Erros marcaram táticas em Barcelona

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Os dois melhores carros fora logo na primeira volta e uma batalha entre duas estratégias tornaram o GP da Espanha um dos mais imprevisíveis dos últimos anos. Tanto Daniel Ricciardo, quanto Sebastian Vettel aparentaram, em diferentes momentos da corrida, serem os maiores candidatos à vitória depois da auto-eliminação de Rosberg e Hamilton. Mas foi Max Verstappen quem teve a melhor tática e o mérito de fazê-la funcionar para vencer a prova.

Antes da largada, a indicação da Pirelli era fazer três paradas. Mas isso apenas no papel: sabendo das dificuldades em se ultrapassar em Barcelona, a prioridade seria tentar parar duas vezes e tirar os pilotos do tráfego. É claro que, dependendo do carro, isso seria menos ou mais vantajoso – no caso de chassis menos equilibrados, como o Sauber ou até mesmo o Williams, parar duas vezes seria arriscado demais. Para as Mercedes, por outro lado, seria a melhor opção.

Mas seria o melhor caminho para Red Bull e Ferrari? Com um carro mais ‘no chão’ que os italianos e liderando a prova, Ricciardo surpreendeu ao ser o primeiro a parar, indicando que faria três pit stops. Foi um risco desnecessário, pois só funcionaria caso ninguém tentasse parar duas vezes. Como, naquele momento, a Red Bull tinha a dobradinha, o mais óbvio seria usar Verstappen como escudeiro, fazendo o holandês ditar um ritmo mais lento para Vettel, que parecia mais forte. Mas Christian Horner disse no domingo que isso não era uma opção pelo temor de que a menor velocidade de reta fizesse com que o estreante perdesse a posição.

Horner também afirmou que, quando comprometeram Ricciardo com a tática de três paradas, não sabiam qual a melhor opção. Ainda assim, é difícil explicar por que o time colocou o australiano, que vinha à frente, em uma estratégia na qual teria de fazer ultrapassagens, especialmente em uma pista como Barcelona.

Do lado da Ferrari, as táticas foram ainda mais confusas. Como Vettel havia estendido seu primeiro stint, tudo leva a crer que a Ferrari mudou de ideia durante a corrida, ao perceber que Ricciardo pararia uma vez a mais. O alemão teria, então, de passar o australiano por meio de um undercut.

Porém, ao fazer a terceira parada de forma precipitada, provavelmente temendo a agressividade costumeira das táticas da Red Bull, a Ferrari chamou Vettel de volta aos boxes cedo demais e tirou todas as chances de vitória do alemão, que teria de fazer quase tantas voltas quanto Raikkonen e Verstappen no último stint. Ainda assim, com pneus cinco voltas mais novos, comprovando que a estratégia de três paradas era pior, Ricciardo não conseguiu ultrapassá-lo.

No caso de Raikkonen, por sua vez, faltou agressividade para a Ferrari, que deixou a Red Bull tomar a dianteira nas duas paradas de Verstappen, sem tentar o undercut. Seguindo um carro de perto em Barcelona e tendo de economizar pneu, ficou muito difícil para o finlandês superar Max.

Em uma tarde em que aparentou ter o melhor ritmo no grid, a Ferrari pareceu ter sentido a pressão de ver o caminho aberto pelas Mercedes. Do lado da Red Bull, Ricciardo tem motivos para ficar desapontado. Mas, coincidência ou não, não poderia existir desfecho melhor em termos de uma bela história para contar do que a vitória de Verstappen.

17 comentários sobre “Erros marcaram táticas em Barcelona

  1. Realmente, por ter Vettel ido até a volta 15 no primeiro stint, fazia muito sentido que ele Vettel fosse para duas paradas, bastando acompanhar o ritmo da Red Bull e economizando pneus. A Ferrari vem pecando pelas estratégias, como na Austrália. Acho que a equipe sentiu a pressão pela vitória com as Mercedes fora e tomou decisões equivocadas. E seu presidente com suas declarações não ajuda… Que tal tirar Ross Brawn do sossego de sua pescaria?

