Estratégia do GP da Espanha e mais sobre o motor “bombado” da Ferrari

O post é de estratégia e vamos falar muito dos pneus, mas ao que parece não foi esse o motivo do domínio da Mercedes no GP da Espanha. A FIA teria descoberto um conector extra no MGU-K no motor da Ferrari, achou uma bateria a mais, não teve uma resposta convincente do que seria e teria mandado parar com isso, uma vez que a inspeção no MGU-K principal já tinha constatado que ele trabalhava no limite de 2MJ por volta.

Era a informação sobre essa engenhoca que Lorenzo Sassi, que foi da Ferrari para a Mercedes, teria passado aos alemães. A tal bateria extra daria algo em torno de 0s270 por volta – mais em classificação e em situações cruciais da corrida, como largada, in e outlaps ou ultrapassagens. A Mercedes nega essa teoria, diz que seu GPS mostra que os motores estavam iguais e que a diferença ficou nas curvas de baixa. Porém, se a tendência da Espanha continuar, teremos a confirmação de que foi essa mesmo a história.

Com ou sem bateria extra o final de semana na Espanha já foi complicado o suficiente por conta dos pneus. A combinação das características do circuito, temperatura e o pneu com superfície mais fina fez com que se tornasse difícil extrair rendimento do supermacio, pois os dianteiros começavam a volta frios e os traseiros a terminavam muito quentes. Isso, em uma volta lançada. Nos stints longos, havia muitas bolhas nesse composto.

Então a decisão de se livrar do supermacio para a corrida foi fácil, tornando o GP da Espanha uma prova de, teoricamente, uma parada, ainda que as temperaturas causassem incertezas a respeito de quão fácil isso seria.

No final das contas, acabou ficando no limite entre uma e duas. A Red Bull foi para a prova com um ritmo de corrida um pouco superior, mas dependia muito da largada: seus pilotos acabaram se mantendo em quinto e sexto e foram claramente limitados pelo ritmo de Raikkonen.

Mas como se pode dizer isso se eles nunca chegaram a tentar uma manobra? Barcelona é um dos circuitos em que o efeito do ar turbulento é mais sentido, e se um carro se mantém por várias voltas a 1s5 do outro, quer dizer que tem mais ritmo, pois a turbulência lá começa a afetar o rendimento com mais de 3s entre os carros!

O mesmo aconteceu com Bottas em relação a Vettel. O finlandês teve mais um final de semana de “e se”, depois de perder a pole por 40 milésimos e se ver exposto à curva 2 na largada. Depois do primeiro stint todo atrás da Ferrari, o máximo que podia almejar era o segundo lugar.

Outra prova de que o ritmo de Bottas era forte foi a parada antecipada de Vettel que, ao contrário de Raikkonen, que ia mais lento, fez bolhas em seus pneus. A parada aconteceu na fronteira entre as estratégias de uma ou duas paradas, o que explica a espionagem que vimos do engenheiro da Mercedes no box ferrarista: seria uma tática ou uma necessidade?

Os alemães, então, decidiram jogar em duas frentes: Hamilton estenderia seu stint e faria uma parada, enquanto Bottas aproveitaria que Vettel voltou atrás de uma Haas, faria duas voltas voadoras e tentaria o undercut mesmo colocando os médios, mais difíceis de aquecer. E daí para frente seria uma questão de defender a posição de pista, algo fundamental em Barcelona, aguentando até o final. Teria dado certo, mas a parada do finlandês foi lenta e ele voltou logo atrás.

A corrida acabou tendo alguns dramas em termos de tráfego (Vettel com Magnussen e depois Hamilton com Verstappen) que só ilustram como é quase impossível passar em Barcelona. Mas o único drama da parte final foi a indecisão da Mercedes sobre a duração dos pneus de Bottas. Porém, seria uma questão dele se segurar na pista após Vettel fazer sua segunda e inevitável parada. Novamente, posição de pista é o que conta em Barcelona.

