Brigas internas: as lavadas

Motor Racing - Formula One Testing -  Abu Dhabi Test - Day One - Abu Dhabi, UAE

Se a primeira batalha de um piloto é contra seu companheiro de equipe, eles podem se considerar campeões – um deles, inclusive, tem mais do que um motivo para comemorar. Vettel, Hamilton e Grosjean trouxeram muita dor de cabeça para o outro lado dos boxes de suas equipes e lideraram as maiores lavadas nos duelos internos na temporada.

São eles que abrem a série de posts desta semana, trazendo os números de todos os duelos internos de 2015.

Ferrari

Vettel Raikkonen
Placar em classificações 15 (-0s463) 4
Placar em corridas 10 4
Voltas à frente 718 245
Porcentagem dos pontos 64,9% 35,1%

Quando 2015 começou, os diretores da Ferrari insistiam que o fato de Kimi Raikkonen ter sido ouvido desde o início do projeto faria diferença em relação a sua temporada de retorno à Ferrari. Pode até ter feito, já que o finlandês melhorou em 10% (sim, acreditem!) sua participação de pontos para a Scuderia e foi superior contra Vettel em todos os quesitos em comparação com a (não) disputa que teve com Alonso, mas nesse ponto de sua carreira é difícil imaginar que isso seja algum tipo de recuperação que irá levá-lo de volta ao patamar de 10 anos atrás. Na verdade, é mais fácil colocar isso na conta de um carro mais fácil de pilotar.

Do lado de Vettel, tirando uma ou outra performance mais atabalhoada – como Bahrein e principalmente México – é difícil pedir mais de um ano em que ele claramente se tornou referência na Ferrari. Não é difícil imaginar, portanto, por que o alemão foi o grande defensor da permanência de Kimi.

Mercedes

Hamilton Rosberg
Placar em classificações 12 (0s135) 7
Placar em corridas 11 6
Voltas à frente 640 431
Porcentagem dos pontos 54,1% 45,9%

Não dá para concordar em quem coloca apenas na conta da falta de motivação as derrotas sofridas por Hamilton no final do ano, mas esse certamente foi um fator que desestabilizou um domínio sem precedentes do inglês sobre Rosberg, na terceira temporada em que eles foram companheiros.

Nos números dos dois, o que mais chama a atenção é o fato de Lewis ter devolvido o placar de 12 a 7 do ano passado em classificações. E, ao contrário do que Rosberg fez em 2014, raramente não aproveitou suas poles para convertê-las em vitórias. Isso só aconteceu em Mônaco por um erro bizarro da equipe, na Malásia pelo nó tático da Ferrari e, aí sim, na Hungria pela única vez em que ficou realmente devendo no ano.

Lotus

Grosjean Maldonado
Placar em classificações 17 (-0s45) 2
Placar em corridas 5 2
Voltas à frente 491 160
Porcentagem dos pontos 65,3% 34,7%

Quando um piloto tem sete abandonos, a maioria por problemas técnicos, e mesmo assim faz quase o dobro de pontos de seu companheiro, já deveria ser suficiente para se configurar uma lavada. Mas o que salta aos olhos na comparação entre Grosjean e Maldonado é a diferença média de quase meio segundo em classificação. E pelo segundo ano seguido.

E que não nos enganemos: não é apenas Maldonado que é um elo fraco. Grosjean demorou para engrenar, mas vem pilotando muito bem desde quando era companheiro de Raikkonen. Por isso, não deixou de ser simbólico e merecido o terceiro lugar em Spa, justamente no circuito em que foi ‘condenado’ há três anos.

17 comentários sobre “Brigas internas: as lavadas

  1. “Do lado de Vettel, tirando uma ou outra performance mais atabalhoada – como Bahrein e principalmente México – é difícil pedir mais de um ano em que ele claramente se tornou referência na Ferrari. Não é difícil imaginar, portanto, por que o alemão foi o grande defensor da permanência de Kimi.”

    Pois é, Julianne, você tocou num ponto muito interessante: muitos detratores de Vettel – o que não é o meu caso, nem o seu, você que é sempre muito imparcial em suas avaliações – se pegam nessa questão para apedrejar o alemão, dizendo que ele nunca tinha tido um companheiro-adversário à altura na equipe, e, quando o teve – Ricciardo – sucumbiu a ele (a ladainha de sempre).

