Sessão nostalgia e um piloto com (quase) nome de maquiagem

Ele poderia ter tido uma vida glamurosa em Nova York, curtindo a juventude nos efervescentes anos 1960, nadando no dinheiro de sua família, fundadora da marca de cosméticos Revlon. Mas escolheu um caminho que até hoje é trilhado por poucos norte-americanos: tornar-se piloto de Fórmula 1. A trajetória durou pouco e acabou tragicamente, deixando o legado de um piloto consistente, com duas vitórias em 30 corridas, e que tinha cara de ator de cinema e teve de lutar contra o preconceito por ser o “riquinho de NY”.

Toda a carreira de Revson, ou Revvie, como era conhecido, foi pouco comum: ele começou a correr no Havaí, quando fazia faculdade, em 1961, e venceu a segunda prova que disputou. Na terceira, ganhou novamente e foi banido por excesso de agressividade. Juntou dinheiro e foi para a Europa, onde vivia em uma van que transportava seu carro para as corridas de F-3 e F-2.

O sucesso não foi imediato e Revson voltou aos Estados Unidos, onde correu no endurance e iniciou sua relação com a McLaren, cujo ex-dono, Ted Mayer, chegou a dizer que se tratava de “um dos seis melhores pilotos do mundo” na época. Por lá, o piloto chegou a fazer dupla com o ator Steve McQueen nas 12 Horas de Sebring, mas só chamou a atenção da F-1 em 1969, quando terminou em quinto lugar nas 500 Milhas de Indianápolis depois de se classificar em 33º.

Em 1972, Revson faria oito das 12 provas do campeonato da F-1, pela McLaren, e terminaria em quinto lugar, com quatro pódios. Seu companheiro, Denny Hulme, campeão de 1967, foi o terceiro naquele ano, tendo feito todas as provas. Na temporada seguinte, Revson repetiria o quinto lugar, mas desta vez superando Hulme e conquistando as duas únicas vitórias da carreira – a mais impressionante tendo sido a primeira, em Silverstone, após ultrapassar o velocíssimo Ronnie Peterson e surpreender.

Revson acabou ficando de fora da McLaren quando o time decidiu contratar Fittipaldi, que seria campeão com o time em 1974. Mas o norte-americano estava feliz na Shadow, sua nova equipe, apesar de dois abandonos nas provas iniciais.

Não teve tempo, contudo, de ver a bandeirada com seu carro preto: em um teste na pista de Kalayami, na África do Sul, dia 22 de março de 1974, uma quebra na suspensão de titânio, material que começava a ser usado naquela época o jogou contra o muro e o carro entrou debaixo do guard rail até a posição onde estava o cockpit.

Revson muito provavelmente já foi retirado do carro sem vida, mas não ajudou o fato da ambulância estar sem gasolina e demorar a levá-lo ao hospital. O descaso foi tanto que o amigo Hulme conta que acabou decidindo deixar as pistas por conta daquele acidente, que completa 44 anos nesta semana.

2 comentários sobre “Sessão nostalgia e um piloto com (quase) nome de maquiagem

  1. “Teve de lutar contra o preconceito de ser o riquinho de NY.”
    Lembra um pouco a história do Lance Stroll hein! Será que o garoto tem futuro?
    Rs
    Muito legal o post Julianne, traz mais curiosidades sobre os anos de F1 quando der.
    Grande abraço a todos do Blog!

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  2. Tive a oportunidade de o ver em pessoa, ali do setor A de Interlagos, primeiro na sexta-feira do GP de 1973 num esplêndido Yardley-McLaren M19, e ano seguinte com o Shadow DN3. Em 73, ao final da última sessão de treinos, eu estava em frente aos pits (sob os eucaliptos que ainda haviam lá, onde hoje há as numeradas cobertas), e vi ele, como também Hulme , Stewart e Cevert, parando nos pits, saindo dos cockpits etc. Grande lembrança.
    Dois ‘adendos’ à história desse ótimo piloto:
    – na referida prova de Sebring, ele foi quem conduziu a maior parte das 12 horas de corrida pois McQueen tinha um tornozelo engessado (um tombo de motocicleta); Mario Andretti teve que ser excepcional para vencer pois era Revson quem liderava no 908.
    – a ótima história do sobrenome ‘pseudônimo’ : parece ser um trocadilho em “rev son” : ‘filho dos revs’ (os rpm); “si non é vero, é bene trovato”…

    Imagino o que poderia ter conquistado com o muito veloz modelo DN5 , na temporada ’75.

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