A Ferrari ainda deixou o alemão ao máximo na pista esperando um SC ou VSC e conseguiu isso quando Ocon parou com o motor quebrado. Poderia ter sido o suficiente para perder apenas a posição para Bottas, mas a inlap de Vettel não foi boa devido ao trânsito e ele também errou suas marcas a hora da parada, atrasando o trabalho da Ferrari. Foram detalhes que acabaram tirando-o do pódio.

O desgaste de pneus de Vettel tem motivos para preocupar a Ferrari. O próprio alemão já voltou atrás, na entrevista que deu nos testes, que isso tenha algo a ver com a mudança feita nos compostos para Espanha, França e Inglaterra por conta das curvas rápidas mais longas: além dele, só Perez, Hartley e Sirotkin tiveram de fazer a segunda parada.

Outro fator que chamou a atenção foi o domínio da Haas de Magnussen na ponta do segundo pelotão, justamente em uma corrida na qual a Renault trouxe várias novidades para o carro. E, também, usando um motor Ferrari…

19 comentários sobre “Estratégia do GP da Espanha e mais sobre o motor “bombado” da Ferrari

  1. Ju, boa tarde. Vi seus drops na internet explicando a situação do motor Ferrari.

    Por que “só agora” descobriram isso ? não há vistoria em todos os motores, ou todas as corridas com relação a isso ?

    Essa corrida foi marcada por muitos problemas mecânicos (Nico, Kimi e Ocon). Teóricamente 1 de cada motor. Mas, o problema do motor Ferrari tem a ver com essa questão da Bateria ?

    Já sobre os pneus, Vettel deu 2 declarações interessantes. Primeiro ele disse que a mudança de pneus foi boa, pois os pneus normais teriam um rendimento ainda pior. O que confirma que o ritmo de corrida da mercedes foi real, e não uma ilusão do pneu, ou do circuito. A outra declaração foi a de que ele não conseguiria de hipótese alguma terminar a prova com 1 parada. A pergunta é: Ele fez 18 voltas com o pneu macio no início da prova. Será que ele não conseguiria fazer 25 com pneu macio no fim ? ou ele não tinha um jogo de pneu macio novo mais ?

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  2. Julianne, na Mclarem teve algum progresso real com esse novo bico? Ou o oitavo lugar do Alonso foi fruto de sorte com as quebras de Raikonen e Ocon, alem dos problemas de Hulkenberg.

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  3. Julianne hj Norris foi muito rápido , um russo andou mais forte que Ocon e Perez pela Force Índia e Robert Kubica com todas as suas limitações físicas foi 0,5 mais rápido que o russo e praticamente 1s mais rápido que Stroll , será que um piloto não consegue melhorar essa Williams não ?

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  4. Julianne, o Vettel ficou a apenas um décimo da pole com os pneus macios, então será que a questão do motor afetou tanto assim? Acredito que só no Canadá para tirarmos a dúvida. Você acha que a Mercedes vai enfrentar em Mônaco os mesmos problemas do ano passado?

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  5. Bom, de toda a sorte, não será em Mônaco que teremos a prova dos nove no quesito “pneus” ou motor “bombado” do Sebastian e Kimi. Mas para o GP do Canadá – logo após – veremos quem tem mais garrafa vazia pra vender….

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  6. Sergio Marchionne deve ser um cavalo mesmo, demitiu um funcionário de alto valor técnico sem men mesmo uma quarentena. O Lorenzo Sassi deve ter ficado desempregado por horas antes de receber o telefonema do RH da Mercedes. E agora ta la trabalhando em bom ambiente de trabalho e dedurando tudo que a Ferrari tem embaixo do capô.

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  7. Como assim os supremacios ficavam cheios de bolhas? As mudanças nos pneumáticos teve exatamente o intuito de evitar as tais bolhas. Ficou complicado entender essa da Pirelli…
    Falando no retorno de Bottas, que manobra, mas que manobra!, a de Vettel passando no meio do carro do finlandês e da Haas que estava na pista!
    Grande abraço a todos!

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  8. Esse “truque” da Ferrari só foi descoberto agora?
    E nas etapas passadas? Não são feitas inspeções nos carros?
    Eu sinceramente fiquei bem surpreso com o salto de qualidade da Ferrari do ano passado pra cá… mas preferi pensar que fosse outro o motivo.

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