    De minha parte, embora eu aprecie mais a tocada de Hamilton – eu tenho e sempre tive muito respeito e admiração por Vettel, mas – MAS – do mesmo jeito que Alonso frustrou todo mundo recusando-se a enfrentar Hamilton na temporada seguinte*, deixando até hoje nos aficionados essa enorme VONTADE de vê-los NOVAMENTE como companheiros de equipe para um TIRA-TEIMA, eu TAMBÉM gostaria de ver Ricciardo – ou um alguém talentoso e abusado como Max Verstappen – AO LADO de SebVet, até para calar ou não essas frequentes críticas ao alemão, sem falar que seria SENSACIONAL um duelo à parte de alguém muito forte com Vettel, na mesma equipe. Assim como eu (E TODO MUNDO rsrsrs) gostaria de ver na mesma equipe Vettel x Hamilton, ou Hamilton x Alonso, ou Alonso x Vettel (na Ferrari creio que esta hipótese seria impossível, depois do KATRINA que passou por lá no finalzinho da estada do asturiano na Rossa).

    Um Hamilton ainda estreante teve Alonso como parâmetro e depois, mais experiente, teve Button. Ambos, fortíssimos (apesar de Button ser muito subestimado por alguns, não por mim). Com Alonso, Lewis empatou em pontos e se sagrou vice pela qualidade de seus pontos. Com Button, Hamilton foi superado em pontos em 2011, mas não em vitórias (se não me engano, no cômputo geral de pontos nas temporadas em que correram juntos Button também superou Hamilton). Button muitas vezes cozinha galos, mas é divertídissimo vê-lo servir esses galos com água fervente para os adversários. . .hahaha (lembrai-vos de Monza 2010 em cima de Lewis e Schummy). Button também sustentou por muitas voltas um duelo épico com Lewis, quando ambos estavam na McLarem, em Silverstone, não recordo o ano, algo parecido com o que ocorreu no Bahrein em 2014, com Rosberg.

    * Por favor, alonsistas, não quis desmerecer Alonso, estou apenas citando um fato, sem querer entrar no mérito da questão (pois, seu eu entrar seria apenas para dizer que Alonso – ao longo de toda a sua carreira – NUNCA deveria ter deixado seu temperamento se impor ao seu formidável e excepcional talento, já que, como sempre digo, “o bom cabrito não berra”, e o resultado é esse que lamentavelmente vemos hoje: um integrante do Trio de Ouro sem um carro de ponta). . .

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  2. Julianne, uma coisa que me intriga é como certos pilotos “acabam” cedo para a Fórmula 1. Kimi Raikkonen é um deles; impressionante como “acabou” ainda jovem (ainda pode ser capaz de alguns brilharecos aqui e ali, mas não tem mais tutano para lutar palmo a palmo por um campeonato inteiro com Vettel, Alonso e Hamilton). Jacques Villeneuve foi outro que “acabou” cedo na F 1. Mika Hakkinen também se retirou precocemente. Neste aspecto, Viva Alonso e Viva Button, ainda em plena forma, plenamente competitivos e que mantém alta sua motivação, mesmo depois de tantos anos (Alonso em especial, depois de tanto tempo correndo atrás de outro título – que tenacidade admirável!).

    Sempre disse e reafirmo que NÃO me alinho entre aqueles que pensam não ser possível comparar pilotos de épocas diferentes, mas não posso deixar de fazer uma comparação nesse aspecto físico. Veja-se o declínio de Raikkonen: sua juventude é similar à de Alonso e à de Button. E veja-se o vigor de um Jack Brabham (que se retirou aos 44 anos ainda conseguindo mostrar o caminho na frente do velocíssimo Rindt, então com 28 anos). BRABHAM retirou-se deixando saudades. . . lembro-me de um artigo da revista argentina PARABRISAS CORSA (eu a colecionava) em 1970 apelando pela sua continuação: ‘QUEDE-SE UN POCO MAS, TIO JACK”! Veja-se um Juan Manuel Fangio, campeão mundial aos 47 anos de idade!