    Lembrando que, se não há alguém responsável pelo sucesso da Mercedes hoje, esta não é Paddy Lowe nem Toto Wolff. É Brawn!

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    1. Certíssimo kro Billy! E vejo que não só a Scuderia, mas principalmente a Mclaren não poderia prescindir dos serviços do Ross. Acho que ele, Newey e Rory Birne são daqueles kras que nenhuma equipe que tenha pretensões de ganhar campeonatos um dia, deveria de deixar de agregar algum destes nomes em seus quadros. Acho que o Machionne terá que brevemente fazer outra mexida em seu staff.

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  2. Non-sense demais a Ferrari, Vettel alongou bastante o primeiro stint e não perdeu muito tempo isso, ele estava no jogo, porém, concordo com você, a Red Bull desestabilizou a Ferrari, então os italianos acabaram apenas “marcando” os rubrotaurinos. O problema é que, quando se marca, automaticamente você está atrás e isso é imperdoável em circuitos como Montmelo.

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  3. Gostaria de falar um pouco da estratégia do Massa, que para mim mais uma vez não foi a ideal.

    Largou de pneus macios , para mim não parecia a melhor proposta mas ok.
    Largou mal, caindo para penúltimo , não entendi porque não parou durante os safety car , perderia apenas uma posição ,mas optou por parar na volta 8 e perder todo o tempo de desaceleração , parada e aceleração.
    Isso só torma mais difícil de entender quando analisamos que Bottas fez 2 paradas, portanto uma parada logo na segunda ou terceira volta não seria tão prejudicial.
    No resultado final da corrida com certeza isso custou o sétimo lugar, e talvez uma maior aproximação a Carlos Sainz.
    Julianne o que você achou a estratégia do Massa?

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    1. A estratégia da Williams na verdade foi boa. Como ele estava largando atrás, parar três vezes o tiraria do tráfego.
      Explico ponto a ponto:
      – largar com o pneu macio era muito melhor por conta da aderência extra.
      – Bottas conseguiu fazer duas paradas porque correu sozinho. Massa tinha que forçar e a Williams estava preocupada com o desgaste. E a grande oferta de pneus novos dele também afetou a decisão.
      – parar no SC significaria que ele teria pneus novos, mas estaria no fundo do pelotão e provavelmente ficaria travado. A tática da Williams foi tirá-lo de sincronia com os demais logo na primeira parada, para ele ficar com pista livre o maior tempo possível porque eles sabiam que o ritmo era melhor do que os carros ao redor.
      – Eles não esperavam superar Sainz. Massa reconheceu que só ficou ‘faltando’ Perez.

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      1. Valeu Julianne!
        Com certeza em condições normais era a melhor estratégia , mas o safety car me deixou em dúvida . Mas concordo com seus argumentos.

        Parabéns pelo blog , profissionalismo e cordialidade com seus seguidores.

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  4. Acompanhando o os tempos de volta pelo site da FIA deu pra perceber que o Raikkonen funcionou como um reloginho, preciso e constante a corrida inteira. A Ferrari era melhor considerando uma volta inteira, porem perdia justo onde era possível ultrapassar. O Vettel nesta corrida estava muito irregular nos tempos, mesmo se tivesse feito a mesma estratégia do Raikkonen teria dificuldades para ficar na frente do Raikkonen e do Verstapen. No final da prova mesmo com pneus mais novos que Raikkonen e Verstappen o Vettel não conseguia acompanhar os dois, exceto nas primeira voltas do pneu.

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    1. O que vai acontecer se vettel perder pro raikkonen este ano nos pontos, sera que eles renovam com o homem de gelo? Vettel é um grande piloto, mas parece desmotivado, tomara que não afinal me tornei fan dele, mas acho que ele encerrara sua blilhante carreira antes dos 32 anos .

