A volta dos pescoços quebra-nozes

bottas

Nos últimos anos, o que chamou a atenção em relação ao físico dos pilotos foi a magreza. Afinal, principalmente após a introdução dos sistemas híbridos, que começou em 2009 com o KERS, e a manutenção de um peso mínimo baixo, coube aos ‘elementos humanos’ economizarem quilos para dar maior liberdade para os engenheiros determinarem como distribuir o peso.

Isso só não se tornou absolutamente temerário devido à transformação das próprias corridas, bem mais lentas devido ao fim do reabastecimento e aos pneus de baixa duração. O resultado desta combinação foi uma série de corridas em ritmo ao banho-maria e a predominância de ‘vencer sendo o mais lento possível’.

Ainda assim, tivemos casos de desmaio por desidratação – que é, efetivamente, a forma mais fácil de ‘bater’ no peso, emprestando o jargão das lutas. Corpos menos hidratados não são mais magros – uma vez que não estamos falando de diminuição da gordura – mas podem pesar vários quilos a menos.

Mas a ditadura da magreza vai ter que ficar para trás. E nem é pelos 20kg a mais determinados pelo novo regulamento, até porque as dimensões do assoalho e asas também subiram e ainda não está claro o quanto vai sobrar para o peso do piloto aumentar. Mas há, de fato, uma necessidade criada pelo próprio regulamento.

A expectativa de carros até 5s mais rápidos dependendo do circuito, sendo que grande parte desse tempo deve vir do contorno de curva devido ao novo pacote aerodinâmico e à maior aderência vinda de pneus mais largos e com nova construção, afeta diretamente os pré-requisitos físicos dos pilotos. E aumenta a necessidade de construção de massa muscular em alguns pontos-chave. Em outras palavras, devemos ver a volta dos pescoços quebra-nozes.

Colocando em números, espera-se que a força à qual os pilotos vão se submeter nas curvas aumente em até 5G em 2017 dependendo do circuito. Isso significa até 50kg a mais – e é o pescoço a parte do corpo mais afetada por estar mais ‘solta” dentro do cockpit.

 

Aumentar a força e resistência muscular do pescoço, além da chamada região do CORE (músculos estabilizadores do abdome e lombar) e, em menor medida, dos ombros, braços e pernas será fundamental a partir da temporada 2017. Apenas na frenagem estima-se que os pilotos terão de fazer o equivalente a mais 30kg de força para parar o carro. E, como a limitação de peso ainda persiste, isto terá de ser feito com o mínimo de crescimento muscular possível.

Popularmente costuma se dizer que o músculo pesa mais que a gordura. Na verdade, ele é mais denso. Seja como for, os pilotos terão de tentar se equilibrar na corda bamba entre ficarem mais fortes sem aumentarem demais seu peso, ou seja, com o mínimo possível de crescimento muscular.

O aumento da força e resistência tem reflexo direto na performance. Afinal, quem tiver que fazer mais força para segurar um pescoço mais frágil vai desperdiçar energia. E, quanto menos energia e mais cansado o piloto se sentir, menor sua capacidade de reagir, tanto mentalmente, quanto fisicamente, aos demais desafios da prova.

Perguntei justamente a Alonso se ele pretende mudar seu treino. A resposta foi curiosa: “Meu corpo está velho, já aguentou de tudo, não preciso mudar muita coisa. Os mais novos que vão sofrer bastante”. Será que já começaram as alfinetadas a Vandoorne? Seja como for, será uma surpresa se o pescoço quebra-nozes não reaparecer já para os testes de Barcelona no final de fevereiro.

3 comentários sobre “A volta dos pescoços quebra-nozes

  1. Ju, você já tinha postado que cada piloto tem sua preparação personalizada. Queria saber se tem algum piloto que se dedica mais a parte física e um que é mais relaxado? Ou todos tem o mesmo nível de preparação física?

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