Estratégia do GP do Canadá e as chances perdidas

O GP do Canadá acabou sendo a redenção de Lewis Hamilton após o péssimo sábado que comprometeu sua corrida em Mônaco. O inglês não apenas viu o rival Sebastian Vettel ser apenas o quarto colocado, na primeira corrida em que ficou fora do top 2 no ano, como também chegou 20s à frente do próprio companheiro Valtteri Bottas.

O ritmo de Hamilton foi forte, mas é inegável que a largada definiu boa parte do que seria a corrida. Bottas e Max Verstappen foram bastante agressivos na primeira freada, com o finlandês fritando seus pneus e comprometendo todo o seu primeiro stint – ele chegou a brincar dizendo que tinha “de consultar um dentista” depois da prova devido às vibrações do carro – e o holandês espremendo Vettel, no que danificou a asa dianteira e o assoalho da Ferrari.

Isso já teria trazido um prejuízo para o alemão, que só aumentou porque o time italiano não conseguia ver na telemetria o dano na asa devido ao Safety Car em decorrência do strike de Carlos Sainz em Felipe Massa – e faltou olhar o carro, como a Red Bull fez na decisão de 2012 e salvou o campeonato de Vettel. Assim, o piloto só parou depois que a corrida voltou a ter bandeira verde, perdendo muito mais tempo. Como Raikkonen também teve seu ritmo limitado, pelas duas Red Bull e por Perez, o caminho estava aberto para as Mercedes em uma tarde em que o time alemão pareceu, verdade seja dita, também ter mais ritmo.

A Ferrari chegou a tentar uma estratégia agressiva, parando Raikkonen ainda na volta 17 para tentar o undercut nos carros que vinham imediatamente à frente, mas Red Bull e Force India responderam rápido e neutralizaram a manobra, que significou que o finlandês acabou parando novamente na parte final da corrida em outra tentativa de lhe dar chances de escalar o pelotão, desta vez usando a aderência dos pneus novos, mas um problema de brake by wire limitou uma tarde em que tudo deu errado para a Ferrari.

Enquanto na frente uma quebra de Verstappen facilitava ainda mais a vida da Mercedes, uma vez que Bottas estava com dificuldades com os pneus (a equipe, inclusive, temia que eles estourassem) e tinha de parar o mais rápido possível – o que explica por que a opção foi pelos macios para o finlandês e supermacios para Hamilton, que pôde fazer uma estratégia mais “normal”. Para completar, o pneu macio acabou sendo mais lento do que as simulações, feitas com a pista menos quente, demonstravam, explicando a grande diferença entre os dois pilotos da Mercedes.

Como Ricciardo foi outro que optou pelos macios, isso abriu a chance da Force India conquistar o primeiro pódio do ano. Mas primeiramente decisões estratégicas, e no final da prova a resistência de Perez em inverter as posições com Ocon – e sobre isso prometo um texto na segunda-feira – fizeram o time perder uma grande oportunidade.

Lembremos que Perez antecipou sua parada para cobrir Raikkonen, e a Force India optou por deixar Ocon mais tempo na pista para dividir as estratégias e se colocar na melhor situação possível, o que foi uma ótima tática, coroada por um excelente trabalho do piloto francês, que teve um ótimo ritmo nas 13 voltas a mais que permaneceu na pista.

Com isso, também, Ocon chegou em cima de Perez andando 0s6 mais rápido a 30 voltas do final, quando o mexicano já estava limitado por Ricciardo, mas sem conseguir pressionar o suficiente para tentar uma ultrapassagem.

A opção do time acabou sendo pedir que Perez desse a chance de Ocon tentar passar Ricciardo, pedido repetido 5 vezes e ignorado. Mas a escolha poderia ter sido outra: se tivessem parado Perez, abriria duas frentes de ataque, uma com Ocon, e outra com o próprio mexicano na parte final da prova.

Ironicamente, foi com este veneno que o time acabou perdendo posições, mesmo com Vettel tendo resistido inicialmente à proposta da Ferrari de adotar a mesma estratégia de Raikkonen e parar. Foram algumas voltas que custaram caro ao alemão, que passou a voar depois que colocou os ultramacios, a 21 voltas do final. Ainda mais para quem terminou a apenas 0s6 do pódio em um dia de limitação de danos.

6 comentários sobre “Estratégia do GP do Canadá e as chances perdidas

  1. Ju, a Ferrari confirmou os problemas de freio do Kimi no fim da prova? Não vi nada sobre e comecei a pensar que foi mais uma “desculpa” do finlandês por seu desempenho decepcionante no Canada.

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  2. Isso mesmo, Ju. Ótima abordagem, e que contempla mesmo a situação em que se colocou a Force Índia com relação aos seus pilotos. Lendo isso, eu lembrei das nossas discussões no post anterior hahahaha.

    Só uma dúvida: Por que a Red Bull colocou pneus macios no carro de Riccardo ? Ele parou para evitar o undercut da Ferrari, mas, por que do pneu macio ?
    Pelo que eu percebi, as equipes diziam que a diferença de ritmos era pequena, mas a degradação dos pneus também. Você sabe o porque ?

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