    O interessante é que esses pilotos de hoje “acabam” tão jovens MESMO COM TANTA PREPARAÇÃO FÍSICA! Compare-se o físico de TRIATLETAS de qualquer um dos pilotos de hoje com o físico de alguns ases do Passado: José Froilan González (El Cabezon) era forte como um touro (aliás, seu apelido era “Touro dos Pampas”), mas tinha uma aparência rechonchuda: mesmo “meio gordinho” (estou sendo camarada, hahaha), conseguia ser competitivo e vencer na F 1 aos 32 anos. Jacques Villeneuve aos apenas 31 anos já não era mais competitivo! Eu IMAGINO que aqueles carros da década de 50 exigiam FISICAMENTE muito mais dos pilotos que os de hoje, EMBORA OS ATUAIS CARROS exijam muito mais na CONCENTRAÇÃO, na parte do stress psicológico/mental. Hoje não basta mais apenas pilotar: é preciso monitorar “n” fatores! Tem que raciocinar, administrar, lidar com 27 botões no volante e alguém buzinando instruções no ouvido a mais de 250 km p/hora nas curvas. . .

    http://en.espn.co.uk/f1/motorsport/image/38551.html

    Fangio era forte, mas também não tinha aparência de triatleta. . . páreo duro com Froilan González

    Será que MOTIVAÇÃO conta ATÉ MAIS que preparo físico, Julianne? Como você vê essa questão, Julianne? Pergunto porque você já disse que também escreve ou escreveu sobre atletismo/preparação física. Falando em MOTIVAÇÃO, não dá pra esquecer que PIERRE LEVEGH, em sua busca e em seu sonho alucinado para vencer as 24 HORAS DE LE MANS, PILOTOU SOZINHO por mais de 23 (!) HORAS, antes de seu carro quebrar, QUANDO LIDERAVA, na edição de 1952 da famosa corrida. Quase que ele vence pilotando sozinho! Isso é o poder da motivação, a busca e o poder de um sonho! Procurem ler sobre a SAGA de Pierre Levegh! É INCRÍVEL!

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    1. Correção:
      “Sempre disse e reafirmo que NÃO me alinho entre aqueles que pensam não ser possível comparar pilotos de épocas diferentes,”

      Por favor, LEIAM: Sempre disse e reafirmo que me alinho entre aqueles que pensam NÃO ser possível comparar pilotos de épocas diferentes” etc. etc. etc.

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    2. O preparo físico hoje não é tão importante quanto há 10 anos, pela ‘lentidão’ do ritmo de corrida. Colocaria isso mais na conta da motivação, apesar dos três casos que você citou serem um pouco diferentes. E coloco mais um fator na avaliação: mudanças de regulamento/características de carro. Há pouco pouco da F-1 em que Kimi foi campeão nos dias de hoje e ele parece não ter se adaptado tão bem. E já respondendo de antemão quem pensar que ‘na época da Lotus ele andava bem com um regulamento parecido’: ouvi de gente de dentro da própria equipe que aquele carro era melhor do que parecia.

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      1. Ju, vc tocou em um ponto interessante. Sempre considerei Kimi um piloto fora de série, mas depois da ida do finlandês para o rally, parace que o foco nunca foi o mesmo, a motivação, me parece. Sobre o carro da lotus de 2012, me lembro de uma entrevista de Nelsinho Piquet falando sobre o quão bom era o carro de Kimi, e no caso desse excelente carro estivesse na mão de Alonso, provavelmente o espanhol seria campeão, dado a inferioridade da Ferrari de 2012 para a Lotus, ccorroborando com sua última linha.

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      2. Ta certo que visivelmente o Kimi não é mais o mesmo de outrora, mas é curioso como algumas opiniões mudam, posto que aqui mesmo se elogiava a campanha do Kimi na Lotus até o final do ano passado.
        Teve quem tenha dito que os resultados do finlandês eram menos do que o carro podia? Em geral eu dou credibilidade a palavras até elas se chocarem com os fatos. Senão vejamos; Kimi foi 3º lugar em 2012. Se o carro era pra ele ter ido mais longe, então teríamos que considerar que Raikkonen deveria ter sido campeão ou vice. E ainda chegar bem mais a frente que a dupla da McLaren.
        Só tem um problema nessa avaliação; o 8º lugar de Grosjean, 26 pontos atrás de Massa e 83 pontos atrás de Webber não torna crível que aquela Lotus fosse carro pra chegar acima de 3º lugar. Era um carro superconfiável, o que não é pouco, mas era menos veloz que pelo menos outros 3 carros(RBR, Ferrari e McLaren). Com a colaboração das quebras da McLaren, a 3ª colocação foi o possível que o piloto finlandês conseguiu, ficando atrás só de Vettel e Alonso, os 2 grandes pilotos daquela temporada, que disputaram o título até a última curva.

