Ano traiçoeiro para Nasr

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A temporada de 2015 deve ter sido um longo ano de estreia para Felipe Nasr – e 2016 não se desenha de forma muito diferente. Um duelo mais apertado do que o esperado com Marcus Ericsson quando o sueco se acertou na metade final do campeonato e insistentes problemas de adaptação com os freios são motivos suficientes para o brasileiro estar ansioso para que o campeonato comece logo e os pingos que faltaram finalmente sejam colocados em seus devidos is.

Mas as complicações podem ficar ainda maiores.

Nesta semana, a Sauber anunciou que só vai estrear o novo carro na segunda bateria de testes, caso clássico daquela equipe que trabalha no limite do orçamento e que não conseguiu acelerar os processos após a antecipação, em duas semanas, da abertura da temporada, algo que foi anunciado no final de setembro.

Como a promessa do time suíço é uma mudança conceitual e não apenas uma evolução em relação ao carro de 2015, seria especialmente importante obter o máximo de quilometragem possível antes do GP da Austrália.

Do lado de Nasr, fica a expectativa de que um novo desenho aerodinâmico garanta a refrigeração necessária dos freios. Em 2015, seu principal problema com o carro foi que, mesmo com toda a configuração ‘aberta’ para um melhor arrefecimento, o que aumenta o arrasto e não seria o melhor acerto, as temperaturas subiam de forma que o próprio piloto chegou a classificar de perigosa em algumas oportunidades. E mesmo quando mudou o composto dos freios, usando marca igual à de Ericsson, o problema voltou a ocorrer. Ou seja, era preciso redesenhar essa área para resolver a questão, algo que, obviamente, está na lista de prioridades da equipe.

Mas seria a solução dos freios suficiente para barrar Ericsson que, a julgar pelos resultados na base e na Caterham – ainda que, justiça seja feita, é difícil avaliar qualquer piloto que passa os GPs abrindo caminho para os demais – deveria ser uma presa fácil? Certamente esse será um ponto importante para Nasr provar já desde a primeira prova.

Informações de bastidores dão conta de que o clima interno não é dos melhores. A turma de Ericsson classifica Nasr como daqueles que ganham sozinho e perdem com o time, sem assumir suas responsabilidades, o que, diga-se de passagem, não combina muito com as declarações normalmente sensatas do brasileiro. Jogo psicológico? Vale tudo em um ambiente como o da F-1. Principalmente, resultados.

O fato é que Nasr obteve uma vitória importante quando teve seu pedido de troca de engenheiro atendido. Desde o GP do Canadá, pessoas ligadas ao piloto já indicavam que ele precisava tomar a dianteira das decisões sobre o carro para não ficar refém de acertos que não lhe ajudavam. Com a experiência e confiança de uma segunda temporada, isso tende a melhorar.

Mas os desafios de Nasr não terminam dentro da Sauber. A equipe viverá um ano importante com a incógnita da Haas. Se a cliente tradicional da Ferrari perder para a novata, as relações podem ficar ainda mais estremecidas. Basta lembrar que há menos de quatro anos Sergio Perez estava brigando por uma vitória a bordo de uma Sauber na Malásia e temos a medida do calderão de pressão em que Nasr está metido.

32 comentários sobre “Ano traiçoeiro para Nasr

  1. Além (éh claro) de ser brasileiro, o Nars conta com a minha torcida porque éh um piloto bom. Éh um piloto pra disputar campeonato? Isto só o tempo vai revelar! Más pelo o que ele fez nas categorias menores antes da F1, eu diria que o Nars tem o potencial para ser convocado para equipes como Williams, Force India ou Hass. Pode ser que eu esteja enganado… más ele seria um bom segundo-piloto por exemplo numa Mclaren.

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    1. Dvdbraz ele estará disputando um campeonato, ou ele corre num campeonato a parte? A McLaren está com ótimos pilotos, todos muito acima de Nasr.
      Obs. Más é adjetivo feminino plural de má.

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  2. Eu tenho quase certeza que com a estreia da Haas e a Toro Rosso como nova cliente dos motores Ferrari, a antiga parceria tecnica da Sauber com os italianos vai acabar.
    A equipe sempre anda com baixo orçamento, perdeu uma briga judicial com o Guido van der garde e agora está a beira de entrar noutra com o Adrian Sutil.
    Se essa “mudança conceitual” gerar um carro deficiente, a situação deles esse ano vai ser bem dificil.
    Acredito que se aquela historia (não sei se é verdade) da Mclaren virar parceira tecnica da Sauber e a Honda fornecer motores, eles terão mais a lucrar.

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  3. Acredito que vai ser o ano decisivo pra ele Jú, apesar da Sauber não apresentar as melhores condições, vai ser um ano duro, o que resta pra ele é tentar brilhar em uma prova ou outra pra tentar pular fora de lá em 2017.
    Jú você já tem as datas dos testes de pré temporada?
    Um abraço

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  4. Nasr terá um ano para definir como será 2017, ano em que muitas coisas mudam na categoria. Ele terá todo o campeonato para seguir a Ferrari ou a McLaren, caso a parceria técnica se concretize.

    Até usando Perez como exemplo, a pressa fez dele um piloto mediano. Depois de uma brilhante temporada na Sauber e cotado para Ferrari, a proposta McLaren atrapalhou o crescimento dele na Fórmula 1.

    Até hoje, como foi bem citado no texto, Nasr, pelas declarações, mostra muito amadurecimento e sabe que o terreno na categoria pode ser traiçoeiro. Não só por ser brasileiro, mas Nasr tem a o respeito dos fãs pelo talento e consistência. Mas é sabido que a F1 não é mais aquela categoria que estimula o surgimento e crescimento pelo talento.

    Como parte integrante do acordo comercial e não do esportivo, muitos pilotos sentam nos cockpits questionados. Maldonado que o diga. Além daquela vitória surpreendente (até pra ele) na Williams, em 2012, o que mais ele fez além de bater nos outros?

    Pela simples comparação, Nasr mostra que pode ter vida longa na categoria e, se tudo correr bem no futuro, quem sabe ele possa brigar de igual para igual com Vettel, Hamilton, Rosberg Ricciardo e cia por um título mundial?

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    1. Daniel,
      Sempre que citam essa vitória do Maldonado gosto de lembrar:
      Vitória em um GP que comemorava o aniversário de 70 anos de Sir Frank, como todos conhecemos o ambiente político da F1, sempre questiono essa vitória…
      Um grande abraço a todos do blog!

