Por dentro da F-1. E do parque fechado

Eita estacionamento caro!

Não se sinta culpado/a se ouviu esse termo e não entendeu direito do que se tratava. “Os carros estão em regime de parque fechado”, convenhamos, é uma daquelas frases que costumamos repetir no mundo da F-1, mas que requer certo conhecimento prévio.

O parque fechado surgiu na Fórmula 1 em 2003 e foi uma das criações do então presidente da FIA Max Mosley e não é um termo usado apenas na Fórmula 1. Em competições de triathlon, o parque fechado é o lugar em que os competidores deixam seus materiais, como bikes e tênis de corrida, durante a prova.

Naquele ano, surgiu um formato diferente de classificação, em que os carros faziam uma volta lançada na sexta-feira para determinar a ordem em que sairiam à pista no sábado e, na hora da classificação, tinham de fazer sua volta com o nível de combustível com o qual começariam a corrida – não é de hoje que a F-1 está complicada, não é mesmo?

Enfim, a ideia de Max Mosley na época era impedir que as equipes preparassem os carros para a classificação e tivessem um equipamento totalmente diferente na corrida. O termo “regime de parque fechado”, portanto, apenas quer dizer que, entre a classificação e a corrida, não é permitido fazer uma série de alterações no carro.

Mas os carros ficam no parque fechado?

Os mais atentos já prestaram atenção aos procedimentos pelos quais todos os pilotos passam ao final das sessões de classificação e de corrida: os três primeiros param diante de placas com suas posições e os demais estacionam logo atrás. Todos eles, neste momento, estão dentro do parque fechado, no qual só entram membros da FIA.

Mas eles não passam a noite entre a classificação e a corrida ali. Depois de passarem pela inspeção da FIA – há uma inspeção geral em um determinado número de itens e outra aleatória nos demais e os carros são checados diversas vezes ao longo do final de semana, desde quinta-feira, antes de entrarem na pista – e são devolvidos às equipes. De acordo com as regras, os carros devem ficar à disposição da FIA entre 3h30 após a classificação e até 5h antes da corrida.

Nas horas em que os carros ficam nos boxes, geralmente é tudo desmontado e montado novamente, então não é correto dizer que os carros não são mexidos entre a classificação e a corrida. Porém, sempre com um delegado da FIA acompanhando os processos, há limites no que cada equipe pode fazer e tudo é relatado em documentos oficiais que podem ser acessados por qualquer um por meio do site da federação (www.fia.com).

Quando começa e quando termina o regime de parque fechado?

A partir do momento em que o carro deixa os pits pela primeira vez durante a sessão de classificação, começam as restrições ao que pode ser alterado. E isso vai até o início da volta de apresentação. Ou seja, isso significa que, no caso de uma largada abortada, os carros deixam de estar em regime de parque fechado.

Mas há uma exceção: quando a FIA determina que houve uma mudança climática e declara que a corrida será disputada na chuva depois de uma classificação no seco ou vice-versa. Neste caso, é permitido que as equipes façam mais mudanças nos carros.

Porém, o normal é que só sejam permitidos os seguintes ajustes:

  • Reabastecimento
  • Troca dos pneus
  • Escoamento dos fluidos de freio
  • Ajustes de asa dianteira

É justamente essa regra do parque fechado que acabou restringindo as comemorações dos pilotos, pois o próprio regulamento diz que “após cruzarem a linha de chegada, os carros devem ser levados diretamente ao parque fechado sem atrasos ou ajuda dos fiscais. A única exceção é o vencedor, que pode celebrar antes de fechar ao parque fechado contando que isso seja feito de forma segura e sem gerar dúvidas sobre a legalidade de seu carro”.

Isso acabou gerando algumas críticas no passado, como quando Sebastian Vettel conquistou o tetracampeonato, fez uma comemoração toda especial e largou o carro no meio da pista. Mesmo entendendo a questão técnica e regulamentar, ainda bem que o alemão acabou não sofrendo nenhuma consequência.

13 comentários sobre “Por dentro da F-1. E do parque fechado

  1. hehehe otima explanaçao Ju ( posso chamar de Ju? rs)
    eu sabia do q se tratava mas nao com todos detalhes q vc abordou…
    Hehe Vettel nao sofreu punicao nehuma novidade neh kkk mas daquela vez tava extravazando um titulo neh..aceitavel!

