Apagões

Mais ou menos uma hora antes da corrida Niki Lauda conversava na Mercedes enquanto almoçava e reconhecia que a Mercedes não tinha nenhuma explicação para a pole conquistada por Lewis Hamilton. E nem sabia o que espera do ritmo de prova do time. Afinal, os alemães viviam algo que se tornou até comum ao longo desta temporada: sofreu um apagão.

De uma hora para a outra, o carro simplesmente não funciona, parece nervoso, falta tração e, consequentemente, o desgaste de pneus é acentuado. E isso pode acontecer mesmo depois de um final de semana de domínio absoluto, como vimos entre a Itália e a parte da temporada do sudeste asiático..

Tais apagões parecem estar ligados às altas temperaturas, o que explica o rendimento melhor no domingo do que no sábado em Cingapura, por exemplo. E é fato que o destino tem sorrido para Hamilton ultimamente e, mesmo com rendimentos muito abaixo do esperado – e, mais importante, muito abaixo da Ferrari – o inglês ganhou 31 pontos em cima de Vettel nas últimas duas provas.

Cingapura era uma queda já esperada, pela combinação de circuito sinuoso e calor, mas deu para sentir no paddock em Sepang que a equipe sentiu o golpe da Malásia, cujo traçado deveria ser favorável aos carros prateados. A preocupação é menor para o Japão, mas nada impede que os problemas voltem a ocorrer nas etapas finais. A equipe simplesmente não sabe prevê-los ou revertê-los ao longo de um final de semana.

Em 2017, a sorte de Hamilton tem sido tanta que fica difícil crer que esses apagões vão lhe custar o título – vide a chance de que a caixa de câmbio de Vettel possa ter de ser trocada pela batida bizarra com Stroll – mas isso não significa que o problema acaba por aí.

A questão é relacionada ao projeto, o que leva a outro ponto de interrogação: o que fazer para o ano que vem? Abandona-se a filosofia atual, correndo o risco de perder para a Ferrari, que tem todos os motivos para continuar com a mesma base?

Do lado do time vermelho, Vettel acabou fazendo a tal troca de motor de que precisava na Malásia, e agora está com uma unidade bem mais nova que as últimas de Hamilton – trocadas na Inglaterra e na Bélgica – e potencialmente mais desenvolvida. Era daí que vinha toda a confiança e tranquilidade do alemão mesmo vendo a escalada do rival nas últimas provas. Mas com toda essa zica que está lhe acompanhando, não há atualização que resolva.

Que o diga Verstappen, que vinha tendo um ano terrível, com sete abandonos em 14 provas, sendo cinco por quebras. O holandês cometeu alguns erros ao longo do ano também, mas em Sepang foi cirúrgico. Tão cirúrgico quanto seu companheiro costuma ser, e foi novamente na Malásia, defendendo-se muito bem dos ataques de Vettel.

Destaque também para Vandoorne, que repetiu o melhor resultado da carreira, que tinha obtido justamente na última corrida. O belga superou Alonso no sábado e teve um ritmo muito melhor no domingo, colocando-se como um dos pilotos que estão crescendo bastante ao longo deste ano meio maluco, que ainda não contou todas as suas histórias.

29 comentários sobre “Apagões

  1. Acredito que a Red Bull vai ser um fator bem importante para determinar quem ganha o campeonato. Seus carros poderão tirar pontos dos 2 postulantes. E acho q vai ser melhor para Hamilton pois ele tende a se classificar melhor que Vettel no sábado. E se conseguir ter uma ou as duas Red Bulls entre ele e o alemão, poderá controlar mais facilmente as corridas e o campeonato, mesmo com esses problemas de adaptação da Mercedes.

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  2. Julianne eu fiquei realmente surpresa com os problemas na Mercedes. E o que era pra ser duas vitórias para Ferrari se transformaram em um quarto lugar para o Vettel. Hoje eu acredito que pelo ritmo apresentado o Kimi poderia vencer. Mas olha se o Vettel ainda tiver chance em Interlagos eu prometo que antes da corrida levo uma arruda e um sal grosso pra ele. Agora falando sério, ele precisa de um abandono do Hamilton. O problema é que a Mercedes é muito confiável.Quanto a batida, tem uma nova imagem do carro que vem atrás e ela não deixa nenhum dúvida das habilidades do Stroll.

