Na direção errada

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A Fórmula 1 precisa de uma classificação que gere um grid misturado para ter emoção. E de carros mais rápidos, que levem os pilotos ao limite. É com premissas do tipo que os dirigentes vêm impondo mudanças no mínimo questionáveis nos últimos meses, enquanto temos corridas interessantes como na Austrália e no Bahrein – com direito a quebra do recorde da pole, que fora estabelecido com um V10 e mais ajudas eletrônicas em relação a hoje, neste último final de semana.

Tais corridas retomam um caminho que ficara esquecido após ‘aquele’ GP da Inglaterra de 2013: o importante papel dos pneus para tornar as provas mais disputadas. Especialmente em 2012 e na primeira metade de 2013, isso aconteceu pela alta degradação e grande disparidade entre os compostos (não raro, a Pirelli adotava um ‘degrau’ entre os compostos, escolhendo os supermacios e médios, por exemplo). Hoje, é a maior liberdade na escolha dos tipos de pneu que aumenta o leque estratégico e faz com que pilotos com táticas diferentes se encontrem o tempo todo na pista. E, na F-1 moderna cheia de interferências da engenharia e altamente focada na aerodinâmica, essa é a receita mais certeira para a emoção.

Emoção que só tem ficado faltando na luta pela ponta. Rosberg deu a impressão de ter controlado o ritmo o tempo todo, algo evidenciado pela velocidade de Hamilton mesmo com uma estratégia falha – afinal, não era dia para os pneus médios – e o carro danificado. O fato é que o salto Ferrari da classificação para a corrida não é tão grande quanto se esperava, ainda que haja a possibilidade de que a história mude após a atualização do motor italiano.

Voltando às estratégias, parece que o crescimento do leque também parece aumentar as chances de erro da Williams que, surpreendentemente, insistiu no plano inicial de usar os médios mesmo sendo clara a falta de ritmo. Com mais maleabilidade – como a própria Mercedes teve – dava para remediar a corrida de Massa revertendo sua tática de duas para três paradas no meio da prova.

Quem estava deixando claro qual o caminho a seguir, novamente, foi a Haas. A decisão capital da corrida de Grosjean foi só usar um jogo de pneus no Q2. Com isso, o francês era quem tinha mais pneus novos dentro do top 10 e, não coincidentemente, levou o quinto posto. Vale a pena lembrar que o piloto ficou marcado nos últimos anos pela forma como cuida bem dos pneus. E tem no time americano suspensões desenhadas pelo mesmo engenheiro com quem trabalhou na Lotus.

Resultados como estes primeiros da Haas, que ficou no top 10 por todo o final de semana no Bahrein, deveriam fazer com que as equipes que não têm apoio direto de grandes montadoras repensarem seu modelo de negócio – ao invés de questioná-lo. O mesmo exame de consciência que os dirigentes deveriam fazer. Se realmente assistiram às duas primeiras provas do campeonato.

16 comentários sobre “Na direção errada

  1. Julianne como a Haas vai desenvolver um chassi que ela não construiu? Será que ela vai ficar o ano todo sem desenvolvimento vc tem alguma informação sobre isso?

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    1. Ela faz estudos em tuneis de vento de terceiros e manda o resultados para outro terceiro (a Dallara) fabricar as peças. Já os motores e atualizações referentes vem de outro terceiro, a Ferrari. Ou seja, no fim, a vida da Haas é bem fácil comparada a equipes construtora de verdade.

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  2. Lúcio, se não me engano o que os times costumam evoluir durante o ano é mais peças vinculadas à aerodinâmica (carenagem/asas) ou à componentes intermos (motor e sistemas).

    estou correto?

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  3. Ótimo post, Ju!
    Fico imaginando se Vettel não incomodaria mais o Rosberg na corrida, caso seu carro não tivesse quebrado. Afinal, Kimi chegando a menos de 7s não é nada mal para a Ferrari, numa corrida sem Safety Car.
    E não é que a Dallara fez um ótimo chassi?

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  4. Senti muita falta do Vettel na largada. Se ele estivesse lá, estando na frente ou atrás de Lewis na primeira curva, Lewis não teria ‘encontrado’ o Bottas pelo caminho e a história da corrida seria outra.
    Quando Lewis perdeu a largada pro Nico, até gostei, já pensando na disputa que viria durante o decorrer da prova. Segundos depois, já mudei de idéia.
    Aconteceu de tudo nessa corrida. Muito diferente uma pista onde tem espaço pra ultrapassagens e não fica aquela procissão chata.
    Esquenta não, Lewis. Ainda tem todo o ano pela frente e até o Galvão (normalmente seu secador) acha que você pode sim ser campeão em cima do Nico.

