Drops do GP do Azerbaijão e a Cinderella

A missão mais complicada dos mecânicos da Renault no domingo

O domingo do GP do Azerbaijão já tinha mesmo cara de que não seria um dia normal desde cedo. Quem acompanhou a transmissão pelo Grupo Bandeirantes de Rádio já sabe da história. Tinha comentado com um amigo que minha sandália mais confortável estava com o salto descolando e ele falou para eu procurar um tal de Geoff na Renault quando eu chegasse no circuito. Fui recebida com um: “Você é a moça do sapato? Vem comigo. Não há nada que não possamos consertar.”

Lógico que, em se tratando de F-1 nada é feito “nas coxas”. E primeiro o grupo de três mecânicos destacados para a missão de colar o salto queria que eu o deixasse por alguns minutos com eles. Como isso não era uma opção, arranjaram uma cadeira, ao lado dos “restos mortais” da carenagem do motor de Palmer, que tinha estourado no sábado, e com o chão forrado com plástico bolha para a “Cinderella” não sujar o pé.

Depois de brincarem com o tamanho de minha sandália 34, os mecânicos avaliaram o estrago e começaram a usar um sem-número de produtos para fazer um trabalho impecável. E em menos de 10 minutos eu estava perambulando novamente pelo paddock com meu sapato novinho em folha. Por que demorou tanto? Bom, a grande preocupação deles era que a cola não vazasse e eu acabasse pisando nela. Afinal, a super glue cola até fibra de carbono!

É curioso perceber como os pilotos passam por verdadeiras transformações ao longo do final de semana. E o troféu 8 ou 80 de Baku foi, como de costume, para Fernando Alonso. Como eu poderia descrever? Na entrevista de quinta-feira, o espanhol parecia um Darth Vader sem máscara. Ele estava sentado do meu lado e eu podia ouvir sua respiração tensa, todo o corpo retraído e não sei como os óculos aguentaram o tranco sendo massacrados por 10 minutos de entrevista. A causa não foi nenhuma pergunta, ele chegou assim.

Depois da corrida, até quando respondia que sentia raiva por não poder aproveitar uma oportunidade como uma corrida maluca daquelas, ele sorria. Toda a tensão tinha sido substituída por uma satisfação tão grande que a impressão é de, a qualquer momento, ele sairia correndo para contar qual a novidade que o fez mudar da noite para o dia. E certamente não foram os dois pontinhos de Baku.

Muito se falou da reunião mais pública impossível de seu empresário com Abiteboul e Prost na Renault, mas é de se lembrar que Abad também representa Carlos Sainz, que quer sair da Toro Rosso. Talvez a alegria de Alonso esteja mais relacionada ao encontro de Briatore com Lauda e Wolff.

Outro que mudou da água para o vinho, mas de uma hora para a outra mesmo, foi Lewis Hamilton. O inglês chegou bem animado para Baku, mas fechou a cara quando ouviu pergunta sobre o show da ex-namorada Nicole Scherzinger no circuito. “Nem sei quem vai tocar”, garantiu.

Falando em reações em entrevistas, o que deu em Sebastian Vettel? Estava no primeiro grupo que abordou o alemão após a prova e ele repetidamente tentava fingir que não tinha levado seu carro em direção ao de Hamilton no lance atrás do Safety Car. “Você está falando do primeiro toque?”, perguntava, deixando os jornalistas um tanto atônitos. E depois falava sem parar sobre outros assuntos para evitar mais questionamentos.

