Por dentro da F-1 e da nova regra de punições no grid

Uma das regras que muda para a temporada 2018 – e que certamente será usada à exaustão especialmente na segunda metade do campeonato – é o sistema de punições para a formação do grid. A mudança é mais estética, digamos, do que prática e visa acabar com aquelas manchetes sensacionalistas (e totalmente imprecisas) de que o piloto X “perdeu 60 posições no grid” quando, na verdade, apenas 20 carros alinham.

A mudança está descrita desta maneira no regulamento esportivo:

“Se um piloto sofrer uma punição que exceda 15 posições no grid, será requerido que ele largue do fundo do grid. Se mais de um piloto receber esse tipo de punição, eles serão alocados no fundo do grid na ordem nas quais as ofensas foram cometidas.”

Trocando em miúdos, quem receber mais de 15 posições de punição automaticamente vai para o fim do grid, mesmo tendo feito a pole position, por exemplo. E se mais de um piloto estiver na mesma posição, quem avisou a FIA primeiro da troca larga na frente.

No GP da Itália de 2017, nove pilotos receberam punições e, como um deles era o segundo colocado na classificação, isso significava que apenas o pole position Lewis Hamilton estava largando em sua posição original.

É muito provável que um cenário parecido aconteça até o final do campeonato, devido a outra mudança: a diminuição do limite de unidades de potência que podem ser usadas por cada piloto. Ao contrário do que vem sendo divulgado por aí, o limite não cai de quatro para três. Será menor do que isso. Os pilotos só têm à disposição:

  • Três unidades de motor de combustão, MGU-H e turbo
  • Duas unidades de bateria, central eletrônica e MGU-K

A partir deste limite, começam as punições, que também são aplicadas para ofensas de pilotagem (atrapalhar um piloto na classificação ou por algo que tenha acontecido na etapa anterior, por exemplo) e pela troca de câmbio fora de sequência (o mesmo câmbio deve ser usado por 6 corridas em sequência, a não ser que o piloto tenha abandonado a prova pois, nesse caso, a troca é permitida).

Não é raro ver confusões até na mídia especializada a respeito da formação do grid. Em primeiro lugar, é errado falar em grid logo após a classificação, pois ele só é divulgado 4h antes da largada.

Outra confusão comum era reorganizar o grid a cada punição aplicada, algo que fazia parte das regras até 2015 e foi tirado silenciosamente pela FIA. A regra que vale desde então e que continua valendo é que, primeiro, todas as punições são aplicadas, e depois o grid é reorganizado. No passo a passo fica mais claro como isso acontece (e talvez o vídeo ajude!).

Como as punições são aplicadas:

  1. Aplicar cada punição na ordem em que ela foi dada (a FIA divulga documentos com o horário em que foi constatado que o piloto X usou, por exemplo, o quarto MGU-H e quem avisou primeiro recebe a punição primeiro)
  2. Depois que todas essas punições foram aplicadas, o grid é reorganizado.
  3. Depois do grid ser reorganizado, são aplicadas as punições de quem vai largar no fim do grid (regra nova)
  4. Se houver mais punições após a classificação além de 15 posições, não importa o número: o piloto vai largar atrás daquele que já tinha a pena aplicada.

(no caso dessa pena pós-classificação ser, por exemplo, de 5 posições para quem se classificou em 20º e houver o caso de outro piloto ter ido para o fim do grid, esse piloto mantém o 19º lugar, pois a ideia da regra é apenas garantir que o piloto mais punido largue no fundo do pelotão)

Por fim, é sempre bom lembrar como funcionam essas punições:

  • 10 posições para o primeiro elemento que passar do limite
  • 5 posições para os demais
  • 10 posições para a primeira vez que for usada a quinta (no caso de turbo, MGU-H e motor de combustão) ou quarta (para bateria, central eletrônica e MGU-K) unidade.
  • 5 posições para a troca do câmbio no meio da sequência obrigatória de 6 GPs

(lembrando que, para unidades de potência, não é preciso respeitar nenhuma sequência: é possível usar o terceiro motor em uma corrida e voltar para o primeiro na seguinte e, na verdade, isso é muito utilizado em treinos livres).

4 comentários sobre “Por dentro da F-1 e da nova regra de punições no grid

  1. Mais uma vez nos salvando com suas ótimas matérias, só acho que deveriam simplificar ao máximo as punições para a formação do grid não ficar incompreensível.

    Curtir

  2. Oi Julianne, caso o pole position seja punido, ainda assim o numero vai para conta dele? Hamilton pode aumentar o numero de poles na carreira amanha, mesmo saindo em 6??

    Curtir

  3. Ju
    Mas aquela pole do Schumacher em Mônaco (em 2012 se não me engano), que depois ele foi punido pelo toque com o Bruno Senna em Barcelona (na corrida anterior), se não me engano, não foi contabilizada. Me corrija se estiver errado
    Um grande abraço!
    Admiro muito o seu blog, Parabéns!!

    Curtir

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s