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  5. Também acho que a ausência do Vettel facilitou a boa largada das Willians. E fico cada vez mais convencido que o Bottas não é tão bom quanto dizem, na minha opinião mais um Whokemberg. Sorte da Ferrari que não o contratou. Parece que o Nico não é fraco como alguns vinham comentando. Largou melhor e controlou bem a corrida. Está aproveitando as más largadas do Hamilton.
    O Kimi começou igual ano passado, quebrou na Austrália e segundo no Bahrein. Mas parece mais perto do Vettel. Grande prova do Grosjean, Verstapen e Vandorme.
    Se com 2 compostos a Willians já se enrolava nas estratégias, com 3 pneus piorou muito. E tem o agravante que os touros estão mais perto com a melhora do motor Renault. A única dúvida é se o motor realmente melhorou bem ou se a preparação independente deste motor é o diferencial.
    Agora falta acertarem logo a classificação.

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  6. Ora vejam! Então a estreante HAAS ensinando os rumos! Gostei. A F 1 é sempre surpreendente.

    Sobre a corrida, o que me chamou a atenção:

    uma pena o que ocorreu com Vettel e com Hamilton. Com certeza, a corrida com os dois brigando pelas primeiras posições teria sido eletrizante. Fica para a próxima.

    VANDOORNE – com o carro que tinha, CHEGOU CHEGANDO na F 1, confirmando tudo o que mostrou nas categorias de acesso, em especial na GP 2;

    VERSTAPPEN mostrando aos seus críticos, mais uma vez, que veio para ficar e um dia ser um multicampeão. Se for promovido rápido para uma equipe de ponta, isso ocorrerá antes do que muitos imaginam, não importa quem seja o seu companheiro de equipe;

    WEHRLEIN: excelente performance, seguro, calmo em suas avaliações, ele tem um TRAÇADO PERFEITO, constante, e toca fortíssimo. Começa a escrever um futuro brilhante, com contornos de campeão mundial um dia.

    Estaríamos diante de um futuro TRIO DE OURO? Legal presenciar o início de novas Eras.

    GROSJEAN se consolida cada vez mais como um grande piloto, já amadurecido e, o mais importante, SEM PERDER SUA RAPIDEZ, e com agressividade na medida certa.

    SENSACIONAL ver uma HAAS que chega para disputar competitivamente, logo de cara, e não apenas para fazer número.

    Sem dúvida, LEWIS precisa dominar melhor essa nova embreagem. Num ano que se afigura mais competitivo que o anterior, ele não pode facilitar perdendo a liderança de uma pole, ainda que confie em seu taco para as suas ultrapassagens viscerais, que realmente acontecem, mas com riscos bem maiores, é claro. Sem falar que qualquer má largada pode produzir episódios como esse em que se envolveu com BOTTAS. Não entendi a estratégia dos pneus brancos, mais duros e mais lentos, para tão poucas voltas.

    A vitória de ROSBERG foi totalmente merecida, nem há o que discutir.

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    1. Aucam acho q a mercedes iria fazer com lewis assim ,usar os medios e colocar o macio no final, ai viram q num daria a ideia, ai mudaram pra supermacio e macio. Achei q a mercedes corrigiu a tempo,ja a williams fez outra burrada.
      Acho q vettel seria 2 nessa, rosberg estava controlando o ritmo, tinha bala pra andar mais que 7s pra ferrari.

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      1. CHRYSTIAN, se eu já não entendi bem a estratégia da Mercedes em relação a HAMILTON, fico ainda mais perplexo com as estratégias da Williams.
        Meu abraço.

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  7. Ótimo post como sempre Ju!
    É incrível a capacidade da Williams em errar nas estratégias, Massa começou a virar 2s mais lento que o Bottas, era óbvio que os médios não rendiam e que deviam ter mudado a estratégia, acho que é a hora de contratarem a consultoria do Ross Brawn ou algo do tipo…
    Victor,
    Aonde conseguiu essa informação? Até onde sei, a Haas tem um dos melhores túneis de vento dos E.U.A., inclusive alugando para grandes montadoras, equipes de F-Indy e Nascar, logo seria de se esperar que eles desenvolvessem o chassi em seu próprio túnel…
    Aucam,
    Quando a McLaren dispensou o nada fraco Magnussen para colocar o Vandoorne, fiquei com dúvidas com relação a essa decisão, mas garoto mostrou realmente a que veio e já tem sites que até o colocam como titular ano que vem, acho um pouco de exagero, mas na F1 as coisas mudam rápido…
    Wehrlein e Grosjean estão surpreendendo com os carros que tem em mãos, achei que a Manor andaria mais à frente e a Haas mais atrás, mas a diferença de ambos para os companheiros de equipe demonstram a qualidade dos dois como pilotos.
    Será que veremos Grosjean na Ferrari ano que vem? Não seria ruim.
    É impressão minha ou a Ferrari abriu mão de confiabilidade por potência? Duas quebras em duas corridas e um motor mais próximo da Mercedes dá entender que foi isso que aconteceu.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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    1. Caro NATO,
      Será um absurdo se VANDOORNE não adentrar a F 1 em 2017. Mas corre esse risco. Vamos ver como conseguirão acomodá-lo. Tanto Palmer quanto Magnussen têm contrato de apenas um ano com a RENAULT. VASSEUR tem VANDOORNE em altíssima conta, talvez consiga encaixá-lo na Renault no lugar de PALMER, que me parece mais fraco do que MAGNUSSEN. Mas, e a McLaren, que banca a carreira do belga, como ficaria nessa história?

