Drops do GP da Hungria, entre raios e egos

A chegada em Budapeste não foi das mais tranquilas para quem estava voando no fim da tarde sob a capital húngara. Uma forte tempestade deu trabalho para os pilotos e assustou muita gente. Inclusive Daniil Kvyat, que ao pousar comentou com a assessora de Sebastian Vettel, sentada na poltrona logo atrás, que “não gostou nada disso”. A alemã não deu muita bola.

 

Vai saber qual a reação do russo se ele estivesse em outro voo carregado de gente da F1 que foi efetivamente atingido por um raio. Na saída, um colega foi cumprimentar o piloto e ouviu de volta que “essa foi por pouco”.

 

Algo parece ter mudado na situação de Felipe Massa na Williams nas últimas duas ou três semanas. O brasileiro não parece tão confiante em continuar e indicou claramente que seu futuro é a F-E caso não renove. Na Indy, ele não corre por oposição da família – e acredito que dele mesmo também – DTM e LMP1 ele considera categorias prestes a acabar e disse que LMP2 e GT não lhe interessam. “E a F-E está crescendo muito.”

 

Isso me lembra a primeira vez que eu ouvi falar na categoria, quando o grupo de jornalistas brasileiros estava na Ferrari no GP da Alemanha em 2013 e Lucas Di Grassi apareceu nos perguntando se achávamos que uma categoria com carros elétricos iria para frente, pois tinha recebido uma proposta e não sabia dizer se era ou não uma furada. Agora é campeão da categoria.

 

Uma das grandes curiosidades quando chegamos a Hungaroring era ver se os organizadores tinham mantido o nome de Bernie Avenue para o único acesso ao circuito. A placa sumiu. Mas isso não quer dizer que a Hungria está totalmente adaptada aos novos tempos da F-1: no estacionamento, as vagas destinadas a Chase Carey e Sean Bratches tinham erros de grafia, corrigidos ao longo do final de semana.

 

O paddock também teve novidades. Ping-pong, dardo, autorama, pebolim e uma mesa parecida com a de ping-pong, mas para jogar com os pés (existe nome para isso?). Desta vez faltou a cerveja.

 

O cercadinho sempre rende boas histórias e desta vez não foi diferente. Depois de questionar duramente (vulgo fazer seu trabalho) Vettel em Baku, o repórter da NBC Will Buxton tem tido dificuldades com o alemão. Na quinta-feira, Vettel fez de tudo para evitá-lo, deixou-o por último, e depois respondeu vagamente e com um sorriso sarcástico suas perguntas. O piloto da Ferrari passou reto ainda pelos espanhóis e sul-americanos de língua espanhola devido à reclamação que eles tinham feito depois de Vettel só falar com alemães e italianos ao final do GP da Inglaterra.

 

De bom humor em um bom final de semana para a McLaren, Fernando Alonso provocou risadas no sábado no cercadinho. O piloto estava saindo do recinto de entrevistas quando foi chamado pelos franceses, que pediam por favor que ele voltasse. O espanhol parou na saída,  acenou um tchau e mandou um beijo para o grupo de repórteres. Mas depois da cena atendeu ao pedido.

 

Mas foi exatamente na minha frente que aconteceu o melhor momento do cercadinho, quando Hulkenberg foi reclamar com Magnussen pela manobra na corrida e recebeu um “chupe minhas bolas” como resposta. Nada que surpreenda muito vindo de dois dos egos mais inflados do grid. E olha que a concorrência é forte!

 

Falando em egos inflados, Paul Di Resta pegou uma batata quente com a substituição de Massa e o mais curioso da história é que, ainda na sexta-feira, a produtora da Sky Sports já pressionava a Williams para saber se o escocês, que é comentarista da emissora, correria. “Vocês precisam me dar uma posição porque eu tenho um programa muito importante para montar”. Ah tá.

