GP da Austrália por brasileiros, espanhóis e britânicos: Ai ai ai ai ai

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A temporada de 2016 do post das transmissões começou com uma baixa. Com o encerramento do contrato da F-1 para exibição em TV aberta na Espanha, o narrador Antonio Lobato perdeu seu lugar. Como o profissional ficou marcado pela relação próxima com Fernando Alonso – muitas vezes motivo de chacota – e ganhou notoriedade no país junto do piloto, é difícil não ter a sensação de que é o fim de uma era, algo somente reforçado pelo tom da transmissão da Movistar, totalmente focada em Carlos Sainz.

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Preferências nacionais à parte, foi impossível não destacar a largada de Vettel (de 3º para 1º) e Raikkonen (de 4º para 2º) nos primeiros instantes do GP da Austrália. “É uma grande largada de Vettel e ele já está na frente das duas Mercedes e Hamilton está sob pressão de Massa. É uma dobradinha da Ferrari! Que largada de Vettel!”, se empolgou David Croft, na Sky Sports britânica.  “Hamilton caiu da primeira para a sexta posição. Largou muito mal o Lewis Hamilton, o que vai ser bom para a corrida”, comemora Galvão Bueno na Globo. “Teremos um GP muito bom. Como largaram as Ferrari. Não foi só um, foram os dois. E já dizíamos que o único que podia perder a corrida era Hamilton hoje”, afirma o comentarista Pedro de la Rosa, na Movistar.

Reginaldo Leme destaca que “a Ferrari ter pulado na frente mesmo com a pequena distância até a primeira curva. Vettel ganhar a ponta foi arrojo. Agora o Raikkonen foi puro talento”, enquanto Martin Brundle lembra que “alguns pilotos tiveram os problemas que esperávamos com esse câmbio de uma alavanca só.”

Seja qual for o motivo da dobradinha da Ferrari conquistada já nos primeiros metros, o fato é que as expectativas para a prova mudaram em poucos segundos. “É uma pista de muito difícil ultrapassagem”, salienta Reginaldo. “Vettel tem um jogo de pneus novos, tem Raikkonen o protegendo e está abrindo de Rosberg. As coisas parecem muito boas para a Ferrari”, avalia Brundle. Falando em tais pneus, um jogo de supermacios, o comentarista espanhol Joan Villadelprat acredita que “se Vettel está na frente, não tem de usar os supermacios, porque os Mercedes vão de macio e macio”, mas logo é corrigido por De la Rosa: “O problema dele é que só tem um macio novo. Precisa alongar o máximo o primeiro stint.”

Enquanto os espanhóis mudam o foco de sua corrida para Sainz, Galvão percebe que o tempo está passando: “Jolyon Palmer, filho do Jonathan. É, Reginaldo, transmitimos corridas de todos eles. Daqui a pouco vai começar a aparecer neto…” E os ingleses se impressionam com a melhora do motor Renault, ao verem Massa sendo ultrapassado com certa facilidade por Ricciardo. “Não me lembro de ter visto nada parecido ano passado”, exclama Brundle.

Com Hamilton preso atrás de Verstappen, De la Rosa pede que a Mercedes mude a estratégia: “Ou parar mais cedo, ou retardar a parada.” Já o narrador Josep Luís Merlos destaca queparece que a unidade de potência da Mercedes deste ano não é tão superior. Se fosse em 2015, ele já tinha passado o Verstappen há 3 anos.” A falta de ritmo também chama a atenção do repórter inglês Ted Kravitz. “A Mercedes está agitada nos boxes, estão pensando ‘onde foi parar nosso ritmo de corrida?’ Eles acham que os pneus estão sofrendo muito graining.”

Quem começa a movimentar o xadrez estratégico é Rosberg, que antecipa sua parada para tentar passar Raikkonen e Vettel em uma tacada só. E quase consegue, voltando logo atrás do alemão depois da resposta imediata da Ferrari. “A Mercedes estão tentando estratégias diferentes: antecipando com o Rosberg e alongando com o Hamilton. Já a Ferrari não se preocupou em defender o segundo lugar do Raikkonen, mas sim a liderança. E fez certo porque o Rosberg ia passar”, avaliou Luciano Burti. E De la Rosa vê como acertada a decisão da Ferrari de manter Vettel com os supermacios porque “assim obriga Rosberg a ultrapassá-lo com o mesmo pneu no final”, referindo-se aos macios novos.

