Estratégia do GP do Brasil e pilotagens de alto nível

Não é à toa que um dos melhores circuitos do campeonato foi testemunha de três das melhores pilotagens da temporada. Vindo de trás e mesmo com alguns atenuantes jogando a seu favor, Lewis Hamilton ultrapassou onze pilotos na pista para ir dos boxes ao quarto lugar, e Sebastian Vettel fez uma corrida inteligente para superar um carro com ritmo muito igual, porém com qualidades diferentes do seu, sem tirar o olho de uma possível pressão do rival inglês nas últimas voltas. E, sem a potência do motor zerado da Mercedes, Daniel Ricciardo escalou do fundo do pelotão até o sexto posto, fazendo as melhores ultrapassagens do dia.

Há algo interessante sobre a pista de Interlagos, que tem o primeiro e terceiro setores mais curtos e mais focados em velocidade final, e o segundo, mais longo, que premia os carros com alta pressão aerodinâmica. Como no fim das contas a soma dos setores mais velozes é igual ao tempo que se passa no miolo, isso quis dizer que Mercedes e Ferrari estavam no mesmo nível.

Um pelo menos a Mercedes de Bottas, pois Hamilton estava voando. Porém, também é verdade que ele tinha motor (que podia ser usado em modo de ataque por mais tempo porque só teria que fazer duas corridas) e câmbio novos, um acerto sob medida para um domingo que, já se sabia de antemão, seria muito mais quente que a classificação, e a estratégia ideal, aproveitando o bom rendimento do pneu macio no asfalto escaldante, que passou de 60ºC no início da prova, dando uma vantagem calculada pelos engenheiros em 3 a 5s ao longo da corrida.

A sorte de Vettel foi que o Safety Car veio na pior hora para Hamilton, nas voltas iniciais, quando ele deveria estar passando todo o grid. Isso quis dizer que ele acabou ficando com o caminho livre para adotar seu ritmo um pouco mais tarde.

Na batalha com Bottas, Vettel venceu nos detalhes: fez uma largada melhor, algo crucial em um GP no qual não se esperava que o undercut tivesse grande papel – a falta de desgaste de pneus fazia com que um piloto só tivesse chance real de parar antes para ganhar a posição de um rival com cerca de 1s de diferença.

Mesmo assim, Bottas conseguiu pressionar Vettel em sua parada, muito em função de uma inlap muito forte e uma outlap rápida até um erro na Junção. Sua parada em si também não foi das melhores – 2s7, pois ele errou sua marca e a Ferrari conseguiu voltar marginalmente à frente. Não é por acaso que Bottas parecia tão decepcionado consigo mesmo após a corrida.

Mais atrás, tivemos outros pilotos mostrando suas diferentes qualidades. Felipe Massa fez possivelmente sua melhor corrida do ano, em um circuito no qual sempre andou bem: a largada poderia até ter sido melhor se ele não tivesse de ter tirado o pé para não bater com Alonso, mas depois ele se livrou rapidamente do espanhol e segurou no braço o espanhol e Sergio Perez nas voltas finais com um desgaste maior dos pneus.

O piloto da McLaren, por sua vez, mostrou mais uma vez sua inteligência: assim que perdeu a posição para Massa, focou em permanecer na zona de DRS para se defender de Perez e, até por isso, não arriscou um undercut em Massa – sabia que, mesmo se superasse o brasileiro nos pits, acabaria perdendo a posição novamente pela falta de velocidade de reta. Neste cenário, só não deu para entender por que a Force India não chamou Perez, até porque quando a janela de pits abriu o mexicano estava a 1s de Alonso e a 2s de Massa.

Outro que também estava, como Alonso, pensando “fora da caixinha” era Verstappen. Ele acabou entrando em uma discussão com a equipe, que não queria que o piloto colocasse pneus novos, mesmo que isso não o fizesse perder posições. O motivo? Max ganha bonificação em dinheiro por voltas mais rápidas. E conseguiu o que queria.

