Dramas e riscos

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GP do Japão de 2006. GP da Hungria 2008. GP da Malásia 2016. Três quebras de motores que frustraram postulantes ao título. No caso de Schumacher há 10 anos, e de Massa duas temporadas depois, aqueles momentos acabaram entrando na história como capitais para que o título escapasse na corrida final. Mas como será que a prova deste domingo vai entrar na história de Lewis Hamilton?

Ficou claro, e não poderia ser diferente, que o inglês sentiu o golpe. Afinal, vinha fazendo um final de semana perfeito e especialmente uma corrida irretocável, mesmo com a real ameaça de uma Red Bull que arriscou na estratégia e, de fato, assustou a poderosa Mercedes. Porém, como Toto Wolff bem lembrou após a prova, a Fórmula 1 também é um esporte mecânico e o piloto tem de se contentar que as coisas nem sempre estão em suas mãos.

Hamilton costuma voltar mais forte de momentos como esse, mas seu problema aqui é outro: a quebra veio em um momento complicado, pois a corrida de Sepang era a primeira em que usava essa unidade de potência, uma daquelas que foram ‘estocadas’ com as trocas múltiplas de Spa. A outra já tem três corridas – duas delas em circuitos duros para o equipamento, Bélgica e Itália – e só uma é completamente nova. Com cinco provas para o final e uma disputa que vem sendo equilibrada com Rosberg, isso pode trazer um prejuízo bem maior do que os 25 pontos deste final de semana. O alemão, inclusive, reiterou a boa fase e fez boa prova de recuperação depois de uma bela pancada na largada.

O que fica de lição é que, mais uma vez, a Mercedes falhou quando foi tirada de sua zona de conforto. Quando consegue controlar seu ritmo, o time é imbatível. Porém, quando existe alguma pressão, que obriga ou os pilotos a aumentarem o ritmo por uma grande parte da prova, ou quando eles têm de passar outros carros, vimos quebras ou, pelo menos, mensagens alarmantes dos engenheiros. Isso mostra o quão no limite é necessário estar na F-1 para ter um domínio tão grande, e quantos riscos se deve assumir.

Falando em riscos, a Red Bull mais uma vez deu show de estratégia, dividindo as táticas de seus pilotos e formando um quebra-cabeça difícil para a Mercedes resolver. Essa tem sido a norma da equipe, tanto na maneira como maneja seus finais de semana, quanto no desenvolvimento do carro. Dessa forma, o time dá lição atrás de lição na Ferrari, presa em peças novas que ora funcionam, ora ficam de fora e em táticas mais de defesa do que de ataque.

Em relação aos pilotos, Daniel Ricciardo insinuou no sábado que a briga interna com Verstappen estava ajudando a Red Bull na briga com a Ferrari porque fazia com que o padrão de pilotagem de seu time subisse de nível. E alto nível foi o que vimos na disputa dos dois em Sepang, coroado com uma vitória que já vinha sendo merecida há meses.

Na Williams, Valtteri Bottas surpreendeu conseguindo fazer apenas uma parada e levando o time ao melhor resultado desde seu pódio no GP do Canadá, em junho. O feito é particularmente impressionante porque a equipe não tinha referências do pneu duro, que seria testado por Massa na sexta mas, com o problema que o brasileiro teve no treino livre, não saiu da garagem.

Fernando Alonso fez outra de suas provas consistentemente impressionantes e deu bons sinais para a Honda poucos dias antes de sua prova caseira. Que a McLaren estará bem mais forte no Japão 12 meses depois dos berros de ‘motor de GP2’ é bem mais fácil de prever qual será o novo drama que vai surgir no campeonato.

15 comentários sobre “Dramas e riscos

  1. Aproveitando a eleição pela internet do melhor piloto da corrida que nessa poderia ser Riccardo, Alonso, Rosberg além do ganhador Verstappen ouso dizer q se existisse a eleição do pior certamente o ganhador seria Vettel. Que primeira curva de novato!!! Ele já estava travando rodas e seguindo reto antes mesmo de tocar em Rosberg e o fato de quebrar a suspensão (e não só um toque de pneus) mostra o quanto ele “esqueceu” que ali havia uma curva. Um tetracampeão fazendo um erro absurdo deste só confirma como esse ano tem sido ridículo para o currículo do alemão.

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    1. O lance é que tanto o Vettel, quanto a Ferrari estão sob uma grande pressão, ambos foram de desafiantes das Mecedes a desafiados pelas RedBulls em pouco mais de 6 meses, para quem pretendia disputar o título já nesse ano…
      Não achei que o Vettel tenha sido tão “novato” assim, ele viu o espaço mergulhou, Max fechou a porta (com razão) e ele acabou batendo no Rosberg, coisa de corrida, inclusive achei a punição exagerada também, assim como pro Rosberg na disputa com o Raikkonen.
      Depois não tem disputa de posição a audiência cai e a FIA vem com as suas invenções malucas, como molhar a pista de forma artificial pra “aumentar a emoção.”
      Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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      1. Desafiantes da Mercedes para desafiantes da Red Bull, você quis dizer.