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  3. Obrigado pela atenção, Julianne. Achei bem fundamentada a sua visão do assunto e concordo plenamente com você. E ainda destaco essa inside information que você nos passa sobre a Lotus, sobre a excelência de seu carro, mostrando as boas perspectivas que se descortinam para a Renault nessa aquisição praticamente sacramentada, pois imagino que pelo menos parte daquele competente pessoal ainda deva estar por lá, em Enstone.

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  4. O Kimi surpreendeu ao retornar a F1 sendo competitivo, ao contrário do Schumacher. E isso aliado a um bom, ou muito bom carro. Fora isso, que a Julianne me corrija se escrever besteira, que ele precisa de um carro bem acertado ao seu estilo de pilotagem. E com a mudança de regulamento isso não ocorreu. Ai ele ligou o botão do f… . Este ano o carro melhorou, mas acredito que ele não consegue mais enfrentar um companheiro de equipe muito forte e nem tenha tanta motivação para isso. E, não lembro, mas acho que ele nunca teve como companheiros de equipes pitotos do nível de Alonso e Vettel.
    Aucam e amigos, sobre a Lotus que 2012 e 2013, acho que o principal projetista foi o James Alisson que agora está na Ferrari. As prespectivas com a compra da Lotus pela Renault podem ser promissoras, mas a Lotus já perdeu vários bons profissionais daquela época e seu principal projetista. Mas a volta por cima da Renault vem deles acertarem sua UP. E correm o risco de ficarem bem atrás da RedBull que vai preparar o motor da Renault por conta própria.

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    1. Sim, Alexandre, é verdade que perderam James Alisson e muitos talentos e depois disso tiveram uma fase péssima, mas acho que o carro desta temporada até que não foi tão ruim, esboçando melhora, ainda mais considerando que não são uma Ferrari. Maldonado bate muito, teve muitas quebras e pouco ajudou nos pontos, mas Grosjean conseguiu retratar melhor essa recuperação, em que pese a quase total falta de grana. Então, com o pouco que tinham, fizeram muito, o que me deixa otimista com a chegada da Renault.

      Só acho, Alexandre, que vão precisar de melhores pilotos para progredirem, porque, na minha insignificante opinião, Jolyon Palmer é um clone de Nasr – um talento mediano apenas – e Maldonado não tem mais nada a apresentar (e olha que sempre defendi o venezuelano), até em velocidade ele já está devendo, primeiro para Bottas na Williams e depois para Grosjean na Lotus. E velocidade era um ponto forte nele. Essa fila na F 1 precisa andar! Enquanto isso, o talentoso e promissor Vandoorne periga não entrar na F 1 este ano, e o holandês Robin Frijns (que onde chega sobe logo ao pódio) foi miseravelmente descartado pela categoria máxima. Estou na torcida para que Frederic Vasseur seja convocado para ser o Chefe de Equipe da Renault e leve o seu pupilo Vandoorne com ele (creio que a McLaren o liberaria).

      Abraços.

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  5. Penso que o problema do kimi não seja motivação. A idade pesa muito e chega pra todos. Acredito que ele tenha motivação ainda, mas ás vezes a cabeça pede pra fazer uma coisa e o corpo responde de outra forma. É que nem quando o Schumacher voltou, sentia que ele tinha motivação, mas quando vai chegando na casa dos quarenta não é a mesma coisa.

    Em relação a Lotus, o carro era bom, mas acho que os caras da equipe exageraram dizendo que era capaz de ir mais longe. Era um carro que tratava bem os pneus, mas não tinha a velocidade necessária pra ganhar um campeonato.

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  6. Julianne, se possível, gostaria muito que você me tirasse uma dúvida.
    Acabo de ler que os carros de 2017 terão espaço para difusores maiores, aumentando muito o downforce na parte traseira. Isso não é tudo o que o Vettel gostaria?

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    1. Tito,
      eu entendo que faz 20 anos estao tentando diminuir a area do aerofolio e do difusor para diminuir a turbulencia e fazer com que os carros colem de vez. MAS dai os patrocinadores ficariam p com isso. Menor visualizacao.

      Ate onde li a solucao esta no aumento do grip mecanico, nao aerodinamico. E uma traseira mais colada seria apenas mais um fator para o Vettel, mas certamente para muitos outros que gostam de irem alem do limite fish-tailing.

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      1. Entendi, é prudente esperar mesmo. Até porque uma mudança como essa geraria mudanças em quase todos os demais conceitos do carro, e talvez não haja tempo para isso, a não ser que eles tenham começado o projeto já há um bom tempo, mas isso é guardado quase a sete chaves.

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