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  5. Julianne , temos que esperar as primeiras provas e ver se realmente eram soh os freios, mas para mim eh no minimo esquisito como ele nao conseguiu reagir e se adaptar sendo que o companheiro dele nunca teve esse problema. Nao torco contra e nunca torcerei , mas nao acho o Nasr TOP Drive Material, o que eh uma pena , tomara que ele cale a minha boca e faca um otimo 2016…. qto a Sauber, sinto que ela sera a nova Minardi, uma pena tambem…obrigado
    FP

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    1. Falei com Felipe, Ericsson e com a equipe sobre isso. Cada piloto usava um material de freio, o que explica a diferença em partes. Digo em partes porque, depois que o Felipe mudou de material, voltou a sofrer com os freios em uma etapa (no México, com calor e ar mais rarefeito, ou seja, sob condições limítrofes mas, ainda assim, parece haver algo no seu estilo de pilotagem que provoca isso).
      O Ericsson me disse algo como “se ele quisesse era só mudar de marca”, mas os pilotos costumam ser muitos sensíveis a mudanças como esta – um bom exemplo é o tanto que Hamilton penou em 2013.

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      1. A propósito, JULIANNE, isso é uma verdade, alguns pilotos se mostram muito sensíveis em sua pilotagem com relação aos freios, mas tanto HAMILTON na MERCEDES como BARRICHELLO na BRAWN, uma vez trocados os freios, foram felizes para sempre. . .

        Então, como bem observou o PICCIONE, há algo esquisito com NASR. . .

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  6. Primeiro sobre a Sauber. Parece que fizeram um carro, até que, bem razoável e o que faltou foi o desenvolvimento. Talvez fosse melhor tentar evoluir do que um novo conceito, dentro de um orçamento bem limitado.
    Sobre o Nasr, concordo com o Aucam, que é o que chega com menos credenciais que os últimos brasileiros a passarem na F1, ou com possibilidades de passar. Conseguiu bons resultados, mas deveria ter batido o Ericson, que é bem mediano para não dizer fraco. Espero que ele me surpreenda, mas por enquanto e, na minha modesta opinião, chegará no máximo a segundo piloto de uma equipe média.

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  7. Pelo menos para mim, é facilmente perceptível esse aspecto de NASR alardeado pela “turma do Ericsson”: o de que ele ganha SOZINHO e perde COM A EQUIPE. Se examinarmos bem, isso vem de longe, desde os seus tempos da GP 2.

    Para quem se julga muito hábil* (vide link lá embaixo), vale uma comparação com VANDOORNE: o belga ESTREOU na GP 2 com uma vitória, e na já temporada seguinte sagrou-se campeão como o mais vitorioso piloto da história da GP 2 (mais que Lewis Hamilton). A vitória de VANDOORNE como estreante foi obtida ANTES da PRIMEIRA vitória de NASR, então já veterano na GP 2. VANDOORNE terminou a sua temporada de estreia como VICE-CAMPEÃO, NA FRENTE do brasileiro, com três anos de experiência na categoria. NASR só foi vencer em sua 50ª corrida na GP 2, em seu terceiro e último ano de participação naquela categoria. NASR estreou na GP 2 apanhando feio do seu companheiro Valsecchi, culpando a equipe que fez o italiano campeão, e alegando ter sido preterido pela DAMS.

    Ao fazer a transição da F 3 para a GP 2, a meu ver ele não lidou bem com um carro mais veloz, mais potente e mais pesado. Isso ocorre com muitos pilotos – SEUS LIMITES ACABAM EVIDENCIADOS. Emerson Fittipaldi – que apesar de todas as glórias sempre foi de uma HUMILDADE marcante (bem ao contrário de NASR), – RESSALTAVA sempre esses três aspectos TODA VEZ que SUBIA de categoria, frisando que não é tão fácil lidar com esses três fatores. Acompanhei toda a trajetória de Emerson, desde o seu início no kart e os seus tempos de glória ainda no Brasil, na Fórmula Vê 1.300 (os Fitti-Vê de sua fabricação) e nos KG-Porsche da poderosa DACON, e Emerson sempre enfatizava respeitosamente as diferenças entre as categorias de carros, principalmente ENTRE OS MONOPOSTOS. Carros menos potentes e mais leves nivelam por baixo os concorrentes. Quanto mais potentes e velozes os carros, aí é que as diferenças começam a aparecer e se vê realmente quem são os talentos. É mais fácil achar os limites de um carro de menor potência, ao contrário dos de alto desempenho, e nestes, para andar no fio da navalha, é preciso “braço”, não só para segurá-los como para “limar” milésimos de segundos. Isso sem falar que quanto mais alta a categoria, melhores são os competidores/adversários.

    Na Carlin, na GP 2, NASR levou pau do “brilhante” Jolyon Palmer (pelo que ambos mostraram na GP 2, Palmer é mais piloto do que NASR: o inglês sempre tinha uma pilotagem mais impetuosa, mais estilosa, MAIS RÁPIDA e atirada que o brasileiro, que fazia o estilo cozinheiro de galos, salvo em raríssimas ocasiões, numa das quais abalroou o Cecotto Jr.).

    No entanto, NASR SEMPRE TEM justificativas para os seus insucessos. NASR vai precisar fechar a boca e falar muito com os pés e as mãos se quiser se consolidar na F 1 sem depender de gordos patrocínios. Ele terá que REALMENTE que se mostrar MAIOR que a SAUBER, a qual, para piorar sua difícil situação financeira, agora já enfrenta a perspectiva de ter menos dinheiro ainda, se ADRIAN SUTIL ganhar na Justiça o que pleiteia, pelo “overbooking” havido lá.

    E convenhamos que se mostrar MAIOR que a equipe se esta for de fundo de pelotão é uma coisa dificílima para qualquer piloto, até mesmo para os geniais. Terá que ser bem cuidadoso e comedido em suas declarações, pois fazer como Alonso não é para quem quer, é para quem pode. . .

    Nessa questão dos freios, NASR no mínimo demonstrou ser um piloto com mais problemas de adaptação às dificuldades do que o fracote ERICSSON. Francamente, mais um ano se passou – e agora na F 1 – e eu não consigo me empolgar com a pilotagem de NASR. Seu quinto lugar na prova de estreia na Austrália no fim das contas acabou sendo um brilhareco fora da curva, pois PENOU para se impor a Ericsson ao longo da temporada.

