Aprendendo com a novata

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Nem precisava ter colocado o carro no segundo lugar na tabela de tempos. A Haas deu motivos suficientes para ser levada a sério pelos rivais logo em seu primeiro teste na Fórmula 1. O time demonstrou organização e consistência e já está sendo considerado o mais bem preparado a chegar à categoria desde a gigante Toyota, há 15 anos.

No caso dos japoneses, todo o planejamento e investimento não geraram o resultado esperado, é verdade. Mas os objetivos dos norte-americanos são outros. Na verdade, todo o modelo de negócio é distinto – e ele pode representar um novo horizonte para a categoria.

Em sua primeira semana oficialmente no esporte, a Haas atuou como uma veterana. Completou mais de 1300km nos testes, mais do que McLaren e Manor. Esteban Gutierrez fechou os quatro dias de atividade com o 12º melhor tempo entre os 23 pilotos participantes e seu companheiro Romain Grosjean foi o 15º mais rápido. Com isso, o time conseguiu marcas melhores até que pilotos da Williams, Sauber, McLaren e Toro Rosso.

Isso, mesmo com um problema razoavelmente sério, com a falha da asa dianteira. Mas a questão parece ter sido solucionada rapidamente pelo time nos dias seguintes, o que também é um sinal bastante positivo.  

A estreia, portanto, não lembra em nada o nascimento dos três ‘rebentos’ de 2010 – Hispania, Lotus (que depois virou Caterham) e Virgin (ex-Marussia) – recheado de remendos e atrasos.

Tanto isso é verdade que os rivais já estão de olho. Monisha Kaltenborn já adiantava antes dos testes que espera ver a Haas lutando com a Sauber, algo bastante considerável se lembrarmos que ambas estão equipadas com o mesmo motor Ferrari e o time suíço tem 20 anos de história.

Mas o reconhecimento não para por aí. Após os primeiros testes, até a Toro Rosso já começa a se incomodar. Apesar de ter um chassi melhor, o time italiano vai contar com os motores Ferrari de 2015 e Franz Tost disse acreditar que essa diferença seria suficiente para a Haas estar andando de igual para igual com sua equipe pelo menos no início do ano, antes dos carros começarem a se desenvolver e as limitações orçamentária dos norte-americanos ficar mais clara.

Além de ter ganhado respeito com as demonstração de organização e seriedade deste início, a Haas vem chamando a atenção por seu modelo comercial. Basicamente, o time busca ser bom o bastante para competir na F-1 com um orçamento relativamente pequeno, de 100 milhões de dólares – menos de quatro vezes o que um time grande gasta anualmente – e ganhar visibilidade para a Haas Automotive, uma das maiores fábricas de máquinas dos EUA.

Para ter um nível competitivo e ainda assim gastar relativamente pouco, o time terceiriza tudo o que é possível em termos de regulamento. E isso é bem visto pelos times grandes em um momento politicamente delicado da Fórmula 1. Afinal, quanto mais dependentes são seus clientes em potencial – para os quais vendem unidades de potência, caixas de câmbio e até ‘alugam’ o túnel de vento, como no caso da Ferrari com a Haas – mais garantido será o apoio em decisões importantes para o futuro da categoria. E mais pressão será possível exercer na assinatura de contratos futuros com Ecclestone.

Ainda é difícil saber exatamente onde a Haas estará em relação a seus rivais diretos. A própria Manor será a única do fundo do pelotão com motor Mercedes e tem a promessa de maior investimento dos alemães no futuro e já iniciou 2016 a milhas de distância do que foi em 2015, quando sequer testou e correu com um carro de 2014 adaptado. Não é exagero dizer, portanto, que prever o fundo do pelotão neste ano está mais difícil do que apostar em um vencedor para o GP da Austrália.

4 comentários sobre “Aprendendo com a novata

  1. Algo parecido com o que a equipe faz na Nascar.
    Ela compra os chassis e motores da equipe Hendrick, batendo a rival inclusive.

    Só agora, após 5 anos de existência, ela trocará os motores e fará seus próprios carros.

