F1 é esporte que mais cresce nas mídias sociais. Mas ainda engatinha

É inegável que a Liberty Media vem fazendo um bom marketing em cima dos resultados que obteve em mídias sociais e audiência em seu primeiro ano no controle da Fórmula 1. Porém, saindo um pouco da “bolha” do “esporte que mais cresce” em Instagram, Facebook e afins, a realidade é bem diferente.

E não é difícil entender o porquê: a Fórmula 1, muito em função da política de Bernie Ecclestone, demorou muito para entrar na era das mídias sociais e tem um escopo de crescimento muito maior em relação a quem enxergou esse nicho antes.

O campeonato virtual, por exemplo, foi vendido como algo com números surpreendentes: foram 20,5 milhões de impressões (conjunto de curtidas, compartilhamentos, etc.) e 6 milhões de visualizações no vídeo da final. Para um esporte global, com audiência contada em bilhão, isso é realmente muito?

O campeonato virtual apenas atendeu a uma demanda que já existia e o mesmo ocorre com a maior presença da categoria nas mídias sociais. O fã de F-1 é ávido por informação e os canais oficiais pecavam muito nesse sentido – e quem não tem direitos de transmissão continua penando para disponibilizar conteúdo, próxima barreira a ser quebrada ou, ao menos, flexibilizada.

Os números celebrados pela Liberty são de um crescimento de 54,9% em seguidores. Para efeito de comparação, outra categoria que está engatinhando nas mídias (e, nesse caso, também fora delas), a F-E, cresceu 43%. E isso, convenhamos, é um feito mais impressionante que o da F-1.

Mas e na comparação com esportes igualmente consagrados? O campeonato espanhol cresceu 29% em 2017. A Champions League, 19%. O campeonato inglês, 16%. E os esportes norte-americanos? A NFL foi quem mais subiu, com 17% de aumento em número de seguidores, enquanto os demais ficaram na faixa entre 11 e 15%, incluindo a Nascar.

No entanto, mesmo tendo crescido “apenas” 14% em 2017, a NBA tem mais de 96 milhões de seguidores englobando Facebook, Instagram, Twitter e YouTube. Já a Champions League soma 103 milhões. E a Fórmula 1? 11.9. E não é erro de digitação.

A Liberty não está errada em comemorar, claro. Alimentar essa ideia de que o esporte voltou a ser atraente é bom para todos, mas os números deixam claro que o desafio está por vir nos próximos anos. E o crescimento da Fórmula E pode começar a incomodar em pouco tempo.

4 comentários sobre “F1 é esporte que mais cresce nas mídias sociais. Mas ainda engatinha

  1. Nada como informação estatística aliada a análise comparativa e de circunstancia, pra contextualizar uma noticia…

    Vou falar uma coisa: se os profissionais que “informam” sobre política e economia tivessem metade do cuidado que você tem, Julianne, nosso bananal estaria em bem melhor situação…

    Pena que jornalismo independente ainda é nicho de público…

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  2. Grande post como sempre Julianne!
    Engraçado como tudo na vida depende de como se vende, e como a informação completa muda totalmente a perspectiva do acontecimento de fato.
    Parabéns pelo layout do blog também, está muito bonito.
    Um grande abraço a todos e um abraço especial para a Julianne!

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