Estratégia do GP do México e os desafios da pista ‘diferentona’

Era a entrevista que marcava seu tetracampeonato, mas Lewis Hamilton não esqueceu de defender mudanças no GP do México. Pediu pelo menos um composto de pneu especial para o Autódromo Hermanos Rodriguez. Duvido se essa seria uma solução, mas o fato é que, não fosse o drama da primeira volta, teríamos tido uma corrida pra lá de chata na Cidade do México.

Basicamente, é a altitude que joga contra o show. O ar rarefeito tem uma série de consequências nos carros, desde prejudicar os sistemas de arrefecimento, até diminuir o efeito do DRS, além de agir como fator nivelador de performances. Em um circuito em que a diferença entre dois carros tem de ser de cerca de 1s3, uma das maiores da temporada, para que se haja uma ultrapassagem, é fácil entender como isso pode ser prejudicial para o GP.

Do ponto de vista estratégico, por sua vez, o GP do México pode parecer simples, e se complicar rapidamente. Pouca energia é jogada nos pneus e o macio pode durar até uma prova inteira, o que faz com que até a janela de pit stops de quem larga com os ultramacios seja bastante longa (cerca de 10 voltas). Por conta disso, a grande preocupação dos engenheiros se torna o tráfego ao invés da degradação. E, no último domingo, se deu bem quem tratou a prova mexicana como única.

No caso de Verstappen e Bottas, a diferença de performance era tão grande que a estratégia era uma questão de esperar a diferença se abrir para trocar os pneus e voltar sem tráfego. Já na Ferrari havia a possibilidade de usar Kimi para abrir um buraco para Vettel no meio do pelotão. Isso poderia ser feito antecipando sua parada ou provocando os rivais a fazê-lo.

A Scuderia usou o segundo expediente, quando pediu ao finlandês que parasse ainda na volta 18, bem cedo, mas só se Perez fosse para o box. A Force India viu a Ferrari preparada e se antecipou, levando o drible.

Temendo o undercut de Perez, a Renault chamou Hulkenberg e isso fez com que a Force India também chamasse Ocon, pelo mesmo motivo. De forma inteligente, a Williams não fez o mesmo com Stroll, e mudou a história de sua corrida.

É claro que o canadense, assim como Magnussen e em menor medida o próprio Raikkonen foram beneficiados pelo SC virtual e fizeram uma parada praticamente gratuita. A Ferrari ainda faria uma escolha interessante com Vettel, colocando-o com pneus ultramacios (até porque não tinha supermacios novos) na parte final e dando-lhe o diferencial de performance tão difícil no México para abrir caminho no pelotão, em mais uma prova que acabou sendo de limitação de danos em um final de semana em que a Ferrari teve o melhor carro.

Até por conta disso, a história poderia ter sido muito diferente – e monótona – sem o drama inicial. E talvez seja necessário repensar a fiesta, que é fantástica fora da pista, dentro dela.

13 comentários sobre “Estratégia do GP do México e os desafios da pista ‘diferentona’

  1. Não acho que Vettel seria parei para Verstappen, outro ponto foi a dificuldade de passar com os macios, depois de colocar pneus mais macios, tanto Hamilton como principalmente Vettel puderam adiar suas freadas, ganhando posições com mais facilidade, prefiro a festa mexicana do que o patriotismo armamentista americano, a presença de soldados nos eventos me incomoda tanto quanto do Putin na Russia.

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  2. Outro ponto é que quando un piloto recebe punição e sabe que vai largar atrás, o acerto é feito para ganhar posições na pista, quando larga na frente, a preocupação é ter o carro mais rápido na volta, quando cai la para trás, com um carro regulado para andar na frente com bastante asa, passar adversários é bem mais complicado, é só reparar a dificuldade de Vettel de passar um carro rápido de reta cono a William, lembro uma prova que Vettel, na Red Bull, sabendo que iria largar atrás, a equipe mudou completamente o acerto e Vettel fez uma grande prova de recuperação.

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  3. Uma palavrinha sobre Stroll, a incapacitade de fazer uma volta lançada nos treinos é seu maior obstáculo, largando atrás, não consegue se recuperar e fica com um desempenho bem inferior a Massa, mas quando se coloca no pelotão da frente, é outro piloto.

