Fim de uma era? (parte 1 – Kimi Raikkonen)

A possibilidade no momento é remota, mas existe: podemos assistir em 2016 à última temporada de três campeões do mundo: Kimi Raikkonen, Jenson Button e Fernando Alonso se aproximam do fim de suas carreiras com trajetórias cheias de coincidências – e, pelo menos tendo em vista o que foi o ano passado para os três, longe do que já mostraram na Fórmula 1.

Raikkonen chegou à categoria em 2001 causando polêmica devido à pouca experiência com monopostos. O finlandês fizera apenas 23 corridas antes de garantir sua superlicença. Para efeito de comparação, Max Verstappen estreou após 46 provas. Logo no primeiro ano, assim como o holandês, Kimi provou que seus críticos estavam errados e conquistou seis top 6 com a Sauber, sendo contratado pela McLaren.

O período do finlandês no time de Woking coincidiu, em parte, com o domínio da Ferrari, ainda que tenha conseguido fazer frente a Schumacher em 2003, e com uma série incrível de problemas técnicos. Em 2005, Raikkonen liderou a equipe que tinha provavelmente o melhor carro que já chegou em segundo pelo menos nos últimos 20 anos. Claro que a regularidade da Renault com Alonso tenha tido papel importante, mas o azar e uma pitada de inconsequência que marcaria a carreira do finlandês – por exemplo, quando ele desrespeitava os limites de burnouts determinados pela Mercedes antes da largada e acabava abandonando com o motor quebrado – também foram importantes.

Raikkonen acabou não tendo chance de revanche, com a queda da McLaren em 2006, mas ganhou uma nova oportunidade com a Ferrari, aproveitando logo de cara em 2007, quando fez uma segunda metade de campeonato incrível, com oito pódios nas últimas nove provas. Mal se sabia que estaríamos vendo, entre 2003 e 2007, entre os 24 e 28 anos, o melhor de Kimi Raikkonen na Fórmula 1.

É difícil cravar o porquê. A falta de motivação é sempre associada à queda do finlandês, temperada com alguns lampejos que lembram o piloto que largou em 17º e venceu o GP do Japão de 2005, mas é uma avaliação preguiçosa e resultado do estilo ‘dane-se’ com que Kimi se notabilizou. O mesmo jeitão que cativa tantos fãs e faz do finlandês um dos pilotos mais queridos do grid gera ceticismo entre os críticos.

O fato é que Raikkonen foi mostrando ao longo dos anos ser aqueles pilotos imbatíveis quando se sente confortável, mas ao mesmo tempo é muito sensível. Um carro com boa tração e resposta de volante, como eram os modelos até 2009, é favorável e, como ele nunca foi de economizar, o próprio regulamento com pneus duráveis e reabastecimento também casava bem com seu estilo.

Não coincidentemente, o período áureo de Raikkonen vai até a metade da temporada de 2008, quando uma mudança na suspensão da Ferrari lhe trouxe problemas de adaptação. A Scuderia faria um carro abaixo da média em 2009 e trocaria o finlandês por Alonso.

Em um retorno surpreendente, Raikkonen surgiria com pódios e vitórias em sua passagem pela Lotus, entre 2012 e 2013, voltando ao radar da Ferrari. Há quem possa dizer que aquelas temporadas provam o valor do finlandês em um carro inferior, mas também há quem defenda que o equipamento era melhor do que parecia, vide os resultados do então inexperiente e estabanado Romain Grosjean.

De qualquer forma, Raikkonen mais uma vez surpreendeu e voltou a Maranello. Mas, até agora, não conseguiu mais do que tomar uma surra de Alonso e outra de Vettel. Mal adaptado ao carro? Azarado? Depois de ter tido seu contrato renovado mais pela vontade do alemão do que qualquer outro motivo, o campeão de 2007 não tem desculpas para um novo fiasco em 2016.

15 comentários sobre “Fim de uma era? (parte 1 – Kimi Raikkonen)

  1. Quando era mais novo, ele era muito-rápido. O melhor momento dele (ou ápice) foi em 2007 quando foi campeão (também com a ajuda do clima turbulento que vivia Mclaren vs Fernando Alonso)logo no primeiro-ano pela Ferrari. Daí pra cá, só foi despencando ladeira a baixo até os dias de hoje. Caso a Scuderia forneça um carro que “case” com o estilo do Kimi, pode ser que ele ofereça alguma resistência ao Seb. Caso contrário será uma outra homérica-surra do Fette-boy. No mais, eu o considero apenas um bom piloto que tinha uma tocada muito-rápida.

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  2. 2003 e 2005 o kimi era um dos mais rapidos q já existiu nos ultimos vinte anos , pena q o motor mercedes quebrava muito ,mas 2007 e o retorno na lotus foram o auge dele, proximo ano no inicio vai ser combativo, mas no decorrer vettel deve superalo com facilidade.

