Drops do GP da Austrália: de granadas a grid kids

Temporada nova, vida nova. Uma cena comum na quinta-feira na época de McLaren era ver os técnicos da Honda trabalhando até tarde para deixar o carro pronto para os primeiros treinos livres. Na Austrália, eis que lá pelas 18h a Toro Rosso já estava uma calmaria só. E os japoneses até aproveitaram para uma raríssima oportunidade de não jantar no circuito.

 

Por outro lado, já deu para entender qual será a retórica de Alonso pelo menos neste início de temporada. Lembram da história de sua primeira passagem pela McLaren, de “não estão respeitando meus 0s6?” Agora são 0s4, pois Alonso vem dizendo que, se seu carro estiver a pouco menos de meio segundo da ponta, ele tem condições de lutar.

 

Em Melbourne, o espanhol chegou a dizer que a situação seria semelhante a 2012, quando chegou “à última corrida liderando o mundial mesmo largando fora do Q3”. Menos, Nandinho. É fato que aquela Ferrari tinha problemas de aquecimento de pneu e classificava mal, e o piloto passou boa parte do ano largando entre o quinto e sétimo lugares e fez um dos campeonatos mais fortes que eu já vi um piloto fazer. Mas fatos são fatos e, fora do top 10, ele só largou duas vezes naquele ano.

 

Ninguém entendeu muito bem o novo corte de cabelo de Sebastian Vettel, que virou motivo de chacota para Daniel Ricciardo quando os dois se encontraram no cercadinho na quinta-feira. Houve quem não entendesse, também, o nome do novo carro do alemão. Loria, ele repetia e todos entendiam Gloria. Mas o próprio reconheceu que a intenção está lá: “É porque soa como glória em italiano”.

 

Falando em Ferrari e Red Bull, o clima pesou na coletiva de sexta-feira entre os chefes de equipe. Enquanto Christian Horner basicamente acusava a Ferrari de ter se beneficiado de algo que eles mesmo estavam reclamando – no episódio da contratação de um alto funcionário da FIA meses depois de ter ficado acertado, por outra negociação igualmente polêmica da Renault, que isso não poderia ser feito sem um extenso “gardening leave” (período em que um novo contratado fica impedido de trabalhar para o novo empregador). Ao seu lado (na verdade, com Toto Wolff entre os dois), Maurizio Arrivabene chacoalhava a cabeça. O italiano tentou explicar, mas não convenceu.

 

Esta está longe de ser a única polêmica nos bastidores. Tanto, que há quem inclusive já esteja querendo um retorno à “boa” época da ditadura de Ecclestone. Não dele em si, mas de seu estilo. “A Liberty fica querendo agradar todo mundo e isso não é possível”, é o que mais se ouve. O discurso lembra o que ouvia do pessoal das antigas na minha infância, que “pelo menos na ditadura o Brasil era mais organizado”. Sabemos que a democracia não é fácil, mas parece que esqueceram de como era a época em que, como Toto Wolff disse, “Bernie primeiro jogava a granada e depois via entre os escombros quem eram os feridos.”

 

Pelo menos os grid kids funcionaram bem. Quem ouviu a transmissão pela Rádio Bandeirantes deve ter cansado de me ouvir falar nisso, mas foi muito legal ver os rostinhos felizes de meninos e meninas envolvidos com automobilismo e que tiveram a chance de estar no grid. Mais do que isso, ficaram andando no paddock com seus pais, se apresentando para pilotos novos e da “velha guarda”. Acho que deu vontade em muito(a) marmanjo(a) e voltar a ser criança um dia.

20 comentários sobre “Drops do GP da Austrália: de granadas a grid kids

  1. Ju, sabe se houve novidade sobre o “party mode” da Mercedes?
    Tá um disse me disse… Não sei se tem, não se não tem.
    É aí. Tem?

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      1. Só o Hamilton que pensa que a gente é bobo. Ele é um.piloto fantástico mas sem o botaozinho mágico a diferença não era tão grande.

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  2. A ditadura nunca foi e nem será o melhor caminho. Tanto por uma confederação de alguma competição, ou esporte, e muito menos de um país. A história está aí para mostrar e ainda é uma triste realidade no nosso mundo.
    Que mais meninas participem do grid kids para incentivar mais as mulheres no automobilismo e acabar com o preconceito.

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  3. Tomara que esse carro da Ferrari traga momentos de Glória mesmo. O cabelo do Vettel estava horrível, aliais ele está ficando sem cabelos !!! Fernando gostaria muito de fazer marketing. Ele ficou em quinto lugar por circunstâncias de Max e a Haas. Esse não é lugar da McLaren no momento. Que venha a próxima!!!

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  4. Alonso é um piloto espetacular mas um grande marqueteiro, o que eu vi na Austrália foi o Vandoorne atrás mas sempre próximo do Alonso, parece que tendo sessões de treino mais normais enfim ele pode se desenvolver, num fim de semana para esquecer de Bottas alguém viu o Ocon, se ele quiser a vaga na Mercedes tem que bater o Pérez e de preferência com folga.

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    1. Sim. Vandoorne foi bem próximo do Alonso, mas no fim do dia, o que conta é a posição em que cada um chegou, Alonso em 5º e Vandoorne em 9º, andar próximo não quer dizer nada hoje, vide Riccardo com Kimi. O belga é um bom piloto, mas nada além disso.

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  5. A diferença de Alonso para Vandoorne foi em média 0,2, na corrida, praticamente zero, Alonso só desgarrou porque foi beneficiado na parada, mais do que o Vettel, mas no fim de prova o belga veio tirando diferença é chegou no trenzinho atrás de Alonso.

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    1. Como assim Eduardo: 0,2 por volta é praticamente igual à 0??? EM algumas voltas a diferença entre Alonso e Vandoorne era de 2.4. Depois foi para 2.7 e antes do Alonso passar Sainz, a diferença já era de mais de 4 segundos.

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  6. Jú, sei que com mais corridas e menos tempo ficará difícil, mas teremos credencial? nem que seja, uma por mês?
    Em relação ao botão da Mercedes, na transmissão deu pra ver no painel do L.H quando ele começa a desistir que perseguir o Vettel, quando aparece Attack off e logo depois a diferença que estava em 1,6 aumenta rápido.
    Um abraço

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  7. Julianne, em momento da corrida a Ferrari de Vettel estava soltando uma incrível quantidade de óleo. Alguma explicação? É para ganho de performance? Isso não foi ou vai ser proibido?

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    1. É uma característica do motor Ferrari e tem a ver com o regulamento que proíbe queima de óleo na combustão, então ele passa direto por baixo (veja que não sai do escapamento). É uma característica do motor, não é para ganho de performance

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  8. Não sei se vocês lembram, mas o Alonso declarou no fim do ano passado que “a disputa pelo título em 2018 ficaria entre Hamilton, ele, os pilotos da Red Bull e MAIS NINGUÉM.” Ele já fala em alcançar as três forças do grid (incluindo a Ferrari, que ele descartara) no segundo semestre.

    Realmente, o Alonso foi magnífico em 2012, mas dizer que “chegou à última corrida liderando o mundial mesmo largando fora do Q3” é considerar que somos burros. Até porque ele já tinha perdido a liderança do campeonato depois da corrida da Coreia, a qual nunca mais retomou.

    No momento em que Alonso se preocupar menos em fazer marketing em torno de suas performances e se esforçar para desenvolver do carro é capaz que ele alcance Mercedes, Ferrari e Red Bull.

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