E Felipe Massa tem a quem culpar pelo incrível azar que teve em Baku. E isso não sou eu quem está falando, hein! O repórter da Globo Guilherme Pereira começou neste ano a revezar com Mariana Becker nas coberturas da F-1 e estava no Azerbaijão. E o jornalista, que é a simpatia em pessoa, falou que eu podia jogar a culpa nele: “Sempre fui um cara de muita sorte, coisas incríveis aconteceram na minha vida. Mas sempre que eu estou na cobertura, o Brasil vai mal.” Não sei se lembro da lista toda, mas tem o Mundial de Vôlei de 2014, o Mundial de Handball logo depois e também na Olimpíada. E, sim, o Gui estava na Rússia, Espanha e Canadá! Pelo menos Felipe tem um respiro agora na Áustria e na Inglaterra porque a Mariana estará de volta…

36 comentários sobre “Drops do GP do Azerbaijão e a Cinderella

  1. Ju, manda esse comentário abaixo de um ex-colunista do UOL p/ Guilherme Pereira. Ele está achando muito importante se pensa que influencia resultados dessa maneira! ;~)

    “Massa teve chances de vencer? Sim, mas apenas porque vários outros pilotos tiveram problemas. Pouco depois, foi a vez dele. Isso é corrida, isso é automobilismo;”

    Curtir

  2. Ju, li no uol que a renovação do Kimi parece encaminhada. Isso pode acontecer mesmo com a temporada ruim do finlandes? Caso Riccardo va para a Ferrari, Vettel continuaria?

    Curtir

  3. Oi Ju sempre leio seu blog! Amo ler suas informacoes. Texto igualmente lindo!
    Mas agora fiquei curiosa sobre a tua sandalia! Fotoooo hihi.
    Brincadeiras a parte, dou uma ideia pra voce escrever quando puder e se acreditar ser interessante: As mulheres da F1 e suas preferencias como estilo de vestir, equipes q torcem, ciclo de amigos, como estao inegradas dentro da F1. Seria legal para nos q acompanhamos saber mais! Bjokas

    Curtir

    1. Oi Cassiana,
      A sandália é daquelas anabelas de palhinha (não sei o nome daquilo), sabe? Daquelas velhas confortáveis que realmente não queremos que quebrem…
      É difícil escrever sobre “as mulheres da F1” de forma geral. Roupas, preferências, círculo de amigos, cada um tem os seus, não consigo achar um denominador comum, entende? Tem mulher que anda de salto altíssimo e fino, e tem que prefira tênis. E os grupos de amizades muitas vezes têm a ver com o trabalho mesmo, nacionalidade, etc.

      Curtir

      1. Ahh. Tergal se nao me engano seria o nome da palhinha. Salto altissimo? Sao loucas rss.
        Bem que fazer… de qualquer maneira adoro seu blog. Uma pitadinha feminina na F1 sempre é bem vinda. Assim nao me sinto a unica q gosta desse esporte . Agora aguardo o Crede. Se puder envia ois ao Ico adoro ele tambem!

        Curtir

  4. Julianne, não sei se já comentou em outro lugar – desculpas antecipadas se for o caso – e nem se pode ou quer comentar, mas em que medida o Azerbaijão e a Turquia são países em que se sente desconfortável? (surpreso por não ter mencionado nenhum do Oriente Médio)

    Curtir

    1. Falei um pouco sobre isso neste texto e comentários e no último Credencial, da semana retrasada (link está no blog também)
      https://juliannecerasoli.com.br/2017/06/23/turistando-na-f-1-a-baku-verdadeira-ou-da-tv/

      Os países do Oriente Médio em que estive – Emirados e Bahrein – estão entre os mais abertos da região. Mas no Bahrein quando chegavam os sauditas atrás das prostitutas e da bebida liberada por lá ficava realmente mais complicado.

      Curtir

      1. Obrigado, Julianne. Havia lido o texto, mas queria saber se havia algo mais sobre conversas entre equipe e Vettel durante a bandeira vermelha ou de pressão de dirigentes. Mesmo considerando todas as variáveis e punições anteriores (Maldonado x Hamilton), ainda não consigo entender toda essa demora sem que houvesse muita atividade de bastidores.