    NÃO OBSTANTE, TORÇO para que NASR CONTINUE NA F 1, pois é o que temos no momento para suceder o seu xará Massa quando este se aposentar. Aliás, a bem da verdade, FELIPE NASR é o que temos não só no momento como até mesmo no horizonte visível com relação a pilotos brasileiros, pois infelizmente não ponho muita fé nos nomes que estão AGORA nas categorias de acesso, sejam eles oriundos de dinastias ou não, ainda que seja muito prematuro avaliar o Pedro Piquet. UMA COISA É CERTA: MAX VERSTAPPEN – aos apenas 17 anos – elevou SUPERLATIVAMENTE todos os parâmetros de avaliação. Agora tá difícil. . . já não bastava o Vettel e sua tremenda precocidade fora-de-série. . .

    Antonio Pizzonia, Lucas Di Grassi, Bruno Senna, Cristiano da Matta, Enrique Bernoldi (que o diga COULTHARD), e Ricardo Zonta são brasileiros com muito mais talento do que NASR e que não conseguiram se firmar na F 1, isso sem falar no GIL DE FERRAN, que sequer conseguiu um lugar na categoria máxima, embora tivesse muitíssimos méritos e talento de sobra para isso.

    Luiz Razia (e suas ultrapassagens hipnóticas na GP 2, induzindo os adversários ao erro) e Bruno Junqueira foram outros que, a meu ver, demonstraram mais talento que NASR e não conseguiram adentrar a F 1.

    Como imaginar NASR na Ferrari, na McLaren, na Mercedes ou na Red Bull concorrendo com nomes como MAX VERSTAPPEN, PASCAL WEHRLEIN, STOFFEL VANDOORNE, CARLOS SAINZ JR., DANIIL KVYAT e DANIEL RICCIARDO? Ou sendo cobiçado por aquelas equipes NA FRENTE desses talentos? Francamente? Nem com muito otimismo, ou boa vontade, ou em sonhos. . . Até mesmo contra um Romain Grosjean. . .

    * http://br.motorsport.com/f1/news/nasr-reitera-contratacao-por-habilidade-nao-me-escolheram-por-dinheiro/ Jolyon Palmer Campeão da GP 2 e o “bota” Stoffel Vandoorne Vice que o digam. . .

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    1. AUCAM disse: “Antonio Pizzonia, Lucas Di Grassi, Bruno Senna, Cristiano da Matta, Enrique Bernoldi (que o diga COULTHARD), e Ricardo Zonta são brasileiros com muito mais talento do que NASR e que não conseguiram se firmar na F 1, isso sem falar no GIL DE FERRAN, ”

      Oooh! Que safra maravilhosa! Como dizia o velho-samba:”Eu era feliz e não sabia!” Eu colocaria aí nesta lista digníssimo AUCAM, o Tony Canaã e o Helio Castro Neves que até mesmo recusou (se eu tiver enganado me corrijam) um convite da Honda para correr na F1. Más de todos estes pra mim o maior-pecado que a F1 cometeu foi não ter dado uma chance pro Gil de Ferran. Eu creio eu, se ele tivesse tido uma oportunidade, teria feito uma bonita história no “Circo”! – Más, vida segue!

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      1. Caro BRAZ, sim, CONCORDO INTEIRAMENTE COM VOCÊ. Não citei os dois – TONY KANAAN e HÉLIO CASTRONEVES – porque sempre foram tão voltados para o automobilismo americano, apesar de terem passado pela Europa! Sem dúvida, acho que ambos são mais talentosos do que NASR. Entre os dois, apesar de HÉLIO ser naturalmente MAIS RÁPIDO, fico com KANAAN, que, uma vez com a rapadura nas mãos, NÃO A ENTREGA DE JEITO ALGUM, hahaha, e HÉLIO às vezes deixa-a cair. Mas se HÉLIO não fosse fortíssimo, ele não teria ganho 4 vezes (!) as 500 MILHAS DE INDIANÁPOLIS e não estaria ainda – DEPOIS DE TANTO TEMPO – com o velho e exigente ROGER PENSKE. Eventualmente, HÉLIO tem mais velocidade, mas KANAAN tem mais garra, assim vejo os dois.

        Forte abraço!

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      2. OPS! Apresso-me a fazer uma correção, BRAZ: CASTRONEVES venceu TRÊS vezes as 500 Milhas de Indianápolis e não 4.

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    2. Aucam, você é impiedoso! mas de uma clareza ímpar. Com os argumentos que você expôs, fica difícil acreditar que Nasr terá futuro na F1. Certamente Verstapen e outros ainda nas categorias de base, empolgam e mostram um potêncial que o brasileiro jamais atingirá.

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      1. Caro MUGUELLO, aquilo que eu falei lá em cima – as limitações de cada piloto quando, vitoriosos em categorias menores, se deparam com carros mais velozes, mais potentes e mais pesados e com uma concorrência mais apurada, mais qualificada – OCORRE e JÁ OCORREU mesmo com muitos pilotos promissores, dos quais o Hulkenberg vem sendo até aqui o exemplo mais estridente. Mas há muitos outros: PAUL DI RESTA, que era muito incensado pela Mercedes, deu uma sova nos ultracompetitivos macacos velhos do DTM e ainda por cima cometeu a HERESIA de ser campeão da F 3 Europeia em cima DE UM TAL DE SEBASTIÃO VETTEL, e quando chegou à F 1 tornou-se um modorrento companheiro de HULKENBERG, de quem levou ferro na Force India. Outros exemplos: JAN MAGNUSSEN – pai do pobre KEVIN descartado pela McLaren – DETONOU TODOS os recordes de Ayrton Senna na F 3 Britânica e quando chegou à F 1 – carro mais pesado, mais potente e mais veloz – naufragou também, sendo incapaz de se ombrear com Barrichello (aqui neste caso dizem as más línguas que JAN tinha um estilo de vida desregrado para o que exige a F 1); o próprio KEVIN MAGNUSSEN, que não se saiu tão bem na F 1 quanto o esperado; MARTIN BRUNDLE era outro jovem extremamente promissor, o mais duro adversário de Ayrton Senna na F 3 britânica (numa reação, ele quase ganhou o título em cima de Ayrton) e que TAMBÉM fracassou quando pegou os carros mais potentes, mais rápidos e mais velozes (além da concorrência mais qualificada) da Fórmula 1. Esses são APENAS ALGUNS exemplos, que me lembro assim de cabeça, mas COM CERTEZA há outros.