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    1. Daniela, eu não tinha falado que era p/ Vettel aproveitar e mudar de “santo” também? É, parece que ele continuou com o mesmo “santo” e com a mesma “sorte”… kkkkk

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  3. Quanto ao tema do post, parece mesmo que parte dos problemas da Mercedes nessa perna do sudeste asiático esteja relacionada com o calor: vejam que a equipe só andou bem de fato – e ainda assim apenas com Hamilton – após chover em Singapura. Esperava-se, pelas características do circuito, um domínio da equipe em Sepang, o que esteve longe de se ver, ainda que Hamilton tenha feito a pole (sem a presença de Vettel) e uma corrida bem comedida. Aliás, o que chamou a atenção foi que aparentemente o novo pacote aerodinâmico usado somente por Bottas não tenha dado certo, ainda que a má atuação do finlandês possa ter escondido isso.

    Quanto à Ferrari, a equipe tentou postergar, mas estava meio claro que os problemas com o turbocompressor no início da temporada cobrariam seu preço. Se há algo de bom que tenha ocorrido é que agora definitivamente a equipe e Vettel não precisam se preocupar com eventuais perdas no grid por trocas de peças no motor, mas… havia um Stroll no meio do caminho (claramente o único culpado pelo incidente pós prova, mas, como um garoto mimado, negou assumir a culpa) e ficamos na espera se haverá ou não troca da caixa de câmbio.

    Como escrevi no post de Singapura, tudo que espero de Seb nesse restante de temporada são boas atuações, dando o melhor de si. Na Malásia, ele esteve na plenitude e conseguiu o máximo que poderia ter feito (talvez 5º se Räikkönen tivesse largado). Um 3º lugar até poderia ter acontecido se tivesse conseguido ultrapassar Ricciardo na única tentativa que teve (pois deu tudo do pneu e após isso teve de desistir da batalha), mas não deixa de ser um ótimo resultado. Por incrível que pareça, ainda considero o campeonato aberto: Ferrari e Red Bull evoluíram muito desde Monza, e a Mercedes aparentemente caiu um pouco. Vencendo as cinco que restam, ainda que Hamilton seja segundo em todas, venceria o campeonato por 1 ponto.

    Para finalizar, gostaria de falar de Alonso. Ah, Alonso!… Vettel na coça de Ricciardo, aí ele abre para o australiano e se coloca descaradamente à frente do alemão… Eu também achei que ele fosse melhor do que isso. Ele, que tanto enaltece às próprias performances, tomou pau de Vandoorne o fim de semana inteiro. Não à toa ninguém o suporta.

    E a imagem que guardo do fim de semana na Malásia é uma que vi no Instagram: Schumacher cumprimenta seus mecânicos após a quebra em Suzuka/2006; Seb faz o mesmo após os esforços de todos os seus mecânicos na Malásia/2017. Há um ano, ouvíamos o “alguém deseja que eu não conquiste este título.” Talento ambos têm, mas eu sempre serei mais Seb.

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    1. Vettel sempre foi um piloto de equipe, quando ele desobedeceu as ordens de equipe para derrotar o Webber aí mesmo ele foi na fábrica se desculpar com toda a equipe, talvez não para o Webber, mais aí o problema era maior.

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    2. Como eu faço pra assinar? Perfeito em todas as colocações. Eu aprendi a amar a Ferrari vendo o Schumacher correr. Mas na época do Alonso mudei de lado. Um ótimo piloto que quando ganhava fazia milagre e quando perdia descia a lenha na equipe. Não por acaso fechou todas as portas por onde passou. Acho que o Vettel é muito talentoso mas tem algumas dificuldades. Mas o que me agrada é seu estilo trabalhador e sempre jogador de equipe. Ele é um verdadeiro líder e essa característica não é pra todos.

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  4. O Verstappen bate o Ricciardo em velocidade em quase todas as provas e situações, tendo uma corrida sem problemas seus resultados tendem a ser superior ao Ricciardo, não se pode esquecer que a maioria dos problemas do Verstappen foram mecanismos e se o Ricciardo teve competência, também teve muita sorte.

