Sessão nostalgia e os 25 anos de um recorde de Senna que segue em pé

Nada parecia estar do lado de Ayrton Senna antes da largada daquele GP de Mônaco de 23 de maio de 1993. Nem mesmo seu estado de espírito.

Senna sofreu um forte acidente na Ste Devote, ainda na sexta-feira, depois de passar por uma ondulação e perder o controle da McLaren. “Achei que me machucaria feio, que perderia minhas pernas”, disse o brasileiro na ocasião. E ainda teve outra batida, bem mais leve, no sábado na saída do túnel pelo mesmo motivo, o que Ayrton sentar pensativo ao lado da pista depois de ficar com o terceiro lugar no grid, a quase um segundo do pole Prost e atrás também de Schumacher.

Mas, no domingo, tudo deu certo para o brasileiro.

Prost ficou para trás logo no começo, devido à punição por uma largada queimada que gerou muita discussão na época e sobre a qual não se chegou a um consenso. Sem todos os sensores existentes hoje – e que ainda assim deixaram dúvidas com Bottas ano passado na Áustria – ficou registrado nas matérias da época que “se Prost queimou, foi por muito pouco”. A punição saiu cara para o francês, que deixou o motor morrer duas vezes ao cumprir o stop and go e perdeu tempo suficiente para voltar uma volta atrás e perder e qualquer chance de pódio mesmo que sua Williams fosse o melhor carro disparado.

Ainda assim foi o francês quem entreteve a torcida, passando boa parte do pelotão, ainda que a superioridade da Williams tenha ficado clara no resultado final: Prost foi o único com uma volta atrás, ou seja, não a recuperou, enquanto quem vinha atrás levou duas voltas do líder.

Líder este que era um Schumacher tranquilo até a volta 32, quando já tinha mais de 10s de vantagem. Atrás dele, Senna disse depois da corrida que estava andando mais lento do que podia, preservando os pneus e esperando para atacar no final, mas mesmo antes da metade da prova o alemão da Benetton teve um problema hidráulico que acabou comprometendo seu câmbio e motor, e abandonou.

Daí em diante ficou fácil para Senna, que colocou mais de 50 segundos em Damon Hill, companheiro de Prost que, curiosamente, acabou a prova logo atrás do piloto brasileiro.

É interessante que os relatos da época dão conta de que não se criou uma expectativa exagerada diante da possibilidade de Senna conquistar sua quinta vitória seguida em Mônaco ou a sexta na carreira, superando a marca de Graham Hill, tamanho o déficit da McLaren em 1993, embora Senna tivesse vencido nos dilúvios de Interlagos e Donington. Desta vez, o braço não contou tanto quanto nas outras vitórias históricas daquele que considero o melhor ano do piloto brasileiro, mas fica a lembrança pela marca histórica que ainda não foi atingida de seis vitórias no Principado. No atual grid, só Alonso, Hamilton e Vettel ganharam a prova, os três em duas ocasiões cada.

 

PS.: Algo que me chamou a atenção nos vídeos da corrida é a lentidão dos carros especialmente onde eles mais me impressionam hoje em Mônaco, nos S da piscina. Se não me engano, o traçado mudou um pouco por questões de segurança e se tornou mesmo mais veloz, mas fui checar: em duas corridas sem chuva, Vettel venceu sendo oito minutos mais rápido em 2017, com o mesmo número de voltas e também apenas uma parada nos boxes, sem reabastecimento.

11 comentários sobre “Sessão nostalgia e os 25 anos de um recorde de Senna que segue em pé

  1. O que mais me chama a atenção vendo provas antigas é a enorme variação de ritmo dos carros durante as voltas, se hoje varia dois décimos, antes variava dois segundos, é por isso que se via um piloto passando, depois perdia posições e depois recuperava de novo, hoje, pé em baixo o tempo todo, não acontece.

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  2. Lembro no ano seguinte a disputa desigual entre Schumacher e Hakkinen pela pole, o filandes com uma pilotagem kamikaze conseguia baixar o tempo um pouquinho, o alemão ia pra pista com um carro no chão e baixava um segundo, na outra saída pra pista a mesma coisa, um piloto passar raspando o muro é uma coisa, um piloto tocando no muro totalmente acima do limite do carro como Hakkinen naquele treino é para guardar na memória.

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  3. É muito mais encorajador pra um piloto fazer esses S esperando não passar do ponto e ter a volta descontada do que passar do ponto e bater.
    Inclusive teve uma corrida em 2009 que o Massa volta após volta cortava caminho a ponto de terem pedido pra ele parar. A pista hoje é muito menos apertada e piedosa do que era anteriormente.
    Isso e a evolução dos carros ajuda a explicar tamanha diferença visual.

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  4. Era como se o destino estivesse em dívida com Senna. Em 84, a corrida suspensa e em 88 o descuido na entrada do túnel foram compensadas com uma dose de sorte em 92 e 93.

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  5. Olá Ju – apenas tentando complementar o post, lembro de ler em relatos de jornal que o acidente na Ste. Devote surgiu de uma falha da suspensão ativa, possivelmente o software teria feito uma leitura errada do piso onde havia a ondulação; lembro do engenheiro da equipe responsável pelo sistema eletronico da suspensão se desculpar publicamente a Senna pois tinha deixado ‘passar’ a falha na programaçao.
    E lembro de Senna comentando a jornalistas após a prova “Ele (Prost) sempre faz isso ! (queimar largadas: presumi que o francês desenvolveu uma habilidade em largar antes ‘milésimamente’, sempre deixando fiscais e direçao de provas na dúvida).

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  6. Oi julianne! Oi leitores do Blog!
    Fuçando na net encontrei esse vídeo feito pela McLaren sobre a pole de Senna em 1988, a volta que as câmeras de TV não captaram.
    Divirtam-se!

    Grande abraço a todos!

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      1. Uma voltaça do Kimi, Plow!
        O que me faz pensar que se o finlandês tivesse levado a carreira a sério, provavelmente teria muitos mais títulos na conta
        Grande pra ti e abraços a todos do blog!

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  7. Assistindo ao vídeo da corrida, a gente se depara com coisas que achávamos normal , e hoje são cons um consideradad um absurdo.

    A cena do carro do Berger parado na Loewis com uma bandeira amarela pendurada no aerofólio é hilária !

    Apesar de concordar que é um absurdo e muito perigoso , dá saudades de um mundo sem tanto mimimi!

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