUCAM! Como sempre certeiro e preciso em suas observações! Sabe, algumas coisas neste mundo muitas vezes kro AUCAM, temos de nos resignar. E uma delas são opiniões que destoam com os fatos e as evidências. Este éh o caso dos títulos de Hamilton e Vettel. Algumas destas importantes sumidades (Stewart, Andretti & Cia), sempre questionarão a legitimidade quando “o novo” se candidata a mais um representante no panteão-esportivo. Nem Jesus Cristo foi unânime nesta terra… Más o que importa éh que a roda-da-vida esta girando e tudo indica que mais sedo ou mais tarde, estes que detraem o Seb e o Lewis, terão que reconhecer que estes dois devem ser considerados sim, grandes no segmento esportivo em que militam. Éh como diz o velho-e-bom-ditado-português: “Os cães ladram e a caravana passam.”

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  4. O título de campeão serve para coroar o melhor da temporada. Todo título tem seu mérito, seja com um carro melhor ou pior. O resto é dor de cotovelo.
    Será que teremos chuva no GP do México e assim uma corrida mais movimentada?

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  5. Não adianta querer fazer comparações entre pilotos do passado e presente, porque eram épocas diferentes em que nenhum deles puderam competir uns com os outros. Vejo pilotos menosprezando os títulos do Vettel e agora os do Hamilton e exaltando pilotos do passado como se fossem alienígenas só porque pilotavam no instinto. Vettel e Hamilton já provaram que tem o instinto desses ‘deuses” de antigamente e pilotariam de igual pra igual ou até melhor que esses seres supremos.

    Tomara que chova no México!

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  6. Concordo com a tese que engenheiros deveriam ter menos influência sobre os pilotos.

    Minha sugestão para implementar isso é simples.

    A FIA deveria adotar volante padrão a ser usado por todas as equipes. E esse volante deve ser simples o suficiente e conter apenas funções julgadas essenciais pela própria FIA. Quanto mais longe as equipes estiverem desse processo, melhor. Dessa forma os engneheiros podem até manter ser acesso à infinidade de dados, mas as resposta dos pilotos a elas serão menos digitalizadas.

    Por exemplo, se os pneus traseiros estiverem sobre aquecidos, ou o piloto ajusta sua pilotagem ou altera a estratégia na prova. Nada de milimetricamente alterar torque, diferencial, ERS, MGUH, MGUH, etc.

    Essa sugestão ainda conta com a enorme vantagem de impor limites práticos ao ‘coaching’ de engenheiros durante as provas. Algo que a FIA tenta controlar a certo tempo.

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  7. O que sera que esta passando na cabeça de fernando alonso agora vendo a equipe que ele criticava voltando a brilhar e estar numa das piores equipes da f1 e ainda por cima levando uma couro do button, quem diria que um dia alonso que é considerado por muitos um dos melhores levar a pior com o button.

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  8. Gostei da sugestão do Aucam. Fotos diversas.
    Além da F-1, quero ver os detalhes do durante, JuCera.
    Você presenciou chuva de alagar? Foto.
    Foi de carro de uma cidade pra outra? Foto.
    Teve o prazer de conhecer algum mago da F-1, sei lá, no aeroporto? No padock? Foto.
    Se você quiser, pode participar da foto também?
    Não gosta? Tudo bem. Continue ‘apenas’ com o blog de qualidade.

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  9. Mario Andretti deve ter se esquecido do contrato que o privilegiava dentro da equipe Lotus no ano de seu único título, caso contrário teria sido engolido por Ronnie Peterson.

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  10. Não seria o momento da Williams tentar contratar os estrategistas da Toro Rosso? A equipe sempre é conservadora demais, parece que se desacostumou a andar na frente e sempre erra nas estratégias, esse povo da Toro Rosso que sempre arrisca cairia como um aluva na Williams!

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