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  3. Considero o Kimi um piloto muito bom, que aproveitou a chance de ser campeão. A falta de um carro ajustado ao seu estilo e consequente perda de motivação, fazem com que não consiga mais ter o desempenho da sua primeira fase na F1. Vai ter lampejos, quanto conseguir um acerto do carro ao seu gosto. Mas poderia dar lugar para um jovem com talento e muito mais vontade de vencer.

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  4. Raikkonen pilotou muito de 2003 a 2005. Sendo que em 2003 e 2005 ele merecia esses campeonatos. Em 2006 a McLaren fez um carro ridículo e em 2007 ganhou um título que não convenceu, devido as burradas da McLaren. Pra mim nesse ano ele não arruma mais nada. As regras pra esse ano são as mesmas do ano passado e Vettel já mostrou sua força pra liderar a equipe e vencer.

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  5. O carisma do Kimi deve valer platina de jupiter frente a patrocinadores. Quem gostaria de fazer um evento com Pedro de la Rosa, David Couthard ou um Felipe Massa?

    As vezes eu penso que as frases e bocas do Kimi sao um mega produto de marketing, tudo ensaiado ou feito com proposito bem estudado. O manager dele nao ficou quacklionario a toa.

    Para quem ainda nao sabe, o otimo Livio Oricchio fez uma grande entrevista com Kimi la em Espoo (cidade bem agradavel na linda Suomi. Oooo pais legal de visitar). Esta na internet a disposicao de quase todos.

    Kiitos, Kimi.

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    1. O carisma do Kimi só vale isso tudo quando bem explorado pela equipe, como o caso do sorvete na Lotus, colocar sorvete para os repórteres relembrando o caso do sorvete em 2009 na Malásia.
      Não vejo a Ferrari aproveitar tão bem esse carisma do Kimi.

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  6. Na F1 sempre existiram 4 tipos de pilotos: os medianos, os medianos para bons, os bons e os extraordinários,
    Pilotos como Mark Webber e Felipe Massa que logo observamos que são medianos para bons, pilotos que serão campeões se tiverem um carro competitivo nas mãos e estiverem em uma boa fase, só olharmos as temporadas de 2010 e 2008 respectivamente. Depois os dois tiveram uma carreira de respeito, mas nunca mais conseguiram disputar títulos ou pilotar sequer próximo do que pilotaram nessas temporadas.
    Os bons são os que conseguem tirar aquele algo a mais do que o carro pode oferece e estar nas disputas por vitórias, mesmo com carros inferiores, desse grupo o único que consigo me lembrar atualmente no grid é o Button.
    Kimi Raikkonen sempre foi um enigma único na F1, sempre flutuando entre performances extraordinárias como na primeira corrida que ganhou no seu retorno a Lotus em 2012, aonde tirou onda dizendo que foi o GP mais fácil de ganhar na carreira, a performances estranhas, para não dizer pífias, como a rodada que deu o terceiro lugar a Bottas esse ano. Nunca deu pra saber se ele está em um grupo de pilotos que disputa o título com um grande carro ou se é um piloto subestimado como Button.
    Talvez ele seja um James Hunt moderno e esteja satisfeito com o seu único título…
    Abraços a todos do blog e um grande bjo Ju!

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    1. Nato, ha na vida executiva, empresarial, artistica, esportiva os one hit wonders. Quantos numero 1 ja tivemos na ATP desde 1973? Varios. Quantos mantiveram tremenda consistencia ano apos ano? Poucos. Mesmo se aplica a pilotos. Kimi teve alguns lampejos. Olha o que o monstro Schumacher fez…. 5 titulos seguidos e mais 2 perdidos (em seguida), e sempre dando um trabalho do kct.

      Alto nivel e qualidade alta constantes sao para poucos no mundo. Pergunta isso ao pasteleiro da feira do pacaembu, ou alguma boleira famosa que em 20 anos nunca teve um bolo queimado. Ta, bolo e pastel de feira nao sao fisica quantica, mas tambem nao he moleza nao ter nenhuma queda em 20, 30 anos.

      Referente a carisma: Um ex-presidente do Brasil que tem lingua plesa para mim he uma figura deploravel. Mas pode ter certeza que ele tem carisma. Portanto nem sempre carisma he uma boa qualidade, somente uma caracteristica da pessoa. Kimi tem isso. Piquet tem aos montes, Alan Jones, nao, Gilles tinha demais…

      Arbeit jetzt…

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  7. Raikkonen é, para mim, o menos empolgante e o menos brilhante dos três campeões mundiais finlandeses, apesar de suas ricas estatísticas. Um bom piloto, muito rápido em seu auge, apenas isso, sem a marca da genialidade. Nem com muito boa vontade consigo mais imaginá-lo lutando palmo a palmo por um título com qualquer dos melhores da F 1 hoje.

    Mika Hakkinen, para mim o mais brilhante dos três, tinha uma velocidade que chegou a incomodar Senna, e Keke Rosberg, apesar da magreza de seus números, foi um piloto muito arrojado e de estilo espetacular, sempre disposto a bons duelos.

