O desafio da Renault

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“Deixe-me em paz, eu sei o que estou fazendo”. A frase é do penúltimo GP de 2012, quando Kimi Raikkonen caminhava para vencer em Abu Dhabi. Com a Lotus. No ano seguinte, com o regulamento razoavelmente estável, o time teria mais uma vitória e outros 13 pódios, chegando no quarto lugar, atrás das donas dos três grandes orçamentos da F-1 hoje: Red Bull, Mercedes e Ferrari.

Dois anos depois, a equipe mais camaleã da categoria mudará de cor novamente e se tornará o terceiro time de fábrica do grid – ou quarta, se considerarmos a parceria exclusiva de McLaren e Honda. Mas tudo o que aconteceu nas últimas duas temporadas faz com que voltar ao patamar do pré-2014 dependa de muito mais do que de caminhões de dinheiro.

A nova equipe Renault deve se inspirar no trabalho da Mercedes para fazer o time de Enstone voltar a ser grande. Parece óbvio dizer isso, mas é algo que vai além do que o time alemão é hoje.

A Mercedes voltou à F-1 como equipe em 2010, comprando o espólio da Brawn. Tratava-se da campeã do ano anterior, mas que havia construído sua vantagem com um pulo de gato de um carro construído com orçamento quase irrestrito da Honda, mas que passou toda a temporada com uma estrutura bem mais enxuta do que os rivais após os japoneses abandonarem o barco.

A equipe que a Mercedes assumiu, portanto, tinha perdido peças importantes pelas limitações orçamentárias, não tinha a melhor das estruturas e levaria tempo para ser reerguida.

A Renault, por sua vez, retoma o time de Enstone em uma situação ainda pior: os franceses vão assumir uma empresa em frangalhos depois de três anos de dificuldades financeiras. Mesmo durante o bom ano de 2013, a então Lotus já sofria com a falta de dinheiro, que tirou profissionais importantes do time, algo simbolizado por James Allison, que viria a se tornar um dos pilares da reconstrução da Ferrari.

Em um mundo tão competitivo quanto a F-1, esse tipo de defasagem técnica costuma levar tempo para cicatrizar. A própria Mercedes só começou a demonstrar os primeiros sinais de que viria para ficar em sua quarta temporada. E, se lembrarmos que, mesmo nos anos do bicampeonato em 2005 e 2006, a presidência da montadora francesa reclamava da falta de retorno do esporte, fica claro o desafio que os homens e mulheres de Enstone têm pela frente para provar que merecem tanto crédito.

Por enquanto, os prognósticos não parecem muito animadores. No caso da Mercedes, a receita da transição foi adicionar à equipe liderada por Ross Brawn as peças que faltavam. Uma delas, inclusive, Michael Schumacher, conhecido como um trabalhador insaciável.

Na Renault, o nome do experiente (mas apenas nas categorias de base) Frederic Vasseur tem sido bastante cotado para liderar o projeto, com a expectativa de envolvimento direto de Alain Prost que, busca apagar a má impressão deixada nos tempos de chefe de equipe. Já a dupla de pilotos formada por Maldonado e Palmer é uma das mais fracas do grid. Junte-se a isso a falta de capacidade demonstrada pela divisão de motores em resolver seus problemas nos últimos dois anos e é difícil acreditar que eles realmente sabem o que estão fazendo.

26 comentários sobre “O desafio da Renault

  1. Linda foto, foi do último ano do Alonso?
    Pela dupla de pilotos, a Renault não tem grandes expectativas para este ano. Vão começar a arrumar a casa. E o calcanhar de Aquiles continua sendo o motor. Não sei se vai dar tempo de fazerem um carro competitivo para tentarem dar chances do Alonso brigar pelo tricampeonato, na única equipe que não teve problemas de relacionamento e saiu pela porta dos fundos.

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  2. Esta “nova fase” da Renault na F1 éh de renascimento. Então se eles querem fazer (eu acredito!) uma coisa bem feita, então os frutos só serão colhidos de médio em longo prazo. Lembrem-se! As ultimas 2 ou 3 equipes campeãs mundiais, colheram os seus frutos depois de 04 ou 05 temporadas. Na F1 o tempo de maturação de um projeto éh razoavelmente longo. Eu acho que a Renault tem de contratar um organizador como o Ross Brawn ou Bob Bell. Só assim que vejo a Renault como equipe brigando com os ponteiros daqui a 04 anos.

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  3. Se contratarem Vasseur estarão no rumo certo (ainda mais se ele conseguisse levar com ele o seu pupilo Stoffel Vandoorne). Posso queimar minha língua, mas não ponho fé em Prost como dirigente. Também precisarão trocar essa dupla de pilotos anunciada: o fracote Jolyon Palmer e o estabanado Maldonado (e olhem que sempre fui um defensor do venezuelano, mas até a velocidade, que era um de seus pontos fortes, ele já perdeu, tendo sido sovado por Bottas ainda na Williams e depois espancado impiedosamente por Grosjean na própria Lotus).

