O buraco da Williams

O comentário de um fã me chamou a atenção na semana passada, defendendo que o carro da Williams deveria ser proibido de entrar na pista até melhorar, por questões de segurança. Isso, claro, foi depois do acidente causado por Lance Stroll na primeira volta do GP do Canadá. O piloto saiu da linha ideal, acabou pegando sujeira no pneu e espalhou para cima de Brendon Hartley, que sofreu uma batida bem forte.

Foi um caso isolado. É só o segundo acidente de um carro da Williams em corrida, sendo que o primeiro foi em um “encontrão” de Sirotkin e Alonso na primeira volta de Baku, em um daqueles casos de “muito carro para pouca pista”. Mas uma coisa está clara: esse carro não está nem um pouco fácil de guiar.

É fácil colocar na conta dos pilotos os erros e escapadas que vemos em todos os finais de semana. Mas chamou a atenção a reação de Robert Kubica depois do teste que fez em Barcelona, há um mês: “O carro é exatamente o mesmo da pré-temporada.” E na pré-temporada qualquer observação rápida na beirada da pista já atestava o quão desequilibrada e lenta era a Williams.

A história da falta de evolução continuou depois do teste. Em Montreal, o time chegou à conclusão de que tem os mesmo problemas de Melbourne, e está perdido em relação aos motivos para isso. Na verdade, não deveria. As novas peças têm chegado da fábrica, mas acabam não sendo usadas por não darem resultado concreto.

Não é a toa que duas cabeças já rolaram, do projetista Ed Wood, que era questionado faz tempo, e do aerodinamicista Dirk de Beer, que tinha boa reputação. Claire Williams já deixou claro que isso é só o começo, e é fato que a posição de Paddy Lowe é cada vez mais questionada. Sua relação próxima com os Stroll, que basicamente o bancam, no entanto, pode salvá-lo.

Mas é difícil imaginar que só demitindo, e não contratando – e existe uma seca de talentos de engenharia no mercado – vá resolver a situação.

Do lado financeiro, a situação também não é nada animadora. O time já sabe que vai ter uma queda no orçamento para o ano que vem, com a saída da Martini e o fim do bônus histórico que ganha atualmente da FOM. Isso já diminui os ganhos em uns bons 30%. Há quem diga que o time já vai precisar de injeção extra de dinheiro dos Stroll ainda neste ano só para se manter.

A esperança era que ter dois pilotos com dinheiro a rodo faria com que pelo menos um dos lados ficasse tentado a comprar a equipe em um futuro próximo. Mas ser endinheirado não quer dizer gostar de jogar dinheiro fora e quem investiria em um negócio que está fundamentalmente errado?

Entre as equipes que produzem a maior parte de seu equipamento, a Williams é aquela que tem menor orçamento. Já passou da hora de entender que uma operação como a da Force India faz muito mais sentido do que o preciosismo de ser “garagista”. Na verdade, passou tanto da hora que a melhor solução no momento seria copiar a Haas, que atua no limite do regulamento para ser uma Ferrari B. No caso, seria uma Mercedes B.

É claro que isso não é fácil, nem barato. Seria necessário enxugar muito a equipe, demitir cerca de metade dos funcionários, e basicamente admitir a derrota. No entanto, há quem diga que, enquanto Frank estiver vivo, isso não vai acontecer.

18 comentários sobre “O buraco da Williams

  1. O russo fez uma corrida feijão com arroz e foi último, não sei como o Stroll ainda não levou seu caminhão de dinheiro para outro lugar, ninguém fica tão rico jogando dinheiro fora nesse barco furado que é a Williams, e o que eu venho defendendo desde o início da temporada, não adianta cobrar dos pilotos se eles não tem um mínimo de ferramenta para mostrar seu valor, ou falta dele, imagine um Sette Câmara neste carro, sua carreira estaria encerrada, totalmente queimado.

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  2. Ugh. Como pode uma empresa que era a lider em desenvolvimento, tecnologia, ditava as tendencias, atraia os melhores, cair tanto? Lembrar que no distante ano de 2016 eles incomodavam.

    E os amiguinhos liderados pelo saudoso Ronzo tambem estao numa draga exemplar.