        O grandíssimo e indiscutivelmente talentoso Emerson Fittipaldi batia sempre nessa tecla – a de que ele respeitava muito uma troca de categoria – sempre fazendo referência às dificuldades que um carro de categoria superior oferece a um piloto: os limites são muito mais altos. Portanto, na minha insignificante opinião, se o piloto não for REALMENTE bom, BOM DE VERDADE, seus limites serão evidenciados LOGO quando pega um carro mais pesado, mais veloz e mais potente. Emerson Fittipaldi – que foi sempre um vencedor, EM TODAS AS CATEGORIAS – apesar de sua glórias sempre foi de uma humildade MARCANTE, que me deixava pasmo. E isso – essa humildade à qual Emerson me acostumou – eu acho que falta em NASR, sempre autoindulgente com seus erros e deficiências, na maioria de suas declarações, pelo menos a mim assim me parece (veja no exemplo do link que postei).

        MUGUELLO, eu tenho por PARÂMETRO PRIMEIRO para avaliar alguém um FATO: o de que QUEM É BOM DE VERDADE, CHEGA CHEGANDO! Pode até haver exceções como NIKI LAUDA – que andou anônimo no meio daquele exército de BRMs – mas LAUDA deixou ROBIN HERD estarrecido, assombrado, quando, testando o carro do inigualável PETERSON, decretou que ele era INDIRIGÍVEL! LAUDA JÁ DEMONSTRAVA, ASSIM, A SUA GENIALIDADE! LAUDA também impressionava seu companheiro então ainda na BRM CLAY REGAZZONI, o qual, quando foi contratado pela Ferrari, não hesitou um segundo em indicar LAUDA a Montezemolo, porque já enxergava nele a chama da genialidade. O resto é história. . . MANSELL também não impressionou muito logo em sua chegada na F 1, mas deixava ENTREVER sua “BRABEZA”.

        Mas você pode ver: STEWART (“bateu” rodas com CLARK em sua prova de estreia e quase o dominou, não fosse o desgaste inusitado dos seus pneus, como MOSTROU para todos); EMERSON FITTIPALDI (venceu na F 1 em sua 5ª CORRIDA), PROST, SENNA, PIQUET (que mesmo com o pé quebrado “barbarizou” na prova de abertura em Interlagos em sua estreia pela BRABHAM), VETTEL, HAMILTON, ALONSO, MICHAEL SCHUMACHER, MAX VERSTAPPEN e OUTROS QUE DE CABEÇA NÃO ME OCORREM AGORA, CHEGARAM CHEGANDO! E escreveram (ou continuam escrevendo) história. . . Ah, MAS TINHAM CARROS BONS! Tinham, mas souberam aproveitá-los, extraindo de cara TUDO deles! E OS BONS – PILOTOS E EQUIPES – SE ATRAEM NATURALMENTE! E às vezes nem tinham um equipamento de ponta, como SENNA na TOLEMAN, ALONSO na MINARDI e VERSTAPPEN na TORO ROSSO, mas deixaram CLARO, DE IMEDIATO, DE ALGUM MODO, SEREM FORA-DE-SÉRIE!

        Agora a minha maior expectativa é ver como PASCAL WEHRLEIN – a aposta da Mercedes e por ela preparado – vai se sair quando entrar na F 1 (SE ENTRAR, o negócio tá difícil lá na Manor). Espero que ele não repita a história de PAUL DI RESTA, mas a minha intuição diz que ele é talentoso, haja vista que os carros da DTM, dizem os especialistas, com tanta potência e sofisticação, são verdadeiros Fórmula 1 ENCARROÇADOS, e PASCAL, com APENAS 20 anos, deu uma sova em BRUNO SPENGLER, AUGUSTO FARFUS, MIKE ROCKENFELLER, JAMIE GREEN, GARY PAFFET, ROBERT WICKENS e outros, TODOS ELES CARNE DE PESCOÇO.

        Grande abraço!

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    3. Aucam,

      Você é fã da humildade de Emerson Fittipaldi. Mas fico pensando se hoje há espaço para piloto que demonstra humildade na F1. O que você acha? Existe algum piloto que tenha humildade na F1, ou existem apenas pilotos que não são arrogantes or prepotentes?

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      1. MUGUELLO, eu sou fã da HUMILDADE que Emerson Fittipaldi tinha PARA FALAR SOBRE SI MESMO, ele NÃO “SE ACHAVA”, como uns e outros por aí, hoje em dia. Sempre demonstrava imenso respeito e elegância com os seus adversários quando FALAVA deles. Não costumava criar expectativas nos fãs sobre performances que não pudesse entregar. Era um piloto realista. Jamais o ví se jactando, se gabando, dando declarações de que era “bom” e coisa e tal. AINDA AQUI NO BRASIL, antes de sua carreira internacional, mas já consagrado NACIONALMENTE pelas suas performances magnífícas nos Fitti-Vê 1.300 de sua própria fabricação e nos fabulosos Karmann-Ghias-Porsche da poderosa DACON, digo a você, caro MUGUELLO, que no trato pessoal com os fãs, ele era de uma simplicidade marcante, respondia pacientemente às perguntas que nós – anônimos fãs na multidão – lhe fazíamos, no final das corridas, após a invasão da pista.

        Muitas vezes até DURANTE a preparação para as corridas (ou em intervalos entre as baterias), em especial em Jacarepaguá, a invasão da pista e dos boxes era um hábito naquele velho “galinheiro” que existia ANTES desse AUTÓDROMO que foi destruído para as Olimpíadas. E assim tínhamos acesso fácil aos ídolos.

        Nos boxes, como um anônimo aficionado, muitas vezes tive perguntas minhas que fiz a EMERSON pacientemente respondidas, com simplicidade e boa vontade.

        Emerson em suas declarações também demonstrava respeito pelos carros quando subia de categoria, ressaltando essa questão de maior peso, maior velocidade e maior potência.

        Mas veja bem: essa era a HUMILDADE de um campeão em sua conduta PESSOAL, no relacionamento com as pessoas, em suas declarações. Muito bacana.

        Agora, na hora ou no contexto de uma DISPUTA como ESPORTISTA CONTRA OUTROS, NADA DE HUMILDADE (como deve ser, vide o “NO” do Verstappinho). EMERSON era um adversário DURO de bater, mas leal, STEWART que o diga.