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  5. Como eu faço pra assinar? Perfeito em todas as colocações. Eu aprendi a amar a Ferrari vendo o Schumacher correr. Mas na época do Alonso mudei de lado. Um ótimo piloto que quando ganhava fazia milagre e quando perdia descia a lenha na equipe. Não por acaso fechou todas as portas por onde passou. Acho que o Vettel é muito talentoso mas tem algumas dificuldades. Mas o que me agrada é seu estilo trabalhador e sempre jogador de equipe. Ele é um verdadeiro líder e essa característica não é pra todos.

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  6. Julianne,
    A dúvida que me martela desde que li as entrevistas de Vettel/Stroll:
    Porque diabos um piloto vai buscar borracha na volta de encerramento? A corrida já está no fim, os pneumáticos não serão utilizados na próxima corrida, a volta é de desaceleração e portanto, o balanço do carro não será afetado e/ou exigido….
    Ou será?
    A pole de Hamilton se explica por um motivo bem simples:
    Se existisse um piloto com capacidade igual a dele no grid, para executar uma volta lançada tão bem. Ele teria bem menos de 70 poles.
    No “mano a mano” com Hamilton nesse quesito, talvez apenas Verstappen consiga batê-lo.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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    1. NATO Velloso

      Os pilotos vão na borracha durante a volta de regresso ao box, para aumentar o peso do carro, já que sempre trabalham no limite, e a borracha grudada nos pneus , deve entrar na conta dos engenheiros para o peso do carro no final da corrida.

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  7. Ju, a Mercedes não domina. O live timing mostrou durante a corrida que, claramente, o ritmo de Vettel foi superior aos das Mercedes o tempo todo. Suzuka não vai estar tão quente e o que esperar? Não é uma pista travada como Hungaroring, mas também não é uma Spa ou Monza, porque tem muitas e muitas curvas. A Red Bull pode se destacar pelo refinamento aerodinâmico?

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    1. É uma pista em que usa configuração de alto downforce (ponto Ferrari), com curvas de alta velocidade (ponto Mercedes) em que não deve fazer muito calor, mas pode chover na sexta e isso atrapalharia a preparação. Percebe por que é um final de semana interessante?

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      1. Para mim já era interessante por ser Suzuka simplesmente. Minha pista favorita e a mais técnica do ano a meu ver (apesar de nos dar corridas ruins, por conta da dificuldade de seguir o carro da frente de perto).

        Mas tem bons ingredientes para um fim de semana interessante mesmo. Já estou esperando o post do turistando sobre essa prova.

        Bom trabalho por lá!

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  8. O grande problema de torcermos por um piloto, é querermos encobrir seus defeitos é demonstrar apenas suas qualidades. Desde 2004 torço por Alonso, já cai no erro de achar legal quando a Ferrari sacaneava com Massa para potencializar a briga no campeonato por possuir um equipamento inferior a RBR, amadureci e vejo que esse modo de agir não é o correto, sendo assim, doa a quem doer, 2007 deveria ser a tônica da F-1: deixa os caras se matarem na pista, nem que para isso se perca o campeonato! Assim deve ser a disputa verdadeira! Acredito que nesses tempos modernos, a única disputa correta dentro da Ferrari foi quando a mesma estipulou uma preferência a partir de determinada corrida nos campeonatos se não me engano de 07/08, daí em diante uma política de favorecimento descarda. A época Shumacher pode ter sido numerosa, mas vergonhosa esportivamente, como a Mclaren fazia com Senna e Berger, com a RBR com Vettel e Webber (Alguém se lembra do multi 21? Da asa nova para Vettel em Silverstone 2010?), com Alonso e Fisichela/Nelson Piquet/Massa, com Hamilton e Kovalainen/Bottas, enfim, pilotos que mesmo inferiores, foram sabotados com as assinaturas dos contratos. Nunca torci por Hamilton, mas torcerei pelo inglês pela atitude de Hungaroring, quando devolveu a posição para Bottas, algo que Vettel nunca fez para Kimi na Ferrari. Como querer que o finlandês já em fim de carreira brigue por algo se o favorecimento por Vettel é descarado como acontecia com Alonso versus Massa /Raikkonen? São as equipes que pagam os salários astronômicos de seus pilotos e são elas que fazem o que querem, mas esportivamente, 1 e 2 em uma equipe, já no começo de uma temporada é um anticlímax! Os defensores dos resultados dirão que se deve maximizar a vitória a qualquer custo, mas a pergunta que não quer calar: onde está a verdade em uma disputa forjada? Senna x Prost na Mclaren, Pironi x Villeneuve , Piquet x Mansell, Alonso x Hamilton, essas sim, com suas polêmicas, insultos, palavrões, foram disputas verdadeiras, verdadeiramente cruas, humanas. Ps: no incidente pós corrida entre Vettel e Stroll é nítido que a manobra do alemão foi muito agressiva quando todos voltavam para os boxes em uma volta de desaceleração, ora, a corrida já tinha acabado e fica a pergunta: para que tanta pressa? Se Alonso atrapalhou Vettel em uma disputa, fico imaginando o que diriam se fosse o espanhol que tivesse destruído a traseira da Ferrari….pena de morte? kkkkk

