Ano de ameaças

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A temporada de 2016 da Fórmula 1 promete ser recheada de ameaças. Mas não daquelas que os torcedores esperam, as ameaças ao domínio da Mercedes. Ainda que a Ferrari represente um perigo real por se tratar de um poderoso construtor – diferentemente dos dois rivais que estavam mais próximos há um ano, a cliente Williams e a Red Bull, com sua relação capenga com a Renault – a diferença que vimos até o final da última temporada continua sendo considerável e é difícil de ser tirada em uma pré-temporada.

As ameaças mais claras virão de outros lados.

A primeira é interna na própria Mercedes. Ficou claro especialmente na segunda metade do ano passado que há setores na empresa alemã que consideram parcialmente prejudicial que a equipe vença tanto e acabe sendo considerada culpada pela previsibilidade das corridas. Eles gastam milhões, fazem seu trabalho com maestria, mas acabam tendo um marketing negativo.

Por conta disso, não é de se estranhar as últimas declarações de Toto Wolff – que não dá ponto sem nó – ameaçando alimentar o duelo interno com o uso de estratégias diferentes, algo com que a parte técnica da equipe tem pesadelos só de pensar.

A segunda é política. A Fórmula 1 vive sua pior crise política desde 2009 – e pelo mesmo motivo de 2009: luta pelo poder e pela distribuição do dinheiro. Assim como há sete anos, há alguns atores interessantes na briga, como o próprio Wolff e o implacável presidente da Ferrari, Sergio Marchionne. É de se esperar algumas manchetes bombásticas, promessas de categoria paralela e coisas do tipo. Aliás, como em 2009. Mas lembrem-se que todos têm contratos até 2020 – e a Renault conseguiu sair na frente e ampliar o seu (não se sabe exatamente, mas acredita-se que até 2022). Como a Red Bull descobriu na última crise, sempre é vantajoso garantir primeiro as melhores fatias do bolo.

A terceira ameaça de 2016 vem do que considero um dos fatores mais interessantes na temporada que está por vir. A Haas. Há vários motivos para acreditar que se trata de um projeto mais bem nascido do que as últimas equipes que estrearam na Fórmula 1. Mas e se for bom demais?

Não falo em lutar por pódios, nada disso. Andar na cola das outras clientes da Ferrari – Sauber e Toro Rosso – causaria um turbilhão. Afinal, o time norte-americano foi projetado na tênue linha entre ter um colaborador técnico nas áreas em que o regulamento permite e ser uma equipe-cliente, o que vai completamente contra o conceito básico que distingue a F-1 de outras categorias do automobilismo: um campeonato de construtores.

E isso, em meio à queda do interesse pela previsibilidade das provas – abrindo sempre um campo perigoso para medidas apressadas e pouco pensadas – e à queda de braço entre os poderosos é bomba na certa.

Apertem os cintos.

8 comentários sobre “Ano de ameaças

  1. Jú,

    Primeiramente feliz 2016 e muitas e muitas horas da sua excelente cobertura de F1.
    Sobre as ameaças, a pior será a política pois ela além de não alterar o que já está assinado como você disse, afasta ainda mais a audiência que despenca a cada dia.
    Também acho que a Haas será motivo de ameaças, mas essa acho que vão vir da Mercedes caso seu reinado seja afetado, acusando a Ferrari de utilizar a Haas como laboratório, ai o Wolf esquece rapidinho essa história de estratégia diferentes para os pilotos…rs

    Você acha que há de alguma maneira uma possibilidade de termos uma revolução na categoria, mesmo com todos esses contratos assinados? Pois eu vejo o Bernie cheio de esqueletos que poderiam vir a tona e o Todd apenas um esqueleto sentado na cadeira de presidente de FIA, pois não faz nada desde que sentou lá.