        EMERSON demonstrava apreço por RONNIE PETERSON, mas quando ele – EMERSON – achou que estava sendo preterido por COLIN CHAPMAN, não hesitou em sair da LOTUS e ir para MCLAREN, então sob a batuta de TEDDY MEYER. Como se vê, no contexto de DISPUTA, EMERSON não era humilde. Moveu perseguições implacáveis a STEWART, as mais memoráveis que lembro assim de cabeça foram as da Argentina e de Mônaco em 1973. No PRINCIPADO, ambos botaram UMA VOLTA em RONNIE PETERSON, TERCEIRO colocado! EMERSON cruzou a linha de chegada em segundo, apenas 1,3s atrás de STEWART! E olha, MUGUELLO, que PETERSON foi o piloto MAIS IMPRESSIONANTE que eu PESSOALMENTE vi correr na F 1 até hoje, pelo seu estilo acrobático inigualável. PETERSON não era só acrobático, era rapidíssimo também. Mas, paradoxalmente, EMERSON era CEREBRAL DEMAIS para o meu gosto. Eu apreciava mais o RONNIE PETERSON, um cara que pode ser considerado um campeão mundial SEM COROA.

        Na INDY, EMERSON mudou o seu estilo e passou a ser mais IMPETUOSO em sua pilotagem, o que me agradou.

        Mas hoje, falando em HUMILDADE, acho que você tem razão MUGUELLO, parece não haver mais espaço para esse tipo de comportamento: são muitas as exibições de arrogância dos pilotos, de querer parecer o melhor, de prepotência, não sei se eles dispensam um tratamento afável para com os fãs, pois a própria organização da F 1 isola os pilotos do contato com o público. Não sei se são atenciosos com a imprensa: é tudo profissional demais, nos momentos certos, nos “cercadinhos”, sempre há alguém das equipes policiando suas declarações. A F 1 e o automobilismo em geral se tornaram mais “desumanos” com os que estão do lado de lá do alambrado, é difícil ter acesso aos pilotos se não se tiver algum tipo de credencial. Há tempos que não frequento autódromos, antigamente eu assistia TUDO, até provas regionais. A arrogância e a imodéstia que se vê hoje são praticadas por muitos pilotos até para com suas equipes, (e vice-versa), pelo que se lê. Parece que a velocidade da vida moderna endurece e “ensimesma” as pessoas. Até mesmo o “gentleman” da F 1 BUTTON às vezes extrapola em suas declarações.

        Aprecio a humildade APENAS na conduta, no comportamento pessoal de cada um, principalmente quanto maior for o valor e a fama da pessoa, creio que no calor da DISPUTA ESPORTIVA a humildade NÃO tem cabimento. Sou contra jogo de equipe. Não deveria haver.

        MUGUELLO, você já imaginou o cavalheirismo, o altruísmo de um STIRLING MOSS ou de um PETER COLLINS nos dias de hoje? Seria um Deus nos acuda!

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  8. Aucam, você deu uma aula de F1. Pela sua comparação, o seu pé atrás com Nasr é pertinente. Concordo contigo.

    Os “fora-de-série chegam chegando”, mas pilotos competentes como Button, Hill, Villeneuve e Hakkinen souberam aproveitar seus momentos. A F1 não é ciência exata, mas prova que para ser campeão, só ser bom pode ser insuficiente.

    Aucam, entendi seu ponto de vista e, diante de todos os argumentos, faz sentido, mas como você o avaliaria? Regular? Bom? Porque com exceção do Cristiano da Matta, os brasileiros mencionados anteriormente são questionáveis. Correram de carros medianos, mas usando a sua premissa, não deram muito resultado.

    Bruno Senna não correspondeu a nenhuma expectativa. Andou meia temporada de Lotus, uma Williams e não deixou uma boa marca. Anda relativamente bem na F-E, mas não arrasa.

    Resumindo, a história do piloto diz muito sobre ele (claro), mas depende de muitos pontos. Alonso era um bom piloto numa Minardi, muito bom na Renault e sensacional na Ferrari, fazendo boas corridas e levando o carro no braço, mesmo em momentos complicados. Acho difícil mensurar analisar o futuro dos pilotos.

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    1. DANIEL RIBEIRO, obrigado pela sua consideração pelo meu pitaco e prazer em trocar opiniões com você. Sou “um pouquinho” prolixo, pelo que peço desculpas, não sei debater sem FUNDAMENTAR minhas opiniões, mas, vamos lá, por partes, começando pelos pilotos brasileiros que citei. Antes de mais nada, opiniões e julgamentos OBVIAMENTE variam entre os aficionados, e RESPEITO muito as que são DIFERENTES das minhas, pois não sou dono da verdade nem pretendo sê-lo. No entanto, analisando “rapidamente” cada nome dos que citei, vou justificar porque – A MEU VER – eles são ou foram mais talentosos do que NASR, como você me pede:

      ANTONIO PIZZONIA – talvez o mais questionável dos citados (era também conhecido na Inglaterra como The Jungle Boy por ter nascido em Manaus). Como NASR, PIZZONIA ganhou TUDO (todos os títulos) nas categorias menores em que correu: Fórmula VAUXHALL, Fórmula Renault 2.0 (tudo na Inglaterra) e o Campeonato Britânico de F 3 (como NASR). Quando foi promovido para a F 3.000 (antecessora da GP 2 em importância e potência) já não foi tão bem, mas ainda foi capaz de VENCER uma prova LOGO em seu primeiro ano na 3.000, coisa que o NASR SÓ FOI FAZER NA SUA TERCEIRA TEMPORADA na GP 2. PIZZONIA sempre foi muito rápido e considerado como muito talentoso pelos próprios gringos, e tinha um estilo ousado de pilotar (NASR sempre foi conservador, só ultimamente vem se soltando, felizmente). Claro que pilotos conservadores – os cerebrais – tendem a apresentar estatísticas mais ricas, mas PARA SEREM EXPOENTES têm que ser mesmo fora-de-série, na linha do PROST (como exemplo máximo). PIZZONIA foi para a F 1, primeiramente na Jaguar, e teve “a sorte” de ser companheiro logo de quem? De MARK WEBBER, que era reportado por muita gente como “detonador” de companheiros, pelas “maquinações políticas” que fazia para prevalecer por onde passava, segundo diziam as más línguas na época (com VETTEL não adiantou, SEBASTIAN nem tomava conhecimento dele). Como curiosidade, PIZZONIA ainda teve a infelicidade de capotar um Jaguar Sedan cheio de jornalistas especializados, quando fazia demonstrações num autódromo (ninguém se feriu, só o susto), mas isso rende. . . Depois de passar para a Williams – principalmente sendo piloto de testes – PIZZONIA encerrou sua carreira na categoria máxima, sem qualquer brilho. Conforme li há algum tempo, até andou fazendo um “mea culpa” dizendo que por ser muito novo não sabia avaliar as circunstâncias e chegou à F 1 muito cedo.