    Obs: prepara um material desse nivel sobre corrida em regime de Safety Car!

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    1. Cara Julianne, o seu blog continua espetacular e com o elevadíssimo nível a que nos habitou.

      Se vier a seguir a sugestão do Paulo H., por favor inclua a justificação da FIA para que os carros dobrados possam recuperar uma volta, bem como a sua opinião sobre o tema.

      Na minha modestíssima opinião, é a regra mais absurda da atual fórmula 1, esses carros foram dobrados porque algo ocorreu, (acidente, menor velocidade, problema mecânico, outro…) então, não deveriam poder retomar a volta como se estivesse tudo bem. O caso do Bottas em Baku é, para mim, incorreto para todos os pilotos que o finlandês passou a caminho do podium, pois ele estava uma volta atras em resultado de um erro cometido e assim foi-lhe possível recuperar a volta sem custo.

      Além disso, ainda atrasa a relargada e a continuação da corrida “a sério”.

      PS – Não tendo oportunidade de realizar sempre, será que consegue, de quando em vez, ter um tempinho para escrever um post das transmissões em vários países?

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      1. Obrigada pelo comentário, Luis. Comigo estando em todas as corridas da temporada, o blog ganhou muito, inclusive novos features. Mas um lado teve que sair perdendo e foi o que aconteceu com as transmissões, um único post que me tomava de 10 a 12h.

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      2. Muito obrigado pela sua resposta.
        Percebo perfeitamente a questão do tempo que despendia com um único post. A vida é um conjunto de compromissos e, obviamente, não se pode ter tudo nem chegar a todo o lado.
        Certamente que enquanto experiência profissional e pessoal, acompanhar o “circo” durante toda a época de será algo fantástico, e os seus leitores também beneficiarão do seu conhecimento de causa em primeira mão.
        Mas é pertinente ter saudades desse posts, mesmo muito interessantes, isto sem desprimor para os conteúdos atuais, que também são sempre originais e de qualidade indiscutível.
        De qualquer forma, pela minha parte, só tenho a agradecer o que, espontaneamente, partilha connosco. Obrigado.

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  2. Boa noite, Ju.
    Ultimamente eu vi uns boatos em alguns blogs como esse:
    http://www.grandprix247.com/2017/06/28/alonso-to-ferrari-hype-or-a-possibility/
    indicando que Alonso poderia voltar para a ferrari. Sinceramente achei isso uma loucura mas queria saber de alguém profissional que anda pelo paddock se isso pode ter alguma procedência , ainda que essa seja mínima(embora eu acredite que já saiba a resposta haha).
    Enfm, muito obrigado pela atenção e continue com o trabalho excelente!

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    1. Começou a se aventar essa possibilidade no paddock no final de semana de Baku, e seria para a vaga de Vettel. Tem muitos “se” na história, não tenho como dizer no momento se existe alguma chance concreta, mas já vi várias transferências bastante inesperadas na F-1, então não descartaria.

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      1. Essa seria mais surpreendente que a transferencia de Hamilton p/ a Mercedes….. Pelo menos olhando de fora!

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      2. E a ida dele para a McLaren?

        Acabei de perguntei para ele se existe alguma possibilidade dele ser companheiro de Hamilton ou de Vettel ano que vem. Ele disse “não sei”. Mas não acredito nessa possibilidade. Se ele for para a Ferrari, seria no lugar de Vettel.

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      3. Bom, me surpreende que exista essa possibilidade, dado que (pelo menos de fora) Alonso não parecia trazer muito equilíbrio interno para a equipe(não que Vettel atualmente seja um bom exemplo disso). Qual seria o motivo de trocar Vettel por Alonso?

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  3. Julianne, a corrida da Belgica é a única onde os carros não podem dar uma volta após a bandeirada. São obrigados a entrar pela saida dos boxes na contramão. Vc sabe pq isso acontece somente lá. Poderia se dizer que é porque a pista é muito longa (7Km), mas a pista do Azerbaijao é tb muito longa (6km), o tempo de volta nos dois é até similar. Vc sabe pq essa limitação na Bélgica ? Acho meio triste isso para os torcedores que perdem esse momento de comemoração que ocorre em todas as outras pistas.

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