Em busca do caos: a nova regra de pneus

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Enquanto as mudanças no regulamento técnico não vêm, a Fórmula 1 começa a temporada de 2016 tentando “criar o caos”, como bem definiu Felipe Massa, e ao menos desafiar o domínio da Mercedes. Afinal, foram 32 vitórias nas últimas 38 corridas e o time – com todos os méritos, diga-se de passagem – não dá sinais de que vai tirar o pé tão cedo.

Nesta semana de prévia da temporada, separei as três principais mudanças que visam aumentar as variáveis e chacoalhar mais um grid, começando pela nova regra dos pneus.

Até o ano passado, a Pirelli determinava os dois tipos de compostos que todas as equipes usariam durante o GP. A partir de 2016, as equipes poderão escolher qual o composto de 10 dos 13 jogos disponíveis para pista seca entre três opções dadas pela empresa italiana, dependendo do tipo de pista.

A confusa regra tem alguns pontos importantes:

  • As opções das equipes (lembrando que cada piloto pode fazer uma escolha diferente) serão divulgadas pela Pirelli apenas duas semanas antes de cada corrida.
  • Apenas três jogos de pneus serão iguais para todos: um que deverá ser usado por todos os que forem à última fase de classificação e será devolvido no sábado. Os outros dois – um de cada composto definido pela Pirelli – serão disponibilizados para serem usado na corrida. Porém, só há obrigatoriedade de usar um deles.
  • Os outros 10 jogos serão escolhidos pelas equipes e a distribuição deles continua a mesma: um jogo para os primeiros 40min do FP1, outro para o restante; dois jogos para o FP2; outros dois para o FP3. Os quatro restantes poderão ser utilizados na classificação e corrida.

Trocando em miúdos, isso significa que, na prática, as equipes poderão ter pneus diferentes nas duas primeiras partes da classificação e durante a corrida. E nada impede que um piloto acabe usando três compostos diferentes no final de semana.

Em primeira análise, será uma escolha delicada para quem quiser arriscar com um pneu mais duro na tentativa de fazer menos paradas, uma vez que isso pode comprometer a classificação, ainda mais com as mudanças no formato – que, diga-se de passagem, só foram anunciadas após as equipes terem feito as primeiras escolhas do ano, o que pode aumentar a emoção das etapas iniciais. Por outro lado, isso também explica por que a expectativa da Pirelli é de que as escolhas fiquem uniformes até a metade do ano.

Mas é fato que temos visto na era Pirelli muitos casos de carros que simplesmente não funcionam com determinado composto, como foi o carro da Ferrari com os duros ano passado. A nova regra, portanto, oferece uma oportunidade de equalização dos rendimentos – e de equipes com pouco a perder, do meio para o fim do pelotão, adotarem táticas mais ousadas.

No mais, é outra alteração e outra regra difícil de explicar – ainda mais em conjunto com outras, como o fato dos pilotos largarem com os pneus usados no Q2 e terem de usar pelo menos dois compostos na corrida. E, se não tiver o efeito esperado, outro tiro no pé.

10 comentários sobre “Em busca do caos: a nova regra de pneus

  1. Acho que esta regra ou este troço não vai trazer benefício nenhum para a F1. Vai dar uma falsa competitividade e pode até beneficiar equipes menos eficazes e premiar os pilotos-sortudos. No fundo esta regra foi criada para penalizar a Mercedes e Ferrari porque não abaixou a cabeça pro velho-tio-Bernie!

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  2. No ano passado era visível em muitas corridas que se caso a Pirelli tivesse escolhido pneus mais macios para muitas corridas a Ferrari poderia ter incomodado a Mercedes. Porem como a Pirelli quase sempre foi conservadora nas escolhas de pneus durante o ano, sendo que em muitas pistas os pneus escolhidos eram duros de mais pra pista, isso beneficiou a Mercedes. A Ferrari parecia tratar melhor os pneus. E se essa “virtude” da Ferrari de tratar melhor os pneus continuar essa ano, a Ferrari pode tirar proveito da nova regra de pneus.