    O ótimo e surpreendente desempenho de Raikkonen em 2013 deu brilho ao seu título até então inconvincente, pois a Ferrari precisou segurar Massa no pit stop – quando o brasileiro, na liderança da prova, botava uma luneta de vantagem sobre Kimi – para que o finlandês pudesse vencer e ganhar o campeonato de 2007, naquela temporada pra lá de Mandrake, onde coisas até então impensáveis aconteceram e quando, para muita gente, acabou ficando escrito nas estrelas que nenhum dos pilotos mclarianos poderiam ser campeões, à vista de tudo o que houve. Naquele ano teve de tudo, até dúvidas sobre a gasolina das BMWs, na prova final.

    Como bem sublinhou o Alexandre, vamos com mais um ano de Raikkonen na F 1, na principal desafiante do bicho papão Mercedes, enquanto Pascal Wehrlein (que aos 20 anos detonou TODOS os ALTAMENTE competitivos macacos velhos do DTM) e Stoffel Vandoorne (o campeão mais vitorioso da história da GP2) não encontraram espaço para entrar na categoria máxima. Ah, essa Fórmula 1! . . .

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  8. Kimi dá resultado quando o carro se encaixa no estilo dele e quando existe motivação. Ou seja, ele é um bom piloto, competente, mas não é gênio. Ele voltou à Formula 1 depois de uma série de resultados medíocres no Rally e, na Lotus, ele teve uma equipe (excelente) trabalhando para ele.

    Num ambiente competitivo como a F1, ter um piloto que sempre precise de motivação para vencer pode se tornar uma aposta milionária. A não ser que ele se contente como segundo piloto da escuderia italiana, acho difícil ele dar melhores resultados nas próximas temporadas.

    Button, por exemplo, é a combinação de bom piloto na pista e na equipe. Alonso, consegue se adaptar às mudanças de regulamento e nos carros. Talvez, por isso, muitos cravam que ele é o mais completo. Infelizmente, isso não garante pole position e vitória sempre. McLaren-Honda que o diga.

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  9. Infelizmente eu constatei que o Kimi de hj soh estah na F1 por dinheiro. Para ele tudo eh definido no começo do ano. Se o carro não tem seu estilo (e isso tem acontecido nesses ultimos anos), burocratico ele serah ateh o fim do compeonato. Não vai buscar mudar o carro ou se esforçar para mudar o jogo, principalmente em relação ao companheiro de equipe. Vai so tocar o barco ateh o fim pois ele nao tem motivação esportiva para nada diferente. Sendo assim, Kimi virou o companheiro de equipe ideal. Para ele os milhoes na conta jah estão de bom tamanho.

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  10. Acho que o que faltou pro Raikkonen foi uma carreira mais bem assessorada no trato “Kimi como ser humano”, e consequentemente faltou AMBIÇÃO. Kimi sempre pareceu estar de passagem na F1, sem se apegar muito a números. Formula 1 pra ele sempre pareceu mais um hobbie de fim de semana do que profissão. Com todo esse desleixo conseguiu marcar seu nome como um dos melhores da história. Vai fazer falta quando se for, mas acho que a Formula 1 precisa de pilotos mais ambiciosos, coisa que ele nunca foi.

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  11. Kimi Raikkonen sem dúvida é um dos melhores pilotos de sua geração. O título de 2007 quando ganhou por um ponto de Alonso e Hamilton já daria um grande filme a lá Rush.
    Mas poucos lembram que Kimi tem 40 voltas rápidas em corridas ficando atrás apenas de Schumacher e Prost. Em sua fase de McLaren foi duas vezes vice campeão e foi bem melhor do que Montoya quando correram juntos.
    Na fase da Lotus foi igualmente bom calando e fazendo grandes corridas e ultrapassagens.
    Nos últimos dois anos apenas está sendo um piloto mediano mas não há como negar que Kimi é um autêntico driver.
    Kimi, Alonso e Button representam talvéz o último lampejo de grandes carros v10 e v8 de uma geração de fãs que estão na casa dos trinta hoje e que cada um ao seu estilo farão falta e deixarão saudades.
    Em tempos que pilotos novos tem cada vez menos personalidade com seus fãs.

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  12. Também concordo que Kimi não estaja no melhor de sua motivação comparados a 2003, 2005 , 2007, 2012 e 2013, mas ainda é um piloto que pode surpreender, não acredito que Kimi possa aceitar a condição de segundo piloto, não é o seu estilo, haja vista quando o ouvimos no rádio falando com seus engenheiros, prefiro vê-lo em uma Renault em 2017 tirando leite de pedra, do quê submisso ao estilo mandão da Ferrari, Kimi tem numeros suficiente para exigir tratamento melhor, talvez esteja mesmo nascido em época errada, como ele mesmo já disse, talvez seu estilo se encaixasse melhor nos anos 70. De qualquer forma acredito que ele tenha folego para mais um ano, pois o recorde de maior velocidade na F1 ainda é dele.

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