A reação de Hamilton

Em primeira análise, Lewis Hamilton fez valer seu retrospecto para vencer em um circuito praticamente desenhado para um piloto especializado em tirar tudo do carro nas freadas como ele. Mas a vitória neste domingo representou mais do que isso: ela foi construída com uma importante pole position no sábado, fruto de uma mudança de procedimento que aponta para uma melhor compreensão do comportamento dos pneus em uma volta lançada por parte da Mercedes.

Não é segredo que os altos e baixos do rendimento do W08 especialmente com os pneus ultramacios é o grande desafio da equipe na briga direta com a Ferrari nesta temporada, algo que teve um capítulo dramático há duas semanas em Mônaco, quando Hamilton sequer conseguiu passar para a última parte da classificação, com o carro dançando para um lado e para o outro.

Pois Montreal também tem um asfalto com pouca aderência e novamente os ultramacios seriam utilizados. Durante o classificatório, a Mercedes observou superaquecimento desta vez, mudou seu procedimento de aquecimento ao longo da sessão, e Hamilton fez sua parte na pista com uma volta sensacional.

Daí em diante, como o ritmo de corrida com o ultramacio não era um grande drama, era uma questão de manter a posição na largada e evitar o undercut, o que não acabou sendo necessário porque, pela primeira vez no ano, Vettel não teve uma corrida limpa. O próprio alemão acredita que sua obrigação era ter sido terceiro, tamanha a vantagem teórica da Ferrari sobre a Red Bull, mas sabemos que o alemão é perfeccionista: para quem fez um pit stop no pior momento possível, depois que o Safety Car tinha acabado de voltar aos boxes – uma vez que a Ferrari só percebeu que a asa estava danificada tarde demais – o estrago acabou sendo bem controlado. Tanto, que na briga direta dos tropeços, Hamilton só conseguiu escalar até a sétima posição em Mônaco, e ainda teve outro apagão em Sochi.

A volta por cima da Mercedes gera uma grande expectativa para a próxima etapa, em Baku. Novamente, um asfalto liso – mais liso, inclusive, que Montreal – e os pneus ultramacios. De quebra, em uma pista em que Hamilton demonstrou dificuldade em se adaptar ano passado. Antes do final de semana em Montreal começar, seria mais uma chance de Vettel abrir vantagem – assim como na Áustria, pelos mesmos motivos. Agora, Lewis e a Mercedes demonstram que não será tão simples assim.

No mais, vale o registro: vi gente da velha guarda chorar com a maneira como Hamilton recebeu o capacete de Senna, na bela homenagem prestada no sábado. “É como se ele tivesse de volta”, ouvi no paddock.

Foi um dos momentos especiais de mais um final de semana em que a F-1 parece se amar mais. A cada pequena ação, nas brechas abertas pelo grupo Liberty Media, como na corrida de barcos que tinha sido deixada para trás nos últimos anos e que voltou com direito a Ross Brawn e Sean Bratches chefiando seus próprios barquinhos, ou na liberação do vídeo da reunião dos pilotos, a categoria parece se lembrar que não é tão chata como ela mesma tentou se convencer nos últimos anos.

19 comentários sobre “A reação de Hamilton

  1. Diria que o Hamilton fez uma pole a lá Senna. Em uma volta lançada o Hamilton é o melhor do grid. Dificilmente erra, como era seu ídolo. Já na corrida apenas passeou em Montreal, com direito a volta mais rápida no final para quebrar a monotonia. Acho que ele fez um hatrick,
    Mas em Baku, a Ferrari deve dominar.

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  2. Julianne, achei extremamente esquisita a declaração do Wolf sobre o Rosberg voltar pra Ferrari. Você conseguiu apurar alguma coisa no paddock sobre isso?

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  3. Bom, falaram pela transmissão brasileira de que há boatos de um Perez na Ferrari ano que vem. Isso me animaria um pouco mais, pois ele é um bom piloto, e Vettel não teria uma vida fácil, como por exemplo, trocar de posição como foi em Mônaco, mas ao mesmo tempo acho que a Ferrari não faria isso … bom, vamos ver! Cena dos próximos capítulos.

    Já a corrida: Achei um Vettel que teve que tirar o prejuízo. Já vi gente comparando a reação do Vettel com o 4º Lugar no Canadá com a do Hamilton com o 7º em Mônaco. Obviamente não há comparação. São 2 pistas completamente distintas. A Mercedes de fato melhorou, tanto em classificação e largadas, quanto em ritmo de corrida. A Ferrari, na minha concepção errou ao demorar tanto tempo pra trazer Vettel aos boxes, e quando o fez, fez logo após o Safety Car, jogando o alemão para o fundo do pelotão.

    E a briga entreo Ocon e Perez também foi encardida … hahahahaha
    Tanto Perez tanto Magnussem, defendem a posição de forma agressiva. O dia em que eles se encontrarem na pista, vai dar M…

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      1. Acho muito pouco provável. A Mclarem fez isso em 2013 e não deu certo. Acho que a Ferrari não faria isso, mesmo se fosse outro piloto. Talvez, ficar com o Kimi pra eles seja mais interessante.

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      2. Nao vi nada de indecente nas manobras do Perez. Sim, a force india perdeu a chance de ultrapassar o Ricciardo e isso foi um erro (nao liberar o Ocon). Mas eu assisti aos dois conversando com a reporter americana ao vivo, sem edicoes. Impressionante como os websites jogam drama no affair (it’s all about click numbers). Os dois estavam tentando defender o ponto de vista de cada um na maior calma, sem agressividade nem palavras pesadas.

        Geracao mimimi do inferno; se o cara abre e deixa passar he um loser. Se fecha porta dentro da moralidade he um ^@$%@#!#$….

