A bênção

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O campeonato de pilotos está pegando fogo, com dois pontos de diferença entre os líderes, e a confirmação da venda da Fórmula 1 para um grupo de mídia norte-americano pode alterar os rumos da categoria mesmo a médio prazo. Mas foi interessante notar ao longo da semana que um piloto que vem de um 11º e um 7º lugares nas últimas duas provas roubou as manchetes.

Não é de hoje que Max Verstappen desperta paixões. Quando chegou à Fórmula 1 aos 17 anos, foi criticado especialmente por ex-pilotos, que viam uma urgência perigosa em sua ascensão. Apenas 33 GPs depois, dá para dizer que estavam certos e errados ao mesmo tempo. Afinal, Max demonstra claros sinais de imaturidade, mas é exatamente do que a categoria precisava.

Isso, até causar algum acidente grave, alguns podem argumentar. De fato, os riscos assumidos especialmente nas defesas tardias, particularmente perigosas em tempos de grandes diferenças de velocidade devido ao acionamento do DRS e às diferenças de frenagem causadas pelos modos distintos de recuperação de energia, são exagerados. E a impressão de que o piloto tem uma certa licença extra dos comissários também não ajuda. Mas até nisso a F-1 tem sido cuidadosa, com conversas particulares com o piloto, evitando a exposição diante das câmeras e até dos demais pilotos.

Sim, a F-1 está alimentando um monstro. Mas são monstros, e não bons moços que se contentam com o segundo lugar e vão tentar novamente na próxima prova que vendem.

Tanta coisa aconteceu nesse um ano e meio de Verstappen na Fórmula 1, antes mesmo dele completar 19 anos, que é difícil ver onde esta história vai dar. O holandês tateou nas primeiras provas, até mostrar suas garras pela primeira vez em Mônaco, quando acertou a traseira de Grosjean – e o culpou. E, para que ninguém tivesse dúvida de que manteria a postura, bateu boca com Felipe Massa na coletiva seguinte. Dentro da Toro Rosso, por várias vezes negou-se a respeitar ordens de equipe, e ainda por cima com o apoio do chefe.

Enquanto isso, nos bastidores, seu pai pressionava. Afinal, engana-se quem pensa que alguém é contratado por uma Red Bull da vida aos 16 anos simplesmente por talento. Jos sempre jogou duro e, até aqui, tem vencido todas as batalhas. Ao ameaçar levar o filho à Ferrari, abriu as portas do time principal logo na quinta prova da temporada em uma das decisões mais surpreendentes do ano.

Na pista, Max fez o improvável e aproveitou uma chance de ouro de vencer em sua corrida de estreia. De lá para cá, teve pontos altos, como a performance na Áustria e na Inglaterra, e baixos, como as desastrosas corridas de Mônaco e Bélgica, mostrando um clássico estilo win or wall.

Isso, dentro e fora das pistas. Parece que Max já aprendeu a usar as entrevistas em seu idioma marterno para ser mais incisivo nas críticas – foi assim nas respostas a Raikkonen e Villeneuve após a Bélgica. Depois, é só culpar uma tradução ruim, de um idioma que bem poucos dominam na F-1. Os jornalistas holandeses, pelo menos por enquanto, se mostram tão encantados com o maior fenômeno esportivo do país dos últimos anos – que vem, inclusive, ganhando ainda mais força devido à péssima fase da seleção de futebol local – que não se importam com as calculadas ‘confusões linguísticas’ e até defendem seu piloto.

Blindado na pista e fora dela, por ora, o jogo de Verstappen é perfeito. Não costumo concordar com Flavio Briatore, mas é difícil negar que o holandês é “uma bêncão” para a F-1. Para se tornar um dos grandes, contudo, vai precisar de mais win, e menos wall. Dentro e fora das pistas.

4 comentários sobre “A bênção

  1. Julianne, de certa forma ele me lembra o Montoya em seu inicio na Indy e na F1. Ambos bons de braço e em bater boca. O grande problema do Max, ao meu ver, é a arrogância. Ele nunca admite erro algum. Talvez só a experiencia para ensina algo ao garoto.

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