A Mercedes demora tanto para chamar Hamilton aos boxes que a Ferrari não tem escolha a não ser parar Raikkonen que “não devia estar feliz”, como diz Brundle, em permanecer tanto tempo na pista com pneus desgastados. O time italiano – assim como os comentaristas – só não esperavam que a demora estava acontecendo porque o plano dos alemães era colocar pneus médios no carro do inglês e tentar fazer uma parada.

Tanto, que a primeira reação de Burti é crer que a mudança de composto se deu porque “a Mercedes está sofrendo com o desgaste.” Na Globo, é Galvão quem vê que trata-se de “uma tentativa de parar uma vez a menos.” Todos, na verdade, estranham a estratégia em um primeiro momento. “Fascinante, porque eles não fizeram nenhuma simulação com o médio”, diz Brundle. “Essa estratégia é incrível, vão colocar o pneu que não provaram por todo o final de semana”, se impressiona Villadelprat. “E para acabar a corrida. Para um piloto que vai lutar pelo mundial, na primeira corrida, é muito arriscado”, completa De la Rosa.

externalAs elocubrações param por aí quando o carro de Esteban Gutierrez aparece parado na brita. Os espanhóis já sabem que Alonso bateu, pois acompanham também a câmera onboard do espanhol. Mas só quando a imagem abre, os demais percebem que há outro carro envolvido. “Parece que estourou o pneu traseiro esquerdo, deve ter sido isso o motivo [da saída de pista de Gutierrez]… Opa, tem outro carro virado de ponta-cabeça ali!”, exclama Burti. “Olha o estado do carro! É o Alonso! Está sentindo um pouco da perna, está tonto, é claro. Olha o estado do carro!”, se impressiona Galvão. “Há muito tempo eu não vejo um acidente em que o carro ficou tão destruído”, lembra Reginaldo.

“Dá para ver o Alonso sentado do lado do carro, ele parece estar meio chocado. É a curva 3, um lugar que você conhece muito bem, Martin”, diz Croft, relembrando acidente sofrido pelo comentarista na mesma curva em 1996. “Ele está muito no final dessa área de escape. Parece que alguém teve alguma quebra no carro ou bateram em alta velocidade. É uma pilha de fibra de carbono”, diz o comentarista.

Curiosamente, antes de ver o replay, Merlos se apressa para dizer que “Gutierrez se dirige a Alonso para se desculpar. Ele teve algum problema em seu carro e Fernando não conseguiu evitá-lo. Acidente espetacular e horrível. Que imagem, madre mía.”

Mesmo após o replay, a avaliação de De la Rosa é de que “Gutierrez freou muito cedo, é uma curva em que se freia antes dos 100m. Ele foi para a esquerda para se proteger. Não foi um problema do carro”. E Villadelprat concorda. “Acho que ele fez esse movimento com boa fé porque achava que Fernando viria pelo interior. Espero que não haja nenhum tipo de sanção.”

Quando viu o replay, Galvão teve a mesma reação de muita gente que estava na frente da TV. “Ai ai ai ai ai ai ai”. “Ele errou o cálculo. O Gutierrez freou mais cedo do que ele imaginava”, avalia Burti. “Parece-me bem familiar… Alonso foi mudar de lado para pegar Gutierrez de surpresa, mas ele freou mais cedo do que o espanhol estava esperando”, repetiu Brundle.

A corrida é paralisada e Burti tem dúvidas sobre a regra. “Caso eles não possam mudar o pneu, o grande beneficiado é o Vettel, que está com o supermacio.” Britânicos e espanhóis estavam seguros de que os pneus poderiam ser trocados. Ainda que não tivessem clareza sobre o que isso significava. “Nesse momento, eles podem trocar o que quiserem no carro, então é uma pena porque vamos perder aquela guerra estratégica que estava se desenhando. E os grandes perdedores foram as Ferrari”, avalia Kravitz, ainda que Croft defenda que “isso meio que arruinou a corrida para quem ia parar uma vez”. E De la Rosa vê que “Vettel tem um problema porque ele só tem um macio novo ou supermacios usados. E os médios, que ele não vai usar. Ele vai ter que usar outros supermacios usados e macios novos para atacar no final. Quem se deu mal foi Hamilton, porque tinha acabado de parar.”