        Curtir

    1. Rodrigo, há uma excelente discussão sobre isso no F1Fanatic, avaliando os dois lados da questão e mencionando o caso de um piloto – em outra categoria – que foi pesadamente punido.

      http://www.f1fanatic.co.uk/2017/06/26/was-vettels-dangerous-driving-penalty-correct/

      Eu acho, até pelas não-respostas do Vettel no fim da corrida, que tudo se baseou na tese de que não foi proposital ou Vettel nem percebeu o que fez (absurdo para mim).

      Curtir

  5. Que mulher nunca sofreu com sapato???
    Que bom que o pessoal te ajudou. Ju sobre as próximas corridas. Vc acha que Áustria e Silverstone favorecem a Mercedes e a Ferrari virá mais forte na Hungria?

    Curtir

  6. Hahahaha, muito legal essa cobertura dos bastidores. Funciona como uma espécie de diário e ao mesmo tempo é informativo sobre essas coisas que acontecem e que nos escapam os olhos.

    Muito divertido e gostoso de ler.

    Parabéns pelo ótimo trabalho de sempre Julianne!

    Curtir

  7. Julianne, parece que Vettel está muito perto de um gancho de um GP pela pontuação na carteira. Vc teria a lista de pontos para cada piloto? Acredita que é praticamente certo que Vettel va levar um gancho pour outra bobagem que faça ou vai existir um pressão política grande para isso não acontecer?

    Curtir

    1. É muito difícil que ele leve um gancho porque dois pontos vencem já em Silverstone. Ele teria que levar 3 na Áustria e é preciso fazer uma besteira grande para somar tudo isso!
      Preparei um texto sobre isso para amanhã no UOL

      Curtir

  8. Hehe, JuliaNNe CindereLLa, fico imaginado o valor dessa cola, kkkk, sua sandália está super valorizada, kkkk. Ju, a alegria de Alonso deve ter sido a confirmação do acordo Mclaren/Mercedes para 2018, pois a ida do espanhol para a Merça acho difícil…

    Curtir

  9. Uma cola que gruda até fibra de carbono?!?!?! A química e suas maravilhas!
    Estava lendo um texto (não lembro aonde) que dizia que realmente o toque pode não ter sido proposital, pois o Vettel estava mais ocupado mostrando o dedo do meio para Lewis. Como só estava com uma mão no volante a Ferrari acabou escapando e tocando a Mercedes.
    Alguém reparou nesse dedo do meio? Eu não vi.
    Julianne,
    Pode-se dizer que a Ferrari é superior nos circuitos de baixa e Baku, apesar da longa reta, pode ser considerado um circuito de baixadrez correto? Então Vettel e a Ferrari teriam sentido bastante a derrota para Lewis e a Mercedes correto? O raciocínio procede?
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

    Curtir

    1. Nato, então digamos que um tetracampeão do mundo, que faz ajustes no volante durante voltas de classificação, não consegue controlar um carro a 50km/h com uma mão no volante, o carro escapa para a direita e bate em seu rival. Depois da corrida ele faz o quê? Se desculpa? Explica que não houve intenção? A Ferrari faz o mesmo? Não, ele simplesmente tenta criar uma realidade em que o segundo toque não existe, isso mesmo depois de já ter ido na equipe, conversado com ela e, muito provavelmente, como os pilotos costumam fazer, ter visto o replay. Olhe essa entrevista que aconteceu depois dele ter ido à equipe:

      E sobre Baku, não é um circuito de baixa. Mesmo assim, a Ferrari tem motivos para se preocupar porque eles estavam fora do regulamento até o Canadá e explico isso melhor na segunda-feira.

      Curtir

      1. Baku não é circuito de baixa? Jurava que era assim, ainda bem que nunca apostei dinheiro nisso!
        Rs
        Agora entendi o que você quis dizer com:
        “Ele negava insistentemente o segundo toque.”
        Agradeço as informações Julianne
        Grande abraço!

        Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s