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  2. Feliz a todos e principalmente a Ju.
    Também acho que se a Ferrari se aproximar, a Mercedes entra na defensiva e usa um piloto para proteger o outro. Acho que.o.Hamilton continua ganhando e o Nico se vira para escalar do Vettel.
    Na política cada um vai continuar olhando para seu umbigo. Espero um bom crescimento da Force Índia, agora Aston Martin. Você também imagina isso, Ju?
    Acho que a Haas bate a Sauber, mas não ameaça a Toro Rosso.

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    1. O negócio com a Aston Martin seria mais um patrocínio master do que uma mudança de fato na equipe. Claro que seria positivo do ponto de vista da estabilidade financeira de um time que vem tendo bons resultados mais pela eficiência do que pela estrutura. Mas lembremos que ainda não foi confirmado.

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  3. A Aston Martin já disse que não vai investir na F1, sem parceria com a Force India o que é uma pena, pois eles fazem um trabalho muito bom e fico curioso para saber o que eles fariam com mais R$ (assim como a Willians).
    Essa guerra política é uma pena, pois só quem perde com ela é a F1, perde audiência, competitividade, fãs, lucro, etc…, Julianne, não acredito em categoria paralela devido a uma frase do durão Berne na crise de 2009 quando perguntado sobre isso:
    “Eles podem ameaçar o quanto quiserem, nunca vai ocorrer, imagine um chefe da equipe chegar para o presidente da empresa e dizer: preciso de 50 milhões para correr e mais 50 milhões para criar uma nova categoria, ninguém arcaria com esses custos, além do mais a F1 tem exclusividade ou preferência com a maioria dos circuitos que corre.”
    Não foi exatamente assim, mas o sentido era exatamente esse, e o Bernie pode ser muitas coisas, mas ainda está longe de ser um “velho gagá”, é ainda muito lúcido e sóbrio.
    Esperando ansiosamente a temporada de 2016, que promete nas brigas políticas, principalmente se a Ferrari chegar na Mercedes e a Haas andar muito no meio do pilotão, não devemos nos esquecer que Toro Rosso, Force India e Sauber, tbm devem fazer reclamações da parceria técnica das duas equipes, dependendo do andar do andar da carruagem, até a McLaren faria algum tipo de manifestação.
    Julianne, aproveitando a questão da McLaren uma dúvida:
    Quem fabrica os motores dos carros de rua da McLaren? a própria empresa? ou outra fabricante? Tenho essa curiosidade a muito tempo, mas nunca encontrei nenhuma fonte falando sobre isso, porque sendo ela mesma, por qual motivo ela não produz os motores da equipe de F1 então?
    Um grande abraço pros meninos e um grande bjo pra meninas do blog!

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    1. Os modelos atuais são inteiramente feitos pela McLaren Automotive, inclusive o motor. Se não me engano isso começou com o projeto do 12C e surgiu a questão na época se isso significaria que a McLaren também fabricaria seus motores na F-1, mas o Ron Dennis negou a hipótese.
      Antes disso eles faziam parcerias. O clássico McLaren F1, por exemplo, tinha um motor sob medida feito pela BMW.

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  4. bom inicio de ano a todos , acho que a politica será grande mas tudo é só mimimi, cada um que quer mas poder, e se digo ”se” a Ferrari chegar na australia na frente como o marchionne esta dando a entender, o mimimi q foi usado a hass para favorecer a Ferrari vai ser monstruoso rsrrsrss mas os testes são logo ali pra se ter uma ideia , mas vou logo dizendo de agora ….acho q a mclarem vai andar atrás das manor rsrsrss

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  5. Eu torço pra Haas se tornar competitiva logo nesse primeiro ano. A cada ano que passa tenho mais simpatia pelo pelotão intermediário, com tão menos recursos que a turma da frente. A postura da Renault no fim do ano passado, com seus funcionários em terríveis condições e mesmo assim entregando um trabalho excelente para seus pilotos me faz lembrar dos garagistas que a F1 tinha até os anos 80.

    Um ótimo 2016 a todos!

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