 

Com o ponto recebido por atrapalhar Lance Stroll na classificação, Daniil Kvyat chegou a 10 pontos na superlicença e está a dois de levar um gancho. Seus primeiros pontos vão vencer apenas no dia seguinte ao GP dos EUA, então a chance é bem razoável de isso acontecer. E claro que já comecei o bolão com os colegas. Ousei e apostei em Spa, mas Cingapura está liderando a votação até o momento. Quando vocês acham que ele chega aos 12?

15 comentários sobre “Drops do GP da Hungria, entre raios e egos

  1. Eu acho que o Kvyat vai usar essa história do avião para não precisar mais viajar para as corridas, vai dizer que está com trauma…kkkk
    Ainda falando do Kvyat, vi em uma página no facebook, uma brincadeira (séria, mas ainda uma brincadeira) dizendo que desde que o Russo foi rebaixado para a STR ele possui mais pontos de penalização que pontos obtidos nas corridas.

    Também fico com Spa, é uma pista bem propícia para isso, lembrando que o último piloto suspenso de uma corrida também foi por algo causado em Spa.

    Será que já no próximo ano não contaremos com nenhum brasileiro no grid?
    Aproveitando o gancho de nenhum brasileiro no grid, como você trabalha para canais de comunicação brasileiros, isso afetaria o seu trabalho claramente, existe a chance de você não cobrir mais as corridas ‘in loco’, apenas determinadas corridas?

    Bem Ju, bom trabalho no mundial de atletismo!!!

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    1. Ano passado eu estava com tudo fechado mesmo sem o Felipe, incluindo ampliando a cobertura. Afinal, faz tempo que a audiência da F1 no Brasil não depende de vitórias do país. Existe a possibilidade de não haver nenhum brasileiro sim, mas acho que o grande golpe para a F1 na TV seria a Globo não renovar o contrato em 2020.

      Quanto ao Kvyat, desde que o sistema foi implementado ele é o piloto com mais pontos. O segundo é o Vettel.

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      1. Mas existe esta possibilidade da Globo não renovar? Comercialmente a F1 ainda é rentável para eles. Em todo caso, o futuro seria cobertura apenas pela TV fechada?

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      2. Sempre existe essa possibilidade. O futuro é internet, conteúdo que o espectador seleciona de acordo com seus interesses. Mas o Liberty Media ainda está estudando como rentabilizar isso.

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      3. Ainda bem que você continuará mesmo sem brasileiros! É sempre bom ouvir a opinião e as notícias de quem está envolvido lá no meio!
        Me corrija, mas poucos países (dos grandes eixos da F1) ainda exibem a fórmula 1 em TV aberta, certo? E também a renovação da Globo em partes está envolvida com uma renovação do contrato do GP Brasil?

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  2. Gasly seria o homem a substituir Kvyat, caso o mesmo seja suspenso por uma corrida, ou a Toro Rosso poderia requisitar um outro piloto?

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      1. Tinha que ter como colocar foto, colocaria um meme do “estou chocado”
        Airton,
        Desde muito tempo afirmo:
        Por mais que a Globo dê os seus furos, temos de agradecer por assistir a F1 em TV aberta, Bernie levou quase que totalmente para a TV paga já que dá mais grana.
        Inclusive tem um post da Julianne sobre essa “fome de contratos televisivos” do Bernie, mas com relação ao tempo que um piloto conversa com a mídia.
        Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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  3. A cobertura do Will Buxton sobre o incidente de Baku foi muito tendenciosa, típica da mídia inglesa – crucificou o Vetter e sequer comentou o pedido do Hamilton à equipe para o Bottas bloquear o alemão.
    O Hamilton tem maturidade de um adolescente e agora quer ser o paz e amor cedendo posição, será sensacional ele perder o título por 2 pontos

    Você ouviu algo sobre a Sauber ser equipe Alfa Romeo? Longbow saindo seria uma viabilidade..

    Parabéns pelo trabalho, melhor que Autosport 😉

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  4. F1 sem brasileiros e sem cobertura na TV aberta seria um golpe enorme no já fragilizado automobilismo nacional. Uma pena!
    Ju, o tal ping-pong jogado com os pés se chama Teqball.

    Parabéns pela cobertura!

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