        Pois a Red Bull já passou. E já foi embora.

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  2. Sobre a batida, concordo com o Nato. O Vettel viu um espaço e colocou o carro e levou um toque do Verstappen que desequilibrou a Ferrari que tocou no Rosberg. Acidente de corrida. O Verstappen fez o mesmo em Spa. Já o campeonato volta a tender para o Rosberg. Basta administrar a vantagem que tem sem se arriscar muito. Mas tem que ganhar pelo menos mais uma corrida. E lembrar que só ele e o Hamilton tem algo a perder numa disputa.

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    1. Não houve toque de Verstappen. Verstappen inclusive foi quem evitou ser tocado por Vettel.

      Vettel esse ano tá demais nessas largadas desesperadas. Já esteve no lado de quem fecha e quem é fechado.

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  3. Pra mim tanto o acidente de Vettel quanto o de Rosberg e Kimi são de corrida. Não entendi as punições. O Max fez o mesmo algumas corridas atrás e nao foi punido. Já desisti de entender a FIA.

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    1. Em Spa o Verstappen mergulhou mas não bateu em ninguém, quem bateu em Kimi foi o mesmo de ontem, Vettel, em mais um erro de avaliação. O que acontece é que Vettel está mesmo sob pressão por não conseguir fazer a Ferrari nem a segunda força do campeonato. Está apostando tudo na primeira curva e dançando….. então toma ainda mais pressão e comete ainda mais erros. Saudades da Red Bull….

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  4. Eu já quero saber da Mercedes o que falhou nesse motor e ponto.
    Inacreditável e triste a situação…pra mim é completamente diferente ao menos de 2008.

    Massa teve o motor indo para o espaço, ok.
    Mas teve os comissários a seu favor na Bélgica e no Japão, e nesse ano, Nico teve os comissários ao seu lado na Inglaterra e na Hungria.
    Hamilton não teve um único benefício sequer, talvez os boxes da Red em Mônaco, mas ajuda mesmo….
    Soma-se as duas etapas citadas inclui-se China, Rússia, Singapura com S e Malásia, foram 6 etapas…muita coisa…e o cara ia para liderança mesmo com tudo isso e enfrentando o seu adversário em sua “melhor fase”.

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    1. Só para lembrar ao caro leitor que Rosberg recebeu 4 punições este ano: Áustria, Inglaterra, Alemanha e Malásia. Não há ninguém contra Hamilton.

      Sobre motores, pergunte o que pensaram Massa na Hungria/2008, Vettel na Coreia/2010, Schumacher/2006. Desses, apenas Vettel conseguiu reverter a situação: perdeu a prova ganha, viu Alonso abrir 25 pontos no campeonato a apenas duas provas do fim (veja como a situação de Hamilton ainda está longe de ser desesperadora!) e ainda foi campeão. Nenhum deles saiu apontando o dedo para a equipe, muito pelo contrário: lamentaram o ocorrido, mas tiveram a grandeza de entender que eventuais quebras podem fugir do controle da equipe e fazem parte desde sempre do esporte a motor.

      Já Hamilton não é disso e aparentemente não sabe lidar com os azares do esporte, além de protagonizar a história da mentira na Austrália/2009, um dos episódios mais lamentáveis desde sempre.

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      1. Bem lembrado caro Billy,
        E ainda existem os detratores do Sebastião Vettttel, que dizem que quem ganhava era o carro.
        Parece que o Luís Amilton amadureceu muito nesses 10 anos em que estreou na F1, mas falta muita maturidade à ele ainda.
        Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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  5. Hamilton é um grande piloto e não precisa de ajuda extrapista para bater Rosberg. Essa historinha de complô, alguém não quer que eu ganhe já está torrando a paciência! Ora, que prepotência: ….”tantos motores Mercedes e so o do carro 44 quebra…” façam-nos o favor. Quando o motor de uma coadjuvante quebra, ninguém fala dessa teorias toscas…os caras gastam milhões para serem campeões de construtores e auto sabotam-se? Pensando por esse lado, quando um piloto bate em outro causando um abandono, seria também uma auto sabotagem?

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  6. Ju boa noite, pelo menos de longe senti uns cavalos extras nessa unidade do Alonso, da para ter alguma perspectiva para essa unidade da Honda em 2016?
    Pelo menos nas boas retas de Sepang aquela fraqueza parece que esta desaparecendo, procede?
    Sobre o Chassis McLaren, na sua opinião em que posição você o colocaria no grid?
    Obrigado uma vez mais, você segue sendo a melhor do meio da F1!!!

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