    Também gostei da Lotus amarela, uma cor que está fazendo falta no grid. Por falar nisso, será que a HAAS será a Ferrari amarela? Espero que não seja mais uma cinzenta/preta/prateada vai com as outras.

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    1. Grande Aucam,

      Eu respondi suas preciosíssimas informações sobre a temporada de 1958 apenas no dia 29 de dezembro, espero que tenha visto.

      Mais uma vez obrigado pelas informações.

      Abs.

      Augusto

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      1. Sim, amigo AUGUSTO, vi sua resposta e não se preocupe com o atraso. Obrigado pela consideração com os meus pitacos.
        Grande abraço!

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      1. Grande DVDBRAZ, desculpe aí o atraso.

        Frederic Vasseur é o cara que dirigiu com mão de ferro a ART GRAND PRIX e foi o orientador do STOFFEL VANDOORNE, em sua campanha na GP2. Vandoorne, que foi o cara mais vitorioso na história da GP2! Vasseur já teve sob sua batuta inclusive Nico Rosberg e Lewis Hamilton, além de outros menos votados mas que até tiveram algum brilho, como o Alexandre Prémat e o Di Grassi.
        Como você certamente sabe, a ART GRAND PRIX, que também é do TODDYNHO rsrsrs, volta e meia é falada como um time que pode dar um passo rumo à F 1, qualquer dia. Eles são muito bem estruturados e tem ótima expertise. Eu até gostaria de vê-los adentrando a categoria máxima. No meu ponto de vista, a F 1 deveria resgatar algumas coisas do passado, como, por exemplo, a presença de equipes independentes, com carros adquiridos de equipes fabricantes. Isso já ocorreu, como é sabido, e com sucesso, haja vista a vitória do grande JO SIFFERT no GP da Inglaterra em 1968, com uma Lotus 49 da equipe de ROB WALKER, sobre o ultrarrápido Chris Amon de Ferrari, que chegou em segundo, mas vinha babando atrás de “Seppi” Siffert durante boa parte da prova. Siffert nunca teve oportunidade de pilotar para uma grande equipe na F 1 que estivesse no auge, pois quando venceu pela BRM na Áustria em 1971 a equipe inglesa já estava em decadência (apesar de ainda ter obtido outras vitórias, espetaculares, como as de Gethin em Monza em 71 e de Beltoise naquele dilúvio de Monaco em 72). SIFFERT, com um bom equipamento e uma boa equipe INDEPENDENTE, PROVOU ser capaz de vencer na categoria máxima, além de ter sido “UM MONSTRO” ao volante dos não menos monstruosos e impressionantes PORSCHES 917 no WSC.

        Então, penso que a entrada de uma ART GRAND PRIX na F 1, assim como eventualmente de outras independentes, seria benéfica, inclusive aumentando o número de competidores no grid, com pilotos de qualidade que hoje NÃO encontram espaço, e com equipamentos que não se arrastariam pelas pistas qual chicanes ambulantes, como temos visto com as últimas nanicas.

        Dentro desse contexto de excelência na GP2 da ART GRAND PRIX, como a nossa Julianne já falou lá em cima, realmente o nome de VASSEUR estava cotadíssimo para ser o TEAM PRINCIPAL da RENAULT nessa sua volta, e ele declarou em várias oportunidades que gostaria de levar o VANDOORNE com ele, que faria todo o possível. Mas veja, agora VANDOORNE está cada vez mais comprometido com a McLaren e vai correr – para não perder a forma – na Superfórmula Japonesa, bem assemelhada à GP2, mas dizem que até melhor em alguns aspectos, onde o talentosíssimo belga vai ter, ao que tudo está indicando, a oportunidade de se medir com São Kamui Kobayashi, do qual sempre fui fiel devoto, rsrsrs – é, aquele mesmo das ultrapassagens miraculosas e desconcertantes, injustamente “ousted” da F 1! Li recentemente – não lembro mais aonde – que Koba DE NOVO vai tentar correr na Superfórmula Japonesa.

        Mas, eis que me deparei com a notícia de que PROST é que está mais bem cotado para ser o TEAM PRINCIPAL da nova Renault! Francamente, não faço fé em PROST. Eu acho que o sucesso é quem recomenda melhor, e, nesse caso, Vasseur como Diretor é melhor do que PROST, ainda que não tenha experiência na F 1. E Boullier? Boullier continua com aquele perfil de GP2, rsrsrs, não é só a “engine”, como protestou o Alonso. O Haraikiri parece fazer gato e sapato do Boullier, hahaha!!! Vamos torcer para a McLaren melhorar. . . mas com essa dupla. . .