      Nem Lewis HAMILTON teve estatísticas e números tão exuberantes na GP 2 quanto VANDOORNE. STOFFEL foi VICE-campeão na Renault 3,5 em 2013 para KEVIN MAGNUSSEN, que também tem bom potencial. Essa questão de ser o vice e não o campeão às vezes não quer dizer muita coisa, pois VETTEL foi vice-campeão na F 3 Euroseries em 2006 para PAUL DI RESTA. . . Na GP 2 VANDOORNE foi outstanding, ele já estreou com vitória na categoria. Foi o campeão com o maior de número de vitórias. Na Renault 3,5 ele sucedeu um campeão de muitíssimo talento, que foi desperdiçado pela F 1, o holandês ROBIN FRIJNS.

      O problema é que a fila na F 1 custa a andar, não é mesmo? Grandes nomes dos quais a rigor não se pode mais esperar nada além do que já fizeram, pois estão em declínio, quando permanecem ativos na categoria tornam difícil a ascensão dos novos talentos. No caso da McLaren, como exemplo, ALONSO ainda é ALONSO a meu ver, e BUTTON é como um bom vinho, ainda pilota muito e se mostra muito motivado. Para VANDOORNE ser aproveitado, é preciso que BUTTON não queira mais continuar. Bom seria que a McLaren tivesse um time B para encaixar logo VANDOORNE, ue também já não é tão criança assim (24 anos) nessa loucura de padrão abaixado por MAX VERSTAPPEN. Aliás, eu gostaria de ver VERSTAPPEN na Ferrari ou na Mercedes, em 2017. Também gostaria da possibilidade de GROSJEAN na Ferrari.
      Um abraço!

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      1. O Button ainda dá um bom caldo, mas na dúvida já colocaria o Vandoorne no lugar dele, ou quem sabe o espanhol resolva mudar de ares.
        O Kimi tb já deve deixar uma vaga aberta. Nasr e Ericsson estão aí só pela grana, mas ai alguém tinha que ajudar a Sauber. E o Massa tb já deu o que tinha que dar.
        O Pascal W. Tb merece vaga numa equipe melhor. Quem sabe uma Willians que usa Mercedes. E daria um sufoco no Bottas.

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      2. Pois é, Aucam, a F1 hoje tem um problema quanto aos jovens pilotos…

        Como hoje a turma entra muito cedo (mesmo) na categoria, e ao mesmo tempo a idade “útil” de um atleta tem aumentado, acaba que existem poucas vagas pros muito novos, a não ser na equipés de fundo de pelotão. E alguém comentou (em um outro post ou em algum comentário de post) que já temos uma geração de bons pilotos que ficaram “no meio do caminho”, sem ter tido a chance de guiar um carro de ponta, pois as equipes melhores estão ocupadas com os “veteranos”.

        Pelo menos temos uma situação um pouco mais próxima do início dos anos ´80 (do quinto ao décimo colocados), onde em cada corrida as equipes que pontuavam se revezavam muito de corrida a corrida. Hoje pelo menos do quinto ao décimo lugar temos tido nessas 2 corridas um certo revezamento, eu acho. (não verifiquei nem lembro direito). Ver a Haas andando super bem e a manor melhorzinha que antigamente é um alento. Pena que a Sauber tá com essa problemada toda.

        Mas o 1-2-3-4 vai ser realmente mercedes e ferrari sempre que tivermos as chamadas CNTP (condições normais de temperatura e pressão).

        É chato, mas é a vida.

        abraços a todos

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  8. Dos danos (a deficiência do W07 nas largadas) foi o Rosberg que reduziu o prejuízo melhor (Hamilton um desastre nestas duas largadas!). A Mercedes teve sorte do carro #5 ter “fumado” o motor na volta de apresentação! Porque possivelmente teria sido vencida pela Ferrari do Vettel no “start” inicial, possibilitando outro panorama para o GP. Imagino que a equipe-prateada deva estar minuciosamente trabalhando para que, as suas largadas sejam melhores pra não terem o risco de não fazer as dobradinhas ou até mesmo, dependendo da pista, ver o adversário sair vitorioso. Quanto ao duelo Hamilton & Rosberg, sem dúvida haverá uma reação do Hamilton. Más certamente o inglês terá neste campeonato, um Rosberg mais maduro e seguro de si que proporcionará um campeonato equilibradíssimo até o fim (espero!). Vejo esta briga doméstica com muito otimismo!

    Quanto a nova proposta da FIA para a qualificação do grid, o Vettel já deu o seu parecer: http://grandepremio.uol.com.br/f1/noticias/vettel-detona-nova-proposta-de-formato-de-classificacao-por-soma-de-tempos-ideia-de-merda

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