Fazendo barulho

Calma, é só uma brincadeira!
Calma, é só uma brincadeira!

Está nas minhas resoluções de ano novo: atender aos pedidos e fazer mais posts técnicos e com detalhes táticos que muitas vezes passam despercebidos entre uma corrida e outra. Para começar, vamos tentar entender o que significa a nova regra para o escapamento, criada originalmente para aumentar o barulho dos motores, mas que pode se tornar uma fonte de performance.

Dois tubos recebem fluxos do motor atual: o chamado wastegate – uma válvula de alívio de pressão ligada à turbina do turbo – e o escapamento principal. É o wastegate que dá aquele som característico do turbo quando ele se abre para desafogar a pressão.

Até 2015, o wastegate era ligado ao escape ainda debaixo da carenagem e, por isso, só víamos uma saída quando olhávamos os carros por trás.

A partir de 2016, os carros terão pelo menos dois escapes indo até o fim do carro: um deverá ser totalmente dedicado ao escapamento do motor de combustão em si e outro, apenas contendo o fluxo do wastegate. As regras, contudo, também abrem a possibilidade de dois tubos para o wastegate e um para o escapamento.

Há quem duvide que o som ficará mais alto – pelo menos, certamente será mais rico – mas o chefe de motores da Mercedes, Andy Cowell, é um dos que acredita que este é o caminho certo. Para o britânico, a atual configuração, com a saída única, cria uma ressonância entre o escapamento dos gases e o wastegate e ‘afoga’ o som.

A volta do difusor soprado?

Além da questão do ruído, o novo regulamento abre possibilidades de exploração técnica. A solução mais óbvia seria usar o segundo tubo na parte de cima, na mesma direção de onde sai aquele que é usado atualmente, onde ele se liga ao escapamento. Mas as equipes estão estudando soluções para colocá-lo embaixo do escape, ou mesmo usar dois tubos adicionais nas laterais, mais acima ou mais abaixo. A busca é utilizar este fluxo de ar para ganhos aerodinâmicos, ainda que muita gente duvide que isso seja factível.

Recriar o processo utilizado com maestria pela Red Bull até o final de 2013, apelidado de escapamento soprado, é impossível. Primeiro, porque o regulamento limita o posicionamento dos tubos adicionais e, assim, as possibilidades de levar o ar para o difusor. Segundo, porque o fluxo de ar vindo do wastegate não é contínuo. Como parte dessa energia é recuperada pelo ERS-H, ela só é dissipada quando os reservatórios estiverem cheios (lembrando que a recuperação de energia calorífica é praticamente constante, diferentemente do ERS-K, algo importante para entendermos os problemas da McLaren nos posts das próximas semanas).

Entretanto, tratando-se de Fórmula 1, é melhor não duvidar da capacidade dos engenheiros. O fato é que, com a maior parte do regulamento estável para este ano, é na parte traseira que podemos ver interpretações diferentes em 2016.

8 comentários sobre “Fazendo barulho

  1. Tenho certeza q o Adrian Newey deve estar queimando os neurônios achando uma solução para aproveitar esses gases do wastegate.
    Se tem uma coisa q o mago da Red Bull adora é desafios. Ainda mais que em 2017 os carros terão uma aerodinâmica mais refinada.

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  2. Julianne, desculpe estar fora do post: morreu aos 89 anos Maria Teresa di Filippis, a primeira mulher a correr na F 1, discípula de Juan Manuel Fangio. Uma pioneira admirável e extraordinária, por quem eu tinha grande admiração. Me parece que até há bem pouco tempo ela estava ainda bem hígida e saudável, ainda em condições de domar alguns monstros viscerais sem controle de tração e estabilidade, como TVRs e Cobras. O tempo é inexorável, infelizmente. Há alguns vídeos dela no Youtube, escolhi este abaixo, onde ela passa uma mensagem muito tocante. Há pouco tempo atrás, havia um vídeo de um anunciante onde ela acelerava bem mais forte uma Maserati F 1, no entanto creio que foi retirado, não consegui mais localizá-lo.

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      1. Caro AUGUSTO, em um cenário de aridez de dados e fatos na maioria dos sites sobre a história de Maria Teresa de Filippis, que limitam-se todos eles a transcrever quase as MESMAS POUCAS coisas sobre ela, vale a pena ler esse vibrante perfil traçado por Rob Widdows no site da MOTORSPORT sobre a personalidade dessa admirável pioneira, que tinha como pontos fortes em sua tocada o arrojo e a coragem:

        http://www.motorsportmagazine.com/archive/article/february-2012/90/fangio-told-me-i-drove-too-fast

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