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  5. Imagino que a Red Bull tentou proteger o Ricciardo de um possível undercut da Ferrari. Naquele momento, Vettel estava próximo do Verstappen, que também não estava longe do Ricciardo. Antecipando a parada, o Vettel poderia ultrapassar os dois e ganhar posição de pista, o que se mostrou a estratégia mais acertada no fim da prova.

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  6. A propósito, caso Raikkonen e Verstappen tivessem parado mais a vez, a vitória seria muito provavelmente do Vettel, eu achei uma boa estratégia da Ferrari pra ele, sinceramente. O undercut no Ricciardo poderia ter sido feito um pouco mais tarde, talvez 3 voltas depois. Mesmo assim, ele terminou no pódio, enquanto Ricciardo foi quem mais se deu mal na estratégia, apesar de que falar isso depois do resultado é fácil. No fim, imagino que foi um daqueles casos nos quais todos arriscam, mas só um levou pra casa. Se tivesse dado certo pra algum outro piloto, cá estaríamos reclamando da estratégia dos outros.

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  7. Julianne, vc acha que se dos pilotos da Ferrari ou ate mesmo Riccardo tivesse tentado uma tatica meio maluca de trocar os pneus para os mais macios a 15 voltas do final não teriam mais chances? Pq a volta mais rapida da corrida foi de Kvyat em 1min26s quando os 4 pilotos da ponta rodaram no fim sempre na casa de 1min29 alto, 1min30s. Ou seja, em 15 voltas eles teriam um potencial bem maior de serem mais velozes e nem terem tanto problema para ultrapassar pela diferença grande causada pelos pneus. Algo tipo como fez Hamilton em Montreal em 2010. A unica questão é saber se eles tinham esses pneus na garagem.

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  8. JULIANNE: NARS, em declaração APÓS A CORRIDA, questionou o fato de a SAUBER não ter alterado para ele o plano de troca dos pneus, de 2 para 3, imputando a isso o fato de ter perdido posições (e obviamente chegando atrás de ERICSSON). É verdade que foi O PRÓPRIO ERICSSON QUE PEDIU AOS BOXES – DURANTE A CORRIDA – para o plano ser alterado para 3 paradas? Por que NASR não fez o mesmo? O que transparece é que ele não teve a MESMA PERCEPÇÃO que ERICSSON e NÃO FEZ ESSE PEDIDO, o que torna a sua performance mais criticável ainda, por evidenciar MENOS SENSIBILIDADE, MENOS PERCEPÇÃO e LEITURA DE CORRIDA do que o sueco.

    VOCÊ TEM ESSAS INFORMAÇÕES? ELAS PROCEDEM? Se for verdade, não é à toa que ando lendo por aí, em comentários em sites estrangeiros, que o brasileiro precisa acelerar mais e reclamar menos. . .

    O que eu ouvi de ERICSSON no rádio, durante a corrida, foram reclamações sobre a pilotagem de NASR.

    Grato, desde já.

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    1. Pelo que eu sei, o plano era, no caso de uma boa largada (o que ocorreu com Nasr), a estratégia seria de duas paradas. Com toda a correria por conta das Mercedes e de Verstappen, não tive tempo de apurar diretamente com o time.

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  9. Boa noite,
    Fiquei impressionado com a dependência aerodinâmica dos carros nessa corrida; Riccardo e Raikkonen ficaram muitas voltas presos atrás dos respectivos oponentes, fazendo com que a asa dianteira deixasse de funcionar, acabando prematuramente com os pneus dianteiros, e consequentemente destruindo todo o equilíbrio da frenagem. Por conta dessa situação, ficou impossível disputar posições no fim da reta (obs: o motor Renault melhorou a olhos vistos em relação ao ano passado) dividindo a entrada na curva; esse desequilíbrio custou o pneu traseiro esquerdo de Ricciardo.

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    1. Os carros são muito dependentes da aerodinâmica, sem dúvida, mas tradicionalmente isso fica mais claro neste circuito. Não é a toa que ele é usado para os testes. Isso deve melhorar em outras pistas, como Canadá e Áustria, e volta a piorar em outras, como Silverstone.

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