Cadê a regra dos pontos?

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Não demorou um ano para que o sistema de pontos para a obtenção da superlicença na Fórmula 1 fosse sumariamente ignorado. Na Manor, foram confirmados Pascal Wehrlein e Rio Haryanto que, juntos, somam 36 pontos. Segundo os requisitos da Federação Internacional de Automobilismo, cada um deveria ter ao menos 40 para a obtenção da superlicença.

O alemão, campeão da DTM que, por ser uma categoria de turismo, não conta muitos pontos pelo critério da FIA, somou 16 nas duas últimas temporadas, enquanto o indonésio tem 20 pelo quarto lugar na GP2 em 2015.

Teoricamente, nenhum dos dois poderia ter a superlicença e pilotar um Fórmula 1, mas não há qualquer sinal de que eles serão impedidos de competir.

A regra foi adotada para barrar casos como o de Max Verstappen, que chegou à categoria com 17 anos e apenas uma temporada de experiência. E, de fato, após as performances que o holandês teve na pista em seu ano de estreia, todo o temor que se tinha sobre sua precocidade há 12 meses perdeu completamente o sentido.

Além disso, não se pode esquecer que a preocupação deixava de levar em consideração que nomes como Kimi Raikkonen e Fernando Alonso chegaram à F-1 tendo disputado menos corridas em carros de fórmula do que Verstappen, apesar de mais velhos. E se tornaram campeões do mundo. Tudo aquilo, na verdade, foi um preconceito descabido com a idade, uma vez que, com a evolução no treinamento como um todo – físico e psicológico, com o maior conhecimento dos profissionais envolvidos -, a grande maioria dos esportes tem visto uma queda na idade média de seus ídolos. E não há qualquer motivo para acreditar que isso seja ruim para o esporte em geral.

Outra função da regra era barrar pilotos contratados meramente pelo dinheiro que trazem às equipes. Isso é sempre difícil de medir, pois, atualmente, a grande maioria traz consigo um pacote, que envolve dinheiro e talento. O próprio Haryanto nunca foi um piloto de encher os olhos, mas tem vitórias na GP2 e não parece ser um zero à esquerda.

A regra também é problemática porque cria um caminho obrigatório para os pilotos, priorizando a F-3 Europeia, World Series, GP3 e GP2, e desencorajando, até o papel de piloto reserva na F-1. Mas o próprio Wehrlein mostra como isso pode não ser um critério factível, uma vez que, apoiado pela Mercedes, que não tem relação com nenhuma destas categorias – na verdade, quase todas com grande influência da Renault – teve um caminho diferente. No entanto, justamente pela relação com a marca, tem milhares de quilômetros com carros de F-1 no bolso.

Não é por acaso, portanto, que nenhum dos dois parece estar com a vaga ameaçada pela FIA. Cheia de falhas e feita de sopetão pelos motivos errados, a regra dos pontos para a obtenção da superlincença tem buracos demais para ser levada a sério. Mais um exemplo da incrível visão que os atuais dirigentes têm mostrado nos últimos anos.

6 comentários sobre “Cadê a regra dos pontos?

  1. Como sempre observações contundentes Ju, sempre achei um erro essa regra dar tanta importância a determinados campeonatos em detrimento de outros.
    Única questão que a FIA deveria levar em consideração, é a questão da habilitação, pq para mim, parece um pouco incoerente que uma pessoa possa pilotar um F1, mas não possa dirigir pelas leis do seu próprio país de origem.
    Muito bem colocada a questão do pacote do piloto, sempre bom lembrar que até hoje o Alonso tem patrocínio do banco Santander e desse ponto de vista, ele não difere em nada do Maldonado ou do Felipe Nasr, mas apenas do ponto de vista do patrocínio.
    Bjs pras meninas e abraços pros meninos!

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  2. O RIO HARIANTO que eu vi esses anos todos acompanhando a GP 2 é um piloto muito combativo, que não se dobra facilmente, que costumava vender mais caro uma posição do que um Alexander Rossi. De tudo o que vi, acho HARIANTO melhor tecnicamente que ERICSSON e competitivamente mais aguerrido do que NASR. Gostei de ele ter sido aproveitado na F 1, embora outros com mais mérito não o tenham sido, como FABIO LEIMER, muito rápido e também combativo, e que inclusive sagrou-se campeão na temporada de 2013. Uma pena que LUIZ RAZIA também não tenha sido aproveitado, pois reputo-o mais talentoso do que NASR: basta uma simples comparação do que ambos no geral fizeram na GP 2, Razia perdeu o título para Valsecchi por pouco, no finalzinho do campeonato, tendo tido o mesmo número de vitórias de Valsecchi: quatro. Lamentavelmente Razia não logrou patrocínios para adentrar a F 1. E a DAMS de Valsecchi era uma equipe mais forte que a ARDEN de Razia. Voltando a Leimer, a meu ver ele é mais piloto que Jolyon Palmer.

    Isso sem falar no absurdo de vermos o mais vitorioso campeão da História da GP 2 – Stoffel Vandoorne – não ter sido promovido à F 1. Vandoorne é mais talentoso que Magnussen, ainda que este tenha sido campeão da F. Renault 3,5 Worldseries em cima do belga. Nem sempre o campeão é o melhor piloto, vide onde estão hoje Di Resta e Vettel, campeão e vice-campeão respectivamente da Fórmula 3 Europeia em 2006. A Lotus estaria mais bem servida com Magnussen e Vandoorne do que com Jolyon Palmer, penso eu. E a Sauber com FRIJNS (Campeão da Renault 3,5 em 2012, em seu ano de estreia, em cima de JULES BIANCHI) e LEIMER do que com NASR e ERICSSON. . . O que manda é um gordo patrocínio. . .

    VERSTAPPINHO desmoralizou todos esses regulamentos ridículos que foram feitos para barrar outros talentos como ele que venham eventualmente a surgir. O que deve contar é a habilidade, a competência (e isso Max provou frente a dois feras, ESTEBAN OCON e TOM BLOMQVIST), e não a idade. Max Verstappen sempre foi reportado como sendo extrapista muito maduro para a sua idade, e , mesmo tendo apenas 16 anos quando assinou com a Mercedes, não tinha aparência de uma criancinha; inclusive é alto para os padrões da F 1. Quanto a essa questão de amadurecimento, GROSJEAN custou a ficar maduro e MALDONADO foi embora um tanto VERDOENGO, não obstante sua idade e tempo de pista. Acho até que talvez não se deva falar de amadurecimento, e sim de experiência conjugada com estilo de pilotagem. Lewis Hamilton, por exemplo, sempre terá um estilo selvagem e visceral, é da natureza dele, o que é confundido por seus detratores com falta de cabeça etc. etc. etc. Prefiro ver Hamilton perdendo uma corrida ganha “por falta de cabeça”, mas dando show, do que vê-lo apaticamente marcando alguns pontos, principalmente quando já está fora da luta pelo título. Gosto de ver demonstração de habilidade.

    E também estou botando muita fé em WEHRLEIN! Principalmente se a MANOR – agora anabolizada com um canhão Mercedes e gente competente – deixar de ser chicane ambulante para se transformar num F 1 de verdade, capaz de andar no bolo.

    Como se vê, TAMBÉM na F 1 há leis (ou regulamentos) que “não pegam” (até pelo absurdo). E aí? Como fica agora? Os dirigentes da FIA deveriam se inspirar naquele Rei da obra prima de Saint Exupéry, o qual, para nunca ser contrariado, dava diariamente ordens para o Sol nascer e se pôr, afinal ninguém pode impedir um astro de nascer. . .

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