        Grande abraço!

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  4. 2016 é u ano apenas de experimento para a Renault. A cúpula da empresa sabe que os resultados serão minguados nesta temporada. (Só abrem mão mesmo se for uma catástrofe, vide a Nissan no WEC, para ficar no mesmo grupo empresarial)

    A grande sacada é 2017, com um regulamento técnico novo, o suporte será maior e, certamente, buscarão no mercado pilotos mais qualificados para os seus cockpits.

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  5. Olá Ju

    Estou animado com o retorno com a Renault , sempre que entraram na categoria foram competitivos, mas creio que demore um pouco, talvez em 2019.

    Abs.

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  6. Bom dia pessoas do blog, bom dia Ju!
    Com relação a Renault, já li várias teorias sobre como seria esse retorno, vou colocar aqui as mais viáveis das informações que fui juntando:
    01. A cúpula da Renault voltaria em 2016 com a dupla Palmer/Maldonado mesmo, pois com o R$ que esses dois trazem, o prêmio do sexto lugar no mundial de construtores e mais a R$ de alguns patrocinadores, eles poderiam correr o campeonato de 2016 sem colocar um único tostão na equipe, e assim concentrar os seus recursos em 2017, que é quando vai ocorrer as mudanças técnicas que pode mexer na relação de forças da F1. Além é claro de poder investir uma pomposa quantia no desenvolvimento do defasado motor.
    Sendo assim eles “chegariam de verdade” na F1 somente em 2017.
    02. A Renault investiria desde já quantidades enormes de R$ na equipe, chutando a dupla Palmer/Maldonado, contrataria pilotos de peso (inclusive tem os rumores sobre o Alonso, sabe de algo Ju?) e tentaria chegar nos ponteiros já no fim de 2016 (pelo menos na questão motor).
    Bom, entre tudo o que li, essas duas teorias são as que fazem mais sentido, ao menos para mim, mas só saberemos o que vai acontecer, só em Fevereiro que é quando a Renault vai fazer o anúncio do chefe de equipe, pilotos e pessoal. Será que o Prost fracassa mesmo como dirigente Aucam? Ele quase se tornou chefe de equipe com o Senna como piloto, e o Senna não gostava de perder, sabemos que dirigentes que tomam boas decisões são importantes na F1, um exemplo é a Sauber, cujos dirigentes tomam decisões duvidosas e a equipe vive nessa eterna gangorra, entre rabeira e meio de grid, Sauber essa que podemos comparar com a Force India, equipe cujos dirigentes tomam ótimas decisões e a equipe sempre cresce…
    Sobre o que você disse sobre o Maldonado, alguns anos atrás, eu dizia que ele é (era) um piloto veloz e que se aprendesse com os erros e conseguisse vaga em uma equipe de ponta poderia até disputar título, com sorte. Ele não aprendeu com os erros e se tornou o que vemos hoje em dia, um piloto com muitos erros e com velocidade cada vez menor…
    Um grande abraço a todos!

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    1. Caro NATO, é verdade, Maldonado é um estranho caso de INVOLUÇÃO, eu acho que ele regrediu mesmo. Não sei se psicologicamente isso tem a ver com ansiedade, mas, se tiver, Maldonado não soube domá-la, ao contrário de Grosjean.
      NATO, não me lembro desse lance do PROST quase ter sido o Chefe de Equipe do SENNA. Em que equipe? Bem, eu acho que o sucesso anterior é o fator que melhor recomenda alguém, num contexto assim de desbravamento, que o que Renault vai ter fazer nessa volta dela. Na minha insignificante opinião, só o nome PROST já faria supor o nascimento de uma grande equipe e sua consequente consolidação, embora isso realmente não fosse uma garantia, os exemplos são vários, como o de JOHN SURTEES como o mais eloquente, e outros mais, de cabeça assim estou me lembrando da EAGLE do DAN GURNEY e da STEWART, de Sir Jackie. É que temos sempre em mente o exemplo de BRUCE MCLAREN na construção dessa lenda que hoje passa maus momentos – a MCLAREN -mas que tem na História do Automobilismo páginas de brilhantismo só comparáveis à Ferrari, e isso não apenas na F 1, mas também na Indy e na CAN AM. PROST fracassou ROTUNDAMENTE como FUNDADOR DE EQUIPE, não obstante todo o prestígio que tinha e que ainda hoje conserva. Talvez eu esteja sendo radical, mas acho que PROST como dirigente é um grande piloto. . .
      Grande abraço.

