Entenda os treinos dos pilotos de F-1

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No último post, falei sobre a regra do peso mínimo e como isso afeta nas chances dadas a pilotos mais altos e, com isso, mais pesados. Porém, a necessidade de manter o condicionamento necessário para pilotar um carro de F-1 sem pesar muito afeta todo o grid. Afinal, quanto mais leve o piloto consegue ser, de maneira mais eficiente ele pode utilizar o lastro para melhorar o desempenho do carro.

É por isso que, mesmo quem está na altura-padrão, em torno de 1,75m, faz grandes esforços para diminuir o peso o máximo possível, com alguns pilotos, como Sebastian Vettel, por exemplo, mantendo-se abaixo dos 60kg.

Isso não seria possível se os carros não fossem tão lentos como hoje em dia. É interessante observar como o treinamento dos pilotos se alterou após a introdução dos pneus de alta degradação da Pirelli e o fim do reabastecimento, dois fatores que diminuem o ritmo das provas e, com isso a necessidade do corpo trabalhar no limite o tempo todo. A queda nas velocidades de contorno de curva após várias restrições aerodinâmicas feitas nos últimos 10 anos, também diminui a demanda física em termos de força.

Em última análise, ainda que os pilotos precisem de um certo desenvolvimento muscular e desenvoltura cardiovascular importante, ambas as necessidades são bem menores do que há 5 anos e muito menores do que há 10. Sua grande preocupação hoje é o peso.

Isso pode mudar caso a prometida queda de 5s de tempo de volta saia do papel em 2017. E, se os pilotos tiverem a necessidade de aumentar sua massa muscular para lidar com carros rápidos em contorno de curva e com corridas mais extenuantes, o limite mínimo do conjunto carro + piloto vai ter que subir também.

Para esta temporada, é interessante observar como os exercícios funcionais invadiram de vez a preparação, junto dos tradicionais cardiovasculares. Corrida, bike e natação continuam sendo os mais populares – especialmente o segundo – mas vimos ao longo do inverno europeu vídeos de pilotos utilizando técnicas de crossfit e lutas.

Estas duas modalidades são ótimas para os pilotos porque atacam áreas fundamentais: ao trabalharem com alta intensidade em curtos espaços de tempo, favorecem a queima de gordura e o condicionamento cardiovascular.

Já o trabalho muscular é cada vez mais específico para fortalecer as áreas prioritárias usadas na F-1 e não promover um ganho geral de músculos, lembrando que, popularmente, costuma-se dizer que músculo ‘pesa’ mais que gordura, quando na verdade ele é mais denso. De qualquer forma, hipertrofiar músculos ‘inúteis’ para a F-1 traz consigo mais quilos na balança.

Portanto, é cada vez mais raro vermos pilotos executando programas ‘normais’ de musculação. E é aí que entram os tais funcionais, que nada mais são que exercícios que copiam os movimentos usados, nesse caso, na pista. Máquinas específicas para treinamento de pescoço, com pesos atrelados ao capacete, simulando as curvas, e movimentos para fortalecer a região do core – que compreende a lombar, glúteos e abdome – uma vez que, devido à posição em que os pilotos ficam no cockpit, é a área mais forçada, são os preferidos.

Com 21 corridas em menos de nove meses e muitas viagens pela frente, dá para apostar que os pilotos vão aparecer em Melbourne o mais magros e com o maior diâmetro de pescoço que terão por todo o ano. E, dali em diante, tirem os doces e frituras da casa.

Entre socos e pesos:


Today with @anttivierula 💪👊 #trainingcamp #homegym #77

A photo posted by Valtteri Bottas (@valtteribottas) on

Bottas faz um funcional que recria a posição ao volante e um levantamento terra, considerado o movimento mais completo para o treinamento de costas, com foco na lombar

Circuit training today 💪 #circuit #training #burpees @anttivierula

A video posted by Valtteri Bottas (@valtteribottas) on

Vídeo de Bottas durante um treinamento de circuito de crossfit, executando burpees. Se tentarem isso em casa, vão sentir como a frequência cardíaca sobe!


Reeniä 💪 training with @anttivierula #F12016 #training #77

A photo posted by Valtteri Bottas (@valtteribottas) on

Bottas foi quem postou os melhores exemplos para entendermos o foco do treino: fazendo um funcional para o pescoço e um abdominal


Precision beats power and timing beats speed 😉 @thenotoriousmma #ilovepreseason

A video posted by Daniel Ricciardo (@danielricciardo) on

Ricciardo usando boxe para o treinamento cardiovascular

December's great to unwind and switch off, but turning the switch back on is a beautiful thing. #preseason

A video posted by Daniel Ricciardo (@danielricciardo) on

Sim, é um abdominal

 

When you put your mind to something, you can do anything. Never give up. #TeamLH

A photo posted by Lewis Hamilton (@lewishamilton) on

Aqui outro exemplo de treino funcional, com kettlebell, para trabalhar a resistência de força do ombro. Talvez por ter mais facilidade em ganhar massa muscular, Hamilton nunca fica tão magro quanto seus rivais e já declarou que só chegaria aos 65kg ‘se cortasse as bolas fora’

8 comentários sobre “Entenda os treinos dos pilotos de F-1

  1. Belo texto Julianne! Não querendo ser o chato, em “o prometido aumento de 5s de tempo de volta” seria queda e não aumento? Já li outras coisas suas sobre o treinamento físico, já comentou antes sobre o treino de reflexos? Se não me engano vi o Kyviat treinando com uma bolinha num final de semana de corrida, existem outros treinos diferentes?
    Por fim estou com saudade do Ico, só acompanho as notícias de F1 com vocês dois. Notícias dele?

