Em busca do caos: restrições ao rádio

F1 Grand Prix of Malaysia

Uma das melhores corridas do ano passado foi o GP dos Estados Unidos. E não apenas pela chuva que chegou a cair razoavelmente forte, virou chuvisco, e depois desapareceu: todas as simulações daquele final de semana foram seriamente comprometidos pelo mau tempo e os engenheiros foram à prova bem menos preparados do que de costume. Prova disso foi a quebra dupla da Williams, por um problema de acerto dos amortecedores.

Logo após aquela prova, os pilotos comemoraram a menor interferência. Atualmente, tentam se preparar para uma regra que, se não deve deixá-los tão no escuro quanto os engenheiros ficaram em Austin, promete devolver-lhes algumas responsabilidades que há décadas não tinham.

Pelo menos no papel, 2016 será marcado por uma forte restrição na comunicação entre piloto e engenheiro via rádio. As equipes não poderão mais dar informações sobre o desgaste de pneu, consumo de combustível e regulagens de motor, por exemplo. As únicas informações liberadas são as relacionadas a situações de emergência e quebras.

Uma das grandes queixas dos fãs à F-1 atual é o excesso de controle que se tem sobre tudo. Com o avanço da tecnologia, ficou mais fácil determinar uma série de fatores, da durabilidade das peças, à melhor estratégia. Assim, em uma categoria controlada pela engenharia de ponta, o imponderável passou a ter cada vez menos espaço.

A nova regra busca relativizar isso e é a mudança mais radical nesse sentido dos últimos anos, mas temos de lembrar que as outras alterações do tipo, como o impedimento dos engenheiros falarem sobre os demais pilotos ou de ajudarem nas largadas, tiveram pouca influência de fato.

O ponto de maior tensão deve ser nas definições de estratégia, algo que pode trazer problemas internos para  equipes como a Mercedes, pois pelo menos em teoria isso abre a possibilidade de que os pilotos tenham táticas distintas – e não possam ser avisados disso. E também é interessante ouvir a opinião de Fernando Alonso de que a restrição é tão ampla que acaba restringindo o poder do piloto, simplesmente porque ele não pode trocar ideias com a equipe caso tenha um determinado feeling sobre o que deve ser feito. Em resumo, as táticas ficariam definidas previamente, e seriam mais estáticas do que antes.

Além disso, durante os testes de pré-temporada, alguns pilotos deram a entender que estavam testando formas de codificar as informações. Ainda que a ideia pareça boa, a efetividade das novas regras vai depender muito da dureza de sua aplicação e não é de se duvidar que seja mais um caso da Fórmula 1 estar fazendo muito barulho por nada.

6 comentários sobre “Em busca do caos: restrições ao rádio

  1. Ju, a equipe pode chamar o piloto para o pit? Pode avisar que tal piloto entrou para trocar pneu? Pode dizer a diferença para outro piloto? A comunicação pela placa na reta dos boxes tem restrição de informação? Desculpe as várias perguntas, mas para entender como vai ficar.

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  2. O que me parece é que a F1 está procurando, com a série: “em busca do caos” retomar a emoção das corridas das décadas de 80 e 90. Só esquecem que a emoção daquela época vinha de forma natural, quando as equipes tinham motores de 8, 10 ou 12 cilindros competindo uns contra os outros. o piloto mais rápido do fim de semana largava na pole, o rádio era só uma chiadeira, ninguém ouvia nada, o piloto poderia utilizar pneus mais duros do lado do carro mais exigido pelas curvas daquele circuito, a caixa de marchas poderia ter entre 4 e 6 marchas a gosto do piloto. Enfim, a F1 era uma CORRIDA, em que o piloto e o carro eram o centro das atenções e o que se procurava era chegar até a linha de chegada o mais rápido possível. ninguém tinha que criar regras para os pilotos se ultrapassarem, ou controlar as suas largadas, nada destes “enfeites” de hoje.

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