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      1. Ops, pulei algumas palavras, vou corrigir:
        “Bem, eu acho que o sucesso anterior é o fator que melhor recomenda alguém, num contexto assim de desbravamento, que É o que A Renault vai ter fazer nessa volta dela.

        E não citei a BRABHAM, de Sir JACK porque – apesar de ter desaparecido – aquela equipe teve uma passagem brilhante e vitoriosa na F 1. Pena que o velho Bernie não tenha assegurado a sua continuidade.

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    2. O ‘rumor’ do Alonso no momento é aquela associação meio óbvia: ele disse que repensará seu futuro dependendo do que a McLaren apresentar nos próximos meses e a Renault aparece quase automaticamente como uma possibilidade pela história de ambos. Mas, no momento, o projeto da McLaren parece mais promissor do que o dos franceses. Pelo menos já passaram pelo ano de sofrimento.

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      1. Pois sabe, Julianne, eu acho, tenho a impressão, que o problema maior da RENAULT como equipe inteiramente própria vai ser mesmo a parte de projeto de chassi, e não de unidade de propulsão. Digo isto porque vejo a a turma da RED BULL subitamente tão animada com as unidades “genéricas” que vão receber da RENAULT! Pra quem execrou tanto a Renault a turma da RED BULL anda tão radiante, rsrsrs. . . Mesmo que Illien faça a pajelância dele nesses propulsores destinados à RED BULL, acredito que a RENAULT com um exército de engenheiros e muitas coisas ainda passíveis de melhoramentos em suas PUs ainda vai pegar a mão mais rapidamente que a Honda e o seu teimoso Arai-kiri. Estou botando mais fé na Renault do que na McLaren com essa dupla “dinâmica” Arai-kiri/Boullier. . . Acho que logo nos primeiros testes vamos ter boas pistas disso tudo.

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      2. Não se engane, Aucam. Eles não estão nada felizes com a Renault e vão passar o ano todo pressionando pelo tal motor alternativo. O acordo para este ano é apenas um paliativo político.

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  7. Toyota e BMW estavam ai para provar que basta mais que dinheiro para fazer uma equipe formuleana dar otimos resultados. A renault tao afamada e idolatrada (pelos frogs ao menos) ganhou somente 2 campeonatos de pilotos na historia toda. E a estrutura na epoca nem era tao francesa assim. Mesmo que se diga da Mercedes de hoje.

    Gente da industria dos carros continua me afirmando que F-1 e afins nao dao retorno em vendas as empresas.

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  8. Aucam meu caro,
    Sempre um grande prazer dialogar com você, como era muito pequeno a época, não me lembrava que o Prost foi de fato chefe de equipe, muito menos que a Prost fracassou, percebi apenas agora que fui buscar o link:
    http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2015/08/alain-prost-revela-que-cogitou-ser-chefe-de-senna-seria-engracado.html
    Por algum erro de interpretação, achei que a equipe em si tivesse ficado no quase.
    Creio que Maldonado deixou se abater com as constantes críticas e talvez pelo fato de ter provar de ser mais que um piloto pagante, tenha afetado a sua pilotagem de forma que ele involuiu, e ficou mais evidente com surpreendente crescimento do Grosjean, acompanho a F1 de perto desde 1994, tendo haviado uma pausa apenas na “era Schumacher”, pq era muito chato acompanhar as corridas sabendo que não havia piloto para competir com ele, e retornando apenas no meio de 2005, devido a Alonso/Renault disputarem com Schumacher/Ferrari. E desde que acompanho a F1 nunca havia visto um piloto ter tido a evolução que Grosjean teve, apareceu em 2012 (corrija se eu tiver errado), retornou a GP2, foi apelidado de “maluco da primeira volta” (viva o humor Inglês de Button) e hoje em dia pilota como poucos na categoria, até me pergunto se ele faria frente a Hamilton na Mercedes, ou se é exagero de uma mente fã desse piloto.
    Desculpe pelo erro com relação ao Prost, mas o que importa é sempre aprender dialogando de forma saudável com quem conhece.
    Um grande abraço a todos.

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    1. Caro NATO, prazer também em trocar opiniões com você. Bom, eu, como sou e sempre fui muito fanático por automobilismo em geral e por F 1 em particular, nunca deixei de acompanhar a categoria, mesmo naqueles cinco anos tediosos em que Schumacher não encontrava um adversário à altura. Alonso pôs fim a esse reinado e, mesmo eu não tendo simpatia pelo espanhol, respeito profundamente a sua extraordinária competência e o seu talento, para mim sem dúvida fora de série. Não esqueço que ele derrubou um recorde de precocidade que perdurou por 34 anos (de E. Fittipaldi) e o fez em cima de um heptacampeão mundial! E permita-me apenas um pequeno reparo: quem disse que o Grosjean era “o maluco da primeira volta” foi o Mark Webber.

