Na hora certa

Havia uma sensação de alívio quando Lewis Hamilton recebeu a bandeirada do GP da França. Afinal, tínhamos visto uma corrida bem mais movimentada do que era esperado, e isso não dependeu somente das provas de recuperação de Sebastian Vettel e Valtteri Bottas. Os pilotos vinham para as entrevistas empolgados porque quase todos tiveram alguma briga real em determinado momento da prova.

Menos ele, Hamilton. Como tem sido a regra neste ano, especialmente de maio para cá, a cada circuito que a F-1 visita um protagonista se destaca. Na Espanha, foi o próprio. Em Mônaco, Daniel Ricciardo. No Canadá, Sebastian Vettel e agora, novamente o inglês. E com alguns ingredientes semelhantes àquele final de semana em Barcelona, como os pneus e curvas rápidas de raio longo.

Mas ninguém na Mercedes escondia a satisfação com a atualização do motor, que acabou sendo até melhor do que inicialmente era planejado. A versão 2.0 que faria sua estreia no Canadá acabou virando a 2.1 na França, e os pilotos relataram uma melhora clara de dirigibilidade. A questão da confiabilidade, contudo, tem de ser levantada após a queda de pressão de água que fez Sergio Perez abandonar.

Do lado de Vettel, ficou a sensação de que o alemão não esteve em seus melhores dias na França. Na classificação, ele calcula que a diferença real para Hamilton tenha sido de 0s2, e não os quase 0s4 reais, uma vez que não acredita que tenha dado uma volta perfeita em nenhum momento no final de semana. E, na corrida, disse que ficou encaixotado e perdeu aderência na primeira curva, admitindo o erro que mudou a história da corrida – e que acabou saindo barato com a punição de apenas 5s, uma vez que basicamente acabou com as chances de Bottas, que visivelmente tinha dificuldade de pilotar um carro que precisou apenas de “velocidade de cruzeiro” para vencer com seu companheiro.

Fazia tempo que a F-1 não tinha uma primeira volta tão cheia de ação, e isso tem explicação. Os ultramacios e supermacios eram muito parecidos em rendimento e degradação, e por isso as equipes fizeram escolhas variadas. A única diferença entre os compostos, contudo, seria na largada, o que contribuiu para que os primeiros metros dos carros não fossem lineares. E o segundo fator é a própria pista, com a primeira volta relativamente perto da largada e com uma área de escape enorme. No final das contas, correu-se muitos riscos, carros com rendimentos diferentes acabaram se misturando e, enfim, tivemos uma corrida.

A boa notícia é que, na Áustria, o cenário tem tudo para ser parecido. Teremos os mesmos compostos, ainda que não exatamente os mesmos pneus, pois voltam os mais grossos, mas o importante é que, por toda a temporada e independentemente das condições, o ultra e o supermacio têm tido rendimento semelhante. E a primeira curva da Áustria também tem uma larga área de escape, ainda que haja mais reta desde a pole.

Em um campeonato no qual detalhes como estes podem mudar o rumo das corridas, não dá para dizer que a (segunda) virada de Hamilton é definitiva, mas o fato é que, com quatro corridas nas próximas cinco semanas, está claro que ela acontece na hora certa.

12 comentários sobre “Na hora certa

  1. Hamilton tem mostrado um maior equilíbrio nas horas decisivas, aproveitando pontos quando não dá pra vencer e vencendo categoricamente quando é possível. Isto poderá fazer uma enorme diferença no fim do campeonato.

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    1. É Hamilton não era assim, por muito tempo ele era como Verstappen, por isso que eu falo que quem crítica o holandês hoje vai morder a língua no futuro.

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  2. Faltou uma coisa, a dificuldade, não só na F1. mas na GP3 e principalmente na F2, de frear no vácuo do carro da frente perdendo a sustentação aerodinâmica e travando os freios, alem do acidente do Vettel, o Ricciardo quase estampou a traseira do Raikkonem quando foi ultrapassado, o mesmo aconteceu com Norris quando tentava passar
    Sette, alias na F2 foi um festival de passar reto neste ponto, talvez por ter freios menos eficientes que a F1.

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  3. O Vettel largou melhor do que as mercedes, beneficiado pelos pneus ultramacios, e como tinha “muita reta” ainda, ele conseguiu ficar no vácuo, mas foi justamente ai que ele perdeu a corrida. Sem pressão aerodinâmica, acertou o Bottas em cheio. O resto todo mundo já viu …

    Eu acredito que a estratégia de Vettel seria a mesma da utilizada por Kimi, para atacar Hamilton no fim da prova, como Kimi fez com Riccardo.

    O que me deixa triste na F1 atual é que existe um abismo gigante entre as equipes de ponta e o pessoal do meio do pelotão, e entre esse segundo pra williams tem mais um abismo, que arrisco dizer ser ainda maior do que dos ponteiros para o meio do pelotão.

    Os pilotos de mercedes, RBR e Ferrari que por ventura estiverem atrás, em 5,6 ou até 10 voltas se recuperam como se fossem retardatários a sua frente. Os caras não tem chance de brigar … Sainz estava em 3° na volta 5, Leclerc estava em 6°, depois que relargaram a prova, nunca mais vi esses caras …

    Ju, como foi a questão do consumo de combustível dos carros nesse fim de semana ? a atualização da mercedes melhorou esse quesito, assim como o da Ferrari também ? No caso, o carro do Hamilton não conta, uma vez que ele passeou durante o fim de semana.

    A questão do Kimi sair da Ferrari, por hora está só na rádio corredor, ou a Ferrari já começou a arrancá-lo da equipe ?!

    Abraços … =)

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    1. Tem um outro aspecto, não vale a pena um piloto de trás que está brigando para pontuar brigar com um Vettel, desgasta pneus, perde tempo e acaba sendo ultrapassado, um bom exemplo foi o Kyviat que segurou o Verstappen como se sua vida dependesse disso, sua autoestima dependia, e muito, e fodeu com sua corrida, seus rivais verdadeiro que não lutaram com alguém com muito mais carro levaram vantagem.

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    2. O Vettel tinha desistido de atacar por não ter espaço, encaixatado pela Mercedes, e tirou o pé para se posicionar atrás de Bottas, só que na hora de frear, deu zebra, sou de opinião que em casos como esse, foi um incidente de corrida, sem nenhuma intenção, travar os pneus, o carro desequilibrar e acertar o adversário, é do jogo, não deveria nem ser punido,é diferente quando o piloto tenta uma manobra estúpida ou faz com má intenção, aí a punição é valida.

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  4. Torço pelo Vettel, mas acho que , às vezes, ele arrisca muito na largada. Sei que é difícil um piloto deste nível não querer vencer e que boa parte das provas tem se definido nas largadas. O terceiro era um resumo bem realista para ele e seria mais 5 pontos. Sorte que a diferença para o segundo pelotão é grande e fica fácil tirar a diferença.
    Sobre a corrida, seria interessante tirar a chicane da reta. Aí a pista fica um pouco interessante.
    Agora é esperar uma corrida equilibrada na terra dos touros. Em Silverstone, o Hamilton vai sobrar de novo.

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  5. Julianne, já que Vettel acabou com a corrida do Bottas e foi punido, vc tem uma idéia pq ele tb não teve uma punição por ter jogado Grosjean para fora da pista na curva seguinte?

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    1. O Burti flw q ali ele freou com menos down por causa da asa quebrada e foi pego de surpresa. Mas to com vc. Teria q ser analisado aquele lance. Afinal, sem intenção tb é falta kkkk Mas acho q nem entrou em analise.

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