Empate técnico

Quem esperava algum ataque de raiva de Sebastian Vettel após seu pneu lhe deixar na mão nas voltas finais do GP da Inglaterra, fazendo com que sua vantagem de 20 pontos no campeonato se transformasse em um empate técnico, saiu decepcionado de Silverstone. (Assim como parte da mídia inglesa que torceu para que Lewis Hamilton tivesse uma prova ruim para criticar mais uma vez seu estilo de vida, mas essa é outra história). O piloto alemão foi bastante positivo em suas entrevistas, otimista até demais para quem tem grandes motivos para acreditar que poderia ter vencido qualquer uma das quatro provas disputadas desde o dominante GP de Mônaco.

Vettel certamente não é cego e vê o crescimento da Mercedes, que tinha basicamente dois pontos fracos nas primeiras provas: dificuldades para colocar os pneus ultramacios na janela correta de temperatura e problemas de desgaste especialmente sob altas temperaturas. Desde o Canadá, contudo, tais questões parecem estar neutralizadas, enquanto a Ferrari sofreu dois pequenos, porém sentidos golpes com o aperto nas regras do combustível e das aberturas no assoalho. O crescimento de um e a ligeira queda de outro acabaram jogando o equilíbrio a favor da Mercedes, algo que demorou para aparecer na tabela de classificação devido aos problemas enfrentados por Hamilton nas últimas duas etapas.

Mesmo assim, após Silverstone, Vettel disse que a Ferrari só precisa melhorar um pouco e classificação para voltar a vencer, confiante em relação ao ritmo de corrida. E conhecedor, também, da dinâmica dentro de sua equipe. Ao perder junto do time, tenta evitar o que viu acontecer com Fernando Alonso quando era seu rival especialmente na disputa de 2013, em que a Ferrari se perdeu com os pneus caiu de produção ao longo do ano.

Do outro lado, Hamilton leva para a importantíssima próxima etapa na Hungria o embalo de uma prova irretocável, que começou com mais uma pole position incrível no sábado. O inglês estava sob enorme pressão depois de não participar do evento realizado em Londres na quarta-feira e fez o que já vem, há semanas, especialmente depois da dolorida derrota de Mônaco, dizendo que vai se concentrar para fazer neste ano: dar todas suas respostas na pista.

Hamilton agora tenta levar esse embalo para Hungaroring, pista em que sempre andou bem, mas que traz memórias justamente de Mônaco, onde a Ferrari dominou.

Ao mesmo tempo, o inglês fez questão de lembrar que Valtteri Bottas também está na briga. O finlandês fez uma grande corrida em Silverstone, recuperando-se da melhor forma possível da punição pela troca de câmbio e da classificação ruim. E observa, mesmo que um pouco de longe, todas as reviravoltas de um campeonato que só chegou a sua metade.

31 comentários sobre “Empate técnico

  1. Julianne.

    Me lembro que um dos maiores questionamentos no início da temporada era o quanto havia do talento do james Allison nesse ótimo carro da Ferrari. E mais, o quanto ele faria falta no restante do campeonato.
    Vc acha que a ferrari vai conseguir acompanhar a mercedes? Ou teremos um segundo semestre chato com um time voltando a dominar a f1?

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      1. Eu entendo que seja justamente no desenvolvimento Julianne.
        Eu até apostaria que tem a mão dele na rápida resolução do funcionamento dos ultra macios na equipe prateada.
        Abraço! Parabéns pelo blog!

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  2. Ju, podemos mesmo considerar um empate? A Mercedes não só mantém vantagem em classificação, como agora em ritmo de corrida e conservação de pneus não parece estar devendo nada a Ferrari. Desde Monaco a impressão que passa é que o ritmo de desenvolvimento dos prateados é superior e vai se manter assim até o restante da temporada. Espero que na Hungria a Ferrari dê o troco, caso contrário temo voltar a ver o domínio prateado dos últimos 3 anos. Maranello tem algum coelho na cartola ainda?

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  3. A Mercedes já tem o melhor carro desde o Canadá. Espero que a Ferrari tenha alguma carta na manga caso contrário não há como competir. Hoje eu achei que o Vettel não ia nem largar e acho que seu ritmo esteve prejudicado desde o início. Sobre as declarações do Vettel eu não estou surpresa. Ele é esquentado dentro da pista mas fora dela trabalha junto com o time.

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    1. Eu só conseguia escutar de onde estava (durante a prova, na sala de imprensa, nem isso, mas sim nos instantes finais, quando fui ao cercadinho para as entrevistas). Com a reforma que fizeram em Silverstone, o pitlane fica a um nível abaixo da torcida, então acabamos ficando isolados, o que é uma crítica geral.

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  4. uma temporada excelente da F1, hoje só faltou a transmissão da radio Bandeirantes e os comentarios da julianne
    uma ótima semana a todos

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      1. Mas a band news não transmite ao vivo Julianne. Tem um link para acompanharmos na proxima prova?
        Abraço!

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  5. Foi um grande fds! Silverstone nos mostrou uma atmosfera incrível, potencializada pela performance do seu idolo local…Hamilton esta em sua melhor forma, em vários aspectos vejo grata evolução e continua entregando resultado, esse ano fomos brindados com 3 voltas de qualifying absurdas Canada, Baku e Silverstone, creio q nesse semestre a luta sera como nos acostumamos ver ultimamente..Ham x Bot ! Quem estava esperando desempenho ruim do inglês, pra colocar na conta do episodio de F1London e engrossar o coro referente a vida extra pista do piloto, terá q guardar o texto pra depois, e tem q ser mto criativo pra desmerecer Hamilton.
    Parabens Ju ótimo texto!

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  6. Juh, bom dia.