      Pois é: mas criar e gerenciar uma equipe de Fórmula 1 e encaminhá-la para uma trajetória de sucesso e que se consolide ao longo do tempo não é tão fácil assim. Não basta o nome. É preciso competência e dinheiro também: a Equipe PROST estava obviamente na pindaíba quando faliu, isso não obstante o prestígio do tetracampeão mundial.

      Eu acho que a história da trajetória vencedora da RENAULT não se limita apenas aos dois títulos mundiais obtidos como equipe própria. Ela obteve muitas vitórias em GPs com PROST e o ousado e velocíssimo RENÉ ARNOUX, ambos com os turbos franceses. Prost mesmo lutou competitivamente pelo título mundial de pilotos com um carro inteiramente RENAULT e de motor turbo. O motor Renault (aí já aspirado) formou um par maravilhoso com a Williams, em certa fase dos anos 90.

      Como FORNECEDORES de motores APENAS, a BMW e a Ford também já foram objeto de desejo de 10 entre cada 10 pilotos, e ensejaram dias de glória para várias equipes de ponta. Quem não se lembra da BRABHAM-BMW Turbo de Nelson Piquet? E quem não se lembra do campeoníssimo motor FORD-COSWORTH, que venceu mais de 150 GPs? O acabamento/desenvolvimento era de Mike Costin e Keith Duckworth, mas a tecnologia primária – a base – era da FORD.

      A Toyota REALMENTE como grande fabricante fracassou rotundamente na F 1. Mas não considero sem brilho a presença – de alguma forma – da BMW, da RENAULT e da FORD na F 1.

      No entanto, sem dúvida, EXCLUSIVAMENTE COMO EQUIPES INTEIRAMENTE PRÓPRIAS, grandes fabricantes de automóveis já naufragaram na empreitada da F 1 (BMW; TOYOTA; a FORD através da JAGUAR, com direção de Niki Lauda (!); a PORSCHE (que chegou até a obter uma vitória na França em 1962 com o grandalhão e velocíssimo americano DAN GURNEY, mas que se retirou logo); a própria HONDA, que adentrou a F 1 pela primeira por um breve período nos anos 60 e chegou a obter 2 vitórias, uma com Richie Ginther e outra com John Surtees) e entrou uma outra vez com aquela tentativa fracassada com Button e Barrichello, para depois, desiludida com a falta de resultados, passar em frente o negócio pro Ross Brawn (e que negócio!).

      Grandes nomes e campeões mundiais de pilotos também tentaram criar sua própria equipe e fracassaram ou não conseguiram se consolidar, são vários os exemplos, como o PROST (fracasso mesmo do tetracampeão como dirigente, eu vejo dessa maneira, embora a equipe até tinha tido uns 2 ou 3 pódios, mas não obteve uma vitória sequer); o STEWART (este ainda conseguiu uma vitória, pelas mãos de Johnny Herbert, hoje comentarista da SKY); o DAN GURNEY e sua EAGLE, produzida na Califórnia, muito longe do teatro de operações da F 1 na época, mas ele logrou vencer um GP com sua EAGLE, o da Bélgica em 1967; WILSON e EMERSON FITTIPALDI com a Equipe COPERSUCAR (depois SKOL FITTIPALDI), que chegaram perto de uma vitória mas não a conseguiram, e finalmente se viram obrigados a encerrar de maneira melancólica a sua equipe, pela qual passaram alguns dos maiores cobras da F 1, inclusive ADRIAN NEWEY em início de carreira, gente como HARVEY POSTLETHWAITE, KEIJO (KEKE) ROSBERG, pai de Nico e um baita, veloz e arrojadíssimo piloto, porém sem ricas estatísticas, e o grande mecânico JO RAMIREZ; outro nome lendário que tentou ser Construtor foi JOHN SURTEES, que na F 1 fracassou, mas criou uma equipe na F 2 que levou ao título europeu (uma espécie de mundial na época) em 1972 o seu compatriota e colega campeoníssimo no Motociclismo MIKE HAILWOOD – JOSÉ CARLOS PACE também correu pela SURTEES na F 1, antes de se transferir para a Brabham). Em suma, é difícil dirigir e fazer vingar uma equipe de Fórmula 1, colocando-a em trajetória de sucesso.