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  2. Vettel pesando menos de 60Kg. Esse tá só a capa da gaita junto com o Button. Quem olha pro físico deles não dão nada, mas os caras são muito resistentes.

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  3. gostei muito da matéria, com varias fotos e muita informação, uma pergunta meio boba, vejo que lewis sempre posta foto com roupa da nike, seria ele patrocinado pela empresa, vista q a mercedes usa os matérias esportivo da puma, tem alguma relação tipo como ocorre com jogadores de futebol ou o piloto num é obrigado a espor a marca q patrocina a empresa?

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    1. Não me lembro de ter visto nada sobre Lewis ser patrocinado pela Nike. Ele era Reebok, mas o acordo acabou. Penso que há pilotos com patrocínios pessoais distintos das equipes e, com isso, podem usar suas marcas fora dos circuitos.

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  4. Tá tudo muito bom, tá tudo muito bem, preparo físico realmente é importantíssimo, nem se discute, mas O PODER DA MENTE às vezes é maior do que o do corpo. Um poder que em situações extremas é capaz de extrair do corpo forças e resistência que normalmente ele não pode entregar (inclusive em situações de perigo, mas este não é o caso, e sim um exemplo de automotivação). No automobilismo, creio que o MAIOR exemplo disso é a façanha perpetrada por PIERRE LEVEGH em Le Mans em 1952 (aquele piloto cujo carro voou pra cima da arquibancada, na edição de 1955, resultando no maior acidente da História do Automobilismo). LEVEGH é um nome indissociavelmente ligado às 24 Horas de Le Mans, pois foi ali que ele também protagonizou talvez a mais heróica performance de alguém ao volante de um carro de corridas, ao dirigir um modesto TALBOT SEGUIDAMENTE, SEM PARAR (para absolutamente nada, nem sequer para beber água) por 23 HORAS na pista de Le Mans, na Edição das 24 Horas de 1952, chegando a colocar 4 voltas de vantagem no segundo colocado, uma PODEROSA Mercedes de FÁBRICA! QUASE VENCEU! Talvez tivesse vencido se tivesse uma preparação física feita nos MOLDES ATUAIS. No entanto, pode-se dizer que não foi vencido pelo corpo, mas pelo cansaço da própria MENTE, quando, faltando uma hora para o fim, errou o engate de uma marcha e moeu o câmbio. Que pena! Vencer em Le Mans as 24 Horas parecia ser o maior objetivo de vida de LEVEGH.

    Outro exemplo de superação do corpo, em que foi derrotado apenas pelo cansaço mental, perdendo momentaneamente a concentração – foi dado por Sir JACK BRABHAM já aos 44 anos de idade, em 1970, ano em que se retirou ao final da temporada, ao correr o tempo todo na frente de ninguém menos que JOCHEN RINDT (no ano em que este foi campeão post-mortem). O velocíssimo e acrobático austríaco, que era reputado por muita gente à época como tendo mais velocidade pura que JACKIE STEWART, moveu nas últimas DEZOITO voltas uma perseguição implacável ao “velho” australiano. RINDT era puro talento, o que valoriza ainda mais o feito de BRABHAM, o qual perdeu a corrida no finalzinho, na ÚLTIMA DA CURVA da ÚLTIMA VOLTA, ao desviar de um retardatário, errar a freada e bater no guard-rail. BRABHAM deu ré, voltou à corrida e ainda cruzou em 2º lugar! DETALHE: BRABHAM passara a noite em claro trocando ELE PRÓPRIO o motor de seu carro! Muitos dizem que o cansaço MENTAL pela noite indormida lhe custou esse erro de avaliação que o fez perder uma corrida ganha!

    Para aqueles que quiserem saber em mais detalhes sobre a INCRÍVEL FAÇANHA de PIERRE LEVEGH em Le Mans em 1952, eis abaixo um excelente link:

    https://bandeiraverde.com.br/2012/05/24/clique-pierre-levegh-le-mans-1952/

    JULIANNE, parabéns por esse post de ouro em complementação ao anterior.

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  5. Sir JACK BRABHAM, com 44 anos, sendo perseguido implacavelmente por JOCHEN RINDT, com 28 anos. Observem o estilo eletrizante e impetuoso de RINDT!

    JULIANNE, o que você sabe sobre uma possível compra da TORO ROSSO por SÉRGIO MARCHIONNE, para transformá-la em equipe de fábrica da ALFA ROMEO? TUTTO ALFA ROMEO, motore e telaio! Marcchione, desde que tomou posse à frente do Grupo Fiat, naquele imbroglio todo da CHRYSLER, sempre disse que uma de suas metas como CEO era revigorar a marca ALFA ROMEO (talvez mais que do que uma simples reativação da AUTODELTA de tantas glórias e charme). Seria simplesmente sensacional, ainda mais com essa dupla de pilotos, VERSTAPPEN & SAINZ!

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