    All in all uma pena que ambas empresas estejam tao mal, ao menos na F-1. Com devido respeito ao espaco aqui dou a dica de ler uma coluna do Joe Saward sobre a bagunca na McLaren. Serve para a Williams tambem.

    Imagino o arrependimento que o Massa nao tem por nao ter ficado por la.

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  3. Um trecho desse, como sempre, ótimo texto me chamou a atenção:
    “As novas peças têm chegado da fábrica, mas acabam não sendo usadas por não darem resultado concreto.”
    Me lembro que na época em que esteve na Williams, o Felipe Massa elogiava justamente o faro de tudo, tudo, o que era criado no túnel de vento, gerar resultados na pista.
    O que pode ter mudado tanto para que esse 100% de aproveitamento mudasse tanto? Ou estaria o Felipinho levantando a moral da equipe para fazê-la parecer melhor do que era?
    Também fiquei curioso com relação a como a Force India funciona exatamente, sempre achei que eles funcionavam como a Williams, mas aplicando muito melhor os seus recursos e com a vatagem de sempre ter pilotos mais talentosos. Fica claro que levar dinheiro para a Force India é importante, mas não fundamental na escolha dos pilotos. O único “plus” que a equipe tem, é pagar menos pelo motores em troca de colocar o ótimo Occon no carro.
    Esse buraco no qual está a equipe inglesa, foi cavado na época em que apareceu o Pastor Maldonado e seu caminhão de petrodoláres, ter dinheiro passou a ser fundamental na escolha dos pilotos e isso afundou a equipe. Pilotos que parecem serem muito bons aparecem cheios de grana e provam que só tiveram um desempenho tão bom nas categorias de base devido à vantagem da grana.
    Uma aposta em uma dupla como Felipe Nasr e Daniil “torpedo” Kvyat seria bem melhor do que uma dupla Stroll/Sirotikin “cheios da grana”
    No mínimo o brasileiro e o russo, que foram defenestrados da f1, possuem mais talento que a dupla atual.
    E falando nos pilotos, Sirotikin me deixou curioso, achei que ele fosse bater o Stroll esse ano, até com certa facilidade, mas o russo fez corridas bem pífias até aqui.
    Eduardo,
    Acho que a palavra para os Strolls não terem levado seu caminhão de R$ para outro lugar se deve à falta de espaço.
    Vamos analisar:
    Sauber-fechou um ótimo contrato com a Fiat Crisler, passou a pagar menos pelos motores Ferrari e de brinde “ganhou” o ótimo LeClerc.
    Haas-tem um ótimo modelo de negócios que dá certo.
    Toro Rosso-equipe B da Red Bull.
    Force India-“ver Sauber” mas troque Fiat Crisler por Mercedes e LeClerc por Occon.
    A única forma de eles levarem seu caminhão de dimdim pra fora da Williams seria de fato comprar a Force India, que toda a imprensa diz ir mal das pernas financeiramente.
    Fora isso, é sem sentido qualquer equipe de meio do grid apostar nessa fórmula de negócios da Williams, que não aprendeu com o “erro Maldonado” e repetiu a fórmula com Lance Stroll.
    Plow,
    Sinto ironia emanando do seu último parágrafo?
    Grande abraço a todos do Blog!

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    1. Lembrando, Nato, que Frank abriu capital da empresa, mas manteve o controle. Azar de quem comprou as acoes a epoca (continuam despencando). SDS.

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      1. Oi Plow!
        Lembro disso, invlusive cheguei a contar uns “Temer” aqui pra ver se dava pra comprar umas poucas ações e poder dizer que era dono da Williams!
        Hahahahaha
        Grande abraço!

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    2. Já faz algum tempo que as peças não vinham dando resultado, se não me engano nos últimos dois anos do Massa foi assim. Mas parece que está pior.
      E quanto à Force India, a diferença é que eles compram muito mais coisa pronta da Mercedes, com a transmissão, podendo ter uma estrutura bem mais enxuta sem que isso se reflita na pista.

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  4. Acho que a situação da Williams vem de dois fatores.