      Por isso, é de se admirar muito o que excelente engenheiro mecânico e talentosíssimo piloto de F 1 BRUCE MCLAREN conseguiu, construindo uma equipe que brilhou não apenas na F 1, mas também na Indy e na Série CAN AM, e que se transformou nessa verdadeira lenda que é hoje o Grupo MCLAREN, com presença em várias áreas de tecnologias de ponta e consolidado através dos tempos pelas mãos de Teddy Meyer e Ron Dennis (Dennis começou na F 1 como mecânico do excepcional JOCHEN RINDT). A MCLAREN hoje colabora e tem parceria em pesquisas até com o colosso farmacêutico inglês GLAXO. JACK BRABHAM não teve tanta sorte assim com a equipe que criou, de ter tido alguém que continuasse o seu sonho e mantivesse viva a sua lenda como construtor vitorioso, pois Ecclestone não deu seguimento aos sonhos de BRABHAM: vendeu a Brabham para financistas que acabaram extinguindo a equipe poucos anos depois da compra, já em total decadência, uma pena. Curiosamente, Ecclestone foi empresário de JOCHEN RINDT também.

      E é de se admirar MAIS AINDA gente como FRANK WILLIAMS, que começou na F 1 em 1969 como equipe independente, correndo com carros comprados da BRABHAM e, depois, do Construtor de carros fuori-serie ALEJANDRO DE TOMASO. Frank viu seu sonho se consolidar, transformando-se em um dos Construtores mais vitoriosos da F 1 e cuja equipe está aí até hoje.

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      1. NATO, complementando um aspecto que você abordou, devo dizer-lhe que GROSJEAN “é um dos meus”. Gosto de gente que imprime audácia e velocidade em sua tocada, e Grosjean faz esse estilo. Hoje ele está mais “polido”, sem ter perdido sua velocidade. E isso confirma aquela velha Teoria que é mais fácil induzir juízo a quem não o tem, do que extrair velocidade de quem não a tem. Mas, para ser franco, não acho que Grosjean seria páreo para Lewis Hamilton. Na minha opinião, o subestimado NICO ROSBERG é inclusive muito mais piloto do que Romain Grosjean: vejo Rosberg com mais velocidade, mais habilidade natural e mais consistência do que o franco-suíço agora na HAAS. Mas espero muitos bons resultados dele com os americanos. Também seria um ótimo companheiro para Vettel na Ferrari. Agora, quem eu queria ver na Mercedes ao lado de Hamilton era o Max Verstappen. . . Quando se dirige um carro 1.0 e se passa para um de alto desempenho, parece até que o mundo todo melhora. . . Então, imagino isso acontecendo com o Verstappinho na Mercedes. . . passando de uma Toro Rosso para uma Mercedes. Agora, o downgrade é chocante! Há inclusive necessidade de uma reeducação com relação a avaliação de distâncias e velocidade e também de um exercício de humildade. . . e também um exercício de motivação. Foi o que aconteceu com Vettel quando perdeu o difusor soprado ( e o “mclariano” Alonso já andou falando algo nessa direção também, de perda de motivação). Mas Vettel já superou essa desmotivação na Rossa e vai dar muito trabalho às Mercedes este ano.

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      2. Também não sou dos maiores fãs de Alonso como pessoa, mas como piloto temos de tirar o chapéu para ele, possui talento e cérebro como poucos, do “trio de ouro” da atual F1 tenho a opinião pessoal de que ele é o meio termo, 50% talento, 50% cérebro, tendo ambos acima da média, assim como Schumacher, Niki Lauda, Fitipald, Nelsão, Senna, entre outros tantos outros. Na época tediosa acompanhava apenas os números e os V.Ts. de melhores momentos, antes de Alonso aparecer o único piloto que podia desafiá-lo não o fazia fosse por contrato ou medo, nunca vou entender pq Rubens não confiou mais em si mesmo e não foi para a Willians quando esta apresentou contrato, teimo em dizer que se ele tivesse confiado em si, TALVEZ Schummy tivesse um ou dois títulos a menos, mas infelizmente nunca saberemos.
        Caterham e Manor que o digam o quanto é difícil uma equipe vingar na F1, a USF1 coitada nem chegou a correr u GP, fato que é dificílimo fazer uma equipe dar certo, gostaria muito de ter idade para poder me lembrar de como Prost se saiu como chefe de equipe.
        Rs
        Primeira medida da Renailt, deveria ser tentar trazer o Boulier de volta da McLaren, considero esse cara junto de Horner o melhor chefe de equipe da F1, ambos fazem trabalho fantástico em suas equipes. Ainda tenho dúvidas se Rosberg é super-estimado pelos entendidos e de bom senso, ou se ele é subestimado pelos não entendidos e fãs de Hamilton, vamos aos fatos:
        No primeiro título de Hamilton na Mercedes, o Inglês ainda estava numa época de transição entre a sua atribulada vida particular e a atual ótima fase particular (que invariavelmente vai refletir na pista), sendo assim Rosberg endureceu a briga e só não foi mais complicado para Hamilton devido as quebras do Alemão (principalmente a do último GP, no qual inclusive Rosberg guiou dignamente até a bandeirada).
        Nesse segundo título, uma frase de Rosberg me chama a atenção depois de um GP o qual não me lembro:
        “Vou voar direto daqui para Mônaco, afinal não vi meu filho nascer”
        Ou algo assim que ele disse, ou seja, esse ano Rosberg também estava envolvido com questões particulares (nascimento do filho) que provavelmente influenciaram no resultado em pista, facilitando a vida do Hamilton, também que após esse GP (que marcou o nascimento do Rosberg neto) o Alemão teve a sua curva ascendente no ano, errando apenas na corrida de Austin.
        Antes de formar opinião sobre o Rosberg, vou esperar a temporada de 2016 e no fim do ano digo se o considero super ou subestimado, em tempo, é maravilhoso a forma como cita Rindt, Arnoux, entre outros, tenho a impressão que os viu correr…
        Sobre a Copersucar, tentar fazer um tme 100% brasileiro, até mesmo com fábrica e peças no Brasil, é suicídio no mundo da F1, ainda mais naquela época em que as peças demoravam meses para chegar do Brasil a Europa, “abrasileirar” demais, esse foi o erro da Copersucar, as atualizações no mundo da F1 precisam chegar rápido.
        Grande abraço a todos do blog!