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  3. Imagino que um numero enorme de fans da F-1 estejam com a paciencia cheia de tantas mudancas, temporada sim, temporada nao. Mesmo que tivesse todo tempo do mundo no ceu para ler isso, nao teria a minima vontade de acompanhar mais essa tonteria. Simplesmente pulo os artigos. Como esse.

    Espero nao ter que largar tambem as corridas de lado. Gente sem nocao, completamente nessa FIA, FOM.

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    1. Achei o artigo muito bom. Aliás este blog vai na contramão da F1, cada vez mais interessante.
      Agora este tipo de comentário é falta de educação, completamente desnecessário.

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  4. Eu gostei dessa nova regra. Lembro que questionei essa possibilidade aqui mesmo no blog uns 2 ou 3 anos atrás… A nova liberdade de escolha dos pneus possibilitará que as equipes maximizem suas performances conforme a melhor combinação de compostos para seus carros/pilotos. Talvez alguns pontos precisam de um ajuste como a questão do Q2 (?!), mas acredito que essa nova regra tende a ajudar quem não tem um chassis tão bom como foi o caso da Williams ano passado. Não me parece complicado.

    Dia desses eu estava revendo as provas de 85. Nessa temporada os pilotos simplesmente misturavam os pneus no carro utilizando por exemplo duros atrás e médios na frente ou 3 médios e 1 duro atrás conforme o grau de exigência em curvas de determinado circuito. Muito interessante. Para desespero de muitos amigos, taí mais uma idéia que na minha opinião poderia voltar…rsrs

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  5. Eu tbm gostei. Acho que abre um leque maior para grandes diferenças de estratégia. Talvez poderemos ver mais decisões no fim da prova, quando talvez uma equipe coloque os pneus mais macios novos, enquanto outras estejam com pneus usados.

    Tbm espero no mais diferenças nas escolhas a partir de agora. Talvez mais equipes escolham pneu mais duro, para durante o fim de semana focar em ritmo de corrida. Enfim… gostei.

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  6. Oi, Ju,

    Aposto que esta regra, e a do novo formato dos treinos de classificação não chegam até o final do campeonato.

    Não consigo entender porque a Fórmula 1 de uns tempos para cá se perdeu ao ponto de tornar as coisas mais difíceis de entender. Se para a gente que acompanha diariamente, respira a Fórmula 1 é complicado, imagine para o torcedor que está chegando agora, ou que não acompanha os noticiários?

    Estas duas novas regras vão dar muito trabalho para narradores e comentaristas durante as transmissões. Vai tornar mais difícil ler a corrida, principalmente para quem está do lado de cá, da TV. Some se a isso a limitação do rádio, que poderia ser uma palhinha a mais pra gente e está feito o caos. Só espero que a FOM disponibilize gráficos eficazes para que não fiquemos tão perdidos.

    Quanto ao formato dos treinos, é até legal, mas vai dar muita confusão entre carros eliminados que estão retornando para os boxes e carros que estão em volta rápida. E mataram o Q3 no minuto e trinta final, já que não haverá mais a chance de um terceiro piloto ser o fator surpresa.

    Depois a categoria reclama de queda de audiência.

    Parabéns pelo post, Ju, abração!

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  7. Ola JU, fico em duvidas de como vao ser interpretadas ate mesmo as bandeiras azuis, uma vez que as variáveis de estrategia podem ser tao diferentes,por exemplo nos gps com pits mais longos, nao digo para vencer mas para pontuar voce acha que isso var impactar???

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    1. O regulamento em si é bem vago em relação às bandeiras azuis, mas na prática se o piloto não dá a posição depois de umas 3 curvas é punido. Tudo vai depender do julgamento dos comissários em relação à aproximação do piloto mais rápido. Pode haver algumas reclamações – sempre há! – mas não vejo como um grande problema.

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