      ENRIQUE BERNOLDI – SEMPRE FOI UM TREMENDO BOTA, com estilo muito aguerrido, mesmo depois de ter sofrido um grave acidente rodoviário – como passageiro – no qual bateu a cabeça, e, em consequência, ter ficado quase um mês em coma. Pois bem: MESMO DEPOIS DISSO, houve um GP de Mônaco em que BERNOLDI – defendendo LEGITIMAMENTE sua posição, com a MAIOR LISURA e com TOTAL ÉTICA – conseguiu “segurar” DAVID COULTHARD por mais da metade da prova! “Detalhe”: BERNOLDI pilotava uma caquética, anoréxica, esquálida e subpotenciada ARROWS (um pobre pangaré) e COULTHARD pilotava um verdadeiro CAVALO PURO-SANGUE, uma MCLAREN com a qual discutia o título com Michael Schumacher. COULTHARD, que tinha feito a pole, teve um problema e fazia uma rápida corrida de recuperação, até “topar” com BERNOLDI na sua frente. DI GRASSI, NUMA SITUAÇÃO IGUAL, SÓ CONSEGUIU RESISTIR POR 3 VOLTAS A ALONSO. Sei que em Mônaco é difícil passar, mas veja, BERNOLDI resistiu por mais de 35 voltas à poderosa MCLAREN, enquanto DI GRASSI, também com um equipamento ANÊMICO, só resistiu 3 (desconte-se ainda que COULTHARD não era um ALONSO, mas, mesmo assim. . .) Francamente, REMEMORANDO as corridas e o estilo de NASR, particularmente eu não acredito que ele resistisse tanto como BERNOLDI e DI GRASSI em situação semelhante (principalmente como ENRIQUE). No entanto, quem acompanha pouco o automobilismo, COSTUMA SUBESTIMAR O TALENTO DE BERNOLDI. EU NÃO. Muita gente sustenta que RON DENNIS ficou tão furioso que chegou a dizer que BERNOLDI não deveria mais correr na F 1. Considero BERNOLDI melhor que NASR; muitas e muitas vezes o paranaense andou na frente de JOS VERSTAPPEN , seu companheiro na ARROWS, e que era tido como um piloto de muito futuro (pelo menos no início).

      CRISTIANO DA MATA – desse, nem perderei tempo falando, pouca gente deve ter dúvidas sobre ele, só direi que a F 1 não sabe o talento que perdeu; IDEM GIL DE FERRAN (que não encontrou um espaço decente na categoria e se mandou para o automobilismo americano, e o resto também é história). Considero ambos muitíssimo mais talentosos do que NASR.

      BRUNO JUNQUEIRA – em 2000 foi o CAMPEÃO DA FÓRMULA 3.000 INTERNACIONAL, EQUIVALENTE e ANTECESSORA da GP 2. Para efeito de comparação com NASR, venceu uma corrida nessa categoria logo em seu segundo ano de participação, e no terceiro sagrou-se CAMPEÃO. NASR precisou de 50 corridas para vencer na GP 2, e só o fez no terceiro ano, SEM NUNCA SEQUER TER SIDO PELO MENOS VICE, apesar de ter corrido por equipes de ponta – DAMS e CARLIN – em sua passagem por lá. Os companheiros de equipe que NASR teve lograram ser campeões – VALSECCHI na DAMS em 2012 (neste ano, que marcou a estreia de NASR na GP 2, o brasileiro terminou em um melancólico e remoto 10º lugar) e JOLYON PALMER (também na mesma DAMS, em 2014). Em 2013, ano em que o combativo e rápido FABIO LEIMER foi campeão, NASR EM PONTOS terminou à frente de JOLYON PALMER, ambos na CARLIN, MAS PALMER obteve DUAS VITÓRIAS e NASR NENHUMA, o que reflete bem o seu estilo conservador frente ao estilo aguerrido de PALMER. Então voltando ao BRUNO JUNQUEIRA, o fato de ele ter sido campeão na F 3000 e NASR não na GP 2 faz de BRUNO um piloto mais bem sucedido que NASR, a meu ver, considerando que os carros de ambas as categorias eram os mais rápidos, velozes e pesados IMEDIATAMENTE ANTES da F 1.

      BRUNO SENNA (aviso de antemão que sou e sempre fui piquetista convicto, por isso me sinto à vontade para falar de BRUNO SENNA). BRUNO, como todos nós sabemos, AO CONTRÁRIO DE NASR, teve uma formação automobilística muito truncada, por ter se iniciado tarde, sem tempo para um melhor desenvolvimento, como teve NASR. BRUNO fez uma FAÇANHA que NASR NÃO CONSEGUIU: VENCER EM MÔNACO. E o fez com autoridade. JACKIE STEWART disse que NINGUÉM VENCE EM MÔNACO SE NÃO TIVER TALENTO, ISSO EM QUALQUER CATEGORIA, porque o circuito é muito difícil e NÃO PERDOA ERROS. Ainda segundo STEWART, é preciso ter extrema suavidade no manejo do carro ali. BRUNO fez algumas boas corridas na F 1, e eu me lembro de um ‘PASSÃO” que ele deu em cima do festejadíssimo HULKENBERG em que este não viu nem a sombra de BRUNO, e o alemão elegantemente reconheceu isso (não recordo agora em que GP).

      No contexto geral, considero BRUNO SENNA mais talentoso do que NASR, ele apenas não teve a formação adequada. Ao contrário de NASR – que precisou de 3 anos e 50 corridas para vencer na GP 2 – BRUNO venceu logo de cara, APENAS EM SUA TERCEIRA CORRIDA na GP 2, em seu ano de ESTREIA na categoria. Venceu ainda mais duas vezes em seu segundo e último ano de participação na GP 2, sendo uma delas a vitória em Mônaco. Nesse seu segundo ano na GP 2 (EM 2008), BRUNO SENNA conseguiu SER o VICE-CAMPEÃO, perdendo o título para o “macaco velhíssimo” GIORGIO PANTANO, superexperiente e veteraníssimo na categoria, que já tinha tido inclusive uma passagem pela F 1. NASR NUNCA conseguiu ser campeão na GP 2, sua melhor posição na tabela final foi um TERCEIRO LUGAR em seu terceiro e último ano, PERDENDO o VICE para um estreante (VANDOORNE) e o título para seu ex-companheiro JOLYON PALMER. E lembre-se, caro DANIEL, que os carros da GP 2 são mais velozes, mais potentes e mais pesados do que aqueles com os quais NASR estava acostumado a vencer nas categorias menores. LEMBRE-SE também que num teste que fez na HONDA para a F 1, BRUNO SENNA FOI MAIS RÁPIDO QUE DI GRASSI.