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    1. Eu lembro dessa de 2010. Em 2013 na Malásia mesmo, o Webber era 1° com pneus duros e a equipe havia dito a ele que o Vettel, com pneus macios, não o atacaria, mas não foi isso o que aconteceu, e a RBR não fez nada com isso. Hahahaha. É só um caso entre 1000 desses 2 pilotos. Você citou diversos casos, e ainda tem o do Rubens com o Schumacher também, que foi descarado as ordens de equipe. Rosberg e Hamilton tiveram um mano a mano durante 3 anos, e foi uma briga excelente de se ver. É isso o que falta na F1 hj pra algumas equipes.

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    2. Pela imagem do carro do Grosjean que vinha logo atrás dos dois dá pra ver que Stroll esterçou para direita quando Vettel passava. Nítidamente!
      Não sabe usar os retrovisores ainda.

      Abs

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      1. Vettel estava tão pilhado com sua remontada na corrida que esqueceu de diminuir a velocidade na volta para os boxes, afinal a corrida já tinha acabado…pra quem luta pelo título, assumir um risco desses é meio infantil.

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  9. O destempero do Vettel em Baku custaram 15 pontos, que ainda o deixavam vivo no campeonato. É como muitos disseram, Monza era uma boa pista para trocar o motor e pagar a punição podendo chegar em terceiro. Com um pouco de sorte, o Hamilton coloca uma mão na taça. Agora só uma quebra ou batida, para dar chance ao Vettel.

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  10. Ju, mais uma vez excelente análise. Por ventura, se você voltar no tempo um pouco, em 2015 a ferrari venceu as mercedes em condições normais na Malásia com o Vettel. O problema enfrentado pela mercedes foi parecido com esse ? Lembro que naquela prova o Hamilton e Rosberg tiveram um ritmo inferior ao da Ferrari durante a prova. Ainda nesse questionamento, em 2015 tirando esse episódio da Malásia, e em 2016 inteiro, o carro da mercedes teve problemas, mas não eram ligados a altas temperaturas, o que pode nos levar a pensar que o problema está no projeto desse ano. Se a equipe revisar o projeto, você acha que ela conseguiria resolver esse problema ?

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      1. Na transmissão da globo o Burti disse que esse ato era proibido, porém, acho que deveriam reconsiderar, visto que é bacana esse tipo de atitude … Deixa o esporte mais humano.

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  11. Ju, a Force Índia reclamou que algumas equipes secaram o grid de largada onde os pneus passariam no momento da largada, alegando que isso é proibido. Realmente existe algo a respeito ou é só uma coisa pra gerar intriga ?

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  12. Acredito que se o problema da Mercedes é com o calor, então não é difícil de justificar como Hamilton conseguiu ser tão rápido no treino: durante uma volta é possível trabalhar com o carro mais no limite de temperaturas já que estamos falando de 1 min 30 s de duração. Já na corrida, é diferente, precisa que o sistema de resfriamento do carro troque muito calor durante muito tempo. Talvez o problema da Mercedes seja esse, acho que para disfarçar os atentos de plantão, é conveniente para a Mercedes dizer que não tinha ideia de como o Hamilton conseguiu a pole. Eles sabem, sim, acredito.
    Quanto ao Bottas, creio que tem mostrado uma inconsistência terrível. Claro que não a ponto de tirá-lo da Mercedes, mas a ponto de ser questionado se pode manter o ritmo para uma disputa de campeonato. O engraçado é que ele consegue ser muito rápido e lento em pistas de traçados semelhantes: consegue ser rápido na Rússia e lento em Cingapura, Rápido no Bahrein e lento na Malásia. Talvez seja fase.
    E o azar de Massa?

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