Por que Barcelona é perfeita para testes?

maxbarcelonarecap

As mãos de quem trabalha com isso até digitam sem titubear: “testes da pré-temporada no Circuito da Catalunha, em Barcelona, na Espanha”. Imprecisões à parte, uma vez que a pista fica a mais de meia hora da capital catalã, em uma cidadezinha chamada Montmeló, a realização de testes no traçado é tão comum que chega a ser estranho ver a F-1 andando em outro lugar antes do campeonato começar.

Nos últimos anos, a categoria montou seu circo em Jerez e em Valência – no Ricardo Tormo, não no traçado de rua, é claro – e houve até testes no Bahrein, mas nunca deixou seu palco favorito para ensaios de lado.

Mas por que o Circuito da Catalunha se tornou o queridinho?

São inúmeros os fatores. O primeiro deles é o clima, que também explica a presença de outros traçados espanhóis em um passado recente. O inverno espanhol é bem menos rigoroso do que em outros lugares com pistas propícias para testes, como Inglaterra, Alemanha, França e Áustria, por exemplo. E o Fórmula 1 não foi feito para andar no frio – até porque a temporada ‘procura’ o verão ou temperaturas acima dos 15ºC o tempo todo, e logo os carros são projetados para trabalhar com mais calor nos freios, pneus e até mesmo motor.

Portanto, quanto mais próximo o clima do teste estiver da média do que vai ser encontrado na temporada, melhor. Barcelona em fevereiro tem média de 12º de dia. E, em tempos de cortes de gastos, se o ‘calor’ estiver relativamente perto das fábricas, melhor ainda.

Outras vantagens da Espanha são a baixa chance de chuva (cerca de 18% no inverno) e o número de horas com luz natural – 10h30. Como circuitos como Silverstone estão em regiões de latitude mais alta, escurece mais cedo no inverno.

Mas não é só por questões geográficas que a F-1 vive voltando a Montmeló. O Circuito da Catalunha é um dos melhores para se comprovar a eficácia de um carro. A combinação de curvas longas, cada vez mais rara em um campeonato de retões e grampos das pistas de Tilke, escancara os problemas aerodinâmicos, enquanto o sinuoso último setor mostra problemas de estabilidade e tração.

São três os pontos fundamentais da pista: entre as curvas 1 e 3, o carro vem de uma reta longa, bem acima de 300km/h, e freia até 140km/h para a primeira curva. Mas logo os pilotos voltam a acelerar mudando de direção para fazer as curvas 2 e 3, tomara, de pé embaixo. Se o carro não se sustentar na pista, demonstrar falhas de torque, ou mesmo apresentar desgaste irregular de pneus, não será um bom sinal.

A freada da curva 10 é outro ponto importante, pois os carros vêm de 300km/h e fazem a curva a 70km/h. Aqui, a estabilidade de freada e os engine modes são colocados à prova. As trocas de marchas são configuradas para serem graduais para que o torque não seja muito agressivo, o que também ajuda no equilíbrio e evita travadas no pneu – e, consequentemente, desgaste.

O terceiro ponto capital é a chicane final, uma prova fundamental de equilíbrio, que depende muito, novamente, do mapeamento do motor e do torque. E, na saída da chicane, a tração também será colocada à prova, e quanto mais rápido o piloto conseguir acelerar na reta, melhor.

Não por acaso, nos acostumamos a ver os donos dos melhores carros vencendo o GP da Espanha. Mais do que isso, geralmente os pilotos ficam alinhados na classificação bastante perto de seu companheiros, dando a dimensão da importância do equipamento neste circuito que, pelo menos motivo que não traz grandes emoções nas corridas, pode ser considerado o mais perfeito para avaliar a real qualidade de um carro de F-1.

8 comentários sobre “Por que Barcelona é perfeita para testes?

  1. Pelo menos Fernando não teve aquele acidente “rejuvenescedor” do ano passado na curva 3. kakakaka
    Pelo jeito não ventou muito lá na curva 3 esse ano.

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  2. Ainda existe a regra de configuração fixa do câmbio durante o ano inteiro? Não lembro de ter visto muita discussão acerca disso no ano passado. Saudade do podcast credencial…

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  3. Jualianne, seria legal um post comparando quantidade de voltas e melhores tempo de cada equipe/piloto em relação ao ano passado. Daria para ver a evolução ou retrocesso de cada equipe.

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