Grid de 2018 é ao mesmo tempo jovem e cheio de velhos conhecidos

O discurso do brasileiro teoricamente mais próximo da Fórmula 1 tem batido na mesma tecla nos últimos meses: Sergio Sette Camara entende a importância de buscar alguma conexão direta com algum dos programas de desenvolvimento de pilotos e tenta compreender onde a fila vai andar mais rápido. Foi o mesmo dilema vivido por Felipe Nasr, que optou seguir “carreira solo” por acreditar que esse tipo de programa lhe prenderia a um plano de carreira e acabou não tendo tempo para se firmar na categoria.

Tais programas não são novidade. Renault dava incentivo a pilotos franceses desde os anos 70 e Schumacher teve o mesmo com a Mercedes. Mas a formação integral que se tem hoje foi muito influenciada pela falta de testes: como preparar um piloto para estrear na F-1 se ele mal pode andar de F-1? Apostar em simulação e em uma formação mais global foi uma solução que deixou as equipes mais seguras com seus novatos e é importante para que pilotos com menos aporte financeiro ainda consigam chegar à categoria mesmo agora que o dinheiro do cigarro e de algumas montadoras se foi e os times passaram a depender mais de patrocinadores menores.

É bom que se diga que, como sempre foi o caso na F-1, se o piloto traz rendimento e alguns milhões, sua chance é maior e os programas de desenvolvimento estão longe de garantir que os melhores sempre vão chegar.

É claro que estar em um programa não é garantia de vida fácil na F-1. Que o diga Pascal Wehrlein, para ficar em um exemplo, mas o número chama a atenção: dos 20 pilotos que vão alinhar no grid na Austrália dia 25 de março, apenas quatro nunca passaram por um programa de formação de pilotos.

São eles Kimi Raikkonen, digamos, da “velha guarda”, Nico Hulkenberg e Valtteri Bottas, que entraram por meio da Williams, única que não possui um programa próprio, e Marcus Ericsson, que come pelas beiradas em equipes pequenas levando um bom aporte financeiro e não comprometendo na pista.

Fora os quatro, nem todos foram efetivamente formados por estes programas. Fernando Alonso, na Renault em 2002, e Max Verstappen, na Red Bull em 2015, foram contratados já dando o último passo. Outros acabaram chegando à F-1 bem depois de terem saído dos programas, como é o caso de Lance Stroll, ex-Ferrari. Há exemplos ainda de quem rompeu as amarras cedo, como outro ex-Ferrari, Sergio Perez, e até de quem virou a casaca, como Esteban Ocon, hoje piloto Mercedes, ex-Renault.

Está claro, portanto, que não existe apenas uma rota e um conjunto de qualidade-circunstâncias-patrocínio dificulta encontrar uma receita para chegar na F-1 – e permanecer lá. Mas o fato é que, em poucos anos, será fácil imaginar um grid com 100% de pilotos com alguma passagem pelos programas de desenvolvimento.

3 comentários sobre “Grid de 2018 é ao mesmo tempo jovem e cheio de velhos conhecidos

  1. Senti falta à menção de Hamilton no programa da McLaren…

    Dos pilotos acima, reconheço por foto, apenas a “velha guarda” + Verstappen. I.e. Kimi, Vettel, Bottas, Alonso, Hamilton, Ricciardo e Max….

    Em épocas passadas eu era capaz de reconhecer os pilotos mesmo com a balaclava… Lembro que meu cunhado, certa vez, ficou impressionado quando reconheci David Culthard com a balaclava vestida. Hoje em dia, com a transmissão pobre dos EUA, não reconheço ninguém! Que venha a programação de streaming!

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  2. No caso do Verstappen o fato de ele dar o pulo do kart para F3 fez com que tivesse quatro dos cinco abandonos por acidente logo nas primeiras etapas e depois disso apesar de vencer uma prova sua equipe não era top, isso fez que apesar de chamar atenção por sua velocidade e habilidade, não foi o suficiente para alguém correr com um contrato debaixo do braço, quando ganhou as três de Spa com autoridade o Marko foi correndo ver ele ganhar mais três em Norisring, sobre o Werlein ele foi atropelado pelo Ocon, por maior que seja o número de pilotos no programa as equipes estão de olho em um, no máximo dois, os demais ficam no funil ou depois de não corresponder ao que a equipe quer como Kyviat.

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  3. Será o destino de Giovinazzi se transformar em um novo Badoer, piloto que além de correr em equipes ruins teve azar nas poucas oportunidades de pontuar mas que fez um trabalho monstruoso como piloto de testes na época que a Ferrari testava diariamente, como recompensa teve sua oportunidade com 10 anos de atraso quando já estava aposentado, foi mais um castigo do que uma oportunidade, espero que a Ferrari trate o com mais dignidade e se não tiver oportunidade na F1 que pelo menos deixe o fazer carreira em outras categorias.

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