Como funciona a “espionagem” das equipes da F-1

Quem leu o post sobre como são feitas as vistorias nos carros durante os finais de semana de corrida pôde ter uma ideia melhor do que aconteceu horas após a bandeirada do GP da Itália, quando a Renault entrou com um protesto e ganhou, tirando pontos da Haas. O time norte-americano divulgou que contentaria a decisão, mas nada oficial foi notificado desde então.

O caso Haas ilustra bem como funciona todo o mecanismo que controla a regularidade dos carros. Vira e mexe, especialmente quando algum torcedor quer defender sua equipe, diz que “os carros são checados em todas as corridas pela FIA, claro que são legais”. Mas isso é uma meia verdade. É como o delegado técnico Jo Bauer explicou na entrevista que norteia o tal post: as vistorias da FIA funcionam como a polícia na vida real. Existem as regras/leis, mas você não passa por checagens o tempo todo. Como isso seria humanamente impossível, prevalece – ou pelo menos deveria prevalecer – o bom senso.

Não que a FIA faça vista grossa. Se existe uma suspeita, as vistorias aleatórias estão lá para isso – e por isso digo que a afirmação dos torcedores é uma meia verdade. Ou seja, existe um sistema para coibir ilegalidades, mas ele não é, como acontece nas ruas, infalível.

Pois, bem. Voltemos à Haas. Foram interessantes os documentos divulgados pela FIA explicando o caso. A infração é milimétrica, como costumam ser aquelas ligadas às dimensões do carro: a prancha que fica logo abaixo do assoalho não poderia ter um raio menor que 50mm (com margem de erro de 2mm para mais ou para menos) quando vista de frente. O mais provável é que o carro da Haas estivesse abaixo deste limite, pois isso geraria vantagem (ínfima, é verdade) de performance.

Mas a FIA não está lá para definir o tamanho da vantagem: se está fora do regulamento, o resultado não vale. No entanto, a entidade tem certa condescendência, como vimos claramente naquela questão da queima de óleo do ano passado. Eles avisam por meio de diretivas técnicas que não estão de acordo com as soluções de algumas equipes e dão um tempo para que eles mudem o ponto em questão.

A investigação para acionar essas diretivas pode vir diretamente dos fiscais, como também de equipes rivais. Basicamente, sabendo que o time X está fazendo algo que pode ser interpretado como ilegal, o time Y questiona a FIA se ele também pode fazer isso. E é aí que o processo começa.

Então, quando essas diretivas são lançadas, é normal que os rivais já saibam quais são os alvos. E obviamente começam a ficar de olho. No caso do assoalho da Haas, a tal diretiva saiu dias antes do GP da Hungria pedindo para que os carros estivessem em ordem até depois do GP da Bélgica. A Haas não era o único alvo neste caso, mas argumentou com a FIA que não teria tempo hábil para produzir uma nova peça por conta da pausa de agosto, quando as fábricas têm de ficar fechadas por duas semanas.

A FIA entendeu a situação e permitiu que a equipe estreasse a nova peça só em Cingapura, mas deixou claro para a Haas que eles ficariam expostos a um protesto. Dito e feito. Sabendo que a atualização não tinha sido feita, coube à Renault apenas reunir as provas fotográficas e ganhar de volta a quarta colocação no Mundial de Construtores.

4 comentários sobre “Como funciona a “espionagem” das equipes da F-1

  1. Lembrando que nem tudo são flores.
    O ex capo Bernie Ecclestone deu declarações entregando que a “entidade” F-1 fazia vistas grossas (ou cegas mesmo) em alguns casos. Para ajudar aquela equipe vermelha do então Dick Vigarista.
    Quem acredita na lisura da “entidade” pode escrever para Papai Noel que o Natal está chegando.

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  2. Muito interessante a postagem Ju!
    E essa declaração do Gunther Steiner de que a Renault reclamou porque não consegue bater a Haas? Procede ou foi coisa de jornalismo sensacionalista?
    Grande abraço a todos do Blog!

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