Drops do GP de Cingapura e a implosão da Ferrari

Comentei no último texto como Vettel dá a impressão de querer resolver tudo sozinho. É algo que me chamou a atenção desde a classificação do GP da Bélgica, quando ele reclamava em línguas diferentes e gesticulava para os mecânicos não arrastarem o carro nos boxes. Até que ele desiste, como se estivesse sem forças.

 

Sempre seria difícil para a Ferrari se reorganizar depois da era Marchionne  existe um vazio muito grande politicamente dentro da equipe, o que vem dificultando a tomada de decisões até mesmo do ponto de vista técnico, e afastando Vettel de Maranello. Leclerc, por exemplo, foi uma derrota dele, e me faz lembrar de uma conversa que tive no fim do ano passado com Stella Bruno, uma repórter italiana com mais de 20 anos de F1. Falávamos sobre o poder de veto de Seb e ela apontou que era muito cedo para saber se ele seria ouvido na escolha de seu companheiro em 2019 porque na Ferrari as coisas mudam rápido demais. Era só ver o que tinha acontecido com Alonso.

 

Falando em Ferrari, ligando os pontos em Cingapura deu para ter uma ideia de qual é o plano para o futuro é relação a Mick Schumacher. De um lado, Fred Vasseur, da Sauber, dizia que o melhor para o alemão seria fazer um ano de F-2 já tendo relação com alguma equipe da F-1 e realizando algumas sessões de treinos livres. Ao seu lado na coletiva, Maurizio Arrivabene dizia que “a Ferrari não pode não deixar as portas abertas para um nome como Schumacher.”

 

O piloto nunca foi brilhante, mas ninguém duvida que ele vai chegar na F-1 devido ao sobrenome. E já há quem desconfie que as vitórias basicamente do nada no último fim de semana teriam relação com o fato da equipe Prema ter mudado de mãos e agora não estar exatamente dentro do regulamento. O time entrou dentro das negociações de Lawrence Stroll para assumir a Force India perdendo o mínimo possível. E nada como vender a equipe que ele comprou para alavancar a carreira do filho a um preço simbólico a Nicolas Todt. E pensar que tem gente que ainda não consegue entender como estar próximo de Todt e efetivar Leclerc era importante para a Ferrari…

 

O GP de Cingapura é daqueles em que não usamos carro para chegar ao circuito. E isso se estende aos pilotos. Há vários hoteis que ficam muito perto da pista, então não é exatamente um trajeto longo. Mas, como o melhor é usar os shoppings para escapar do calor da rua, é muito fácil se perder. Na sexta, eu e uma colega nos perdemos, digamos, com gosto (conseguimos andar por uns 20 minutos e voltar exatamente para onde erramos a direção da primeira vez). Mas achei que estávamos tranquilas quando cruzamos com Leclerc, seu treinador e sua assessora. Até que Charles, tão perdidos como nós, vem nos perguntar se nós sabíamos chegar no paddock. No fim das contas, chegamos!


Outra particularidade de Cingapura são os shows, e pela primeira vez, fiz o esforço de terminar o trabalho pós-FP3 correndo para ir até o outro lado da pista ver um dos meus maiores ídolos, Liam Gallagher. Foi a primeira vez que o vi na carreira solo e não sabia muito bem o que esperar da sua voz. Mas Liam estava em ótima forma e arrasou com uma versão só acompanhado de piano para Champagne Supernova. E de quebra dedicou Some Might Say “para aquele cara rápido de Stevenage”.

 

Para finalizar, algumas rapidinhas do mercado de pilotos: a Mercedes deve optar por Russell na Williams e Ocon como reserva do time principal. A Haas, por manter Magnussen e Grosjean. A Toro Rosso terá Daniil Kvyat de volta e provavelmente Hartley continua e a grande dúvida do paddock é em relação à segunda vaga da Sauber.

20 comentários sobre “Drops do GP de Cingapura e a implosão da Ferrari

  1. A Toro Rosso trazer o Kvyat de volta é um retrocesso, seu tempo já passou, seria um contrato tampão.
    Porque não investir no Pascal Wherlein, que já não tem mais nenhum vínculo com a Mercedes, e é muito mais promissor.
    Ju, você acha que isso seria possível?