Quando os cobertores são tirados e são reveladas as escolhas – Vettel com supermacio, as Mercedes com médio, o que representava uma mudança na estratégia de Rosberg – os comentaristas não sabem muito bem o que esperar. “Então as Ferrari vão ter que parar de novo e as Mercedes não. Interessante. Estou quebrando a cabeça para entender por que a Ferrari não copiou a Mercedes”, diz Kravitz. “Só faz sentido se a Ferrari não acredita que eles chegariam ao final”, responde Croft. “Dá para entender ainda menos porque colocaram um supermacio usado no carro do Vettel”, completa Brundle.

“Vettel tem um problemão porque tem Rosberg atrás e já não tem o escudo de Raikkonen. Deve estar amaldiçoando a bandeira vermelha”, diz De la Rosa. Ainda mais porque, como todos avaliam, o alemão não consegue escapar do compatriota mesmo tendo um pneu em teoria bem mais rápido. “Parece que a Mercedes acertou na estratégia”, diz Burti na volta 25, seis após a relargada.

5131Na volta 31, o brasileiro reconhece que “é fácil falar agora, mas quem relargou com supermacio cometeu um grande erro”. No giro seguinte, é Kravitz que avisa: “Não sei se todo mundo percebeu, mas Rosberg vai vencer essa corrida.” E Brundle completa: “E o Hamilton vai ser segundo. A Ferrari cometeu um erro crítico.”

Villadelprat crê que o time italiano poderia ter tentado algo diferente. “Acho que Vettel deveria ter colocado o macio, porque o médio seria muito arriscado. Mas o que a Mercedes fez foi corajoso, pois não tinham provado esse pneu.”

O líder para e coloca os pneus macios para tentar ultrapassar as Mercedes, mas não consegue, embora todas as transmissões tentem criar um clima de emoção para as voltas finais.

Mesmo com a dobradinha da Mercedes, contudo, a primeira etapa empolgou os comentaristas. “A corrida mostra que a Ferrari está na briga, está na parada”, define Galvão, ainda que Reginaldo não se mostre tão animado. “Tinha tudo para dar errado, mas tá aí a dobradinha da Mercedes.”

“É uma dobradinha da Mercedes, que salva, com uma estratégia inteligente, o que poderia ter sido um início desastroso de temporada para eles. E Rosberg vai sorrir pela primeira vez neste final de semana”, observa Croft entre os ingleses, que entrevistam Arrivabene, que fica repetindo ‘foi a bandeira vermelha, foi a bandeira vermelha’, o que não convence Brundle. “Foi o que eles fizeram depois da bandeira vermelha. Parece que queriam ficar longe dos pneus médios.”

A estratégia também pauta a conversa final dos espanhóis que, com risos, reconhecem que ficaram perdidos durante a prova. “Foi uma corrida apaixonante do ponto de vista de estratégia, porque erramos tudo”, disse De la Rosa. “Criticamos algumas decisões da FIA, mas temos de falar que essa opção do terceiro pneu parece ter contribuído mais vezes. Espero que estejamos errados mais vezes e que as corridas sejam imprevisíveis assim”, avalia Villadelprat, cujo comentário é completado pelo colega de transmissão. “A única coisa que não gosto é que tenhamos que esperar que as Mercedes tenham uma largada ruim para termos uma corrida boa.”

 

4 comentários sobre “GP da Austrália por brasileiros, espanhóis e britânicos: Ai ai ai ai ai

  1. Oi Julianne. Em sua série “em busca do caos” senti falta de um texto sobre essa mudança nas borboletas de embreagem que pelo jeito mexeram com a largada das Mercedes. Na verdade, até então só tinha lido no Livio Oricchio sobre tal mudança para 2016, mas sem muitos detalhes.
    Que bom que você continua com os textos sobre as transmissões! Privilegiados os que lhe acompanham 🙂

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  2. Muiiiito bom…

    Que tacada de mestre da Mercedes, Hamilton havia dito que essa era a estratégia desde o início.

    Rosberg logo o copiou, não é tão imbecil assim ne?!

    Corrida ok, e que venha o EXCELENTE GP DO Bahrein que nos últimos dois anos foram sensacionais

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  3. Para os residentes nos USA que leem o espaco: Achei que a NBC SN foi ultra sobria, bem informativa e sem pirotecnica na transmissao. Nao acrescentou nada de importante — qualquer um vai ter acesso a informacao 5 segundos mais cedo ou mais tarde de qualquer maneira–, mas nao falou nenhuma besteira.

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