        PS: Perez nao aguenta pressao na ferrari. Ivan Capelli, Prost, Johansson….viraram picadinho la. Olha o que fazem com o Kimi… todo fim de semana esta fora da equipe.

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      3. Também não vi um problema na manobra dele. Claramente ele defendeu a posição. No caso do Magnussem, eu realmente vi que ele tomava a linha muito tarde, literalmente “trancando a porta”. No mais, algumas pessoas adoram colocar um problema onde não há. O Ocon atacou, e o Perez defendeu. Nada de mais. Vamos lembrar que muitos pilotos não gostam de obedecer ordem de equipe pra dar lugar ao companheiro. Hamilton mesmo é um que fez isso em várias provas, a mais famosa delas, o GP da Hungria de 2015. Ação, que lhe rendeu o pódio, com direito a ficar a frente do Rosberg naquela corrida, marcando mais pontos. Vettel, no GP da Malasia de 2013 em cima do companheiro de equipe Mark Webber, que passou e ganhou a prova. Felipe Massa e Valteri Bottas no GP da Malasia de 2014. Tem vários exemplos de pilotos que fizeram isso … o povo que está inventando, pra variar …

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      4. **** GP da Hungria de 2014 no caso do Hamilton. O de 2015 foi uma corrida de lambanças da Mercedes !

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  4. Realmente é incrível a F1 se lembrar que não é uma categoria chata, o que dizer do Alonso indo pra galera? E a garrafa de água que chegou a cair das mãos de Lewis?
    Muito legal isso.
    Plow,
    O que se tem comentado (e reparei nisso na hora) foi a forma feroz como o Perez se defendeu do Ocon e a passividade diante de Vettel, a ironia é que se ele deixa o Ocon passar, ele próprio (Perez) teria aberto distância pro Vettel e esse último seria sexto.
    Claro que é molezinha teorizar depois da corrida, mas creio que teria sido assim.
    Acho o Perez um piloto incrível, mas com decisões pra lá de estranhas.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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    1. Acho interessante sua análise, tanto que, era exatamente isso que a equipe queria que ele fizesse. O Vettel vinha babando pra cima de todos eles, e, se o Ocon tivesse conseguido realmente passar Riccardo, muito provavelmente Perez também teria conseguido. Perez foi guloso, ao defender a posição daquela forma, ele se expôs de forma que saisse da zona de DRS do Riccardo, e expondo também seu companheiro Ocon ao Vettel. Como você disse, especular depois é fácil, mas nesse caso, a equipe sabia disso, e falou pra ele no rádio, e ele não ouviu. São esse tipo de leitura que separam os grandes pilotos. Temos algumas hipóteses:

      Caso o Ocon fizesse a ultrapassagem, provavelmente Perez conseguiria, porque além de Riccardo ter de defender a posição, deixando uma “brecha” para Perez, a própria turbulência do Carro de Ocon na frente de Riccardo aproximaria o Perez da briga.

      Caso Ocon fizesse só “meio serviço” e não conseguisse ultrapassar Riccardo, provavelmente Perez não seria ultrapassado por Vettel, porque ele com certeza estaria na zona de DRS de Ocon, que por sua vez estaria na zona de DRS de Riccardo, com pneus mais “inteiros” que os de Perez, então, com mais chances de defender a posição do Vettel.

      Se mesmo assim Vettel passasse, ai ele conseguiria inclusive ultrapassar o Riccardo também e seria o 3° colocado.

      Riccardo, Perez e Ocon deram sorte de Raikkonen ter tido problema de freios, porque, esse sim com certeza passaria os 3.

      Julianne, aproveito o ensejo pra perguntar: O que diabos houve com as punições de Kvyat ? Parece que ele foi punido injustamente. O que houve ?

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      1. Gustavo,
        Acho que na verdade o Perez não quis ficar tachado como segundo piloto, esse deve ter sido o motivo.
        Se o Vettel passasse os três nesse cenário que você desenhou, poderíamos considerá-lo o semideus da pilotagem! Creio que o cenário seria algo como você escreveu, mas não acredito que o Vettel teria passado as duas Force Índia. Como dito antes, conjecturar depois é fácil, melhor ficar com a bela pilotagem de Vettel que nos animou!
        Julianne,
        A pergunta do Gustavo me lembrou outra situação, a ultrapassagem do Vettel em cima do Ocon não merecia uma punição? Me pareceu um pouco dura a forma como ele jogou o francês pra fora da pista.
        Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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  5. A forma como Vettel “espalhou” o carro, digamos, foi bem além da conta, não deixou nenhum espaço para Ocon.
    Mas é Ferrari, se fosse um time com menor expressão, não sei se ficaria em branco.

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  6. Não achei que Hamilton foi totalmente absoluto nessa corrida. Sabemos que o único que faz frente a ele é o Vettel. Bottas e Raikkonen não conseguem bater os companheiros. Acho que o que definiu a corrida para o Hamilton mesmo foi (além da pole) a quebra da asa do Vettel. Se Vettel ficasse em P3 atrás do Verstappen com certeza ia ter briga como teve na Espanha.

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    1. Eu acredito nisso também. Mas o Hamilton no Canadá, e com a melhora do entendimento do carro por parte da Mercedes proporcionaram uma boa melhora de rendimento pra eles. Acredito sim que haveria uma briga, mas não acredito que ela fosse direta como houve na Espanha. Acredito mais em uma briga de tempos e de estratégia, talvez. As ferraris foram superiores em alguns momentos do fim de semana, mas visto os problemas de Vettel durante a prova, com certeza Hamilton também administrou o equipamento.

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