Corridas e análises

Os trunfos de Vettel

Com mais da metade da temporada tendo se passado, e ainda mais depois da esperança de um grande resultado ter se tornado um “desastre”, como chamou a imprensa italiana, em Cingapura, fica até fácil subestimar o trabalho da Ferrari nesta temporada. Mas a maneira como os italianos têm conseguido manter a Mercedes, uma equipe extremamente afinada, na alça de mira tem sido impressionante.

Este trabalho tem sido feito em várias partes. No motor, cujos problemas de confiabilidade foram sanados e cuja desvantagem em termos de quilometragem de peças tem sido bem administrada. No desenvolvimento do carro, que passou por algumas crises, com a FIA pedindo a revisão de uma importante parte do assoalho. E no trabalho dos dois pilotos da academia ferrarista.

Muito provavelmente por chegar aos finais de semana com uma base muito defasada devido ao rendimento ruim dos anos anteriores, foi comum para a Ferrari começar os treinos livres perdida e aparecer forte no sábado. Não há nada de coincidência nisso.

As últimas duas vezes em que isso aconteceu foi em Budapeste, quando o salvador da pátria foi Antonio Giovinazzi, e em Cingapura, quando o trabalho foi conduzido por Charles Leclerc, algo que foi destacado por Sebastian Vettel.

Basicamente, o que esses pilotos fazem é passar as horas que os pilotos não têm na pista, no simulador, testando novas configurações e recebendo os dados que foram coletados durante os treinos livres. Basicamente, enquanto a equipe dorme no circuito, novas soluções são encontradas.

É lógico que existe um motivo para Vettel elogiar Giovinazzi e Leclerc, especialmente porque o segundo é bastante cotado para substituir Raikkonen em 2019 – e porque o alemão não quer pilotos que são sondados pela Scuderia, como Ricciardo ou Verstappen. O plano é colocá-lo na Sauber ano que vem, e acredita-se que ainda não seja algo definido porque a vontade da Ferrari é colocar Giovinazzi ao seu lado, por acreditar que Ericsson não é parâmetro. O fornecimento de motores ao time suíço, contudo, não garante que isso vá acontecer.

Mesmo com todo o interesse por trás, é de se destacar o trabalho de ambos e como a Academia da Ferrari, hoje, é a mais promissora, enquanto é a Red Bull que tenta convencer suas estrelas a ficar quando seus contratos expirarem, ano final do ano que vem.

8 comentários em “Os trunfos de Vettel”

  1. Grande mérito desse trabalho é por ser feito por um piloto capaz e com a motivação da juventude, depois da aposentadoria do incansável Badoer a Ferrari usou alguns veteranos fim de feira para fazer esse trabalho, a Ferrari, Mclarem e Mercedes vem sabendo escolher seus pupilos o que a Red Bull parece ter perdido a mão juntando um monte de pilotos meia sola a ponto de que se o Gasly não vingar não terão nenhum outro para colocar na Toro.

    1. Não acho que a Red Bull perdeu a mão. Acho que foram muito agressivos no “testa e descarta” e acabaram sem ninguém mais, com talento, ter interesse na academia deles.

  2. Bem colocado Muguello o Sette Camâra, que me parece bem promissor, é que escolheu sair da academia da RedBull, eles poderiam tê-lo ao lado de Gasly no programa, isso sem contar a fritada que deram Daniil quando o colocaram na Toro Rosso e a eterna briga com o Sainz Jr. que acabou saindo para a Renault, embora possa ser chamado de volta.
    Talvez pelo sucesso do programa nos anos anteriores, acabaram tendo péssimas decisões nos últimos tempos.
    O que se diz sobre o desenvolvimento do carro da Ferrari no Paddock Julianne? Se dizia que havia muito de James Alisson nesse carro, e que a equipe não manteria o nível de desenvolvimento, mas foi uma grata surpresa para o campeonato eles manterem o bom nível de desenvolvimento.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

  3. Isso é algo a que eu chamei a atenção em posts passados: a Ferrari sempre começa os treinos perdida, mas logo se ajusta. Aliás, acho que isso explica o fracasso que foi a corrida de Monza: com a chuva do sábado, a equipe não pôde avaliar o acerto ideal para pista seca. O resultado foi uma prova muito aquém do esperado.

    Acho que pode custar um pouco à Ferrari, sobretudo agora com provas fora da Europa, pois tanto Giovinazzi quanto Leclerc guiarão por Hass e Sauber, respectivamente, na Malásia, no México e no Brasil e não poderão, creio, fazer esse trabalho no simulador nessas provas.

  4. Como não lembrar do Jules Bianchi? Essa vaga era dele. Até hoje quando lembro daquele GP me dá um aperto no coração.

    1. É até uma questão interessante a que coloca, Daniela. Será que o Raikkonen ainda estaria na Ferrari se não tivesse acontecido nada com o francês?
      O último piloto que eu me lembro da Ferrari ter promovido das “equipes satélites com motor Ferrari” depois de ganhar experiência foi o Massa.

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