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    1. Só anda bem quando não tem ninguém perto. Igual Piquet Jr naquela corrida que foi ao pódio. Do nada se viu na liderança da corrida, só perdeu posição pro Hamilton. Sem nem tentar se defender, como Stroll também não tenta.

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  4. Jú, existe alguma possibilidade da Pirelli alterar os pneus para o ano que vem em relação a degradação? Pois essas pedras que os pilotos correm hoje são difíceis de aguentar.
    Quando vc vê um piloto completando 20 voltas com um pneu que se chama ultramacio é quase impossível de explicar para quem não é fanático com isso é possível… Não precisa ser os pneus que explodem, mas poderiam ser mais moles, pois já na maioria das provas ocorrem 1 parada apenas nos boxes. Acho que a Liberty deveria ver isso com urgência.
    Em relação ainda aos pneus a Liberty não deveria trabalhar junto a Pirelli visando além de um pneu mais mole, uma janela com um intervalo maior para que o carro atingisse uma performance boa?

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  5. Pilotos que não estão na disputa do título podem ser mais agressivos quando encontram aqueles com chance de serem campeões. E o Alonso já falou sobre isso quando corria pela Ferrari, numa corrida em Mônaco. Não lembro se em 2010 ou 2012. E uma disputa com o Verstappen é pior ainda. O Vettel que o diga.
    Vamos ver a postura do Verstappen quando estiver na briga pelo título.

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  6. Não acho q o melhor carro no Mexico era a Ferrari. Na P2 de sexta a Red Bull parecia a melhor com Mercedes e Ferrari brigando bem proximos nos longs runs. O ritmo de Kimi as vezes pode servir de parametro e ele em nenhum momento pareceu melhor que Bottas por exemplo. Verstappen estava em outro planeta. Vettel foi o mais rápido mas o que ajudou neste caso foram a estrategia de pneus, ele sempre estava com o melhor pneu em cada instante da prova se compararmos com os tres que foram as podio. Alem disso, Verstappen levou a corrida sem forçar, tinha certamente 0.5 segundo guardado no bolso em caso de necessidade.

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  7. Ju, você lembrou o fato da Ferrari ter o melhor carro do fim de semana e a limitação de danos. Vendo a largada, notei que Vettel que na maioria das vezes larga bem, parece ter largado tentando travar Hamilton para que Riakkonen pegasse o vácuo do inglês. Qual sua visão : má largada culposa ou dolosa, kkkkk. Ps: as suas fotos do Méxio lembraram minha sobrinha, explico: estas caveiras parecem com as do clipe ‘Tumbalacatumba da Galinha Pintadinha’ kkkk.

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  8. Oi Julianne,
    Como é bom ler as suas análises e notícias da F1, muito melhor do que muitos sites da grande mídia por aí.
    Essa corrida foi realmente movimentada e muito bacana de se ver, admito que torci para que o Hamilton abandonasse a prova, não pq torço pro Vettel ou pq sou anti-Hamilton, mas pq seria ótimo ver o alemão descontar uns bons pontos e se manter bem vivo no campeonato, as duas últimas corridas seriam fantásticas!
    Mudando um pouco o assunto, li em alguns sites de que o Robert Kubica poderia substituir o Massa já em Abu Dabi, e que esses rumores surgiram na etapa mexicana. Ouviu algo ou só boataria mesmo?
    E espero ansiosamente aquele especial sobre motores que você citou em outra área do blog.
    Abraços pros meninos, beijos pras meninas e beijos e abraços especiais pra Julianne, a melhor jorealista de F1 da atualidade no Brasil!

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  9. Olá Julianne,
    Gosto muito dos seus comentários e as notícias da F1. É sem dúvidas um dos melhores sites sobre o esporte. Mas discordo da sua análise de achar que a corrida seria muito chata se não houvesse o drama da primeira volta. Acho que se o Vettel não tivesse tocado no Hamilton, seria uma disputa emocionante entre os 3 pela vitória (Vest, Ham e Vet). E os 3 com o pneu ultramacio dando tudo para ganhar. Já que o Hamilton queria ser campeão com uma vitória.
    Mas, a corrida foi muito boa. Com várias ultrapassagens. Abraços e parabéns pelo seu trabalho.

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