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      3. Pois é, NATO, achei fantástica a performance de Alonso ainda tão jovem diante de Schumacher. Nessa época, ele ainda não tinha “aprontado” as inúmeras atitudes polêmicas e não deixava entrever o seu temperamento difícil, embora Jarno Trulli já fizesse algumas queixas dele e, dizem as más linguas, o italiano teria saído mesmo da Renault por causa de Alonso. Mas, vai saber. . . Trulli saiu no meio temporada, se bem me lembro. Mas aí, depois que foi para a McLaren, já nos primeiros testes Hamilton – espetacular – começou a virar mais rápido que Alonso! Já vinha acompanhando a carreira de Hamilton desde as categorias de base, eu não vejo apenas a F 1, e sabia que ele era fortíssimo, mas fiquei muito impressionado com seu desempenho diante de um Alonso que eu já considerava como um gênio. Daí passei a torcer por Hamilton, pois, ANTES da brigalhada toda na McLaren, LEWIS estava – APENAS COM SUAS PERFORMANCES – começando a desestabilizar Alonso, se mostrando mais rápido, mais agressivo, mais arrojado que o espanhol, e essas três são as características que eu mais valorizo na tocada de um piloto. Isto porque elas são, a meu ver, a demonstração CABAL da verdadeira habilidade natural de um piloto. Pilotos cerebrais tendem a ter estatísticas mais ricas que os arrojados e velozes, pois, se não forem verdadeiras “navalhas” no trato com o carro, é mais fácil deixar todo mundo ir pro pau, ficar cozinhando o galo em banho-maria e depois herdar as sobras. Esses não trazem emoção. E emoção – não me refiro aqui a “maldonadices” e “andreadecesarites”, hahaha – é essencial e inerente ao BOM AUTOMOBILISMO, aquele que envolve disputas feitas NÃO APENAS COM ARROJO, mas com DESTREZA.

        Às vezes não dá pra saber até mesmo qual seria o verdadeiro limite desses pilotos cerebrais, pois não arriscam. PROST, por exemplo, é o exemplo mais eloquente. CONSIDERO-O UM SUPERPILOTO, isso NÃO está em discussão, mas não tenho dúvidas em apontá-lo como o mais FRACO dos 4 GÊNIOS que se enfrentaram mutuamente na SEGUNDA ERA DE OURO DA F 1. Para quem era chamado de Professor, eu ficava PASMO com a sua fraqueza em pista molhada! Francamente, por isso, não pode ser considerado Professor nem um piloto COMPLETO. PROST NUNCA nos brindou com emoção! Não me lembro de um único lance de ousadia dele! Era extremamente SUAVE em sua tocada e no trato com o carro. Numa época em que as quebras eram bem mais frequentes que hoje, ele pode assim colecionar estatísticas admiráveis, além de ter sido o PATO GASTÃO – aquele primo sortudo do Donald, hahaha – da F 1 na época, Mansell e Piquet que o digam, quando o título mundial pulou do colo – primeiro de Mansell, e depois de Piquet (obrigado a ir para os boxes) – e foi cair no colo de Prost, com aquele estouro do pneu ocorrido com NIGEL na Austrália, última prova do campeonato. MANSELL, SENNA e PIQUET não, esses DOAVAM a própria alma para correr na frente, não recusavam duelos, iam sempre pra cima! Agora, fico imaginando uma corrida com 22 PROSTS no grid. . . MAS, SIM, COM TUDO ISSO, PROST FOI INDISCUTIVELMENTE um piloto fora-de-série TAMBÉM.