    Em relação a corrida, não tem nem o que falar do Hamilton. Foi perfeito desde o sábado de manha. Dominou todos os outros e fez o dever de casa. Bottas teve uma recuperação muito boa, com uma pitada de sorte pelos problemas da Ferrari no fim da corrida. Max Verstappen e Daniel Riccardo fizeram o possível com a Red Bull, que não sei vocês, mas pra mim, esta tirando a enorme diferença que ela tinha pra Ferrari e Mercedes. Ela ainda não é capaz de ganhar no mano a mano, porém, caso alguém tenha problema ela está lá pra capitalizar, como Riccardo fez nas corridas anteriores, principalmente no Azerbaijão. Especificamente pra Ferrari, Ju, ambos tiveram problemas no mesmo pneu, quase que ao mesmo tempo. Por mais que o problema do Kimi tenha sido um desmanche do composto, e o do Vettel esteja mais pra um furo no pneu, a Ferrari usou alguma configuração de suspensão que “estressasse” o pneu de forma a dar problema ?
    Todos os pilotos tiveram problemas de bolhas, estes que vem na verdade desde o gp da Áustria, mas porque será que só a Ferrari saiu “realmente” prejudicada com isso ?

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    1. Falou-se em cambagem excessiva, mas a Pirelli já descartou. Outros conjuntos estavam no limite em Silverstone, o que era esperado pelo uso dos supermacios e macios por lá, mas não se sabe ainda por que só os pneus da Ferrari passaram do limite.

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      1. Pensei nisso durante um tempo depois da corrida, porque tanto Raikkonem tanto Vettel tiveram o mesmo problema. A travada que o Vettel deu contra o Bottas foi com o pneu dianteiro direito, então, mais um motivo de eu ter ficado com dúvidas do porque isso aconteceu.

        Ju, terá um credencial essa semana ? ele irá abordar somente a prova da Inglaterra, ou falará da Áustria também ?

        Grande abraço, até mais.

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  7. Julianne,
    Podemos esperar um especial seu sobre essa questão do James Alisson e evolução Mercedes/Ferrari?
    Ou no site do UOL você já tem algo sobre isso?
    Ia levantar essa mesma questão, daqui de fora parece que ele está fazendo falta na Ferrari e que o carro não tem sido muito bem desenvolvido pelo corpo técnico de Maranello. Afinal todo mundo ali é “verde de F1”.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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  8. Espero estar errado. Mas a impressão que ficou é que a Mercedes esta muito a frente da ferrari em ritmo de corrida. Hamilton deixou claro ao fazer a melhor volta da corrida com os pneus super gastos no final, que controlou o ritmo o tempo todo e que se fosse necessário, ele teria chego muito a frente do restante do grid. Outra coisa que preocupa é o histórico da Ferrari. Quando tem um carro bem nascido, não conseguem desenvolve-lo durante o ano para se manter na briga. (Um bom exemplo foi o ano de 2013)

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  9. Espero estar errado. Mas a impressão que ficou é que a Mercedes esta muito a frente da ferrari em ritmo de corrida. Hamilton deixou claro ao fazer a melhor volta da corrida com os pneus super gastos no final, que controlou o ritmo o tempo todo e que se fosse necessário, ele teria chego muito a frente do restante do grid. Outra coisa que preocupa é o histórico da Ferrari. Quando tem um carro bem nascido, não conseguem desenvolve-lo durante o ano para se manter na briga. (Um bom exemplo foi o ano de 2013)

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    1. Nesse caso notasse claramente a intenção.
      Na disputa de Vettel vs Vestarpen, ambos esparramaram para além de Deus me livre.
      Um fator importante
      Não estamos mais na Era Eclestone

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    2. Ao meu ver, só o meu ponto de vista da corrida, ok ?!
      O Alonso efetuou a ultrapassagem em cima da zebra, fora dos limites de pista, e por isso a punição. Veja este vídeo do Vettel em cima do Button na Alemanha – 2012.

      O vídeo é de 3 min, então adianta pra 2 minutos que você já pega na hora certa a manobra completa.

      O piloto pode usar toda a extensão da pista pra defender a posição, mas o de fora não pode efetuar uma ultrapassagem fora dos limites de pista, porque teoricamente ele está “tendo vantagem” em cima do outro …

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      1. Agora, no caso do Verstappen, ele foi colocado pra fora da pista enquanto defendia a posição do Vettel, portanto, ele não “obteve ganho”. Eu posso estar errado, mas acredito que a visão seja essa, ou alguma coisa nessa linha.

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      2. No momento da ultrapassagem, o video é cortado, mas momentaneamente é visível que Button deixa espaço, mas Vettel que veio com mais ação não conseguiu segurar o carro dentro da pista, ou seja, no mínimo duas rodas.

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      1. Esse ano os caras estão mais liberais, mas é visível que Vettel não deixou espaço para Bottas, forçando-o para fora da pista, uma manobra tolerada nos dias de hoje.

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    3. O espaço tem que ser deixado em uma disputa roda a roda quando o bico do concorrente ultrapassa o eixo traseiro. Aos 7 segundos, em plena curva, é visível o bico da Ferrari á frente do eixo traseiro da Renault, e 40 aos 44 segundos, mesmo com a Ferrari ao seu lado, Kubica faz a curva normalmente jogando Alonso para fora da curva. Seguindo o regulamento, se alguém tivesse que ser punido deveria ser Robert.

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    4. Foi acordado que neste ano os comissários seriam mais lenientes com este tipo de disputa depois de vários pedidos dos próprios pilotos e de críticas externas, então não vejo muito sentido em ficar comparando com épocas em que a política era distinta. E por isso não me estranha que nada tenha acontecido. Temos visto que neste ano basicamente apenas batidas têm sido investigadas.

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