      RICARDO ZONTA foi CAMPEÃO DA FÓRMULA 3.000 INTERNACIONAL, categoria sobre a qual já falei. Também o considero mais talentoso que NASR, que não foi sequer VICE na sucessora, a GP 2.

      LUCAS DI GRASSI – em 2007 foi VICE-CAMPEÃO da GP 2 em seu segundo ano na categoria, e em 2008, mesmo tendo entrado com a temporada em PLENO ANDAMENTO, mostrou tanto serviço que poderia ter sido o campeão daquele ano, se tivesse entrado desde o início, pois ainda foi TERCEIRO na tabela final e venceu 3 provas. Com carro mais pesado, mais rápido e mais potente se deu melhor que NASR, portanto. Eu o considero mais talentoso que NASR.

      LUIZ RAZIA: eu acho que o baiano deu um show em NARS. LUIZ RAZIA levou apenas o VICE por causa de um erro bobo, do qual VALSECCHI se aproveitou para ganhar o título, mas o campeão moral foi RAZIA, a maioria dos aficionados na época (ou quem acompanhou) reconheceu isso. RAZIA merecia ter tido uma oportunidade na F 1. No entanto, é como você observou, DANIEL: a F 1 hoje é muito dependente da grana de patrocínios e RAZIA não os obteve, infelizmente. Em 2012, (não sei se você acompanhou as transmissões daquela temporada) quando RAZIA foi VICE (e NARS apenas um remoto 10º lugar), dava gosto ver RAZIA “hipnotizando” os seus adversários para ultrapassá-los, INDUZINDO-OS AO ERRO.

      E isso tudo SEM FALAR de NELSON ÂNGELO PIQUET, que a meu ver era muito talentoso, mas que, infelizmente, deu no que deu e acabou se perdendo.

      Como avalio FELIPE NASR? Do alto da minha insignificância, eu estaria sendo muito severo e até injusto com ele se eu o classificasse como um piloto fraco. Para ser FRANCO, acho-o apenas BEM MEDIANO mesmo; não consigo imaginá-lo sendo COBIÇADO pelas principais equipes, na FRENTE de ALGUMAS FERAS que JÁ estão aí, mas me surpreendo com a IMENSA ESPERANÇA que muitos aficionados brasileiros depositam nele, decorrente, talvez, da enorme carência que os fãs brasileiros de automobilismo tem por um nome que venha substituir (em ordem alfabética para não ferir susceptibilidades, rsrs) AYRTON SENNA, EMERSON FITTIPALDI e NELSON PIQUET no estrelato da F 1. Creio que esses fãs não estão sendo devidamente realistas com relação às possibilidades de FELIPE NASR em preencher essa lacuna: esperam demasiado dele. Creia-me, DANIEL RIBEIRO, se NASR conseguir em sua carreira na F 1 METADE do que os apedrejados (muitas vezes injustamente) FELIPE MASSA e RUBENS BARRICHELLO conseguiram, eu me surpreenderei. Mas tudo são impressões pessoais minhas e, volto a dizer, não sou o dono da verdade, analiso um piloto em cima do talento que ele demonstra e de suas perspectivas diante de suas proezas.

      E por falar em proezas, sugiro que você relembre algumas de MALDONADO para comparação com NASR: foi campeão da GP 2 em cima do encardido SÉRGIO PÉREZ e venceu 3 vezes em Mônaco (uma na Renault 3,5 Interseries e duas na GP 2). Maldonado é um caso ESTRANHO e talvez único de INVOLUÇÃO de um piloto. Tem em comum com NASR o fato de aportar substancioso patrocínio à sua equipe.

      Um abraço!

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  9. Julianne,
    Sobre os episódios dos freios, sempre observei que Nasr nunca sequer cogitou a possibilidade de ser o seu estilo de pilotagem, claro que isso pode ser uma estratégia externa para vender uma boa imagem para as outras equipes enquanto se soluciona o problema internamente com a equipe.
    Esperava alguma declaração para avaliar melhor esse aspecto, mas como você conversou com ele pergunto: Ele falou algo nesse sentido?
    Aucam,
    O último piloto que se mostrou maior que equipe de fundo de pelotão, infelizmente está morto, adoraria ter visto o Jules em uma grande equipe, teria grandes disputas com o Verstapinho no futuro.
    Não acompanhei o Fitipald como você, mas se bem conpreendi, pelo o que li, ele também fazia um estilo cozinheiro de galos (como você diz), pois os carros quebravam demais e ele sabia da limitação de seu carro, então por vezes economizava equipamento e ficava só olhando os outros quebrarem…
    Sobre os pilotos brasileiros, o de maior talento pós-Senna, sem dúvida alguma foi o Barrica, tanto que acredito piamente que se ele tivesse tido coragem e ido para a Williams quando teve uma proposta de Sir Frank, o Schummy, por mais piloto que fosse, teria no mínimo um título a menos, pena que nunca saberemos. E antes que você cite a perda do título na Brawn para o Button, vamos lembrar que o inglês não é nada fraco e o Barrica já tinha o seu psicológico afetado pelos anos anteriores, tanto que quando ganhou confiança endureceu a briga, assim como perdeu o segundo lugar no mundial para (o também nada fraco) Vettel quando perdeu a confiança.
    Sobre o Verstappen ter aumentado o nível de avaliação, tenho a segunte análise para o futuro da F1:
    Será impossível entrar na categoria se não for pelo meio do programa de pilotos, seja da RedBull (o de maior sucesso), o da McLaren (que já rendeu alguns frutos) ou o da Ferrari (cujo único fruto foi Jules), não sei se estou certo, não sei se estou errado, mas nesse momento é o que a categoria aponta.
    Um bjo pras meninas e um abraço pros meninos!

