Alta pressão

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A alta degradação e a imprevisibilidade dos Pirelli deram o que falar nos últimos anos. Mas nunca se discutiu tanto as pressões. E com razão. Especialmente após ver seus pneus estourarem ano passado na Bélgica, a fabricante italiana passou a adotar limites mínimos bastante agressivos e vem travando uma queda de braço com os times, que buscam continuamente burlar as determinações.

Do lado dos times, faz todo sentido tentar andar com a pressão mais baixa possível, uma vez que isso aumenta a zona de contato da borracha com o asfalto e gera maior aderência mecânica. Do lado da Pirelli, a falta de testes e a evolução dos carros deixou seu produto vulnerável a falhas causadas justamente pelo uso de pressões baixas e do aumento das velocidades de contorno de curva. Não por acaso, inclusive, as falhas de Nico Rosberg e Sebastian Vettel em Spa ocorreram nos carros mais velozes do grid e em curvas feitas em mais de 200km/h.

A partir do GP seguinte, na Itália, o que antes eram recomendações de pressões ganharam poder de regra. Porém, os times encontraram maneiras de aparentar estar com as pressões corretas no momento da medição e, por meio da manipulação da temperatura, andarem abaixo do determinado. Isso acontece porque a pressão aumenta junto da temperatura.

Tais sistemas que burlam as regras não são tão engenhosos assim e seriam simplesmente freios e eixos pré-aquecidos, que fazem com que, no momento da medição, a pressão apareça mais alta do que quando o carro começa a andar, algo que dá um grande benefício na classificação e especialmente nas primeiras voltas da corrida, sendo fundamental para a durabilidade dos pneus.

A Pirelli passou a observar isso no GP da Rússia e, na Áustria, adotou um novo procedimento de leitura das pressões para inibir esse tipo de manipulação. E acredita que, nas próximas provas, poderá diminuir as pressões mínimas, que estão altas demais justamente para prevenir problemas com estas equipes que estão encontrando maneiras de burlar a determinação.

Para 2017, inclusive, existe a expectativa de que as pressões possam ser controladas em tempo real com força de regra, ou seja, se a Pirelli vir algo estranho, poderá levar o caso aos comissários durante a prova.

Pode parecer um detalhe, mas está longe disso. Os pilotos garantem que 0,5psi já é capaz de fazer diferença na pilotagem. E o que estamos vendo na maioria das pistas neste ano é um aumento de até 4psi em relação a 2015.

Isso afeta todos os carros, contudo é algo mais sentido por aqueles que geram menos pressão aerodinâmica e dependem mais da aderência mecânica para terem uma boa performance e é apontado pela Williams como o grande problema que o time vem enfrentando neste ano.

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