O que acontece quando mudam as regras? (segundo capítulo)

largada-gp_monaco_2009

  • Fim de todos os apêndices aerodinâmicos, permanecendo apenas as asas dianteira e traseira.
  • Pneus slick, sem ranhuras
  • Limite de oito motores por temporada e de 18.000rpm
  • Redução de 75% da largura da asa traseira e aumento de 800 para 950mm na altura; asas dianteiras ficam mais próximas ao solo e maiores (de 1400mm a 1800mm)
  • Difusor traseiro mais longo (330mm a mais) e alto.

Em um período de ebulição política e econômica, com a F-1 sendo atingida em cheio pela crise mundial, o campeonato de 2009 ficou marcado pelo nascimento, título e fim da equipe Brawn, campeã com um carro fora de regulamento.

Mas o mais interessante deste conjunto de regras é que ele foi determinado após os estudos do chamado Grupo de Ultrapassagem a fim de deixar as corridas mais emocionantes e basicamente o que foi feito em 2009 está sendo revertido agora para… tornar as corridas mais emocionantes.

Perguntei a um dos membros do Overtaking Group, Pat Symonds, se ele não sentia que todo o trabalho tinha sido jogado no lixo – na verdade, isso já começou a ocorrer quando o difusor duplo da Brawn foi aceito. E ele deu uma resposta interessante: “não tem como comparar a quantidade de dados que tínhamos à disposição para determinar aquelas regras e o que existe hoje. O trabalho que foi feito para desenhar o regulamento de 2017 é infinitamente mais detalhado”.

Pois, bem. Voltando a 2009, logo de cara, ficou claro que quem desenvolveu seu projeto ao redor da utilização do KERS, que na época era pesado e muito limitado (dava 82bhp por 6s6/volta) errou. A BMW foi uma destas equipes. Os alemães foram um dos que decidiram focar cedo no projeto de 2009, apostando tudo na mudança de regulamento. Como McLaren e Ferrari, Hamilton e Massa, desperdiçaram muitos pontos na segunda metade daquele ano, Robert Kubica poderia ter entrado na briga caso a decisão fosse outra – e sempre deixou clara sua insatisfação por aquela decisão.

Outros que apostaram no Kers foram Ferrari e McLaren, que também pagaram caro pela disputa que foi até a última curva  e chegaram em 2009 com projetos ainda verdes, e não coincidentemente foram dois dos times que mais cresceram ao longo daquele ano, voltando a um patamar mais condizente com sua história na temporada seguinte.

Porém, foi essa mudança de regra que fez com que os gigantes tivessem de se acostumar com a presença da Red Bull. O time usou os três anos anteriores a 2008 para reestruturar a fábrica comprada junto à Jaguar e atrair bons profissionais, mas seu grande trunfo foi entender o que seria preciso dominar com a tendência da F-1 se afastar dos testes e se aproximar das simulações. Ao fazer essa adaptação mais rapidamente que os times grandes, deu um salto que é importante até hoje.

4 comentários sobre “O que acontece quando mudam as regras? (segundo capítulo)

  1. Se a Brawn não estivesse fora do regulamento, quem teria ganho era a Redbull. E apesar do domínio dos touros, tivemos campeonatos equilibrados em 2010 e 2012. É mesmo nos outros dois títulos do Vettel, a RedBull não era tão superior quanto a Mercedes é. Não acho que em 2011 e 2013 tenha tido muitos P1 e P2 para os touros. Acho que essa fase em que a aerodinâmica contava mais que os motores, me corrijam se estiver errado, deu mais equibrio que nos últimos 3 anos em que a unidade de potência era preponderante.

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  2. Acho muito interessante observar como o mundo dá voltas, nessa época, apostar no KERS era um erro hoje em dia é essencial ter um KERS bem desenvolvido, a ponto de fazer a Honda rever o seu projeto de motor para 2017 e melhorar o funcionamento do KERS e do ERS (esse ano acredito na McLaren!).
    Sobre a BrawnGP estar fora do regulamento Julianne, certa vez li de que a liberação do difusor duplo da BrawnGP era um decisão muito mais pessoal do que técnica e como o Max Mosley (então presidente da FIA) estava #Xatiado com McLaren e Ferrari (principalmente Ferrari) por liderarem um levante contra a FIA e ao mesmo tempo barrar de todas as formas o teto orçamentário, acabou aceitando o difusor do Sr° Ross Brawn (o maior interpretador de regras que já deve ter pisado no mundo da F1) como forma de dar uma lição nas duas equipes e mostrar quem manda. O resto dessa guerra todos conhecemos…
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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  3. Ju, fale mais sobre a Brawn estar fora do regulamento, e sobre isso não ter sido derrubado pelas outras. Ainda mais a RB, que nunca tinha ganhado nada, seria interessante para ela lutar contra isso até o fim. Teria resultado num título e no único vice do Webber.

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    1. Era um momento de ebulição política, com o presidente da FIA Max Mosley adotando uma postura muito mais confrontadora em relação aos times grandes do que Jean Todt faz hoje e tentando várias manobras para diminuir seu poder. Paralelamente a isso, Brawn, Toyota e Williams apareceram com o conceito do difusor duplo, cuja legalidade dependia muito da interpretação do regulamento. Isso caiu como uma luva para a política de Mosley e a FIA fez vista grossa ao elemento, fundamental especialmente no carro da Brawn, que foi desenvolvido em cima desse conceito. As rivais protestaram na FIA, mas obviamente perderam.

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