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      1. Autoracing? Sério? É o blog do “achismo” sempre na base do 50/50 se der certo eles deram um “furo” se der errado eles esquecem que falaram do assunto.
        É meio que óbvio que Wehrlein cortou as relações com a Mercedes por não ter vaga no time e está batendo de porta em porta e até pode acabar na Toro Rosso. Mas, um monte de pilotos inativos pode.

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  2. Ju, duas dúvidas: A Stella foi a primeira jornalista mulher a frequentar os paddocks? Se não foi, sabe quem e quando foi? A outra é sobre a Sauber, há chance da colombiana Tatiana Calderon entrar ano que vem?

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      1. Uma jornalista inglesa, cobria a F1 nos anos 60 e 70, não recordo seu nome, era muito chegada a Colin Chappiman, escreveu um livro sobre a temporada de 72, tendo como foco Fittipaldi, o campeão daquele ano.

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  3. Ju, seus comentários são sempre técnicos e dotados de graça e leveza, uma delícia para serem degustados. Permita-me, se possível, fazer uma observação: desde a padronização de grafias de 2016, Singapura só deve ser escrita com “S” (não são mais aceitas as duas formas “S” e “C” – inclusive na embaixada de Singapura consta um aviso alertando sobre a mudança).
    Um abraço
    Rodney

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  4. Ah, meu Deus, Grosjean mais um ano? Ah….. brincadeira.
    Absolutamente inacreditável esse cara ainda ter vaga na F1 com tanto piloto bom e muito melhor de cabeça ficando a pé.

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  5. Julianne, um fato que pouco se comentou foi o caso do Ocon, que confirmou que foi à sede da McLaren moldar o banco, como queria a Mercedes, mas agora não é mais uma opção.

    Porque a McLaren aceitou ficar com o Ocon?
    Porque ela voltou atrás no que tinha acertado?

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  6. Oi Ju, parabéns por nos trazer os bastidores. Tenho uma dúvida em relação a carreira de pilotos que querem chegar a F1. Hoje é mais importante ele cedo conseguir um lugar numa academia de uma equipe ou ele conseguir fechar contrato com um bom empresário? Essa relação é muito confusa, por exemplo o Toto é empresário de piloto, chefe e sócio de equipe isso ainda que ele vendeu a participação na Williams, falo isso por causa do Ocon, o contrato dele é com a Mercedes ou com o Toto? Não compensa ele romper e buscar outra parceria já que ele tem a promessa, mas não a certeza de correr em 2020? E se o Bottas arrebenta ano que vem e renova ? Ele vai ficar mais um ano no simulador? E pra finalizar, não há qualquer regulamentação sobre ser empresário e dono de equipe? Um abraço e parabéns pelo trabalho

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    1. Estava pensando ontem que o melhor caminho hoje é ser empresariado pelo Nicolas Todt e o próprio texto do post explica o porquê. Os programas vão andar mais rápido ou mais devagar dependendo da situação do time principal, não tem como adivinhar. Vamos supor que a Ferrari não termine o contrato com o Vettel: quem poderia prever isso há um, dois anos?
      Sobre Ocon, ele é piloto Mercedes e diz que não larga porque não teria chegado sem eles. Ele só tem que ter paciência porque o Toto gosta muito dele. Esse ano as coisas saíram do controle depois do movimento completamente inesperado de Daniel.

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  7. Saindo um pouco do tema da postagem.
    É impressão minha ou estão passando a mão na cabeça do tresloucado Perez?
    Dirigentes e mídia especializada.
    Falando do fato de ter jogado o carro para cima da Williams de Sergey Sirotkin.
    Charlie Whiting chegou a declarar que duvidava a intenção da bundada no carro da Williams.
    “foi sem querer querendo”, diria Chapolin Perez.
    Por que esta situação?
    Grana?
    Estão vendo outra corrida?
    Que se passa?

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    1. Bom, eu apertei o Charlie. Perguntei se dava para comparar com Baku e ele disse que sim, mas em Baku era SC. Questionei novamente se, por não ter sido em SC, não era mais perigoso (na verdade, Vettel escapou daquela pq foi em SC). E ele disse que sim, foi “provelmente mais perigoso”. A questão é que, em situações como esta, ele sempre joga nas mãos dos comissários, porque são eles que decidem o tamanho da pena.
      Acredito que o assunto não tenha sido tão explorado pelo momento que vivemos no campeonato. Ninguém está passando a mão na cabeça dele não.

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