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    1. NATO VELOSO, não, não vou citar a perda do título de BARRICA para o BUTTON como prova de possível fraqueza do brasileiro. É claro que BUTTON em momentos decisivos sabia (e continua sabendo) se agigantar e, a meu ver, soube aproveitar melhor essa característica dele quando dividiu a BRAWN com o BARRICHELLO. BARRICA é muito apedrejado, muitas vezes injustamente, mas olha, NATO, aquele campeonato o brasileiro NUNCA poderia ter ganho em cima do inglês. Sabe por que? Certamente você deve saber – mas vou rememorar: ROSS BRAWN INEQUIVOCAMENTE CONFIAVA MAIS EM BUTTON, tanto que, de cara, logo que comprou a equipe da HONDA, contratou BUTTON para a temporada INTEIRA. BARRICA foi contratado INICIALMENTE apenas para as QUATRO primeiras corridas, sem qualquer certeza de que faria o restante da temporada. Depois, foi “efetivado”. Então, cada um infira o que quiser sobre esse fato.

      BARRICA circunstancialmente poderia até ter sido campeão mundial, embora não fosse um fora-de-série. Ele não teve sorte em sua trajetória, cruzou com alguns pilotos bem mais fortes e assim perdeu seu timing. Como piloto, considero-o muito bom. Foi um dos melhores kartistas que o BRASIL já teve (sou de opinião que é impossível comparar campeões de gerações diferentes, mas se tivesse que eleger o melhor, na minha opinião, seria WALTER TRAVAGLINI, vi façanhas assombrosas dele no comando de um kart).

      Sim, NATO, EMERSON cozinhava galos, mas era um COZINHEIRO muito ESPECIAL, acho-o mesmo superior ao “Chef de cuisine” PROST. Da mesma maneira que eu NUNCA VI um piloto TÃO ACROBÁTICO quanto PETERSON, também NUNCA VI um piloto COM TRAÇADOS TÃO INCRIVELMENTE PRECISOS quanto EMERSON. EMERSON era simplesmente MILIMÉTRICO em TODAS as suas voltas. Também tinha um estilo só dele, de jogar com a traseira do carro, no Pinheirinho isso virava um espetáculo. Quando falei de PETERSON lá em cima, fiz essa observação, de que Emerson era cerebral demais para o meu gosto, por isso apreciava mais o estilo do SUECO VOADOR. PETERSON fazia poles com carros indirigíveis e andando “de lado”. EMERSON para ser veloz precisava de um carro extremamente bem acertado e ao gosto dele para ser rápido. Em 1971 ele penou o ano inteiro para botar o LOTUS 72 ao gosto dele, para ser campeão em 1972.

      Quanto à elevação do nível por MAX VERSTAPPEN, alguém já viu um garoto de 16 (DEZESSEIS) ANOS ser disputado “a tapas” pela MERCEDES e pelo FARO FINO HELMUT MARKO? E depois ir calmamente para casa para estudar as propostas e se decidir? SebVet não foi o primeiro gênio que HELMUT observou de perto. MARKO foi um grande amigo de JOCHEN RINDT, há muito estava acostumado a observar de perto “gente grande” (e RINDT era GENIAL!). Dá trabalho pesquisar, mas há muito tempo atrás, quando MAX AINDA ESTAVA no KART e NEM ERA AINDA COGITADO PARA A F 1, eu postei um pitaco aqui no Blog da Julianne, dizendo que muito ainda iria se falar nesse guri. É que todo mundo no kart internacional já falava maravilhas dele. E agora, vemos um garoto que mal fez 18 anos já indo para a sua segunda temporada de F 1, consagrado pela maioria e deixando os céticos sem argumentos.

      Mas concordo com você, NATO, do jeito que a coisa vai, para ADENTRAR a F 1 como piloto INDEPENDENTE, numa grande equipe – SEM PRECISAR DE GORDOS PATROCÍNIOS – só fazendo como o Verstappinho ou sendo UM ASSOMBRO desde o BERÇO. . .

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  10. Mandou bem, Aucam. Te acompanharei no seu blog também. Esses aspectos técnicos e psicológicos de cada piloto tratados por você são demais. Sem demagogia. Você tem paciência e didática para argumentar. Isso é que é dissertação. Me esclareceu bastante coisa.

    Outra coisa. Julianne, parabéns pelo blog. Textos bem construídos, dados precisos, temas interessantes e muito elucidativos. Sou fã da categoria há muitos anos e vejo o noticiário em outros sites, outros colunistas, mas você dá outro enfoque, sobre os pilotos, modificações técnicas (com detalhes) e fala de maneira simples. Uma pessoa que nunca acompanhou F1 começaria a entender muita coisa por aqui. Sucesso e vida longa ao seu projeto! Grande abraço a todos.

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      1. DANIEL RIBEIRO, muito obrigado pela sua consideração com os meus pitacos. Fazendo apenas um rápido esclarecimento, eu não tenho um blog, apenas dou meus insignificantes pitacos AQUI no Blog da MINHA MESTRA JULIANNE CERASOLI. Mais uma sugestão: leia as notícias em variados sites, mas, para a melhor compreensão dessa cada vez mais difícil F 1, oriente-se tão somente pelo Blog da JULIANNE CERASOLI e pela coluna do CELSO ITIBERÊ (publicada em um jornal de grande circulação): ambos são – DE LONGE – os dois melhores especialistas em Fórmula 1 no Brasil, E SÃO COMPLEMENTARES. Ambos falam e traduzem em linguagem descomplicada os meandros da F 1 e ambos tem uma característica ÍMPAR, ÚNICA, e que eu aprecio DEMAIS: A IMPARCIALIDADE.

        Quanto a mim, pela minha idade, tendo vivenciado CONTEMPORANEAMENTE quase toda a História da F 1, e sendo um fervoroso apaixonado por Automobilismo em geral (em especial a F 1), tenho prazer em dar aos amigos comentaristas AQUI do BLOG o meu testemunho e as minhas lembranças de personagens e fatos que compõem essa saga. Acompanho muitos outros sites, mas comento apenas AQUI. JULIANNE falou há pouco que todos nós deveríamos nos orgulhar por mantermos sempre EM ALTO NÍVEL esse espaço que ela generosamente nos oferece para trocarmos opiniões. Aqui debatemos em clima de amizade e RESPEITO por opiniões CONTRÁRIAS. Eu diria que tudo isso é decorrência direta da influência NATURAL que ela exerce em seus leitores, CATIVANDO-OS com a sua COMPETÊNCIA e ATENÇÃO – que não se vê em nenhum outro Blog.

        Forte abraço.

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  11. Também acredito que 2016 vá ser um ano complicado pro Nasr sob o ponto de vista das limitações financeiras da Sauber e do desenvolvimento do carro.
    Sob o ponto de vista piloto, não acho o Nasr extraordinário, mas ele é seguro e constante. Acredito que ele deva estar no radar de equipes maiores. É um piloto com ótimo custo-benefício para uma fórmula 1 em crise.

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