    O primeiro fator é o de colocar o dinheiro em primeiro lugar. Colocou o Maldonado no lugar do Rubens porque este segundo trazia dinheiro. Colocou o Stroll no lugar do massa porque este primeiro trazia grana. Peças boas a williams não trás desde 2011. O próprio Rubens disse que um dos fatores de o carro de 2011 da williams ser ruim era porque as peças que funcionavam no túnel de vento, não funcionavam na pista. O que leva ao meu segundo ponto:

    O desenvolvimento do carro é ruim. Com exceção de 2014, todos os outros anos desde 2011 a williams: ou começa com um carro bom e vai ficando pra trás no campeonato, ou já começa com um carro ruim e vai assim até o final. É triste, mas volto a repetir: A williams vendeu a sua alma ao diabo quando começou com esse negócio de olhar o dinheiro que o piloto trás pra equipe, e não só o talento. Sirotkin deve ser um piloto bom, porém em um carro ruim é complicado demais de saber até que ponto os problemas que ele vem sofrendo são falta de competitividade dele e do carro.

    Já Stroll tem a mancha da grana dos pais na carreira, e seu talento é sempre questionado. Pra que isso acabe, ele deverá passar por uma temporada modesta, pra começar a virar o jogo. A williams não tá com cara de muita salvação mesmo não. De 2015 pra cá foi só decadência, e parece que ainda vai ficar muito ruim …

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  5. Concordo com a tua última frase: “não enquanto tio Frank for vivo”. E esse é o problema, pois ele já esteve na fossa por dez anos, persistindo até à chegada do sucesso, com o dinheiro saudita.

    A Williams depois de Frank vai ser outra coisa. Resta saber qual é a ideia de Claire em relação ao futuro. Quer continua o nome, tem a fibra do pai? Ou espera que ele morra para mexer nas coisas, vender, acabar com o nome? É que recordo-te que no filme, os irmãos não se falam, e sei que o Jonathan tem outras ideias sobre a equipa…

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  6. Primeiro erro mortal da Williams: deixar escspar o Adrian newey, porque não quiseram dar ações do time para ele ser co proprietário, segundo erro mortal: rompeu com a BMW por achar que os motores deles eram ruins, vai falir mesmo. Grande trabalho Ju, extraordinária sua polivalência nas coberturas multiplataforma que faz, parabéns.

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      1. Quando a ouvi entrar ao vivo na Rádio Bandeirantes há uns anos, eu não a conhecia de outra mídia, e ouvi sua voz “tímida” (rs), pensei: puseram uma novata para substituir o Ico nas chamadas de fórmula 1? Ela não vai conseguir… Precisa de muita bagagem. Pois em poucos GPs já mudei de opinião e vi que você entendia muuuuuuito do automobilismo e sobretudo de F1, você sabia até dos pormenores dos campeonatos passados e dos bastidores, das intrigas dos pilotos e donos de equipe e etc, daí em diante suas aparições para mim são sinônimo de credibilidade e conteúdo sobre F1, meus parabéns, continue sempre antenada e inserida de corpo e alma nesse mundo, imagino que deva ser bem sacrificante sua rotina de viagens pelo mundo (e ao mesmo tempo gratificante), pois você acaba se tornando visita na sua própria casa! Rs parabéns.

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  7. Parabéns Juliana! Muito boas suas matérias!
    Sei que muitos vão me trucidar aqui mas creio que a Willians só ta ai por causa da família Stroll, sem o investimento deles eles já teriam ido pro buraco. E como fã da equipe tenho que ser grato a eles, que ainda estão acreditando na equipe. Não adianta por um Norris ou um Leclerc que não ia fazer muita diferença. Eles precisam de grana no momento e nisso e difícil brigar com o Lance e o Russo.

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  8. Na real que o Massa sempre reclamava da falta de desenvolvimento, O Frank, creio eu, vai ficar sendo orgulhoso até morrer e depois a Claire que se vire.
    Quanto ao Stroll: a galera pega muito no pé do cara simplesmente por ser pagante, eu já não gosto por que me parece muito arrogante, porém, ele tem algum talento sim, deu pra sacar no podium em Baku ano passado, e principalmente naquela classificação em Monza.

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  9. Juliane,

    Deveria a Williams ter abraçado a Honda quando os japoneses saíram da McLaren? Como você acha que seria o cenário hoje se isso tivesse acontecido?

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