7 comentários sobre “Estratégia do GP do Brasil e pilotagens de alto nível

  1. Esperei ansiosamente por este post … hahahahahahahahahahaha

    Achei a corrida movimentadíssima, e cheia de variáveis e excelentes pilotagens.

    Era notório que a redbull teve muitas dificuldades com a corrida no domingo, tanto que Max não conseguiu atacar Raikkonen na corrida. O modo de motor usado pela redbull também não ajudou muito o time Austríaco. Agora ju, fiquei com algumas dúvidas.

    Havíamos discutido a alguns posts atrás que o pneu macio utiliza uma temperatura mais alta do que o pneu supermacio, então porque a redbull não tentou tal estratégia com max ? ele poderia ter classificado com o pneu macio no quali e largado de pneu macio, como Hamilton e Riccardo fizeram.

    A corrida do Hamilton foi realmente absurdamente incrível. O modo como ele atacava os outros carros mostrava a superioridade dele e o domínio que ele tem sobre esse carro, coisa que o Bottas ainda não tem. Tem alguma coisa no carro que favorece o Hamilton em comparação ao Bottas, ju ?

    E por falar nele, achei o Bottas bonzinho demais na largada, e não fechou a porta para o Vettel. Se ele tivesse tomado a linha de dentro, creio eu que ele não perderia a posição, ou será que realmente era indefensável a posição ?

    última pergunta haha. Porque puniram o Grosjean daquela forma ? nesse acidente não achei que ele fosse o culpado. O que passou pelos comissários ?

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    1. A opção do Bottas seria largar fechando o Vettel, ele não fez, talvez porque deu o pulo inicial melhor e pensou que chegaria ns frente ns freada, só depois o Vettel recuperou e ganhou terreno, Ju, você poderia tentar explicar porque as vezes o carro que da o salto primeiro as vezes perde terreno e o que larga mais lento se recupera, isso acontece com certa frequência. Sobre o Grojean concordo, ele não fez nada ante esportivo ou uma grande bobagem, apenas rodou numa disputa normal de posição motivado por danos num toque anterior conforme o Grojean falou.

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      1. O Bottas tem uma tática de sempre ficar do lado mais emborrachado e por isso demorou para fechar o Vettel. O tempo de reação dele foi bom mas ele teve wheelspin na segunda fase, por isso de início pareceu que tinha largado bem.

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    2. Sobre a Red Bull, provavelmente quiseram dividir estratégias. Não iriam lutar pela vitória com um MGU-H tão velho no carro do Max de qualquer jeito.

      Não parece haver nada especificamente no carro que ajude o Hamilton, ainda que neste GP eles estivessem com carros bem diferentes devido à batida do sábado.

      Grosjean acredito que foi pelo conjunto da obra.

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  2. O Hamilton largou dos box portanto tinha um atraso em relação aos demais portanto ele não teve prejuízo, se largasse no grid teria porque perderia a oportunidade de passar meio grid como fez o Verstappen no EUA.

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  3. Acompanhei essa corrida pelo rádio e foi incrível Julianne, embora tenha sentido um pouco a sua falta, sua pessoa costuma ser mais participativa. Ainda assim sempre é incrível acompanhar com vocês!
    A corrida foi mesmo muito movimentada e a pilotagem do Hamilton incrível como mais umas 10 voltas creio que ele teria vencido (tá bom, estou sendo otimista demais).
    “Felipe Massa segurou no braço Fernando Alonso”
    Diante desse comentário, considero inacreditável como os brasileiros gostam de depreciar o próprio produto, ele se despede com uma carreira que poucos tiveram na F1 e só não tem seu título mundial pq enfrentou, de igual para igual, um dos grandes gênios desse esporte.
    As pessoas acham que Vettels, Hamiltons, Alonsos, Sennas, Laudas, Fangios e Schumachers nascem todos os dias.
    Abraços pros meninos e beijos pras meninas!

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