        Fiz essa digressão para traçar um paralelo entre HAMILTON e ALONSO. O espanhol é muito agressivo sim, mas é o mais cerebral do atual TRIO DE OURO, e essa característica não me agrada, até porque as estatísticas que são construídas pelos pilotos cerebrais estão sempre sendo derrubadas, E O QUE FICARÁ vai ser a história de como pilotavam. Veja que ainda hoje se fala mais em Gilles Villeneuve e Ronnie Peterson do que sobre muitos campeões coroados, como HAWTHORN, HULME e até mesmo sobre o tríplice coroado GRAHAM HILL. Regredindo a Eras mais remotas, TAZIO NUVOLARI é mais lembrado que BERND ROSEMEYER e RUDY CARACCIOLA. Apesar de Alonso ser um pouco cerebral demais para o meu gosto, eu não troco os seus 2 títulos pelos 4 de Prost, pois ALONSO É COMPLETO, INCLUSIVE EM PISTA MOLHADA. Então, meu amigo, diante de tudo o que expus, não tenho como deixar de torcer por HAMILTON e MAX VERSTAPPEN. Mas também aprecio MUITÍSSIMO SEBASTIAN VETTEL, velocíssimo e quase sempre ultrapreciso. Mas acho que a tocada de SebVet, por isso mesmo – pela precisão – não é tão selvagem e IMPETUOSA quanto a de Hamilton, que me agrada mais.

        Quanto a Barrichello, ele realmente não deu sorte em ser contemporâneo de Schummy nas pistas, que, sem dúvida alguma, era mais piloto que Rubens.

        Gostei de saber de seus pontos de vista, mas permita-me discordar “um pouquinho” sobre Boullier. Não gostei daquela “pernada” que ele deu no pobre e ingênuo Davide Valsecchi em benefício de KOVALENTO, que já era um FRACASSO ANUNCIADO. Creio que faltou discernimento sobre a capacidade de ambos, algo imperdoável para um Chefe de Equipe com acesso a telemetrias e visão de perto dos pilotos na pista: Kovalainen nem campeão conseguiu ser na GP2 e Valsecchi sim, ainda que apenas em seu quarto ano na categoria. O polêmico Briatore não tinha paciência com a falta de performance e agressividade de Kovalainen quando ele foi promovido à F 1 e correu na Renault, frequentemente fazendo fortes críticas ao desempenho de KOVA. Valsecchi, ao contrário, sempre foi muito agressivo em sua tocada, apesar de não ter grande habilidade natural. Não tenho dúvidas de que Valsecchi teria se saído muito melhor que Kovalento naquelas duas corridas em que foi injustamente deixado na geladeira por Boullier. E também acho que aquela BOA FASE experimentada pela LOTUS no tempo de Raikkonen/Grosjean se deveu mais ao trabalho de JAMES ALISSON do que ao de Boullier, que hoje na McLaren parece aceitar docilmente tudo o que vem de Arai. Talvez lhe falte energia ou poder de convencimento em cima do teimoso japonês. Bom, essas são as minhas impressões vistas de fora, aqui do sofá, rsrsrs. . . não sei o que se passa lá dentro.

        Mas NATO, apesar dessa pequena discordância acima, tenho muito apreço e respeito pelos seus comentários; eventuais divergências são mesmo até essenciais, eu diria, pois elas às vezes nos fazem enxergar coisas que no calor das paixões nos passam despercebidas.

        Forte abraço.

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  9. Dificil dizer como a equipe Renault será em 2016.
    O carro ainda deve ser pouco eficiente como os modelos 2015 e 2014 da ex-equipe Lotus, a estrutura técnica ainda precisa de muita modificação para se tornar competitiva. Por mais que seja a equipe oficial da Renault, os patrocinadores não serão lá grandes coisas para pagar o desenvolvimento do carro e nem a Renault vai bancar sozinha o desenvolvimento de chassis e motor.
    E a nova versão do motor ainda é um misterio. Será uma melhora daquele usado pela Red Bull no Brasil ou eles partirão pra um projeto todo novo?
    Bem ou mal imagino que a Renault inicialmente vá brigar no fim do pelotão do meio pra trás.

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  10. Ju, vc acho provável que a Infinit seja a “patrocinadora master” do time ou vc acha que eles vao buscar um patrocinador master que nao estaja na F1 atualmente (como foi o caso do banco ING desta imagem em 2008) ou ainda vao vir sem patrocinadores fortes, como tem feito a McLaren ? Nao acredito que o presidente da Renault vai querer gastar como a Mercedes faz, boa parte deste dinheiro teria que vir de patrocinadores, vc nao acha ?

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