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  2. Eu acho a Haas uma equipe séria e veio pra ficar! E dependendo do desenvolvimento os mandatários da Ferrari pode lhe oferecer, futuramente, as Unidades de Potência da Alfa Romeu.

    Más gostaria de chamar atenção dos colegas para a coluna desta segunda-feira do conceituado Livio Oricchio.

    Palavras dele:
    “Apesar de, como disse, nada ser conclusivo, já dispomos de informações seguras para afirmar que a Mercedes produziu um carro muito eficiente, possivelmente mais que os dois precedentes que venceram tudo na F-1: Mundial de Pilotos, com Lewis Hamilton, e de construtores, com números impressionantes, como por exemplo 16 vitórias em 19 etapas, em 2014 e 2015.”

    Hummm! E ainda ele faz uma comparação nada animadora do W07 com certo bólido de outro planeta, do século passado:

    “A exemplo da Williams FW14B de 1992, o modelo W07 Hibrid gera enorme pressão aerodinâmica. Essa é a minha aposta. Ele tem essa capacidade. Agora, por que o novo carro da Mercedes é tão eficiente em termos de aerodinâmica?” – “Muito provavelmente a nova unidade motriz produzida pelo grupo do engenheiro Andy Cowell, quase tão valorizado e cortejado quanto Newey, para se ter uma ideia do peso das unidades motrizes no desempenho geral do conjunto, de fato ultrapassou os 900 cavalos anunciados por Cowell, antes de o W07 Hybrid ir à pista. Uma unidade motriz capaz de gerar tanta potência permite que Hamilton, Rosberg e seus engenheiros adotem acerto com elevada carga aerodinâmica. Vão perder pouca velocidade nas retas, por conta da cavalaria da unidade, e serem muito velozes nas curvas, em razão do apoio aerodinâmico gerado pela opção de acerto, aerofólios com alto grau de incidência, por exemplo.”

    E também o colunista explica, nos mínimos detalhes, de como Vettel estabeleceu melhores voltas do treino e, de que forma que ele conseguiu.

    Fonte: http://globoesporte.globo.com/motor/formula-1/noticia/2016/02/livio-oricchio-por-que-mercedes-parece-de-novo-nao-ter-adversarios.html

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  3. Tenho mais respeito pela Sauber, com recursos 100% seus, do que por esse Frankenstein que ninguém sabe o que é Ferrari, o que é Dallara e o que é feito por eles mesmos.

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  4. “rever o fundo do pelotão neste ano está mais difícil do que apostar em um vencedor para o GP da Austrália.”
    Essa frase é muito animadora, pq nem só do pelotão da frente são feitas as corridas, disputas entre Toro Rosso-Force India, Sauber-Manor, também são muito bem vindas e dão emoção a corrida tanto quanto uma disputa Ferrari-Mercedes ou Mercedes-RedBull.
    A opção da Haas é muito boa para uma equipe que está começando na F1, mas me ajudem com um raciocínio:
    Para equipes estabelecidas como Force India e Williams, que buscam até mesmo um passo à frente para disputar títulos, não seria melhor uma associação com uma montadora no estilo McLaren-Honda? ou até mesmo parecido com a relação RedBull-Renault (infiniti), em que a montadora patrocinava a RedBull sem colocar um tostão, apenas fornecia a Unidade de potência de graça?
    Caro Victor,
    Não sei se uma equipe como a Sauber merece tanto respeito, afinaç como uma equipe que disputa um mundial a 20 anos perde para equipes como Force India e Haas? E ainda vê a Manor com os seus milhares de problemas se aproximar?
    Sinceramente é inadmissível uma coisa dessas, vide a Williams que amargou umas duas temporadas no pelotão do fundo e esse tempo foi mais do que suficiente para se reestruturar e voltar a brigar no pelotão da frente.
    Isso para não citar a Force India, que vem em franca em ascensão já há um bom tempo, tão franca que me arrisco a cravar:
    Se eles realmente se associarem a Aston Martin (como estão tentando desde o ano passado), vão dar um bom trabalho a Mercedes e Ferrari.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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